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terça-feira, 27 de setembro de 2016

NEIL GAIMAN - Entrevista

 O Senhor das Palavras.

Neil Gaiman é um cara que dispensa apresentações para quem curte quadrinhos maduros e literatura fantástica.

Então, para vocês, fãs de Gaiman que querem conhecer ele um pouco melhor e saber o que ele pensa sobre literatura, quadrinhos e outros assuntos, selecionei perguntas de entrevistas diferentes (para não ter problemas com direitos autorais) e após cada resposta eu linkei o original onde quem lê inglês pode ler a entrevista completa.

Com a palavra, Neil Gaiman:

O que você gostava de ler quando era criança?

Qualquer coisa. Eu era um leitor. Meus pais costumavam me revistar antes de reuniões de família. Antes de casamentos, velórios, bar mitzvahs e o que fosse. Porque se não o fizessem, o livro estaria escondido dentro de um bolso ou outro lugar e assim que eu tivesse a oportunidade eu acharia um canto para ler o livro. Era assim que eu era... era isso o que eu fazia. Eu era o menino com o livro. Agora, tendo dito isso, minha tendência era gravitar ao redor de qualquer coisa fantástica, fosse Ficção Científica, fosse Fantasia, fosse Horror, fossem histórias de fantasmas ou qualquer coisa dentro desse território. Mas eu era, definitivamente, o tipo de criança que lia de tudo. O legal de estudar em uma escola na Inglaterra naquela época é que as escolas eram realmente muito velhas. E elas sendo bem velhas isso significava bibliotecas construídas nos anos 1920. Aquela foi a última época em que saíam em expedições de compras de grandes livros. E mais algumas surgiram nos anos 1930. Eu tive a oportunidade de ler esses autores quase esquecidos. Eu sentava e devorava as obras completas de Edgar Wallace ou G.K Chesterton. Na verdade, eu me lembro de ver pela primeira vez os dois primeiros volumes de O Senhor do Anéis em dois capas dura bem detonados. A Irmandade Do Anel e As Duas Torres. Era o que tinha na biblioteca, e eu os li e reli várias vezes, imaginando como aquilo acabaria. E quando eu tinha doze anos eu ganhei o prêmio de Inglês da escola e eles disseram: “O que você gostaria de ganhar como prêmio? Você ganha um livro.” Eu disse: “Por favor, posso ganhar o Retorno do Rei para saber o que acontece?” 

Leia a entrevista completa aqui.


Os Pérpetuos no tradicional almoço de domingo. ;-)


Sobre criar uma família disfuncional para Sandman e seus irmãos (conhecidos como Perpétuos).

Muito disso se deve a quando eu comecei a escrever Sandman. Foi em 1987 que eu comecei. Eu estava pensando que não existiam quadrinhos por aí com famílias – e eu amo a dinâmica familiar. Eu adoro a forma como as famílias funcionam ou não funcionam, adoro como se comportam, adoro como elas interagem e isso me pareceu que seria algo muito divertido para colocar na obra.

Quando eu vim para a América para sessões de autógrafos, as pessoas me diziam: “Nós adoramos os Perpétuos; nós adoramos Sandman e sua família, eles são uma família disfuncional maravilhosa.”
Não era uma expressão que eu não tivesse escutado antes, mas eu perguntei: “Um momento, me explique, o que é uma família disfuncional?” E as pessoas me explicariam, e depois de algum tempo eu me dei conta de que o que os americanos chamam de “família disfuncional” é o que na Inglaterra nós chamamos “família”. Eu nunca topei com uma dessas famílias funcionais.

Leia a entrevista completa aqui.


Dizem que a inveja é um pecado mortal...

Descreva um dia de trabalho. Como você escreve?

Se estou escrevendo um livro, eu provavalmente acordo pela manhã, confiro e-mails, talvez meu blog, resolvo emergências e então me dedico a escrever das 13:00h às 18:00h. E vou escrever longe, a uma distância segura do computador. Se eu não estiver escrevendo um livro, não tenho programação, e roteiros e introduções e o que for podem ser escritos a qualquer hora e em qualquer coisa.

Leia a entrevista completa aqui.


Página do livro de scketches de Neil Gaiman.


Em Credo (Em que eu acredito), que abre a primeira seção do livro, você escreve: “Eu acredito que eu tenho o direito de pensar e falar coisas erradas.” Você acha que na sociedade de hoje – particulamente por causa das redes sociais e do ciclo de notícias 24 horas – que não deixamos as pessoas estarem erradas o suficiente?

O que eu tenho a tendência de ver acontecendo é mais e mais pessoas se refugiando em suas bolhas. As pessoas estão assustadas de fazerem a coisa errada ou de serem xingadas e por isso formam vilarejos onde todos concordam uns com os outros e então eles podem ir até o outro vilarejo e atacar as outras pessoas que moram lá apenas pela diversão, mas não existe qualquer intercâmbio de ideias.
Eu acho que temos que encorajar a ideia de que nos é permitido pensar coisas. Eu pensei muitas coisas idiotas ao longo dos anos, e eu posso te dizer que não existe nada idiota demais que eu tenha pensado que alguém tenha me feito mudar de ideia porque me xingou ou me ameaçou de morte. Por outro lado, ter ótimas conversas com bons amigos, provavelmente bebendo, definitivamente mudou minha linha de raciocínio e me fez pensar que poderia melhorar. Nos é permitido melhorar, mas nós temos que deixar que as pessoas melhorem. 

Leia a entrevista completa aqui.



Gaiman no set da série Deuses Americanos.


Parece que você está, lentamente, se tornando um escritor de prosa. Você tem planos de voltar aos quadrinhos?

Bem, não estou escrevendo muito quadrinhos nesse momento. Suponho que eu me tornei bom escrevendo quadrinhos. Eu aprendi minha arte. Por 8 ou 9 anos eu fui realmente um roteirista de quadrinhos. E eu fiquei muito bom nisso. Por outro lado, quando estava escrevendo Sandman, tinha outras coisas que eu queria fazer, a maioria das quais eu não podia naquela época. Bons Augúrios, que eu co-escrevi com Terry Pratchett, foi escrito em 1989, quando eu levava duas semanas para escrever uma edição de Sandman. Então eu tinha bastante tempo livre, certo? E eu queria escrever mais prosa – eu queria fazer televisão e cinema e eu queria escrever uma peça – mas eu não tinha tempo sobrando. A maior parte do que venho fazendo desde que finalizei Sandman são coisa que eu não podia naquela época, como colocar Neverwhere como uma séria na BBC, o que eu aprendi muito, ou meu episódio de Babylon 5, que me mostrou que eu poderia conseguir de verdade fazer algo parecido com o que eu gostaria de ver na TV. E essas são coisas que eu ainda não sou – pelo menos na minha opinião – muito bom em escrever. Eu ainda não escrevi um livro que eu ficasse completamente satisfeito. Stardust foi o mais próximo que eu cheguei disso. Eu estava muito mais satisfeito com ele do que com Neverwhere, como qual eu não estava super feliz. Foi um bom começo. Eu espero que no próximo, eu acerte a mão. Eu quero fazer outra série de TV agora, porque acho que aprendi o suficiente para fazer uma com a qual fique contente. Fazer um filme. Foi bom fazer o roteiro da Princesa Mononoke. É muito diferente de escrever quadrinhos. São mídias diferentes, quadrinhos sendo uma coleção de imagens estáticas, eu acho, tem muito mais em como com a prosa do que com um filme. Criam-se efeitos muito mais próximos da prosa. Com filmes, a coisa está se movendo o tempo todo. Personagens  estaco fazendo coisas o tempo todo, falando de verdade. Você tem que ser menos obsessivo com sua criança. Você não pode ter algo que você acha que é perfeito, absolutamente o que você quer: você tem que saber que não, é apenas um diagrama. Eu apenas quero criar coisas, na verdade. Toda a minha vida, eu achei que estava escapando de algo porque eu estava inventando coisas e descrevendo elas no papel. E que um dia alguém bateria na porta, e um homem com um prancheta estaria na soleira e diria: “Aqui diz que você apenas andou inventando coisas por todos esses anos. Agora está na hora de sair daí e ir trabalhando no banco.”
Porque minha avó ou quem quer que fosse sempre me avisava, como eles avisam as crianças: “Não invente coisas! Você sabe o que acontece com meninos que inventam coisas!” Mas eles nunca te contam o que acontece. Mas o que posso dizer até agora, que o que aconteceu envolveu poder ficar muito em casa, algumas viagens internacionais, ficar em hotéis bacanas e conhecer muita gente legal que quer que você autografe coisas para elas. É isso.     

Leia a entrevista completa aqui.

A biblioteca particular de Neil Gaiman.


Nuno, membro do Goodreads (site equivalente ao Skoob) pergunta: “Como fã de FC e Fantasia, eu sou frequentemente confrontado por pessoas que desprezam esses gêneros como sendo escapismo – e nada mais. Mas eu sempre gostei que Ursula K. Le Guin disse que o propósito da FC é ‘descrever a realidade, o mundo atual.’ Qual, você diria, é o propósito da Fantasia e FC?”

Eu acho que o propósito é nos mostrar o mundo em que vivemos em... sobre um ângulo levemente diferente. Em um no qual nunca o vimos antes. A grande coisa de ver algo familiar sob um ângulo levemente diferente é que você pode vê-la novamente pela primeira vez. Você pode vê-las sem todas as pré-concepções que você construiu.Se você acha que pessoas e coisas são de um jeito, a melhor coisa da FC e da Fantasia é que elas podem te passar a mensagem fundamental de que as coisas não precisam ser assim. As coisas podem ser diferentes. E isso é incrivelmente libertador.

As pessoas dizem que são coisas escapistas, mas também tem as coisas boas. Mas você não decide o que é escapista e o que é bom. E ficção que te permite escapar é sempre maravilhosa.

Um dia desses eu escutei uma entrevista na rádio BBC sobre um homem que havia aprendido a ler direito na prisão. E ele estava falando sobre o fato de que a melhor coisa sobre ler era que ele não precisava estar na prisão enquanto lia. Sim, ele estava na prisão, mas lá tinha livros. E agora que ele os podia ler, ele podia estar na Jamaica, ir para a América e passar por essas aventuras e até viajar no tempo. E eu pensei, ele está dizendo algo muito verdadeiro. Não é escapismo – é escapar. E quando você escapa, não é apenas uma escapada. Porque você voltará, e você estará diferente. Você estará armado com ferramentas, armas e conhecimento. E coisas que você não sabia antes.  

Leia a entrevista completa aqui.


sábado, 10 de janeiro de 2015

O QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI...(?) - Crônica



Sinceramente? Vários motivos: aumentar meus horizontes; ser forçado a escrever mais; diploma; ter uma profissão definida; conhecer outras pessoas com as quais possa conversar sobre literatura e cultura em geral; fazer amigos; deixar minha mãe feliz por ter um filho universitário; a possibilidade de pedir por uma bolsa no exterior e ter direito a prisão especial para o caso de um dia precisar...
   
Alguns dos objetivos  já foram conquistados, outros estão sendo. Já fiz boas amizades com as quais consigo conversas interessantes e minha mãe está contente. Quanto ao resto, estou na dependência do futuro. Minha atual angústia, ou talvez fosse melhor dizer ansiedade, é no quesito “aumentar meus horizontes”. Uma professora amiga minha graduada nessa mesma universidade, certa vez me disse: “Se um dia tu quiser deixar de gostar de ler, entra pra Letras.” Uma afirmação que agora faz algum sentido para mim. Os textos teóricos que certas cadeiras nos fornecem, dissecam tanto e tão friamente certas obras que eu chego a pensar se aqueles teóricos realmente gostaram das obras que leram ou se eles simplesmente tem tesão por destrinchar textos, dando importância secundária ao prazer de ler; a obra em si. Um recente acontecimento me deixou bastante chateado, quando no momento em que eu estava lendo alguns contos de Dickens, me peguei analisando o conto sem sequer tê-lo acabado. Isto acabou me tirando do ritmo da história, deixando-me distante e conseqüentemente, sem o prazer da leitura.
   
Bem, mas o motivo de eu estar falando isso tudo é que sou aspirante a escritor, sinto falta de uma cadeira de produção literária e de ler livros. A cadeira de produção textual do primeiro semestre talvez tenha sido boa para quem não está acostumado a escrever, mas para alguns de nós ela só serviu para nos obrigar a escrever textos com temas um tanto bobocas, mas que buscamos driblar com nossa criatividade. Devo confessar que alguns foram um desafio interessante, outros pura chatice. Mas de qualquer forma, faltou-nos um “feedback” maior por parte da professora, que carecia de sensibilidade e mesmo, de certa cultura literária. Não que eu possua muitos conhecimentos nesta área, mas embora não tendo lido centenas de autores, pelo menos já li algo sobre os próprios e suas obras.  Quanto ao fato de “ler livros”, quero dizer ler livros por prazer, ou pelo menos ter a oportunidade de ter prazer lendo os livros indicados pelos professores. Infelizmente, o problema quantidade de livros/tempo de leitura inviabiliza esta oportunidade e só o que parece restar é a análise fria e obrigatória das obras.

Confesso que fiquei desapontado e embasbacado quando ouvi professores recomendando a leitura de obras em grupos (cada um lê um capítulo!) ou então indicando quais capítulos deveriam ser lidos (como se os outros de nada importassem!). Isso, simplesmente para cumprir com o programa estabelecido e fazer a análise ou teste sobre a obra o mais rápido possível. Acostumado a ler livros de uma orelha à outra, tentei no princípio, continuar com esse hábito. Algumas vezes logrei êxito, mas estou perdendo cada vez mais batalhas e já deixei para trás pelo menos cinco livros tendo lido não mais que 10% deles. Detesto largar livros incompletos! Somente quando acho-os ruins, e só fiz isso duas vezes até hoje.
   
O fato de também ter diversos outros interesses extra-universidade e também trabalhar dividem o tempo e o empenho que poderia dedicar a mesma se eu fosse como boa parte dos alunos. Meu interesse por cinema e meu recente pequeno sucesso com um filme, estão me fazendo voltar boa parte de meus esforços em projetos para novos filmes. Felizmente, isso não deixa de estar conectado com a escrita, já que escrevo roteiros tanto para os filmes quanto para histórias em quadrinhos (outro projeto).
   
Desse modo, o que eu estou fazendo aqui é tanto algo que eu posso responder  simples e objetivamente - como fiz no primeiro parágrafo -, quanto algo subjetivo e um tanto vago que tomou vários outros parágrafos. Para minha sorte e provavelmente sua também, a questão só era pertinente à faculdade de Letras.  


Porto Alegre, setembro de 1999.
 
 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

ROBINSON PEREIRA - Entrevista

Robinson Pereira, escritor.

Conheci o Robinson Pereira no final de 2008 através de e-mail. Acho que ele me achou através deste blog e falou que era escritor de livros de espionagem e me mandou um livro pra eu ler. SOUVENIR IRAQUIANO. Eu gostei e fiz uma crítica. Agora o Robinson está lançando mais um livro de espionagem que deve ser tão bom ou talvez até melhor do que o SOUVENIR. Mestre em Literatura pela UFSC, sua pesquisa na universidade foi exatamente sobre a possibilidade do gênero de espionagem dentro da literatura brasileira.

Agora, conheça um pouco mais desse escritor e de sua paixão literária...

De onde surgiu a vontade de ser escritor?

Acho que isso foi uma coisa muito natural em minha vida. Desde os oito anos que eu curtia muito fazer histórias em quadrinhos. Nunca me vi, ao longo de toda minha vida – e hoje tenho 42 anos – distante do ato de contar histórias. Sempre me encontro absorto, imaginando uma história.

Porque escrever SOUVENIR IRAQUIANO, um thriller de espionagem, em um país onde 99% dos escritores preocupam-se quase que exclusivamente com o lado psicológico ou social de suas personagens e narrativas?


Gosto do tema. Gostei bastante, quando garoto, de 007. Vi no cinema “O Espião que me Amava”, com o Roger Moore. Isso foi em 70 e pouco, não foi? Antes, era fã do Mickey, mas somente das histórias nas quais ele era detetive. O nome Ian Flemming me despertava muita curiosidade antes mesmo de ler ou ver qualquer coisa sobre James Bond, apenas de ouvir falar.
Com o tempo – e isso foi um pouco antes de começar a escrever o Souvenir, que aconteceu em 1999 – eu fui me incomodando com o fato de não haver um imaginário do gênero no Brasil. Ficava realmente incomodado com isso. Sempre ouvia falar de espião no Brasil de forma pejorativa – odeio o apelido “araponga”.

Em 1988, quando saí da Academia Militar das Agulhas Negras e decidi fazer Comunicação Social (queria ser publicitário porque achava que me levaria mais para perto de aprender a lidar com vídeo, roteiros, etc), comprei um livro do Nelson Lopes, um jornalista brasileiro especialista em indústria bélica brasileira nos anos 80 do século passado. O assunto me interessava, era filho de militar, ouvia muito falar de Urutu, Cascavel, Taurus, Astros, essas coisas. No livro vi que o Brasil não estava muito longe dos eixos das grandes tramas de espionagem internacionais.

Isso me deixou mais incomodado ainda. Tinha (tenho) a impressão de que há um preconceito com a ideia do brasileiro poder ser um 007, ser um forças especiais... Poxa, no Exército, vi que americanos, franceses e ingleses vinham treinar aqui um monte de técnicas de combate. Saquei que o preconceito não procedia. Pior ainda, saquei, analisando a nossa história, que o nosso SNI foi treinado pelo MI6 e pela CIA, e que os caras fizeram um serviço muito efetivo (sem julgamento), pois desmantelou a nossa esquerda. Ou seja, não dá para chamar os caras de “araponga” querendo debochar, se na verdade os caras saíram por cima.

Tenho receio de falar isso e parecer ser alguém de direita. Muito pelo contrário. Espionagem e repressão existe em qualquer lado, desde a Kriptéia da Grécia antiga até a KGB da União Soviética, na Guerra Fria, e os serviços que ocuparam o seu lugar no novo modelo de sociedade russa. Onde quero chegar é que não dá para tapar o sol com a peneira, sei lá por qual motivo, e dizer que não temos histórias ligadas à espionagem.

O meu livro A Fronteira, que está disponível para download no meu blog prova isso. É todo baseado em fatos reais. O Souvenir Iraquiano, de certa forma, também. Tenho um projeto de romance baseado em uma operação de espionagem deflagrada pelo Brasil no Suriname. Uma coisa real. Por que não escrever sobre isso?

Daí comecei a procurar escritores do gênero no Brasil, e entender melhor o gênero e por que ele não se disseminou em outros países que não os de cultura anglo-saxônica. Daí saiu meu mestrado.

Capa do livro.

A crítica e os leitores receberam bem seu livro? Ainda existe um certo preconceito contra literatura "escapista", mesmo que não seja o caso de SOUVENIR IRAQUIANO?

Que existe esse preconceito, existe. A crítica adora ouvir alguém dizer que não busca inspiração, para seus livros, em outro lugar que não seja a sua própria existência. Poxa, então quem é que vai dizer de quem é a melhor ou a mais importante existência? Quem pode dizer que a vida de fulano ou de beltrano é mais literária? Na verdade, quando você senta para escrever um romance de espionagem, ou um thriller qualquer, a sua única intenção é entreter o leitor. Para isso, é preciso suar bastante. Isso requer muita pesquisa e trabalho duro. Não se produz esse tipo de literatura com trabalho intuitivo.

É engraçado que o mercado editorial brasileiro se apoia muito em livros-verdade, auto ajuda, etc, e produz sucessos como Bruna Surfistinha. Só que eu pergunto: quem é capaz de provar que ela não era uma personagem apenas? Qual o problema em criar uma “Michelle Tentação” e vender como se fosse autobiográfico? Basta perder algumas semanas lendo contos eróticos na internet, aqueles que teoricamente são contados pelos leitores, para ter uma seleção no imaginário sexual médio e daí ousar um pouco e produzir uma nova personagem “real”, contratando uma atriz e mantendo a farsa em segredo. Mas a idéia não é exatamente essa, não é? Eu quero escrever spy fiction porque sei, através de pesquisa, que temos muitas histórias boas para contar.

Li que existem planos para um filme... Se existe, em que ponto está esse projeto?

Um roteirista e um produtor demonstraram interesse pelo livro, mas ainda está apenas no campo da conversa. Não há nada sólido.

Fale sobre suas obras anteriores:

Eu escrevi um romance beatnik chamado Diário de Um Intelectual à Deriva, um verdadeiro livro de bolso. Dá para encontrar exemplares novos em sebos on-line, para quem tiver curiosidade. Escrevi também o argumento do curta-metragem “Atraídos”, produzido em 35mm, com o Herson Capri e a Flávia Monteiro.

Algum novo projeto em andamento?

O romance A Fronteira, também de espionagem, está concluído e pode ser baixado no meu blog. É uma história que se passa na África, no início dos anos 1980, envolvendo guerrilhas africanas, a CIA, o Mossad e o SNI. É todo baseado em fatos reais. Eu poderia dizer que o livro trata de fatos que precederam o assassinato do jornalista brasileiro Alexander V. Baumgarten. Estou agora trabalhando agora em um romance de guerra e espionagem ambientado na Guerra das Malvinas e 20 anos depois. Tive apoio da nossa Marinha de Guerra para a pesquisa do livro. Devo concluir em alguns meses. O próximo trata de uma operação secreta do serviço de inteligência do Brasil no Suriname, que resultou em um incontrolável banho de sangue. Também baseado em fatos verídicos.

Lançamento no dia 20 de julho.
Faça o download do livro completo aqui.
Ou encomende direto com o autor através do e-mail: textosecreto@gmail.com


Qual a maior dificuldade, para você, em ser escritor? Emocional e financeiramente falando...

A dificuldade é encontrar espaço em um meio em que as traduções são mais valorizadas porque já chegam ao Brasil com todo o trabalho de marketing já feito. Os agentes literários e editoras não estão nem aí para os valores nacionais emergentes, simplesmente porque não querem correr riscos. Não é difícil escrever acima da média dos Best-sellers internacionais do gênero. O difícil é conseguir alguém que aposte e faça o trabalho de marketing para divulgar e vender o livro. Por isso os nomes que despontam em nossa literatura geralmente já são consagrados em outros setores, ou são extremamente oportunistas.

Robinson está ansioso para saber o que os leitores acham do seu novo livro...


Se gostou da entrevista, não deixe de acompanhar o blog Texto Secreto.