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terça-feira, 27 de setembro de 2016

NEIL GAIMAN - Entrevista

 O Senhor das Palavras.

Neil Gaiman é um cara que dispensa apresentações para quem curte quadrinhos maduros e literatura fantástica.

Então, para vocês, fãs de Gaiman que querem conhecer ele um pouco melhor e saber o que ele pensa sobre literatura, quadrinhos e outros assuntos, selecionei perguntas de entrevistas diferentes (para não ter problemas com direitos autorais) e após cada resposta eu linkei o original onde quem lê inglês pode ler a entrevista completa.

Com a palavra, Neil Gaiman:

O que você gostava de ler quando era criança?

Qualquer coisa. Eu era um leitor. Meus pais costumavam me revistar antes de reuniões de família. Antes de casamentos, velórios, bar mitzvahs e o que fosse. Porque se não o fizessem, o livro estaria escondido dentro de um bolso ou outro lugar e assim que eu tivesse a oportunidade eu acharia um canto para ler o livro. Era assim que eu era... era isso o que eu fazia. Eu era o menino com o livro. Agora, tendo dito isso, minha tendência era gravitar ao redor de qualquer coisa fantástica, fosse Ficção Científica, fosse Fantasia, fosse Horror, fossem histórias de fantasmas ou qualquer coisa dentro desse território. Mas eu era, definitivamente, o tipo de criança que lia de tudo. O legal de estudar em uma escola na Inglaterra naquela época é que as escolas eram realmente muito velhas. E elas sendo bem velhas isso significava bibliotecas construídas nos anos 1920. Aquela foi a última época em que saíam em expedições de compras de grandes livros. E mais algumas surgiram nos anos 1930. Eu tive a oportunidade de ler esses autores quase esquecidos. Eu sentava e devorava as obras completas de Edgar Wallace ou G.K Chesterton. Na verdade, eu me lembro de ver pela primeira vez os dois primeiros volumes de O Senhor do Anéis em dois capas dura bem detonados. A Irmandade Do Anel e As Duas Torres. Era o que tinha na biblioteca, e eu os li e reli várias vezes, imaginando como aquilo acabaria. E quando eu tinha doze anos eu ganhei o prêmio de Inglês da escola e eles disseram: “O que você gostaria de ganhar como prêmio? Você ganha um livro.” Eu disse: “Por favor, posso ganhar o Retorno do Rei para saber o que acontece?” 

Leia a entrevista completa aqui.


Os Pérpetuos no tradicional almoço de domingo. ;-)


Sobre criar uma família disfuncional para Sandman e seus irmãos (conhecidos como Perpétuos).

Muito disso se deve a quando eu comecei a escrever Sandman. Foi em 1987 que eu comecei. Eu estava pensando que não existiam quadrinhos por aí com famílias – e eu amo a dinâmica familiar. Eu adoro a forma como as famílias funcionam ou não funcionam, adoro como se comportam, adoro como elas interagem e isso me pareceu que seria algo muito divertido para colocar na obra.

Quando eu vim para a América para sessões de autógrafos, as pessoas me diziam: “Nós adoramos os Perpétuos; nós adoramos Sandman e sua família, eles são uma família disfuncional maravilhosa.”
Não era uma expressão que eu não tivesse escutado antes, mas eu perguntei: “Um momento, me explique, o que é uma família disfuncional?” E as pessoas me explicariam, e depois de algum tempo eu me dei conta de que o que os americanos chamam de “família disfuncional” é o que na Inglaterra nós chamamos “família”. Eu nunca topei com uma dessas famílias funcionais.

Leia a entrevista completa aqui.


Dizem que a inveja é um pecado mortal...

Descreva um dia de trabalho. Como você escreve?

Se estou escrevendo um livro, eu provavalmente acordo pela manhã, confiro e-mails, talvez meu blog, resolvo emergências e então me dedico a escrever das 13:00h às 18:00h. E vou escrever longe, a uma distância segura do computador. Se eu não estiver escrevendo um livro, não tenho programação, e roteiros e introduções e o que for podem ser escritos a qualquer hora e em qualquer coisa.

Leia a entrevista completa aqui.


Página do livro de scketches de Neil Gaiman.


Em Credo (Em que eu acredito), que abre a primeira seção do livro, você escreve: “Eu acredito que eu tenho o direito de pensar e falar coisas erradas.” Você acha que na sociedade de hoje – particulamente por causa das redes sociais e do ciclo de notícias 24 horas – que não deixamos as pessoas estarem erradas o suficiente?

O que eu tenho a tendência de ver acontecendo é mais e mais pessoas se refugiando em suas bolhas. As pessoas estão assustadas de fazerem a coisa errada ou de serem xingadas e por isso formam vilarejos onde todos concordam uns com os outros e então eles podem ir até o outro vilarejo e atacar as outras pessoas que moram lá apenas pela diversão, mas não existe qualquer intercâmbio de ideias.
Eu acho que temos que encorajar a ideia de que nos é permitido pensar coisas. Eu pensei muitas coisas idiotas ao longo dos anos, e eu posso te dizer que não existe nada idiota demais que eu tenha pensado que alguém tenha me feito mudar de ideia porque me xingou ou me ameaçou de morte. Por outro lado, ter ótimas conversas com bons amigos, provavelmente bebendo, definitivamente mudou minha linha de raciocínio e me fez pensar que poderia melhorar. Nos é permitido melhorar, mas nós temos que deixar que as pessoas melhorem. 

Leia a entrevista completa aqui.



Gaiman no set da série Deuses Americanos.


Parece que você está, lentamente, se tornando um escritor de prosa. Você tem planos de voltar aos quadrinhos?

Bem, não estou escrevendo muito quadrinhos nesse momento. Suponho que eu me tornei bom escrevendo quadrinhos. Eu aprendi minha arte. Por 8 ou 9 anos eu fui realmente um roteirista de quadrinhos. E eu fiquei muito bom nisso. Por outro lado, quando estava escrevendo Sandman, tinha outras coisas que eu queria fazer, a maioria das quais eu não podia naquela época. Bons Augúrios, que eu co-escrevi com Terry Pratchett, foi escrito em 1989, quando eu levava duas semanas para escrever uma edição de Sandman. Então eu tinha bastante tempo livre, certo? E eu queria escrever mais prosa – eu queria fazer televisão e cinema e eu queria escrever uma peça – mas eu não tinha tempo sobrando. A maior parte do que venho fazendo desde que finalizei Sandman são coisa que eu não podia naquela época, como colocar Neverwhere como uma séria na BBC, o que eu aprendi muito, ou meu episódio de Babylon 5, que me mostrou que eu poderia conseguir de verdade fazer algo parecido com o que eu gostaria de ver na TV. E essas são coisas que eu ainda não sou – pelo menos na minha opinião – muito bom em escrever. Eu ainda não escrevi um livro que eu ficasse completamente satisfeito. Stardust foi o mais próximo que eu cheguei disso. Eu estava muito mais satisfeito com ele do que com Neverwhere, como qual eu não estava super feliz. Foi um bom começo. Eu espero que no próximo, eu acerte a mão. Eu quero fazer outra série de TV agora, porque acho que aprendi o suficiente para fazer uma com a qual fique contente. Fazer um filme. Foi bom fazer o roteiro da Princesa Mononoke. É muito diferente de escrever quadrinhos. São mídias diferentes, quadrinhos sendo uma coleção de imagens estáticas, eu acho, tem muito mais em como com a prosa do que com um filme. Criam-se efeitos muito mais próximos da prosa. Com filmes, a coisa está se movendo o tempo todo. Personagens  estaco fazendo coisas o tempo todo, falando de verdade. Você tem que ser menos obsessivo com sua criança. Você não pode ter algo que você acha que é perfeito, absolutamente o que você quer: você tem que saber que não, é apenas um diagrama. Eu apenas quero criar coisas, na verdade. Toda a minha vida, eu achei que estava escapando de algo porque eu estava inventando coisas e descrevendo elas no papel. E que um dia alguém bateria na porta, e um homem com um prancheta estaria na soleira e diria: “Aqui diz que você apenas andou inventando coisas por todos esses anos. Agora está na hora de sair daí e ir trabalhando no banco.”
Porque minha avó ou quem quer que fosse sempre me avisava, como eles avisam as crianças: “Não invente coisas! Você sabe o que acontece com meninos que inventam coisas!” Mas eles nunca te contam o que acontece. Mas o que posso dizer até agora, que o que aconteceu envolveu poder ficar muito em casa, algumas viagens internacionais, ficar em hotéis bacanas e conhecer muita gente legal que quer que você autografe coisas para elas. É isso.     

Leia a entrevista completa aqui.

A biblioteca particular de Neil Gaiman.


Nuno, membro do Goodreads (site equivalente ao Skoob) pergunta: “Como fã de FC e Fantasia, eu sou frequentemente confrontado por pessoas que desprezam esses gêneros como sendo escapismo – e nada mais. Mas eu sempre gostei que Ursula K. Le Guin disse que o propósito da FC é ‘descrever a realidade, o mundo atual.’ Qual, você diria, é o propósito da Fantasia e FC?”

Eu acho que o propósito é nos mostrar o mundo em que vivemos em... sobre um ângulo levemente diferente. Em um no qual nunca o vimos antes. A grande coisa de ver algo familiar sob um ângulo levemente diferente é que você pode vê-la novamente pela primeira vez. Você pode vê-las sem todas as pré-concepções que você construiu.Se você acha que pessoas e coisas são de um jeito, a melhor coisa da FC e da Fantasia é que elas podem te passar a mensagem fundamental de que as coisas não precisam ser assim. As coisas podem ser diferentes. E isso é incrivelmente libertador.

As pessoas dizem que são coisas escapistas, mas também tem as coisas boas. Mas você não decide o que é escapista e o que é bom. E ficção que te permite escapar é sempre maravilhosa.

Um dia desses eu escutei uma entrevista na rádio BBC sobre um homem que havia aprendido a ler direito na prisão. E ele estava falando sobre o fato de que a melhor coisa sobre ler era que ele não precisava estar na prisão enquanto lia. Sim, ele estava na prisão, mas lá tinha livros. E agora que ele os podia ler, ele podia estar na Jamaica, ir para a América e passar por essas aventuras e até viajar no tempo. E eu pensei, ele está dizendo algo muito verdadeiro. Não é escapismo – é escapar. E quando você escapa, não é apenas uma escapada. Porque você voltará, e você estará diferente. Você estará armado com ferramentas, armas e conhecimento. E coisas que você não sabia antes.  

Leia a entrevista completa aqui.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O TOQUE MÁGICO - Literatura

 Capa da edição dos anos 80.


F. Paul Wilson escreveu este Toque Mágico (The Touch) em 1985. Conheci Wilson na época nos anos 80, época em que devorava livros (bons tempos em que eu tinha tempo pra isso) e esse foi o terceiro livro que li dele.

E apesar do tema parecer não muito emocionante (um médico que cura milagrosamente com apenas o toque de sua mão), Wilson consegue levar a trama à condição de suspense sobrenatural onde o leitor é quase que incapaz de largar o livro para ir dormir. Muitas noites seus livros me fizeram ficar acordado além da hora. Eu particularmente, o acho superior à Stephen King.

No livro, após contato com um mendigo, Dr. Alan Bulmer adquire o poder de curar com o toque de sua mão, mas à medida que vai usando seus poderes, sua vida pessoal, emocional e profissional começam a se deteriorar. Até onde ir com esse poder sem ser destruído por ele? E de onde surgiu tal poder e o que ele significa? Intrigado, resta ao personagem e ao leitor descobrir isso aos poucos através da pena mágica de Wilson.

Quando eu li, o livro era um romance isolado. Após alguns anos, Wilson adicionou finais extras aos seus livros para criar interligações entre eles e fazer a série O Ciclo do Inimigo. Não se preocupe com isso e leia como se fosse um livro só, pois ele funciona muito bem assim.




Versão atual com a adição do final extra.



sábado, 16 de julho de 2016

ENTRE ABISMOS - Conto



ENTRE ABISMOS

Jerri Dias


Entre as membranas a Consciência é. Não sabe o quê. Apenas é. Não existem palavras para descrever-se ou para descrever. Sem memória. Sem passado. Sem presente. Sem futuro. Sem tempo. Sem corpo.

Apenas um vago desconforto, mas ela não sabe de onde vem ou porquê.

O desconforto cresce, a Consciência, como que por instinto, decide explorar ao redor. Após um bilhão de anos ou um minuto ela avista um ponto diminuto. O ponto pode estar a trilhões de quilômetros ou a poucos metro de distância, mas tempo e espaço não são conceitos conhecidos pela Consciência. Ela alcança o ponto, um pequeno rasgo na membrana.

E olha dentro do abismo.

Ela não sabe o que vê, e mesmo se soubesse,  ela não tem uma linguagem para se exprimir. Mas após permanecer ali o suficiente, olhando com curiosidade para dentro do abismo, a Consciência desenvolve uma linguagem primitiva própria e começa a nomear o que observa. Fascinada, a Consciência se dedica a observar o abismo e tudo que acontece dentro dele.

Até que subitamente os eventos deixam de acontecer dentro do abismo. Dos mais ínfimos aos mais gigantescos, tudo cessa. A Consciência nada sente, apenas continua observando o abismo vazio. Até que novamente seu instinto lhe impele a mais explorações e ela, eventualmente, encontra mais um ponto que lhe permite observar um outro abismo. Ela nota que esse abismo é diferente do outro, mas não sabe como nem porquê. E nem se importa. A Consciência permanece ali até que o abismo se esgote em si mesmo.

A Consciência descobre muitos outros abismos. Todos diferentes uns dos outros, todos únicos. A Consciência, agora, já conhece todos os abismos. E todos os abismos cessaram seus eventos. Não são mais. Ela já sabe o suficiente, mas saber não é o suficiente. Entediada de apenas saber e nada sentir, a Consciência força a membrana. A membrana resiste.

Mas a Consciência descobrira um propósito para sua existência. Ela não mais seria uma mera observadora, agora seria protagonista. E ela rompe a membrana.

Um rasgo diminuto, mas suficiente.

Ela espreme-se pelo ponto até sair do outro lado, espalhando-se rapidamente no abismo vazio. A Consciência experimenta a luz pela primeira vez. Em seguida vem o calor. A Consciência está em êxtase. Ela sente a fragmentação de seu conhecimento em um número infinito de filamentos de seu ser. Esses filamentos se espalham e se aglutinam aleatoriamente, carregando os estilhaços da Consciência para toda parte. Os filamentos se aglomeram, dando origem a estranhas formas.  

A Consciência não sabe o que virá em seguida.  Apenas pressente, à medida em que é dilacerada por forças que não compreende, que esse será o abismo mais interessante de todos. 


Porto Alegre, 4 de julho de 2016. 

 

domingo, 24 de janeiro de 2016

SATORI - Conto


SATORI

O sol do Grande Deserto era o maior de todos os sóis que já havíamos visto e sentido em nossas finas e secas peles. Ele nos falava da Terra Prometida e nos levava através de incontáveis caminhos. Nós nunca o questionávamos. Nós nunca nos questionávamos. Ele era o Mestre e assim como a areia segue o vento no deserto, nós o seguíamos. Para chegar ao Satori. E um dia Ele morreu. E ficamos parados no coração do Grande Deserto, enquanto nossas gargantas queimavam, nossos corpos secavam e nossas almas evaporavam.
 
Janeiro, 1990

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O FIM DA INFÂNCIA - Livro



Escrito em 1953 pelo saudoso Arthur C. Clarke, O Fim da Infância foi um dos livros que marcou minha adolescência. A história fala de uma tomada relativamente pacífica da Terra por uma frota extraterrestre de seres denominados Senhores Supremos. Com o objetivo de dar um jeito no caos político e social do planeta, eles acabam com os governos, os exércitos e criam uma utopia planetária. Uma das cenas mais divertidas do livro é quando uma de suas naves paira sobre uma tourada para fazer com que todos os presentes sintam as dores das estocadas no touro. Mas o grande mistério que cerca essa raça alienígena é que ela nunca se mostra aos humanos, o que gera todo tipo de especulação por parte da humanidade. Religiosamente irônico, divertido e com muito espaço para a filosofia e reflexão sobre os caminhos da raça humana, esse é um clássico da FC que Kubrick tentou filmar antes de 2001, mas os direitos haviam sido comprados por outro diretor.

Mas depois de inúmeras tentativas de adaptação desde os anos 60 , uma mini em 3 episódios foi ao ar em dezembro de 2015 e as críticas parecem positivas.



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

TOP 5 - LIVROS DE FICÇÃO CIENTÍFICA*



SHIKASTA, de Doris Lessing

Meu primeiro contato com Doris Lessing (Nobel de Literatura em 2007) foi com este livro que peguei aleatoriamente na prateleira de livros de  ficção científica em uma biblioteca. E a partir daí ela se tornou minha escritora favorita. Mais tarde descobri que também era a favorita de Caio Fernando Abreu e de muitos outros autores e intelectuais respeitados.

Já sobre o livro, Lessing o classifica como ficção espacial, pois ela trabalha os mesmos tópicos que em seus outros livros: política, filosofia, psicologia e feminismo. Ou seja, ciência não é o forte desse livro. Mas eu juro que você nem vai notar a falta disso no livro. Dotada de uma sensibilidade extraordinária para criar narrativas e personagens complexos e profundos, Lessing narra uma batalha épica entre três civilizações planetárias pela conquista de Shikasta, conhecida por nós como Terra. A conquista, entretanto, não se dá por uma invasão de naves espaciais, mas pelo recrutamento de humanos para suas respectivas causas e reencarnação de agentes alienígenas ao longo de milhares de anos para intervir na história.

A autora narra trechos bíblicos através da ótica extraterrestre, assim como grandes transformações geopolíticas aos longo dos últimos séculos e décadas até avançar para um mundo pós-apocalíptico onde os seres humanos finalmente despertam de sua confusão e letargia causada por uma dessas civilizações.

Shikasta é o primeiro livro da série de cinco de Canopus em Argos: Arquivos. Nenhum livro é uma continuação direta do outro ou possui os mesmos protagonistas, mas ocorrem  algumas referências a um personagem ou evento de outro livro da série.   


TIGER! TIGER!, de Alfred Bester



Nessa ficção divertida e emocionante, Alfred Bester, um dos grandes mestres do gênero,  imaginou um futuro onde as pessoas podem "jauntar" (teleportar-se) até 2.000 km apenas usando o pensamento, onde os ricos se refugiam em labirintos-bunkers protegidos por assassinos radioativos e onde um pária meio burrinho é o homem mais perigoso e valioso do sistema solar porque subitamente ele dá um salto evolucionário para a corrida espacial. Lançado mais tarde com o título Estrelas: O meu Destino, este livro escrito em 1956, previu parte de nossos avanços tecnológicos e pode finalmente virar uma superprodução hollywoodiana.





2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO, de Arthur C. Clarke



Um misterioso objeto retangular preto, denominado monolito, é encontrado enterrado na Lua. O monolito envia um sinal para um outro monolito gigante na órbita de Júpiter e uma equipe é enviada em uma missão para descobrir as raízes extraterrestres do objeto.

O que o filme tem de hermético, o livro explica. Quase todas as suas dúvidas são sanadas com a leitura desse clássico da FC publicado logo após o lançamento do filme de Stanley Kubrick. Sim, o roteiro e o livro foram escritos ao mesmo tempo. Embora 2001 já seja passado em nossa realidade, esse épico continua surpreendendo e empolgando a todos seus leitores.

Anos depois, graças a influência de um conto escrito pelo brasileiro Jorge Luiz Calife, Clarke retomou a saga do monolito nos livros 2010, 2061 e 3001.


O DIÁRIO DE FRANKENSTEIN, de Hubert Venables




Praticamente um fanfiction sobre o original de Shelley, o livro de Venables, supostamente aqui um reverendo que encontrou os antigos diários de Viktor Frankenstein, é tão rico de detalhes que consegue aterrorizar seu leitor ainda mais do que a obra original.

Quase um resumo de Frankenstein, mas totalmente sob o ponto de vista do cientista que ousa "brincar de Deus", a narrativa em primeira pessoa e as ilustrações elaboradas e detalhadas para nos fazer crer de que tudo foi real, colaboram para que o leitor fique completamente imerso no terror que se torna a vida de Frankenstein após dar vida a sua criatura feita de restos de cadáveres.  

Um livro indispensável em qualquer estante de ficção científica ou terror.


SIMULACRON-3, de Daniel F. Galouye



Já imaginou se o mundo em que você vive não passasse de uma simulação virtual armazenada em um computador simplesmente para fins de pesquisa de opinião de produtos comerciais e entretenimento de pessoas reais?

Achou muito clichê e já viu isso em vários filmes? Pois em 1962, quando Simulacron-3 foi publicado, poucas pessoas no mundo tinham alguma noção do que significava realidade virtual e muito menos conseguiam prever seus usos e possibilidades.

Não bastasse Galouye escrever um livro 40 anos antes do termo realidade virtual se tornar uso comum para quem acessa a internet, a obra ainda guarda uma narrativa de suspense quando pessoas reais e seus simulacros virtuais começam a ser assassinados por conta de um segredo que não pode ser revelado.

Depois do sucesso de Matrix, o livro foi rapidamente adaptado para o cinema em um filme chamado 13º Andar. Infelizmente não empolga quem leu o livro.


Poster de 13º andar.


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*O objetivo desta lista não é declarar que estes são os melhores livros de FC, mas apenas salientar que eles tem méritos suficientes para estar em qualquer lista de grandes obras deste gênero.

terça-feira, 16 de junho de 2015

ENTREVISTA COM O VAMPIRO - Livro



Escrito em 1976 e publicado no Brasil com tradução de Clarice Lispector (o que melhorou a prosa da autora Anne Rice), o livro só faria sucesso mesmo dez anos depois, com o lançamento da seqüência O VAMPIRO LESTAT e a consequente adaptação de ENTREVISTA... para os quadrinhos em 1991 e para o cinema em 1994.
Neste primeiro volume, o leitor conhece o atormentado Louis, o hedonista Lestat e a cruel Claudia, uma vampira eternamente presa no corpo de uma menina de 5 anos. Rice renova o gênero fazendo o leitor acreditar que vampiros realmente poderiam existir e estão entre nós graças ao excelente artifício de colocar um jornalista moderno entrevistando Louis, que narra sua história ao longo dos últimos 200 anos. Antagonizando os vampiros por conta de suas diferentes visões de mundo, Rice trabalha os conflitos religiosos e filosóficos de seus atos. Mas longe de ser um tratado sobre as raízes do Mal, a obra é uma grande aventura pelo submundo sobrenatural dos vampiros e não é de admirar que tenha fascinado tantos jovens adultos e criado uma vampiromania andrógina nos anos 90. 

E no site do Submarino, frequentemente existem ofertas de todos os livros da série CRÔNICAS VAMPIRESCAS com descontos de até 80%. Vale a pena dar uma olhada.


Trailer do filme


segunda-feira, 2 de março de 2015

A HISTÓRIA DO LADRÃO DE CORPOS (The Tale of the Body Thief, Anne Rice, 1994) - Literatura



Quarto volume de AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS de Anne Rice, o hedonista vampiro Lestat retorna para confrontar-se com sua nova mortalidade. Apesar da premissa da troca de corpos e mentes ser muito utilizada em comédias, Rice tenta um viés mais dramático ao realizar a troca entre um vampiro imortal arrogante e um feiticeiro mortal sem escrúpulos. Como os outros romances da saga, os personagens principais se debatem entre alimentar seus instintos mais primordiais e obter alguma redenção moral ou espiritual. A constante inclusão da mitologia cristã em detrimento de outras mitologias reflete as crenças pessoais da autora, que passou de católica apostólica romana à atéia à, até o momento, uma crente independente em Jesus.  Recomendável para menores de 30 anos que ainda sonham em ser vampiros.     


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

PRECE - microconto


                                                            
    Eu entro na Igreja. Quero falar com Deus. Mas não o sinto. Eu própria não me sinto. Há um padre no altar. Poucas pessoas nos oratórios. As imagens de anjos e santos me observam. Não. Demônios me observam. Eu só vejo demônios. Vejo também corpos mutilados e pessoas gritando. O padre reza. Ouço obscenidades. As pessoas à minha volta são caricaturas de seres humanos. Está tudo errado. Isso é uma igreja? Mas apesar de tudo, ela  continua reluzindo a ouro e prata. Eu não compreendo. Eu não me compreendo. Deus, faça-me compreender! Deus não me compreende. Me ajoelho para implorar por Seu perdão e sinto agulhadas. Ossos. Há ossos no chão. O chão é feito de ossos. Minha pele se rasga. O padre se foi. Mas a batina dele continua lá, rezando. Quero dizer, dizendo obscenidades. O padre, quero dizer, a batina, diz que quer sexo. O meu. Acho que não escutei bem. As caricaturas olham para mim. A batina flutua em minha direção. As imagens de demônios encaram meu corpo com luxúria. Grito para pararem. Eles param.

 
Maio, 1990


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

POEMEUS - Poesia



S&M
A mão que golpeia
Afaga após o golpe
Para que sare depressa
Pois ela precisa golpear



PAPO-FURADO

Alguém disse certa vez...
Não!
Ninguém disse nada



ESPERANÇA

Um dia talvez...
Apenas talvez...
Você levantará da sua cama
E estará vivo

Porto Alegre, 1990

sábado, 10 de janeiro de 2015

O QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI...(?) - Crônica



Sinceramente? Vários motivos: aumentar meus horizontes; ser forçado a escrever mais; diploma; ter uma profissão definida; conhecer outras pessoas com as quais possa conversar sobre literatura e cultura em geral; fazer amigos; deixar minha mãe feliz por ter um filho universitário; a possibilidade de pedir por uma bolsa no exterior e ter direito a prisão especial para o caso de um dia precisar...
   
Alguns dos objetivos  já foram conquistados, outros estão sendo. Já fiz boas amizades com as quais consigo conversas interessantes e minha mãe está contente. Quanto ao resto, estou na dependência do futuro. Minha atual angústia, ou talvez fosse melhor dizer ansiedade, é no quesito “aumentar meus horizontes”. Uma professora amiga minha graduada nessa mesma universidade, certa vez me disse: “Se um dia tu quiser deixar de gostar de ler, entra pra Letras.” Uma afirmação que agora faz algum sentido para mim. Os textos teóricos que certas cadeiras nos fornecem, dissecam tanto e tão friamente certas obras que eu chego a pensar se aqueles teóricos realmente gostaram das obras que leram ou se eles simplesmente tem tesão por destrinchar textos, dando importância secundária ao prazer de ler; a obra em si. Um recente acontecimento me deixou bastante chateado, quando no momento em que eu estava lendo alguns contos de Dickens, me peguei analisando o conto sem sequer tê-lo acabado. Isto acabou me tirando do ritmo da história, deixando-me distante e conseqüentemente, sem o prazer da leitura.
   
Bem, mas o motivo de eu estar falando isso tudo é que sou aspirante a escritor, sinto falta de uma cadeira de produção literária e de ler livros. A cadeira de produção textual do primeiro semestre talvez tenha sido boa para quem não está acostumado a escrever, mas para alguns de nós ela só serviu para nos obrigar a escrever textos com temas um tanto bobocas, mas que buscamos driblar com nossa criatividade. Devo confessar que alguns foram um desafio interessante, outros pura chatice. Mas de qualquer forma, faltou-nos um “feedback” maior por parte da professora, que carecia de sensibilidade e mesmo, de certa cultura literária. Não que eu possua muitos conhecimentos nesta área, mas embora não tendo lido centenas de autores, pelo menos já li algo sobre os próprios e suas obras.  Quanto ao fato de “ler livros”, quero dizer ler livros por prazer, ou pelo menos ter a oportunidade de ter prazer lendo os livros indicados pelos professores. Infelizmente, o problema quantidade de livros/tempo de leitura inviabiliza esta oportunidade e só o que parece restar é a análise fria e obrigatória das obras.

Confesso que fiquei desapontado e embasbacado quando ouvi professores recomendando a leitura de obras em grupos (cada um lê um capítulo!) ou então indicando quais capítulos deveriam ser lidos (como se os outros de nada importassem!). Isso, simplesmente para cumprir com o programa estabelecido e fazer a análise ou teste sobre a obra o mais rápido possível. Acostumado a ler livros de uma orelha à outra, tentei no princípio, continuar com esse hábito. Algumas vezes logrei êxito, mas estou perdendo cada vez mais batalhas e já deixei para trás pelo menos cinco livros tendo lido não mais que 10% deles. Detesto largar livros incompletos! Somente quando acho-os ruins, e só fiz isso duas vezes até hoje.
   
O fato de também ter diversos outros interesses extra-universidade e também trabalhar dividem o tempo e o empenho que poderia dedicar a mesma se eu fosse como boa parte dos alunos. Meu interesse por cinema e meu recente pequeno sucesso com um filme, estão me fazendo voltar boa parte de meus esforços em projetos para novos filmes. Felizmente, isso não deixa de estar conectado com a escrita, já que escrevo roteiros tanto para os filmes quanto para histórias em quadrinhos (outro projeto).
   
Desse modo, o que eu estou fazendo aqui é tanto algo que eu posso responder  simples e objetivamente - como fiz no primeiro parágrafo -, quanto algo subjetivo e um tanto vago que tomou vários outros parágrafos. Para minha sorte e provavelmente sua também, a questão só era pertinente à faculdade de Letras.  


Porto Alegre, setembro de 1999.
 
 

TOP 5 - Os Melhores Livros de Humor



O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS, de Douglas Adams

Primeiro de uma saga de 5 livros, a obra é uma sátira de todos os clichês da Ficção Científica e claro, do ser humano (e outras espécies) e sua pequenez, mesquinhez e burrice diante do universo. Adams foi roteirista do saudoso Monty Python e O GUIA DO MOCHILEIRO segue a mesma linha do indômito grupo inglês: diálogos afiados e situações absurdas.

Para quem ainda, não conhece esta obra genial, ela narra a saga de Arhtur Dent e seu amigo alien, Ford Prefect, que fogem da Terra, que está prestes a ser destruída para dar passagem a uma via espacial. Contrariando as expectativas esperançosas de alguns leitores, a Terra e a humanidade são destruídas logo nas primeiras páginas e a partir daí, Dent e Ford, procuram, junto com novos e bizarros amigos, um lugar no universo para chamar de seu. Humor britânico de primeira grandeza!


GARGÂNTUA E PANTAGRUEL, de François Rabelais

 



A história dos gigantes Gargântua e Pantagruel, pai e filho, amantes da mesa e dos prazeres da carne, foi publicada originalmente em 2 volumes. Pantagruel, o segundo na ordem cronológica da narrativa, foi o primeiro a ser escrito, em 1532. Dois anos depois aparece Gargântua. Os livros se tornaram populares na França, mas foram proibidos pela Sorbonne por seu conteúdo obsceno.

Contra a estagnação e rigidez de pensamento, contra a Igreja Católica, a cavalaria e as convenções medievais, Rabelais ergueu seus 2 geniais gigantes de apetites vorazes e hábitos grotescos. Anticristão, para Rabelais não há mais Pecado Original ou Juízo Final. Sua fé está na vida natural, e seus toscos gigantes simbolizam a nova dimensão do homem renascentista.

Fonte: Superinteressante

O COMPLETO DE PORTNOY, de Philip Roth




Quando foi lançado, em 1969, "O Complexo de Portnoy" causou polêmica. Nem poderia ser diferente. Em plena época da liberação sexual, o autor Philip Roth apareceu com um livro em que a masturbação é a válvula de escape da sexualidade do personagem e deixa transparecer em suas páginas temas como o complexo de Édipo e até um incesto virtual.

Philip Roth imprime um tom bem-humorado que eventualmente provoca gargalhadas, mesmo que o sabor final seja amargo. Mas é na discussão das relações opressivas, representadas pela claustrofóbica presença materna, que reside a força do livro. As conseqüências que a formação sexual confusa e o complexo de Édipo irão ter na vida adulta de Alex são perturbadoras. É o que torna esse livro mais atual do que nunca. O inimigo é a mãe.

Fonte: Companhia das Letras

TRAINSPOTTING, de Irvine Welsh




Trainspotting, na gíria escocesa, é uma atividade sem sentido, algo que é uma total perda de tempo. Essa expressão resume as vidas de Rents, Sick Boy, Tommy, Matty, Spud e Begbie, jovens moradores de Edimburgo que passam a maior parte de seu tempo se embebedando em pubs, arrumando confusão, assistindo a jogos de futebol pela televisão e, principalmente, se drogando. A heroína é a droga preferida, um barato que dura tempo suficiente para aplacar a banalidade da existência. Pelo menos até o próximo pico.

Explicitando toda a dor e a banalidade de ser jovem em um mundo de portas fechadas, onde a maior oportunidade que se pode esperar é conseguir um emprego reles em uma grande empresa, ter filhos e desfrutar de uma velhice obesa, Irvine Welsh narra, com ironia e sem meias palavras, o cotidiano de jovens que renunciaram a tudo isso, que preferem se perder em um mundo de contravenções, vagar pelas ruas sem rumo, a ceder a uma vida adulta que não faz o mínimo sentido.

Fonte: Wikipédia

ED MORT, de Luis Fernando Veríssimo




Criado pelo maior autor nacional de contos humorísticos, Ed Mort é um Sam Spade sem o glamour, a coragem ou a elegância de sua contraparte americana. Fã de literatura noir, Veríssimo brinca e se diverte detonando os clichês e personagens desse gênero literário.

O personagem já virou sketche de programa humorístico, quadrinhos, e teve sua própria série de TV e longa para o cinema. 


terça-feira, 19 de agosto de 2014

O FALCÃO MALTÊS - Livro






Antes de Sam Spade e Philip Marlowe (personagem de Raymond Chandler), os leitores fascinados por mistério e suspense tinham Sherlock Holmes e Miss Marple, dois personagens intelectuais e refinados na forma como resolviam crimes. Na narrativa de Dashiell Hammett, o buraco é mais embaixo e geralmente ele é feito a bala ou facadas por gente baixa e mau caráter que só quer saber do vil metal. A figura do detetive continua ali, mas dessa vez ele só resolve a parada se você pagar, meu bem.

Sam Spade, o detetive cínico, fatalista e sarcástico que inaugurou o romance policial moderno tem que descobrir onde está uma inestimável relíquia medieval. E enquanto procura o tal Falcão Maltês, cadáveres e vários suspeitos vão surgindo ao longo do caminho. Leia e depois assista a clássica adaptação com Humphrey Bogart entitulada RELÍQUIA MACABRA!

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 Bogart fez sua fama interpretando detetives hard-boiled com Spade e Marlowe.


domingo, 20 de julho de 2014

F DE FOGUETE – Literatura



Ray Bradbury (1920 - 2012) fez parte da sagrada trindade dos escritores de ficção científica do século XX. Junto com Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, ele ajudou a FC a atingir um status literário adulto e maduro. E se a FC lhe parece um universo asséptico, frio e sem alma, Bradbury é o escritor que vai lhe mostrar o lado humano, lírico e onírico do gênero. Quando Spielberg realizou CONTATOS IMEDIATOS DO 3º GRAU e E.T., alguns críticos o chamaram de “o Ray Bradbury” do cinema. Nesta antologia de contos, Bradbury nos faz voltar ao tempo em que éramos astronautas, enfrentávamos dinossauros e quando um simples par de tênis novos nos fazia querer disparar em uma corrida. A mais pura nostalgia do passado, do presente e do futuro em grandes pequenos contos.

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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O LUTADOR - conto




    O velho havia lutado durante toda a sua vida. Lutou para nascer, para crescer, para sobreviver. Muitas alegrias ele havia sentido ao longo dos dias, muitas dores ao longo dos anos. Até que, certo dia, o de sua morte, ele resolvera também lutar contra a própria.
     A Morte, estranhando sua reação, perguntou o porquê de tanta batalha, para o que lhe havia servido, afinal, tanto sofrimento. O velho, sem saber o que responder, baixou momentaneamente sua guarda e nesse instante, uma mortalha caiu sobre ele.


Março, 1990
 
 

terça-feira, 13 de maio de 2014

VERNÔNIA - Literatura




Após 13 recusas de editores onde a maioria comentava “Quem gostaria de ler um livro sobre vagabundos?”, William Kennedy conseguiu um editor corajoso e com esse livro ganhou o Pulitzer, o maior prêmio literário dos EUA e muitos outros. Passado em 1938 e narrando as desventuras de Francis Phelan e Helen, um casal de mendigos de meia-idade sobrevivendo de bicos e esmolas, Vernônia mostra uma América depressiva e ainda amargando os efeitos da Depressão. Com sensibilidade, sem julgamentos morais e com um realismo cruel, Kennedy nos entrega personagens atormentados pelo passado e sem perspectivas na vida, mas que mesmo assim, mantém a esperança de um futuro melhor. Mesmo que ele seja apenas uma grande ilusão.

 
Em 1987 o livro foi às telas com Meryl Streep e Jack Nicholson nos papéis principais e foram dirigidos por Hector Babenco, diretor argentino radicado no Brasil. 
 
 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

DALE COOPER – MINHA VIDA, MINHAS GRAVAÇÕES - Literatura

Capa da edição nacional.


Com o estrondoso sucesso da série TWIN PEAKS (1990 - 1991), seus autores resolveram capitalizar a popularidade de seus dois mais enigmáticos personagens em prosa e lançaram dois livros: O DIÁRIO DE LAURA PALMER, escrito por Jennifer Lynch e DALE COOPER, de Scott Frost.

Como o próprio título indica, o livro é uma espécie de “autobiografia” compilada a partir de milhares de gravações que o agente especial do FBI Dale Cooper fez ao longo da vida com seu gravador de bolso. Uma obsessão terapêutica, eu diria. As gravações se iniciam com o jovem Cooper, com apenas 13 anos, e vão até o momento em que ele é designado para o caso Laura Palmer em Twin Peaks.

Hilário, instigante, divertido e misterioso como o próprio agente, o leitor tem a chance de reviver a atmosfera Lynchiana da série que mudou os rumos da TV americana.



O personagem de Kyle MacLachlan curtiu este livro.


sábado, 12 de abril de 2014

O POBRE DE DEUS - Literatura



Capa da edição do Círculo do Livro.


Fazem 20 anos que li este livro e como estou sem tempo para escrever um resenha decente sobre ele, reproduzo a ótima crítica de Antonio Gonçalves Filho para a revista Época.

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O santo por um ateu

Kazantzákis, do polêmico A Última Tentação de Cristo, revira a vida de São Francisco de Assis.

A vida de São Francisco de Assis (1182-1226) já foi contada das mais variadas maneiras por cineastas como Roberto Rosselini, que fez dele um mártir, e Franco Zeffirelli, que o transformou num hippie. Entre o realismo do primeiro e a fantasia do segundo existe um abismo que só a literatura foi capaz de transpor. Particularizando, apenas um escritor polêmico como o grego Nikos Kazantzákis (1883-1957), autor de A Última Tentação de Cristo, poderia ter escrito O Pobre de Deus, biografia romanceada do santo italiano que nasceu rico, livrou-se das roupas de seda, dançou nu na praça principal de Assis, falou com pássaros e peregrinou até seus pés sangrarem e seus olhos ficarem cegos. Kazantzákis, excomungado pela Igreja Ortodoxa Grega, atormentado pelas idéias de Nietzsche e Bergson, marxista estudioso do budismo, era mesmo o nome para a difícil tarefa de explicar personalidade tão complexa.

Apesar de contada por um mendigo que segue Francisco e se torna monge, essa história tem como narrador o próprio Kazantzákis, transformado no etílico irmão Leo. O livro começa à beira do leito de morte do santo. O companheiro de jornada recorda as privações pelas quais passaram juntos, as dúvidas sobre a iluminação do amigo, o carisma e o confronto com a autoridade paterna ao renunciar à riqueza como um presente satânico e abraçar a vida simples. Modelo do homem que supera suas limitações para agradar a um Criador que parece fora deste mundo, Francisco é visto pelo escritor ora como o engraçado bufão de Deus, ora como um trágico cordeiro, marcado para mudar o mundo não por seu comportamento exemplar, mas, antes, por seus excessos. Kazantzákis elege-o como um profeta da não-violência muito antes de Gandhi.




Ao contrário dos dois, o italiano e o indiano, o grego foi um profeta sem esperança. Em seu túmulo mandou inscrever um epitáfio revelador: 'Nada espero. Nada temo. Sou livre'. Surpreende, portanto, a ausência desse sentimento niilista em O Pobre de Deus. O tema invariável de Kazantzákis, mais conhecido pela versão filmada de seu livro Vida e Façanhas de Aléxis Zorba (no cinema, Zorba, o Grego), sempre foi o da luta do homem com seu Criador, seja para não cumprir sua vontade (em A Última Tentação de Cristo), seja para mostrar que um mundo dependente de paixões e crucificações está irremediavelmente condenado. O epitáfio do grego é propositalmente ambíguo, mas recorre à essência do pensamento budista, a do homem que se esvazia para atingir a iluminação. Kazantzákis, que pôs Lênin, Cristo, Buda e Nietzsche no mesmo panteão, morreu ateu. Antes, disse que não era Deus quem iria nos salvar, mas sim nós a Ele, 'lutando, criando e transfigurando a matéria em espírito'. Nessa cruzada a serviço da transcendência, O Pobre de Deus, escrito em 1953, pode ser comovente para alguns e tremendamente perigoso para quem tem medo de literatura forte, produzida à beira do abismo.

Antonio Gonçalves Filho

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quinta-feira, 20 de março de 2014

MORTA - microconto





                                                       
MORTA!
      
    Morta! Ela está morta! Saio gritando. As mãos na cabeça. Morta! Morta! Morta! Louco. Estou louco. Não aguento mais. Os vizinhos escutaram. Corro. Sempre corri bem. Mas não é o bastante. Continuo gritando. As mãos na cabeça. Ela não devia ter feito aquilo. Merda! Merda! Escuto sirenes. Escuto gritos. Mãos na cabeça! Já estou com as mãos na cabeça. Não conseguem ver? Mãos na cabeça! Corro. Com as mãos na cabeça. Peito explode. Caio. Morro. Com as mãos na cabeça.

Dezembro, 1989

quarta-feira, 12 de março de 2014

UM CÂNTICO PARA LEIBOWITZ - Literatura

Capa da edição americana


     Seiscentos anos após uma guerra nuclear que acabou com boa parte da humanidade e gerou ódio e perseguição contra a Ciência e cientistas, uma ordem de monges tenta reunir o que sobrou do conhecimento científico, esperando que algum dia alguém compreenda o que são tais teorias e fórmulas.

     Em uma clara referência aos monges católicos que buscavam manter o conhecimento científico e filosófico dos gregos pós-queima da biblioteca de Alexandria, a obra de Walter M. Miller Jr,. escrita em 1960, confronta Religião X Estado e Conhecimento X Ignorância naquela que é considerada uma das grandes obras de Ficção Científica do século XX.

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