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sábado, 16 de julho de 2016

ENTRE ABISMOS - Conto



ENTRE ABISMOS

Jerri Dias


Entre as membranas a Consciência é. Não sabe o quê. Apenas é. Não existem palavras para descrever-se ou para descrever. Sem memória. Sem passado. Sem presente. Sem futuro. Sem tempo. Sem corpo.

Apenas um vago desconforto, mas ela não sabe de onde vem ou porquê.

O desconforto cresce, a Consciência, como que por instinto, decide explorar ao redor. Após um bilhão de anos ou um minuto ela avista um ponto diminuto. O ponto pode estar a trilhões de quilômetros ou a poucos metro de distância, mas tempo e espaço não são conceitos conhecidos pela Consciência. Ela alcança o ponto, um pequeno rasgo na membrana.

E olha dentro do abismo.

Ela não sabe o que vê, e mesmo se soubesse,  ela não tem uma linguagem para se exprimir. Mas após permanecer ali o suficiente, olhando com curiosidade para dentro do abismo, a Consciência desenvolve uma linguagem primitiva própria e começa a nomear o que observa. Fascinada, a Consciência se dedica a observar o abismo e tudo que acontece dentro dele.

Até que subitamente os eventos deixam de acontecer dentro do abismo. Dos mais ínfimos aos mais gigantescos, tudo cessa. A Consciência nada sente, apenas continua observando o abismo vazio. Até que novamente seu instinto lhe impele a mais explorações e ela, eventualmente, encontra mais um ponto que lhe permite observar um outro abismo. Ela nota que esse abismo é diferente do outro, mas não sabe como nem porquê. E nem se importa. A Consciência permanece ali até que o abismo se esgote em si mesmo.

A Consciência descobre muitos outros abismos. Todos diferentes uns dos outros, todos únicos. A Consciência, agora, já conhece todos os abismos. E todos os abismos cessaram seus eventos. Não são mais. Ela já sabe o suficiente, mas saber não é o suficiente. Entediada de apenas saber e nada sentir, a Consciência força a membrana. A membrana resiste.

Mas a Consciência descobrira um propósito para sua existência. Ela não mais seria uma mera observadora, agora seria protagonista. E ela rompe a membrana.

Um rasgo diminuto, mas suficiente.

Ela espreme-se pelo ponto até sair do outro lado, espalhando-se rapidamente no abismo vazio. A Consciência experimenta a luz pela primeira vez. Em seguida vem o calor. A Consciência está em êxtase. Ela sente a fragmentação de seu conhecimento em um número infinito de filamentos de seu ser. Esses filamentos se espalham e se aglutinam aleatoriamente, carregando os estilhaços da Consciência para toda parte. Os filamentos se aglomeram, dando origem a estranhas formas.  

A Consciência não sabe o que virá em seguida.  Apenas pressente, à medida em que é dilacerada por forças que não compreende, que esse será o abismo mais interessante de todos. 


Porto Alegre, 4 de julho de 2016. 

 

sábado, 5 de setembro de 2015

POEMEUS - Poesia



SEMI-DEUS

Voando
Estou voando
Matando
Estou matando


ESPECTRO

Deus viu
As sete cores
Fugiram
No rastro
O Arco-íris


VAZIO

A visão do Vazio
O Vazio pode ser visto?
Como pode
O olho ver o Vazio?
E mesmo que o olho veja
Como descrever o Vazio?


Porto Alegre, 1990

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

PRECE - microconto


                                                            
    Eu entro na Igreja. Quero falar com Deus. Mas não o sinto. Eu própria não me sinto. Há um padre no altar. Poucas pessoas nos oratórios. As imagens de anjos e santos me observam. Não. Demônios me observam. Eu só vejo demônios. Vejo também corpos mutilados e pessoas gritando. O padre reza. Ouço obscenidades. As pessoas à minha volta são caricaturas de seres humanos. Está tudo errado. Isso é uma igreja? Mas apesar de tudo, ela  continua reluzindo a ouro e prata. Eu não compreendo. Eu não me compreendo. Deus, faça-me compreender! Deus não me compreende. Me ajoelho para implorar por Seu perdão e sinto agulhadas. Ossos. Há ossos no chão. O chão é feito de ossos. Minha pele se rasga. O padre se foi. Mas a batina dele continua lá, rezando. Quero dizer, dizendo obscenidades. O padre, quero dizer, a batina, diz que quer sexo. O meu. Acho que não escutei bem. As caricaturas olham para mim. A batina flutua em minha direção. As imagens de demônios encaram meu corpo com luxúria. Grito para pararem. Eles param.

 
Maio, 1990


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

ATEÍSMO - Debate



Crente: Porque as pessoas não acreditam em DEUS?

Pessoa racional: Porque as pessoas não acreditam em unicórnios?

C: Bem, porque pra começar eles não são reais.

PR: E você diz isso baseado em quê, meu caro?

C: Ninguém jamais viu um!

PR: Então você está dizendo que você tem que VER alguma coisa para acreditar nela?

C: Eu não estou dizendo isso! E se você quer continuar no assunto, como é que nunca encontraram ossos de unicórnio?

PR: Hm. Ok. Agora você está dizendo que precisa ter EVIDÊNCIA FÍSICA para você acreditar em algo? E que tal fé?

C: Não existe esse negócio de fé em se tratando de unicórnios! Eles vem de livros infantis, pelo amor de Deus!

PR: Então você está sugerindo que não devemos acreditar em coisas que existem apenas em livros de fábulas?

C: SIM! E além disso, se unicórnios tivessem REALMENTE existido, alguns biólogos já teriam publicado algo sobre eles.

PR: Tá, me deixa recapitular isso mais uma vez.
Você está dizendo que para alguém acreditar que algo realmente existe nós devemos ter:

1)  Evidência factual;
2)  Evidência física;
3)  Evidência científica;
4)  Todas essas evidências devem vir de uma outra fonte que não seja um livro.

Eu acho que agora você já entende porque algumas pessoas não acreditam em deus.



sábado, 22 de março de 2014

DEUS - Quadrinhos



Clique para ampliar.

Escrevi e criei esta narrativa gráfica simples de duas páginas utilizando fotos de filmes e reportagens para evitar o desgaste de depender de um ilustrador que pudesse realizá-la em tempo hábil de publicar na primeira edição da revista Made In Brasil, editada pelo meu amigo e parceiro Rodinério da Rosa. Estava com 23 anos e apesar de ma época me considerar espírita e tentar genuinamente acreditar na existência de uma entidade sobrenatural supostamente bondosa, tinha um lado meu que já batalhava contra toda essa superstição.

Infelizmente esta publicação independente, financiada quase que completamente do bolso do editor por seu amor aos quadrinhos, durou apenas 4 números publicados muito espaçadamente ao longo de alguns anos, mas acompanhar e participar do processo todo foi bastante educativo e enriquecedor.  


sábado, 20 de julho de 2013

CONVERSAS COM UM RELIGIOSO - Debate

Jeová: Pai amoroso ou um psicopata esquizofrênico?


Quem me conhece sabe que sou ateu e adoro uma discussão sobre religião, mas raramente encontro crentes dispostos a conversar de forma respeitosa e coerente. Mas topei com um esses tempos e decidi transcrever nossa conversa aqui, pois acho que ela contempla muito do que penso sobre o assunto.

Os comentários do Fernando estão em negrito.

Jerri, percebe que pra ser ateu é necessário crer que o universo é eterno?? Mesmo que não seja o universo como o conhecemos, mas se de 1 partícula que seja surgiu todo o resto, sem movimento não seria possível.. Sendo assim, tem que haver uma força motriz pra que a coisa aconteça e não pode ter surgido "do nada".. Ateus precisam crer que isso é possível de alguma forma e agnósticos tão somente negam a Deus deixando o mistério no ar..

Fernando, a principio nosso universo não é eterno, já que ele surgiu há 14,6 bilhões de anos. Para ser eterno ele teria que ter estado sempre aqui. Agora, se ele vai durar pra sempre a partir disso, não se sabe ainda. As últimas teorias concordam que toda a energia desprendida pelas estrelas (mesmo criando novas, mas cada vez menos) irá se esgotar e tudo o que restará serão pedaços de rochas frias (planetas) flutuando num espaço completamente escuro onde estrelas e planetas distanciam-se cada vez mais uns dos outros (coisa que acontece nesse exato momento). Pode ser que ele fique assim para sempre... ou não. Sim, é provável que algo tenha acontecido para detonar a teoria do BIG BANG (a mais aceita atualmente), mas assim como o esperma fertiliza o óvulo (momento de criação biológico), a força ou energia por trás do surgimento do universo não implica necessariamente numa inteligência e sim, como a lógica indica, em algo relacionado com Física pura. Alguns físicos quânticos acham que o Universo é separado por diversas membranas e que vivemos em uma delas e que o surgimento do nosso pode ter surgido do choque de uma das membranas (já com um universo ativo) com a nossa membrana (ainda “vazia” na época). É uma teoria bem radical que ainda vai demorar muitos anos para ser provada, se é que vai ser, mas para mim tem mais lógica do que uma inteligência invisível criando coisas do nada, o que contraria as leis da Física. Concordo que algo tem que vir de algo, mas veja bem, o que foi criado nos primeiros minutos do nascimento do universo foram partículas elementares e mesmo eu aceitando que alguma “consciência” deu o pontapé inicial nessas partículas, a partir do momento em que elas foram criadas, elas passaram a obedecer as leis da física e criaram as forças fundamentais da natureza: o eletromagnetismo,  a gravidade, e as forças nucleares forte e fraca. E a partir desse instante essa “consciência” perderia completamente o motivo de sua existência, mas talvez houvesse algum resquício de sua energia, como um DNA, contido nas partículas ou a própria MATÉRIA ESCURA que representa 63% da massa do universo sejam os “restos mortais” de tal “consciência”. Agora, achar que tal “consciência”, mesmo que tenha existido (ou ainda exista de alguma forma), tem qualquer poder de decisão ou escolha sobre qualquer coisa que aconteça no universo inteiro, que é regido pelas forças que citei acima, é um pensamento um tanto imaturo e sem sentido no meu ponto de vista.

Pois veja bem, o universo tem 14,6 bilhões de anos, bilhões de galáxias, trilhões de sóis e quatrilhões de planetas (jogando pra baixo). Nesse tempo todos devem ter surgido e desaparecido milhões de civilizações tão ou mais avançadas que a nossa. E aí o pequeno primata que deu origem a espécie humana surge há meros 4 milhões de anos e só se transforma na nossa espécie atual há meros 200 mil anos e há apenas 2.500 anos vem com o conceito de um deus a nossa imagem e semelhança, com tantos defeitos (Velho testamento) quanto qualidades (Novo testamento), carente de amor, exigindo obediência, cheio de amor pra dar e que adora julgar as pessoas. Bom, tem dois termos que definem as pessoas que criaram esse conceito: arrogância e ignorância. Não vou nem entrar no mérito de que esse deus nem sequer é válido para 1/3 do planeta, que tem outros deuses.


Se o ser humano realmente fosse o escolhido ou preferido dessa “consciência”, porque demoramos tanto tempo para surgir no universo, já que milhões de outras espécies inteligentes provavelmente vieram antes de nós? A resposta é que não somos, porque essa “consciência”, exista ou não, provavelmente pensaria ou agiria no universo em termos de suas forças fundamentais, o que estaria anos-luz de qualquer idéia que foi dita ou falada sobre ela, logo, “ela” não se “importa” com nada do que façamos ou aconteça, contanto que tudo obedeça as leis da física, da mecânica quântica e as forças fundamentais. E por esse ângulo, “ela” seria “onisciente” e estaria em todo lugar. Mas ei, bactérias e vírus também estão em todo lugar na Terra e são os verdadeiros donos desse mundo, falando em nos botar em nosso devido lugar na ordem das coisas. Foram os primeiros a chegar e serão os últimos a irem embora. E neutrinos também estão em todo lugar do universo e passando através de nós aos milhões nesse exato instante.

Concluindo, o mais lógico seria rezar para a Gravidade, para o Eletromagnetismo e para as Forças Nucleares Forte e Fraca, que são o que mantém o universo coeso e funcionando como um relógio. Mas o fato é que rezando ou não, o trabalho delas continuará o mesmo dos últimos 14,6 bilhões de anos.

Mas podemos depois expandir esse papo para uma determinada teoria que diz que pensamentos podem alterar nossa realidade ou pelo menos, alterar partículas em um nível quântico.   
  

65 milhões de anos atrás quase toda a vida na Terra foi extinta.
Não foi a primeira vez e não será a última.
Os próximos seremos nós.


Se não existe propósito para a vida então eu fico extremamente maravilhado com a crença de que o "nada" virou "tudo" sem motivo algum.. Que todos os seres passaram pro um processo de evolução que no fim das contas aconteceu por puro acaso.. Isso me faz pensar que somos extremamente "sortudos" ou azarados de estarmos aqui usando nosso intelecto pra debater sobre filosofia, ciência e religião, e que isso é fruto do mero acaso, já que poderíamos agora mesmo ser amebas vagando pelo espaço ou nem mesmo existirmos devido à não expansão aleatória do nada..

Sim, seria muito legal que tudo tivesse um propósito grandioso, maravilhoso e épico, mas tudo indica que a vida é grandiosa, maravilhosa e épica sem propósito algum mesmo. Até o momento, não encontramos evidência alguma de uma “inteligência” cósmica e incompetência das incompetências, ainda nem sequer conseguimos provar que a nossa consciência sobrevive após a morte. Há muita discussão, debate e muitos eventos inexplicáveis, mas prova de fato, nada. Até agora.

Mas tudo realmente parece ser levado pelo acaso e não por uma inteligência qualquer. Logo, a lógica dita que o acaso é que impera. Embora o surgimento da vida possa ter sido um acaso, a evolução em si não é, já que existe aí um propósito ao nível celular de promover melhorias no organismo para se adaptar ao ambiente.

Mas quando digo acaso, uso a expressão de uso popular, quando a verdade é que o acaso não existe, já que tudo é fruto de uma ação e reação. Um terremoto hoje é ocasionado pelo choque de placas tectônicas que estavam em curso de colisão há centenas de anos. O meteoro que extinguiu os dinossauros poderia já estar em rota de colisão com a Terra há milhões de anos. E uma traição feita 10 anos atrás pode detonar o fim de um casamento nesse instante. Um prédio cai em determinada hora no Rio não porque deus quis, mas porque sua estrutura foi modificada e o que restou chegou ao ponto limite de desgaste naquele instante. Então, como qualquer um pode ver sem quebrar muito a cabeça, tudo está interligado, nada é tão misterioso assim e tudo é fruto de uma ação e reação e isso é algo que deveríamos lembrar todos os dias.

E é claro que somos extremamente sortudos, pois estamos vivos e ainda por cima somos a espécie dominante nesse planeta, depois dos vírus, bactérias e insetos ;-)  Mas enfim, temos uma vida aparentemente melhor do que a de nossos colegas do reino animal, que apenas se preocupam com a sobrevivência. Nós ainda estamos nessa luta também, mas podemos nos dar ao luxo de pensar, sentir e fazer muitas outras coisas além do básico de comer, procriar e defecar. E isso se deve ao maravilhoso “acaso” do surgimento das moléculas de aminoácidos e por aí vai. Por favor, não tente dizer que estou deixando uma brecha aqui para um “criador”. O que eu tinha a dizer sobre isso foi dito nos primeiros parágrafos.

E novamente, não só poderíamos ser qualquer tipo de criatura, como já fomos. Nosso planeta já teve trilhões de espécies diferentes (99% delas extintas), cada uma única em forma, tamanho e inteligência. Assim como deve ter acontecido em muitos planetas pelo universo afora, se chega um ponto, em que depois de trilhões, quatrilhões de tentativas, algum organismo (ou mais) vá adquirir consciência sobre si mesmo e desenvolver inteligência tal como a conhecemos.  



A moral humana varia conforme a cultura, a época e as condições políticas.
A maioria das religiões deu seu aval para a escravidão de milhões de pessoas ao longo da história.
 

E se tudo é por acaso então é impossível haver moral.. Nesse caso não adianta a religião ou a filosofia criarem conceitos padronizados de comportamento e ética já que nem todos se enquadram e nem concordam.. Se não há unanimidade então não há certo e errado nesse caso, já que não há o que desabone qualquer opinião de qualquer ser que vive sem propósito nesse universo aleatório..

Bom, existe uma diferença nas leis de ação e reação, que é uma lei universal e a moral humana, que é um conceito que só vale para nossa raça porque só nós a entendemos ou aceitamos. Bem, como animais que somos, seguimos nossos instintos o tempo todo e como animais sociais (parte de nosso instinto), o que quer dizer que colaboramos instintivamente uns com os outros através de mecanismos complexos e sutis de identificação com determinadas pessoas e grupos, seguimos regras pré-estabelecidas. Grupos de primatas mais desenvolvidos tem sua própria organização social, com hierarquias e regras do que se pode e o que não se pode fazer. A nossa sociedade simplesmente evoluiu para algo mais complexo e o fato de termos mais inteligência, nos levou a desenvolver sentimentos e pensamentos mais profundos com o objetivo de tentarmos nos entender e em como podemos sobreviver. A lógica dita que quanto mais expandirmos nosso grupo, mais fortes seremos e foi isso que fez as pessoas se juntarem em tribos, seja para se defenderem de outras, seja para destruírem outras. Mas para fazer isso tudo, o homem precisa ter justificativas convincentes para fazer as pessoas unirem-se ou obedecerem. Sem isso, a sociedade humana não teria chegado onde estamos hoje e ainda seríamos um bando de ignorantes batendo com clavas uns nos outros. Para chegarmos a esse ponto, a Filosofia e a Religião aconteceram. Poderíamos ter ficado sem religião que estaríamos melhor, mas enfim, a religião surgiu de pessoas  que tentaram explicar fenômenos naturais incompreensíveis para a mentalidade da época usando o caminho mais fácil, fenômenos que só começamos a desvendar nos últimos três, dois mil anos. O problema é que a religião se tornou, já em seus primórdios, um subproduto da política usado para manter a tribo ou a sociedade sob controle. A Filosofia também pode ser usada para dominação política temporariamente, mas como ela desenvolve o uso do espírito crítico, raciocínio e lógica, ela obviamente não serve para fins políticos duradouros como a religião. 

Bem, existem alguns conceitos filosóficos universais como a valorização da vida e da liberdade. Se apenas esse dois conceitos fossem  buscados pela humanidade, a África não seria esse poço de Fome e a escravidão física e mental dos povos jamais teria acontecido. Acho que nesse ponto todo ser humano, excetos os insanos, concorda. Já unanimidade filosófica é impossível no atual momento, já que estamos ainda no útero de um mundo globalizado, com centenas de culturas milenares diferentes, cada qual moldada de acordo com sua filosofia e religião. Para atingirmos isso, todos teriam que ter acesso ao conhecimento e ao mesmo nível de educação. E ainda assim, sempre teríamos aqueles que decidiriam que o lógico é “levar vantagem em tudo”. Mas conhecimento não cria caráter, como bem sabemos, mas dá condições para criar um, com as condições adequadas de parte dos responsáveis.

Mas concluindo, a Filosofia nos dá as bases morais lógicas para (sobre)vivermos em sociedade. A religião também parece dar isso à primeira vista, mas a questão é que ela diz que a moral vem de um ser imaginário e que seus representantes na Terra falam por ele e o problema é que tem seres imaginários demais falando pela boca de mais representantes ainda e a moral deles, muda conforme a época e a necessidade de cada grupo religioso no poder. 





Acreditar em deus não é fator determinante para um comportamento equivalente ao que se espera de quem crê em Deus.. Biblicamente falando há os seres que acreditam em Deus e são condenados e lá o conceito de "crer" vai muito além de acreditar, está mas no sentido de "temer" ou até "se render".. Acreditar em deus não salva ninguém, segundo essa mesma bíblia..

Concordo com a primeira afirmação. E que acreditar não bastaria, teria que se aceitar, mas novamente estamos falando de uma regra que muda de acordo com a conveniência de alguns grupos e como a Bíblia foi escrita por um grupo de pessoas, que apesar de escrever bem, eram ignorantes e preconceituosos à respeito do mundo, e não posso levar em consideração suas explicações sobre como as coisas são. A Bíblia é um livro que contém fatos históricos recheados de lendas, folclore e superstição do povo que a escreveu. E assim como eu não acredito nas lendas e deuses indígenas que nossos povos locais criaram há 12 mil anos atrás, eu não vejo mais por que acreditar nas lendas criadas por uma tribo que vivia no deserto há 2.500 anos. Assim, acreditar, aceitar, abraçar ou render-se pode ser suficiente para determinada pessoa ou grupo. E vale lembrar o critério de que alguns grupos religiosos dizem que eu, como ateu, poderia levar uma vida digna de Gandhi, mas iria para o Inferno por não acreditar/aceitar e um serial killer pedófilo esquartejador iria para o Céu se aceitasse deus em seu coração na hora de sua morte ;-)  Isso demonstra duas coisas sobre a personalidade dessa invenção judaico-cristã: 1) ele se deixa enganar por qualquer um; 2) ele é uma pessoa extremamente insegura e com sua mentalidade infantil, não tem capacidade de julgar uma pessoa pelos seus atos, mas sim em termos do que ele lucra com isso. Seu lucro, obviamente sendo amor e obediência incondicional à sua carência divina.  Freud explica ;-)


Galáxia M31, uma entre as 170 bilhões dentro do universo observável.


E sim, somos como vapor nessa existência, muito pequenos diante de toda a Criação, mas honestamente eu acho absurdo simplesmente olhar no espelho, analisar a complexidade do funcionamento do meu próprio corpo e achar que isso é sem propósito e fruto de uma aleatoriedade cósmica sem propósito.. Ou olhar para as estrelas, pra lua, pras imagens de planetas e achar que tudo aquilo é sem propósito..

Sobre o corpo humano, claro que ele é uma máquina maravilhosa e a mais complexa estrutura orgânica que conhecemos graças ao nosso cérebro capaz de alterar o próprio mundo em que vivemos. Mas vale lembrar, como já disse antes, que isso veio a partir de moléculas de aminoácidos, que formaram DNA, que por sua vez formou uma célula, que se dividiu, se uniu à outras e ao longo de 3 bilhões de anos, em uma sucessiva linhagem evolutiva de erros e acertos, foram desenvolvendo ser cada vez mais complexos ates chegarmos a nós. E provavelmente não somos o fim ainda, a tendência ainda é evoluirmos para algo melhor e mais adaptado ao ambiente (ou ambientes) . Mas Fernando, 3 bilhões de anos pra chegar até aqui, 1/5 da idade do universo. E ainda surgimos depois de 5 extinções em massa em nosso planeta, estamos aqui tanto por sorte quanto porque a vida teima em sobreviver, apesar das forças tremendas ao nosso redor. E bem, não sei ao certo que “propósito” você pretende enxergar nos planetas e estrelas. Que eles se alinhem num desenho particular? Eles estão alinhados de acordo com as forças da natureza e por isso o “propósito” das estrelas é dar origem a planetas e alguns planetas tem condições favoráveis à vida, outros não. Tudo ao “acaso” das forças gravitacionais e eletromagnéticas. E o “propósito” da vida é sobreviver a todo custo. Continuar existindo. Keep walking ;-)

Mas fica meio óbvio que isso tudo é o medo puro e simples da morte. Como, aparentemente, somo a única espécie que se dá conta de que vamos morrer em algum momento de nosso futuro, também somos a única que tentou dar uma explicação pra isso através da criação de seres invisíveis que não podemos ver, mas que de alguma forma, vão cuidar de nós após nossa morte e que seguindo essa lógica, não morreremos nunca. Bem, não tenho nada contra acreditar nisso, eu mesmo espero que minha consciência sobreviva de algum modo, mas como ninguém ainda conseguiu provar nada disso, fico só na esperança mesmo. Mais ou menos a mesma que tenho de que um dia vou acertar na Mega Sena ;-)  E pra isso não preciso de religião, que é só um eufemismo para controle de massas, e nem acreditar em um ser folclórico que sob a luz de uma crítica literária, não é bem fundamentado e carece de uma estrutura lógica para se sustentar como personagem crível.  

E sendo pragmático, a maioria de nós morre sem saber o sentido e o propósito de nossas próprias vidas. É assustador e horrível, mas é o que acontece com a maioria de nós e com qualquer outro animal, especialmente os que abatemos para comer. Claro, cada um pode dizer e pensar o que quiser para se justificar no fim da vida e se contentar com a explicação. Caso chegue a viver o suficiente e mesmo ter tempo pra pensar nisso na hora da morte. Mas todos (com um mínimo grau de filosofia na vida) acabamos morrendo com a mesma dúvida: “É só isso?” Talvez gente que tenha tido uma vida boa demais morra satisfeita ou talvez gente que tenha tido uma vida horrível demais também morra satisfeita por sua dor acabar. Cada um vê a morte de um jeito diferente, mas todos passamos pelo mesmo processo.
 




Mas ao mesmo tempo eu concordo que essas coisas por si só, apesar de tão incrivelmente complexas não fazem sentido por si só e a bíblia confirma isso.. Não sei se você é dos que odeia a bíblia ou que lê com alguma freqüência, mas lendo o livro de Eclesiastes a idéia que temos é que tudo realmente é vão, sem propósito, indo na contramão do que eu disse até agora.. Porém no próprio livro ele explica o que dá sentido às coisas e que justifica o porque de serem como são (Eclesiastes 12:13-14).

Bom, o que Eclesiastes diz sobre o que dá sentido às coisas, para mim é justamente a coisa mais sem sentido de todas: uma criatura ficcional. Eu preciso de uma explicação melhor do que essa. Mas sinceramente, não creio que exista qualquer explicação. Acho o universo lindo do jeito que é e só lamento não poder permanecer aqui para conhecer todas suas maravilhas e acompanhar sua evolução rumo ao infinito (ou destruição).


Muitos grupos e líderes religiosos buscam, através de uma suposta autoridade divina, fazer prevalecer seus preconceitos pessoais e objetivos políticos.


E indo mais além a gente pode ver que a Criação não foi feita pra nós (Romanos 11:36) e que atende aos desígnios DELe (provérbios 16:4), que não são tangíveis (Romanos 11:33-34).

E sobre Romanos e Provérbios, novamente se atribui autoridade a um ser imaginário, que por sua vez dá uma falsa autoridade a um grupo político. E dizer que não há explicações compreensíveis no nível humano faz com que o clero possa escapar de qualquer cobrança de desastres, tragédias, crianças mortas, já que “deus escreve certo por linhas tortas”. Assim as pessoas são levadas a aceitar que a vida é assim, que deus quis e que determinadas coisas não podem ser mudadas. Vale lembrar que até pouco tempo, a cultura judaico-cristã admitia plenamente o uso de escravos e pelo menos na Católica, era dito que escravos não tinham alma. Esse tipo de mentalidade foi modificado dentro da Igreja? Não. Foi modificada por filósofos, políticos, humanistas e cientistas, assim como quase toda cagada que as religiões fizeram. E claro, com a população mudando se tornando cada vez mais esclarecida, a Igreja tem que correr atrás do prejuízo e pedir desculpas de quando em quando.

E novamente, eu não separo a religião de deus porque ela criou o conceito e ela o sustenta.



2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO.
A humanidade um dia retornará ao seu berço interestelar.
Das estrelas viemos, às estrelas voltaremos.


Então, ou se crê num universo que é um tremendo desperdício (já que não tem propósito) ou nos resta crer que por trás de um aparente caos está o Criador no controle, e que tudo segue o rumo perfeito dos Seu projeto inicial.. ;)

Bem, eu não vejo desperdício em estar vivo e consciente disso, em ter amigos, amantes, em tomar banho de chuva, comer uma comida quentinha, olhar as estrelas, admirar a natureza e tudo o mais que está no universo. Desperdício é viver uma vida ruim para si e para os outros. No universo nada se desperdiça, tudo se transforma, nós somo feitos do material que sobrou do nosso Sol. Somos filhos das estrelas. E isso é uma verdade absoluta. Quer coisa mais bonita do que essa?! E achar que o universo tem que ter um propósito além do de meramente existir meio que menospreza ele. A sociedade humana concordo, tem muito o que evoluir, pois percebemos suas falhas e contradições. Mas que falhas e contradições há na dança das galáxias, no nascimento e morte das estrelas e planetas? Tudo é um ciclo, tudo está interligado.   


Grato pelo papo.
Uma boa semana pra ti.




sábado, 2 de julho de 2011

DE DEUSES, DEUS E DA MALDIÇÃO DA RELIGIÃO – Ensaio

De Michelangelo: A Criação do Homem.
Ou seria A Criação de Deus?!


Como o último vídeo que postei por aqui levantou que a questão da Liberdade de Expressão ainda é algo que pessoas “religiosas” ou iludidas tem dificuldade em aceitar, resolvi escrever este breve ensaio cronológico sobre alguns dos principais panteões de deuses que existiram ao longo da história da humanidade e sua influência na conduta da mesma através de sacerdotes e todo tipo de “autoridade” religiosa política, picareta e psicopata que já andou sobre este planeta. Mas acredite, isso tem tudo a ver com Liberdade de Expressão, entre outras coisas.

50.000 A.C.

Na época em que o sentido da vida era apenas sobreviver.


O Homo Sapiens, nossa raça, caçava, manufaturava roupas de peles de animais e fabricava lanças, machados e facas rudimentares. Já existia linguagem, clãs familiares, tribos e alguma organização proto-política baseada na lei do mais forte e do mais esperto, sendo o mais forte geralmente o líder da tribo e o mais esperto, o xamã ou curandeiro. Ao xamã cabia tentar entender e explicar ao resto da tribo acontecimentos fora da capacidade de compreensão de todos: raios, vulcões, furacões, terremotos e talvez o porque da Morte.
Em algum momento de nossa história, provavelmente na África, algum xamã decidiu relacionar estes eventos e outros sem explicação lógica com seres invisíveis (ou não) que viviam nas nuvens, nas altas montanhas e vulcões, nos mares e até mesmo debaixo da terra. Ou seja, todo local inacessível para qualquer homem da época. E assim o seria durante muito tempo. Dependendo de cada tribo a quem esse conceito chegasse, os tais seres ora podiam ser animais ou homens dotados de poderes sobrenaturais. Com tal poder, tais criaturas, espíritos ou deuses, geralmente eram caracterizados como gigantes, pois nossos ancestrais faziam relação com força era o tamanho, pois isso era algo que viam na natureza, quanto maior o animal, a árvore ou a rocha, mais forte, mais alta ou mais resistente ela era. Logo, criaturas ou homens que dominassem raios, vulcões e a própria terra, tendiam a ser imensos na sua imaginação.

10.000 A. C.

O Sol, o verdadeiro e único pai de nosso sistema solar, da Terra e toda vida que há nela.

Já habitando praticamente o mundo todo, o homem moderno já havia se dividido em várias etnias em todos os continentes e em cada um, cada civilização e tribo isolada tinha sua própria mitologia de como o universo havia sido criado, como eram os deuses e tudo o mais. Em algumas civilizações os deuses eram humanos, em outras animais e em outras híbridos de ambos. Havia deuses e deusas e cada um deles dominava ou comandava determinado aspecto da natureza ou do caráter e emoções humanas. As civilizações eram politeístas (crença em vários deuses) e se havia alguma que fosse monoteísta (crença em um único deus), ela não deixou registros conhecidos. O Sol era considerado o maior dos deuses por muitas civilizações, pois era ele que fazia desaparecer a noite, deixava ver os predadores, as presas e os inimigos, trazia calor e fazia nascer as plantas (a essa altura, os agricultores da época já haviam percebido isso). Além do mais, o calor do Sol tinha relação direta com o fogo, a principal descoberta/ferramenta humana por dezenas de milhares de anos. O próprio planeta também era considerado uma deusa, pois assim como as fêmeas geravam e nutriam a vida, assim o planeta também o fazia, de acordo com nossos ancestrais.


Entre 5.000 e 100 A.C.

No Egito, o povo à margem do Nilo tinha vários deuses, acreditavam na vida após a morte e os faraós passavam a vida preocupando-se com o pós-morte. A crença na vida após a morte evoluiu em religiões como o Hinduísmo, Budismo e na era moderna, no Espiritismo e demais religiões espiritualistas. Em 1.400 A.C., o faraó Akhnaton estabeleceu por lei que o único deus seria Aton, sendo o faraó seu equivalente na Terra. Durante o seu reinado, o Egito foi obrigado a acreditar em apenas um único deus, mas com a morte de Akhnaton, todos voltaram a adorar os antigos deuses novamente.

Zeus, o pai dos deuses.
Personalidade bem parecida com a do deus judaico, mas bem mais razoável.

Enquanto isso, na Grécia “existiam” famosos deuses, titãs e semi-deuses, que mais tarde foram adotados também pelos romanos e até hoje fazem parte do imaginário ocidental. As figuras mitológicas dos gregos eram como qualquer pessoa normal de ontem e de hoje: sujeita a paixões arrebatadoras, momentos de sabedoria e pura ira.

Já na Índia, por volta de 1.700 A.C., o Hinduísmo se estabelece com seus 33 Devas (deuses), mais tarde expandidos para 330 milhões divindades (significando o Infinito). Com quase 4.000 anos de idade, o Hinduísmo hoje tem cerca de 1 bilhão de seguidores (1/6 da população mundial). O Hinduísmo, (apesar de seu absurdo sistema de castas que exclui socialmente e economicamente dezenas de milhões de pessoas), até hoje, provou-se uma religião pacífica em termos de guerra, pois não se sabe de nenhuma invasão ou genocídio de outros povos e países em nome de sua religião.

Mas entre 2.000 e 1.7000 A.C., na Pérsia (hoje Irã) e arredores, surgia a primeira crença baseada em um deus único, mas com um grande diferencial: ele era benevolente e amoroso. Ahura Mazda era seu nome e nenhum mal emanava dele. Seu profeta era Zarathustra e ele pregava paz, caridade e boas ações entre os homens. Essa religião, hoje chamada Zoroastrismo, tem poucos adeptos hoje, em sua maioria gnósticos e místicos.

Moisés chega com as tábuas dos 10 Mandamentos!
Quem obedeceria os 10 Mandamentos se ele disesse que foi ele quem escreveu isso lá em cima na montanha?!

E lá no meio do deserto, em algum lugar onde hoje é Israel, as origens do Toráh (ou Velho Testamento) se dão com uma pequena tribo que cria um deus único só para ela e para mais ninguém. E Abraão, seu principal profeta, diz que eles são o povo escolhido e ao longo de centenas de anos, punições severas e mortais são dadas a todos os povos que desafiam a lei “criada” pelo “deus” judaico. Vivendo em terreno hostil, cercado de guerra e escravidão por todos os lados, criar um deus único para tribos pequenas com uma língua em comum foi um ato político e estratégico que garantiu a sobrevivência delas e mais além, sua supremacia até a chegada dos romanos. Aparentemente, o deus judaico valentão, vingativo e ególatra que necessitava de sacrifícios animais constantes e queria destruída toda nação que não o adorasse, não resistiu ao ataque dos deuses romanos da guerra e esqueceu para sempre de fazer seus famosos milagres para salvar seu povo escolhido. Até a criação de Yavéh, o deus judaico, a maioria das guerras e massacres tinham objetivo políticos e econômicos. Deuses eram invocados, mais com o intuito de ajudar nas campanhas militares do que como sendo o motivo para massacrar uma tribo ou povo. Com "Yavéh no comando", as guerras e massacres passaram a ter mais conotação religiosa e tudo era feito em seu nome e por causa dele, como um meio de convencer o povo de que eles “tinham a força”. Mas como religião dominante na região, o Judaísmo só estabeleceu-se mesmo entre 700 e 600 A.C. Com o Judaísmo, a subserviência e inferioridade da mulher ao homem é assegurada por um suposto ser sobrenatural e não apenas pela força bruta.


Auto-conhecimento e paz de espírito.
O homem se basta.


Finalmente, entre 600 e 400 A.C., nasceu Siddartha Gautama, que mais tarde se tornaria Buda (Iluminado), teria discípulos e deixaria diversos ensinamentos para ajudar todo homem e mulher em busca de uma iluminação pessoal e sem intermediários. Uma evolução do Zoroastrismo, Buda não pregava a existência de deus algum, mas que todo ser humano seria capaz de atingir o Nirvana (o paraíso da paz interior) e se tornar um com o Universo. Amor, paz, caridade e todo pensamento e ação positiva são encorajadas pelo Budismo, que acredita que todo o sofrimento interno é ilusório e causado por nós mesmos (Freud milhares de anos antes) e todo sofrimento real deve ser encarado como passageiro, assim como a felicidade. A existência do Buda, sua ordem e parte de seus ensinamentos é comprovada por diversos registros históricos e reconhecida pelos historiadores.

Entre 100 e 1. A.C.


Alguns anos atrás, antropólogos e historiadores decidiram finalmente desmascarar o Jesus europeu que nunca existiu. Jesus, se existiu, era judeu, tinha pele escura e usava barba e bigode como todos de sua época.


Supostamente, nessa época, nasceu um homem chamado Jesus que teve discípulos e que tentou adaptar ensinamentos e lições muito parecidas com as do Budismo dentro da tradição judaica. A maioria dos historiadores não coloca a mão no fogo por esse Jesus, pois naquela época havia muitas pessoas com esse nome e a única prova da existência de um Jesus nessa época é do historiador Josefo, que em duas linhas, cita apenas que Jesus e um outro homem foram condenados a morte. E só. Poderia ser qualquer um...


Entre 40 E 140 D.C.

Décadas depois da suposta morte de um Jesus que pode nunca ter existido, surgem diversos evangelhos adotados pelos cristãos como sendo o Novo Testamento. Mas nem todos foram aceitos, os que continham passagens que não condiziam com as inclinações políticas e sociais dos que detinham o poder, foram considerados apócrifos (não autênticos – como se eles tivessem condições de saber qual era falso ou qual era verdadeiro). Nos evangelhos, escritos por supostos discípulos ou cristãos que provavelmente tiveram contato com o Budismo, idéias e conceitos radicais foram introduzidas as já conhecidas leis judaicas, as principais sendo que o vingativo e psicopata deus do deserto dos judeus agora é um deus do amor. Esse novo conceito é mais ou menos como dizer que o serial killer Charles Manson agora passa a ser Gandhi, e qualquer um que esteja disposto a acreditar nisso tem que usar de muita “suspensão da descrença” para conseguir acreditar em um deus esquizofrênico desses. A outra é a existência do Inferno, obviamente inspirado no Hades grego, mas agora, com torturas eternas. Na arena política, travestida de religião, os cristãos passam a culpar os judeus pelo assassinato de Cristo, esquecendo completamente que seu suposto messias pedia para perdoar os pecados dos outros.

325 D.C.

O Concílio de Nicéia ou Como Enganar os Outros e se Dar Bem por Séculos!


Ocorre o Concílio de Nicéia, com um dos último imperadores romanos, Constantino, O Grande, responsável pela conversão de Roma (e do mundo ocidental por tabela) para o Cristianismo. Nesse Concílio, do qual participaram 318 bispos, foi decidido que Deus é deus e senhor, Jesus Cristo é deus e senhor e o Espírito Santo é deus e senhor e apesar de serem entidades separadas, eles são um só e só um deus deve ser adorado. Com essa conclusão sem lógica (o que não é novidade), a Igreja Católica passou a ser uma religião politeísta (adoração de um ou mais deuses) que nunca saiu do armário do monoteísmo. Hoje em dia é visível a adoração à Jesus ou ao Espírito Santo pelos evangélicos sobre o próprio deus cristão. Junte todos os supostos santos e você deve ter quase tantos deuses pra rezar, pedir coisas, agradecer e pagar promessas quanto os hindus.

Entre 354 e 2005 D.C.

Santo Agostinho, um dos maiores filósofos cristãos, cria o conceito do Limbo, para explicar o que aconteceu com as almas de todos aqueles que morreram sem conhecer o Cristo. Isso valia também para todos que morressem sem ser batizados ou desconhecessem a palavra de Deus, ou seja, todos que não fossem católicos ou judeus, iriam para o Limbo. Por isso as crianças passaram a ser batizadas ao nascer, pois caso não o fossem e viessem a falecer, suas almas não iriam para o céu, mas para o Limbo. O engraçado disso é que eles nem precisaram dizer que foi uma revelação de Deus dessa vez, a Igreja apenas sancionou esse Dogma e ficou assim até 2005, quando o Papa Bento XVI convocou 30 teólogos e decidiram que o Limbo das crianças não existia e que todas elas iam direto para o céu.
É, até o Papa tem que fingir que trabalha de vez em quando, mesmo que seja um trabalho imaginário.


Entre 391 e 415 D. C.


Séculos de conhecimento perdidos para sempre.
Um atraso de mil anos na história da humanidade.

Com o Cristianismo oficializado como a religião do estado Romano pelo imperador Teodósio I, os cristãos e nascente Igrja Católica finalmente tem status superior na sociedade e na cidade de Alexandria, fazem uso de sua liberdade de expressão queimando e destruindo o que restava da famosa Biblioteca de Alexandria, o maior centro de conhecimento do mundo ocidental.
Informações como a circunferência de Terra (com menos de 1% de erro) e um projeto de uma máquina a vapor foram documentos perdidos na época. Para descobrir que a Terra era redonda novamente, só a partir do século XV, com as navegações espanholas e portuguesas. Quanto a máquina a vapor (criada no século II A.C.), a humanidade só redescobriria o processo 1.800 anos depois.

Anos antes da ascenção da Igreja Católica a tolerância às práticas religiosas, a liberdade de expressão e a sede de conhecimento eram quase comparáveis aos dias atuais. Mas no poder, os cristãos trataram de calar todas as bocas. Filósofos, cientistas e outras correntes religiosas (judeus, principalmente) passaram a ser perseguidas, pressionadas e mortas.
Hyapatia, uma das grandes filósofas e cientistas da Alexandria dessa época, foi atacada, apedrejada e esquartejada por uma turba de cristãos enfurecidos. Politicamente influente e mulher, ela era algo que não poderia ser tolerado pela nova ordem.

A partir daí, a Igreja Católica reinou soberana na Europa, proibindo o acesso a cultura a qualquer um que não fosse nobre ou do clero. Começa aqui o período histórico de 1.000 anos que os historiadores deram o nome de Idade das Trevas, devido a ignorância, intolerância e preconceito que o mundo ocidental mergulhou. Um belo feito para a igreja de “deus”. Eles devem sentir saudades dessa época até hoje...

Século VI D.C.

O papa Gregório I institui os 7 Pecados Capitais como uma forma de incutir mais medo e obediência em um povo ignorante e com medo do Inferno e do Fim dos Tempos, que vivia sendo anunciado.
A estas alturas, sexo sem fins de procriação era visto como um grande pecado e ajudou a manter bilhões de pessoas neuróticas, insatisfeitas e sentindo-se sujas ao longo do séculos. Funciona até hoje...

Perseguições esporádicas aos judeus acontecem em todo lugar e época. Todo o clero católico aponta os judeus como os assassinos de Cristo em qualquer sermão ou obra sobre o assunto.Durante centenas de anos, a Igreja continuaria culpando os judeus, o que acabou culminando em todo o preconceito que existe contra a cultura judaica até hoje.
“Uma mentira, dita cem vezes, torna-se verdade.”
Josef Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler disse isso durante a 2ª Guerra Mundial.
Ele deve ter aprendido isso com a Igreja Católica.

Século VII D.C.


Em nome de Alá, o Islã conquistou metade da Europa na baixa Idade Média.

No Oriente Médio, Maomé, um comerciante, torna-se religioso, político e militar ao mesmo tempo ao congregar seu povo ao Jihad (Guerra Santa) em nome de Alá (deus). Com seus ensinamentos e a palavra de “deus” reunidas no Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, o Islamismo é fundado.
Reconhecendo Abraão, Moisés e Jesus como profetas de deus, o Islamismo reconhecia o direito de existência dos judeus e cristãos, mas que tanto o Velho como o Novo Testamento haviam sido corrompidos ao longo do tempo e que a única e verdadeira palavra de deus estava no Corão.
Maomé, como Abraão, conseguiu unificar as tribos árabes fez guerra contra todos em nome de Alá. Mais um exemplo da loucura dos “seguidores de deus”.
Islã significa “submissão à deus”, “paz”, rendição” e “caminho da paz”. Para os muçulmanos mais radicais, ou você se submete à eles ou eles te mostram o caminho da paz... no cemitério.

A cultura árabe é extremamente rica e interessante e deve ser preservada a todo custo. O Corão contém diversas passagens belas e inspiradoras, assim como passagens aterradoras e preconceituosas, pois como a Bíblia, ela foi escrita por homens ignorantes, sedentos de poder e que muito provavelmente odiavam mulheres, pois em ambos as mulheres não são mais do que servas do homem.

Hoje em dia, graças a campanha de terror da mídia e do governo americano, o Islã é sinônimo de terrorismo, mulheres de burka e talibãs loucos executando qualquer um em nome de deus. Mas os líderes muçulmanos pouco ajudam na reversão dessa imagem.


Séculos XIII à XVII

No período conhecido como Renascimento ou Renascença, que aconteceu em diversos países da Europa, filósofos, cientistas e artistas redescobriram a cultura e os valores gregos e romanos (pré-cristandade) e atreveram-se a desafiar dogmas da Igreja. Muitos foram presos e mortos, mas suas idéias sobreviveram e devemos boa parte do pensamento, tecnologia e liberdade de expressão moderna à esses homens e mulheres (poucas, pois elas não podiam fazer quase nada) que ousaram olhar por cima da Bíblia “Sangrada”.


A inquisição foi a época perfeita para todos os padres, bispos e cardeais piscóticos, neuróticos e misóginos mostrarem como eles odiavam as mulheres.
9 entre 10 acusados de bruxaria eram do sexo feminino.


Nessa época, a maioria dos judeus, cansados de tantos massacres e perseguições pelos católicos, fugiram para o Oriente Médio (dominado pelo Império Otomano) ou para as Américas. No Oriente Médio, cercados por árabes, eles podiam viver em paz, praticar sua língua e religião, bastando para isso, pagar um pouco mais de impostos.
Nos dias atuais, Israel cospe na cara do único povo que o recebeu pacificamente durante aqueles séculos de chumbo.

Século XIX


O livro que chocou o mundo.

Com a publicação de A ORIGEM DAS ESPÉCIES, de Charles Darwin, um dos maiores dogmas da Igreja Católica começa a cair por terra, a de que “deus” criou o homem. Afinal, de acordo com Darwin e que todo cientista moderno concorda, todos viemos de um ancestral primata comum e antes dele, de um mamífero comum (algo com um rato) e antes disso, de um réptil, anfíbio, peixe e molusco até chegar a uma criatura unicelular. Se “deus” nos criou a sua imagem e semelhança, das duas uma: “deus” é um macaco ou uma bactéria!
Ei, isso até que explicaria essa bagunça toda!
Bem, juntando Darwin com o filósofo Niesztche, que proclamou “Deus está morto!” a Igreja Católica e a religião como um todo começa finalmente a recuar.

SÉCULO XX

As grandes descobertas científicas dos séculos passados e deste século se acumulam sobre as cabeças dos religiosos e finalmente a maioria deles, em especial a Igreja Católica, começa a admitir que certas passagens da Bíblia são metáforas e alegorias e não devem ser interpretadas literalmente.
Ou seja, para não perder, eles começam a mudar as regras do jogo. Durante milhares de anos a Bíblia era literal e quem duvidasse era preso ou morto, mas agora, como não dá para fazer isso sem causar o escândalo que muçulmanos radicais causam, a Igreja muda de opinião.
Vale lembrar que entre 1939 e 1945 6 milhões de judeus foram mortos pelos nazistas de forma cruel e covarde. Para Hitler, foi fácil convencer os alemães de que judeus eram ruins e deviam morrer, a Igreja Católica já havia feito lavagem cerebral nas pessoas durante centenas de anos. Hitler apenas repetia o que dezenas de Papas antes dele já havias dito ou feito. E depois da guerra, a Igreja Católica acobertou e ajudou nazistas católicos a escaparem para outros países.
E quer saber de um fato engraçado: nenhum Papa jamais excomungou os nazistas por seus pecados, mas todos os comunistas o foram. Afinal, comunista não acredita em “deus”...

Vala comum de judeus executados pela fome e doenças em campo de concentração nazista.
Uma vala que a Igreja Católica ajudou a cavar.

SÉCULO XXI


9/11/2001 - O Dia em que a Terra Parou para assistir as notícias.

Sentindo-se humilhados e tratados como escória pelas grandes potências durante todo o século XX, o povo árabe voltou-se ainda mais para sua religião para conforto e retaliação. Com o ataque ao World Trade Center, o milenar choque Ocidente X Oriente se torna real até para quem nunca havia lido ou escutado palavras como muçulmano ou Império Americano.
De um lado, alguns milhares de muçulmanos psicopatas e misóginos dispostos a mandar todos pelos ares pelo simples fato de não nos comportarmos como eles querem e do outro, nações ricas que dizem que “deus” está do lado delas e que todo dia assassinam economias, matando mil vezes mais gente do que qualquer terrorista jamais sonharia.

"Deus abençoe a América"
Claro, "deus" está sempre do lado do mais forte...

Eu poderia escrever sobre as Cruzadas, sobre as guerras papais pelo poder, sobre os talibãs, sobre os padres, bispos e cardeais pedófilos, bispos evangélicos picaretas que só querem seu dinheiro, etc, mas eu ficaria uma eternidade desfiando os pecados e atrocidades de todos esses homens e instituições abençoadas por “deus”.




Então, para finalizar, eu tenho uma pergunta:

Você compraria produtos de empresas com tradição milenar que tem no seu currículo centenas de milhares de mortes de homens, mulheres e crianças; que quando tiveram oportunidade, calaram, prenderam e executaram toda voz que se levantou contra elas; que durante mil anos mantiveram centenas de milhões no analfabetismo e na ignorância propositalmente; que pregam humildade e desapego de valores materiais quando todos os seus líderes vivem em palácios, andam em carros importados e tem todo tipo de luxo e que na maior parte de suas vidas, nunca trabalharam de forma produtiva?!

Bem, se mesmo sabendo que essas empresas são picaretas, hipócritas, avarentas, pervertidas sexuais, você acha que não tem nada demais comprar o produto podre que elas vendem, então vá em frente e continue mentindo para si mesmo que o produto invisível que eles criaram vai te fazer feliz!
Ou pelo menos escolha uma religião com ficha limpa!


E para descontrair, Sarah Silverman mostra como a Igreja Católica pode recuperar seu cartaz com a humanidade!





Nota Final: Para fazer este ensaio, me baseei em livros de história, filosofia, antropologia, documentários dos canais History, Discovery, National Geographic, entrevistas com cientistas de diversas aéreas que li e assisti ao longo dos anos e muita pesquisa no Google em sites sérios, a maioria em inglês. E caso alguma informação esteja errada, aceito correções (científicas e lógicas) para modificar o texto.


Se for para acreditar em bobagem, eu acredito no Deus Monstro Spaghetti.
Aleluia!

domingo, 12 de junho de 2011

HISTÓRIAS ENGRAÇADAS DA BÍBLIA - Animação




Essa série hilária e debochada da Bíblia mostra os absurdos e loucuras que o maior personagem fictício de todos os tempos, o psicótico e inseguro deus judaico-cristão faz contra sua própria criação que ele finge amar, mas que na verdade apenas usa como uma distração para o seu ego ensandecido.

Os outros capítulos legendados você acha no You Tube.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

JESUS E JAVÉ – OS NOMES DIVINOS

Michelangelo – detalhe de “A Criação dos Céus” (1508 -12)


O Autor

Teórico e ensaísta literário, Harold Bloom é um dos maiores intelectuais e críticos literários em atividade. Autor de mais de 27 livros sobre literatura, Bloom leciona Humanidades na Yale University e Inglês na New York University.



O Livro

Neste extraordinário ensaio literário sobre a Tanak (Velho Testamento Judeu) e o Novo Testamento cristão, Bloom se debruça sobre as figuras literárias e históricas de Jesus e Javé (pronuncia-se Iavé), dois símbolos religiosos que pouco tem em comum, de acordo com o autor.

Ao longo do livro, Bloom traça a biografia de Javé, o deus temperamental, inseguro, carente e violento que forja uma aliança com a tribo judaica e exige deles amor incondicional em troca de proteção e bênçãos. Nas palavras do próprio dirigindo-se a Abraão: “E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem (...)”. Fica clara a diferença de Javé com o deus proclamado pelo cristianismo, onde supostamente, todos somos amados por Deus, e não apenas a tribo de Abraão.

O pedido de Javé para que Abraão sacrificasse seu filho para provar seu amor por ele, se aplicado à realidade, demonstraria claramente uma relação abusiva com um psicopata manipulador.


O claro desaparecimento de Javé no Novo Testamento também não deixa de ser um proposital erro de continuidade, visto que no Velho Testamento, Javé é um deus ativo, que visita profetas em suas casas, fala com outros tantos e desempenha os mais diversos tipos de milagres, muitos dos quais, envolvendo massacres de centenas de pessoas, sempre favorecendo a tribo de Judá.

Já no Novo Testamento, Javé é um deus ausente e nem com Jesus ele conversa e nenhum milagre realiza de sua parte. A Antiga Aliança, feita com Abraão, já não mais existe. De acordo com a Igreja Católica, o que agora existe é uma Nova Aliança, aquela que supostamente abrangeria toda a humanidade.

Interessante notar que a partir desta Nova Aliança declarada pelos recém-nascidos cristãos, deus nunca mais se manifestou como se manifestava o Javé dos judeus no Velho Testamento.

Apesar da suposta nova aliança com a humanidade, Javé, que no Velho Testamento interferia diretamente nos rumos da sociedade e nas vidas das pessoas, desapareceu para nunca mais ser visto.


Bloom arrisca dizer, em um certo trecho, que Javé auto-exilou-se no espaço sideral, abandonando a raça humana a própria sorte, o que seria uma explicação razoável, caso ele realmente existisse.

Uma outra comparação muito interessante que Bloom faz entre o Judaísmo e o Catolicismo é o fato de que no Judaísmo, existe apenas Javé e que no Catolicismo existem Deus, o Espírito Santo e Jesus Cristo (fórmula criada pelo Concílio de Nicéia em 325 D.C. para tentar explicar que as três entidades eram uma só. Explicação até hoje contestada por muita gente). Mas além da Santíssima Trindade os católicos podem orar e pedir milagres diretameten para a Virgem Maria e toda uma infinidade de santos especializados nas mais diversas causas. Mais ou menos como funcionava nas antigas religiões pagãs (gregas, egípcias) e como funciona na religião hindu. Percebendo isso, constata-se facilmente que o Judaísmo é uma religião monoteísta (que acredita em apenas uma divindade) e que o Cristianismo se transformou numa religião politeísta (crença em várias divindades). Isso em nada implica no fato de uma dessas religiões ser melhor ou pior do que a outra, assim como a hinduísmo também não é. É apenas um fato curioso sobre o qual pouca gente pensa e claro, que a Igreja Católica jamais vai admitir.

Mas ao mesmo tempo em que revela as incongruências e absurdos de ambos os livros sagrados, Bloom, judeu não-praticante, considera que Javé é por demais importante para ser ironizado, respeitando a importância histórica de tudo o que foi feito de bom e de ruim em nome dele.


No Brasil, o avanço das religiões neopentecostais na política utilizando táticas e discursos medievais em seus templos está causando retrocessos na cultura e na sociedade.


Não temos como saber se a humanidade estaria melhor ou pior se alguém ou um grupo de pessoas não tivesse criado Javé e Cristo para controlar e apaziguar as massas, mas nos últimos séculos, com o advento da ciência e da liberdade religiosa e de expressão, pode-se dizer que existe uma certa confusão da sociedade em relação ao que ou em quem acreditar e com isso, numa tentativa embrutecida de recusar pensar e discutir sobre o assunto de modo mais profundo, muitos grupos decidiram por tentar retornar a um fundamentalismo arcaico, onde negam a Ciência e até mesmo, as liberdades pelas quais tantos sacrificaram suas vidas para que hoje em dia pudéssemos falar numa mesa de bar que não acreditamos em Deus ou que não gostamos do Lula, sem corrermos o risco de irmos para a fogueira ou para a prisão.

Trecho

“Na condição de crítico, aprendi a confiar na advertência que introduz o primeiro volume dos Ensaios de Emerson – não existe história, apenas biografia – bem como na percepção emersoniana de que nossas preces são enfermidades da vontade, e nossas crenças, enfermidades do intelecto. O Novo Testamento é mito e fé; não se trata de relato factual, e os escritos de Josefo, desde logo indignos de confiança, ainda foram falsificados por autores cristãos. Jesus carece tanto de história quando de biografia, e não temos como saber quais dos seus ditos são autênticos. Para quem aceita a Encarnação, nada disso importa. Afinal, o judaísmo é igualmente incerto: terá o Êxodo, de fato ocorrido? Os milagres de Cristo, à semelhança dos de Javé, só convencem os convertidos.”

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Boa leitura.

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