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sábado, 19 de maio de 2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

A MULHER NA HISTÓRIA - Leandro Karnal




Minha contribuição e homenagem póstuma a  Marielle Franco, vereadora executada ontem no Rio de Janeiro por conta de sua luta política. Em um Brasil cada vez mais sem esperanças e politicamente brutalizado, a única mudança real e duradoura depende apenas do que fazemos com nossas vidas e com as vidas dos outros à nossa volta. Sem respeito e sem empatia pelo outro, estamos sempre fadados a cometer os mesmos erros, não importa a ideologia.

Marielle Franco é mais uma mártir que ousou lutar pela dignidade do ser humano e pagou com sua vida por isso.

Leia mais sobre o caso aqui.

#MariellePresente


sábado, 18 de março de 2017

SOBRE PSEUDOEXPLICAÇÕES - Humor






SOBRE PSEUDOEXPLICAÇÕES QUE AS PESSOAS CRIAM NAS SUAS MENTES 
PARA DAR SENTIDO A SUA IGNORÂNCIA E PRECONCEITO


POLÍTICA

Neoliberais conservadores odeiam comunistas/socialistas modernos porquê eles vão tomar suas terras, casas, carros, celulares, cuecas, calcinhas e o conteúdo de suas geladeiras para dividir com todo mundo.



RACISMO

Brancos racistas odeiam negros e índios porquê estes últimos querem ter os mesmo privilégios e freqüentar os mesmos restaurantes, transar com mulheres brancas e até pegar suas vagas na universidade para dominarem tudo e finalmente escravizarem o homem branco.



FEMINISMO
Homens machistas odeiam feministas porquê elas vão colocar eles pra cuidar das crianças e da casa, concorrer de igual pra igual no trabalho, assumir cargos de comando em todas as áreas e mandar castrar todos os homens.



HOMOFOBIA
Pessoas homofóbicas odeiam LGBTs porquê a Bíblia disse, porquê eles trocam carinho publicamente, porquê não se pode ficar de costas para eles e porquê vão influenciar seus filhos e talvez elas mesmas a se tornarem homossexuais e travestis (e muitos podem acabar gostando).



VEGANISMO

A maioria carnista odeia vegetarianos e veganos porquê eles protestam contra a tortura de animais, criticam o sistema atual do agronegócio e pior,  vão colocar o churrasco no lixo, tirar a carne da boca deles e instaurar um tribunal internacional para julgar e condenar todos os comedores de carne à uma vida e morte similar a dos animais de abate. 



domingo, 18 de setembro de 2016

REGINA JOSÉ GALINDO - Performance

Terra, 2013.

Nascida na Guatemala em 1974, Galindo tornou-se reconhecida por sua body art (arte corporal).

Criada em um lar de classe média baixa onde política e a Guerra Civil da Guatemala não eram objetos de discussão, Galindo conseguiu escapar da alienação familiar e em suas performances trata quase sempre de temas políticos e sobre a questão da mulher.

 Assista o vídeo com entrevista legendada em inglês e que contém trechos de sete performances. Contém também a polêmica performance que ela fez no Brasil sobre as trabalhadoras nas carvoarias.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

CASEY JENKINS - Performance


Antes de ler minha opinião sobre a performance, sugiro ler a notícia e alguns dos comentários dos leitores no link abaixo. Vale lembrar que a matéria  foi escrita por alguém que não conhece performance e só quer demonstrar seu preconceito sobre algo que ela desconhece.

Performer tricota a partir da vagina.

Alguns performers tem motivações genuínas, outros querem apenas criar polêmicas. De acordo com Casey Jenkins, o conceito e o objetivo não é o tricô (ou qualquer coisa que ela invente), mas sim utilizar a vagina com algo banal e trivial para que as pessoas não a vejam como algo sagrado ou sujo, apenas mais uma parte do corpo humano. A reação que isso provocou nas pessoas (inclusive nas que nada viram além da notícia)  mostra que a grande maioria ainda vê o orgão sexual feminino dessas duas formas, pois os comentários são quase todos reforçando uma visão machista e preconceituosa. O ideal é procurar pensar além da primeira reação instintiva ou ensinada pela sociedade para chegar a uma conclusão um pouco mais independente. Performers em geral criam trabalhos muitas vezes entediantes, vazios e sem repercussão alguma. Eu acredito que Arte tem que conter algum grau de beleza, poesia, transformação e reflexão (não necessariamente tudo junto). O fato dela estar criando uma discussão sobre o que é Arte ou sobre a reação diante de uma vagina em uma exposição acaba caracterizando o trabalho dela como arte. Vale lembrar também que toda obra envolvendo que dá ênfase ao orgão sexual feminino já foi vilipendiada na sociedade judaica-cristã, incluindo muitas obras hoje consagradas e que hoje são aceitas pela sociedade sem frescuras (menos por religiosos neuróticos).

segunda-feira, 2 de junho de 2014

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES - Documentário



Bom documentário institucional feito por uma organização feminina católica com o intuito de romper com as amarras patriarcais machistas da Igreja.





quinta-feira, 8 de maio de 2014

PELOS DIREITOS DOS MENINOS - Ensaio



 
por Sílvia Amélia de Araujo


Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!).

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!).

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina.

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina.

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também.

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa.

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas.

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minissaia.

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos.

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria.

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido.

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

terça-feira, 11 de março de 2014

SINÉAD O'CONNOR - Vídeoclip




Nascida na Irlanda em 1966, Sinéad Marie Bernardette O'Connor, ficou famosa nos final dos anos 80 com seu albúm de estreia,The Lion and the Cobra. Estourou mundialmente nas paradas com um cover de Prince, Nothing Compares 2 U. Mas apesar de ainda continuar cantando, sua fama decaiu envolta em polêmicas religiosas como ofensas ao Papa (e não a religião, pois ela é católica) e seu ordenamento simbólico como "padre". Além de se manifestar contra instituições religiosas, ela também fez e participou de protestos contra guerras, abuso de crianças e a favor dos direitos da mulher.

Ou seja, uma artista e ser humano admirável.







segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O SONHO DE MARTHA QUEST - Literatura



A autora

Doris Lessing (1919 – 2013) foi uma das maiores escritoras do século XX. Foi a mulher mais velha a receber o Nobel de Literatura, em 2007. O comitê a descreveu como “a poeta épica da experiência feminina, que com seu ceticismo, fogo e poder visionário subjugou uma civilização dividida ao escrutínio.”

    
Doris Lessing nos anos 50, época da publicação do livro.

A obra

Primeiro dos cinco volumes da série FILHOS DA VIOLÊNCIA, essa obra escrita em 1952 conta a passagem da adolescência para o mundo adulto de Martha Quest em sua busca existencial e política por seu lugar em um século XX divido pelo preconceito entre raças, gêneros e ideologias políticas radicais. Neste volume, o choque de gerações entre a mãe e a filha Martha, nos anos 1930, se mostra pouco diferente dos atuais. Independente, atéia e intelectualmente superior a média racista branca da colônia africana onde vive, Martha sai da fazenda onde vive para morar na capital, onde entra em contato com judeus e socialistas que lutam pelo fim da segregação racial e claro, pela implantação do socialismo. Apesar de avessa ao casamento por acreditar que isso acabaria com seus sonhos (o que nos anos 30, acabava mesmo com os sonhos de qualquer mulher que ambicionasse mais do que ser dona-de-casa e ter pencas de filhos), ela acaba se casando com um colega do partido socialista a que pertence.

Inspirado na vida real da escritora, a série vai da adolescência a maturidade da personagem, em uma narrativa que se aprofunda nos anseios, medos, dúvidas e questionamentos que todo ser humano deveria ter a coragem de encarar. Um retrato honesto e verdadeiro de um passado que tem mais ecos no presente do que gostaríamos que tivesse.      


Usado

Estante Virtual

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CAFÉ MIOSSI - Blog Convidado

TODAS AS BOBAGENS QUE VOCÊ QUE É DE ESQUERDA NÃO AGUENTA MAIS LER/OUVIR

Por Mariana Milhossi


"Diz que é comunista, mas compartilha as ideias via Iphone”.
“Anarquistas, são à favor da total perca da moral da sociedade, o ser humano sem leis vai ficar animalesco”



Quem nunca escutou ou leu esse tipo de bobagem? Acho interessante que todos que abordam sobre o assunto em geral nunca pararam para ler um livro sobre essas ideias, pegam fragmentos, o genérico do genérico, e acreditam ser a verdade. Primeiro porque o fragmento do livro nunca é de fato o livro. A ideia de um livro por inteiro ou até de um artigo de um autor, seja qual for, só pode ser digerida à partir da leitura completa da obra e geralmente com muito cuidado com suas impressões, por vezes até assim nossos preconceitos ludibriam a ideia da obra.

Não sou contra usar fragmentos não, nem é uma posição do contra, é uma posição de crítica a essa falsa ideia que podemos aderir ou ser contra uma ideia a partir de uma simples apresentação da mesma, estão confundindo interesse e posição.


“Anarquismo é o caos! É a desordem.”

“Nossa, quando eu entrei estava uma anarquia, uma bagunça.”
 



Eu vejo que os anarquistas são os mais marginalizados pelas ideias. Primeiro porque o anarquismo em si e suas vertentes em geral (falo em geral por serem muitas) bate de frente com a ideia de socialismo de Marx, e eu não tiro a coerência do pensamento deles não. Eles acreditam que se o socialismo for implantado só vai ser uma nova forma de elitizar a sociedade, ou seja, vai ser a criação de uma nova elite, mesmo que com todas suas diferenças, com, por exemplo, uma política mais social. Para os anarquistas, o problema do socialismo nem é exatamente a criação da nova elite e sim a questão que o comunismo em si nunca será conquistado.

Por isso o anarquismo é a favor do respeito da decisão individual do ser independente de leis vão reprimir por isso, não quer dizer que no anarquismo haverá exploração do outro, muito pelo contrário, o anarquismo é completamente contra esse tipo de persuasão.

O comunismo é diferente do socialismo, o comunismo vem com a ideia de você eliminar as classes, e para o anarquismo só vai ser possível eliminar as classes se eliminarmos todos os tipos de poderes que existem para criar uma ordem social. Essa ordem social que causa todos esses problemas, e qualquer sinônimo de padronização do comportamento deve ser eliminada. Para os anarquistas viver em sociedade não é ser simplesmente enquadrado em um conjunto de regras cheias de déficits, mas sim a ausência dessas regras, sendo que em geral quem é contra a ideia fala da questão do caos, porém, talvez o caos seja fruto desse modelo com excesso de condutas, normas, formas de viver, etc., se você olhar bem adentro da origem de muitos problemas sociais é mesmo fruto de condutas sociais de comportamento, que podem até ser inicialmente boas, mas quase sempre dá em efeitos colaterais perversos.

Para os anarquistas só existe comunismo sem poder algum, ou golpe de Estado para tal evento acontecer, diferente disso será outra forma de ditadura apenas.

Estou procurando não dar um direcionamento na leitura sobre os assuntos, mas para se ter uma ideia, citei apenas o anarco-individualismo. O anarco-sindicalismo já faz um meio campo nessa questão, isso que adentro do próprio movimento existem vertentes que acreditam no uso da violência para a destruição do poder do Estado e seus aparelhos ideológicos, e outras que são mais pacifistas.

O anarquismo não se resume a babacas que pagam de anarquistas e apoiam ideias tão idiotas quanto sua visão de sociedade, você acreditando nisso apenas está agindo como eles.

Vulgarizar o anarquismo sempre foi uma tentativa da direita e da própria esquerda, visto que os anarquistas ousaram a discordar de um, dos milhões de contrapontos de Marx. Também é errado dizer que eles são contra Marx, anarquistas que dizem isso são uns idiotas mal informados, visto que a própria inspiração para as milhares de vertentes do anarquismo vieram justamente de uma releitura de Marx.

Os anarco-capitalistas e anarco-socialistas talvez não saibam que a própria vertente anarquista discorda dos dois sistemas por serem ditaduras, o primeiro princípio do anarquismo é a desfragmentação do poder..(…) como ser a favor de uma ditadura do capital (ditadura Capitalista), que bate totalmente de frente com a ideia de liberdade individual do ser no anarquismo e como ser a favor de uma ditadura do proletariado com força total do Estado (socialismo) ? São ideias divergentes, e toda vez que leio que o sujeito é ‘anarco-capitalista ou socialista’ me deparo com os princípios básicos dessas duas vertentes entrando em conflito logo na primeira ideia de cada um.

Penso serem pessoas que buscam a ‘liberdade’ em outro sistema opressor da liberdade alheia e contraditório, destinado ao colapso tanto quanto o próprio capitalismo.


“Ah você é da esquerda? Então porque não divide seu dinheiro?”




Porque nenhuma, nenhuma mesmo, vertente da esquerda apoia a ideia da esmola. Em todas as vertentes da esquerda se discute muito a ideia de uma sociedade inteligente e capaz de lidar com a individualidade de cada ser, seja pensando isso através de uma grande ordem ou da quebra da mesma. E quando digo individualidade do ser, eu digo a pessoa ser ativa socialmente, não invisível como os mendigos que podem receber milhares de doações o ano inteiro, mas, são invisíveis na sociedade como se fossem despidos de desejos, vontades, e até da própria ambição de ser.

A esquerda trabalha principalmente com a ideia de que se todos fossem socialmente ativos, trabalhar para construir, estudar para estruturar, fornecer para acontecer, a sociedade seria infinitamente melhor. E essa depressão de trabalhar para sobreviver, estudar para passa na cota ‘para estudantes de particular’, também conhecidas como vestibular; das universidades públicas (e ainda tem gente contra as cotas para afrodescendentes, e que acredita que vestibular mede capacitação intelectual, aposto que Einstein não passaria numa pública, visto que toda a genialidade dele veio após a escola, e não o que a escola moderna lhe ofereceu), e viver em função de gastar, consumir, e se perder.

É coerente dizer que a esquerda é um distribuir do dinheiro? Não, é um distribuir poder público, não concentrar em poucas mãos.

“Então você é de esquerda? E essa tecnologia toda que você usa?”


Tecnologia, mérito humano, não do capitalismo.

Embora todos somos inseridos em um mercado onde o que demanda tempo é revertido em dinheiro, a tecnologia que foi desenvolvida em mais de 10 anos de pesquisas não é um mérito do capital, você obtêm ela com o capital, mas o mérito é humano, é da humanidade.

O fato de eu ser de esquerda não me exclui desse mundo, nem quer dizer que eu prefiro ter um retrocesso científico acreditando que vá melhorar a sociedade em alguma coisa.


“Se você é de esquerda porque trabalha para acumular bens?”


Porque eu sou a favor da esquerda e não da minha morte. Sei como funcionam as coisas para eu sobreviver na sociedade, mas isso não muda o fato de eu discordar, não estou agindo por concordar.

Romper ainda sim tem um limite, posso romper com o que há de mais perigoso, que são as ideias, mas não com a minha própria vida.


“Sou feminista e de direita.”




Tudo bem, você tem todo direito de escolher a vertente que foi responsável por tornar o seu corpo um objeto qualquer e que se dependesse da mesma, a sua voz nunca seria ouvida pela multidão, até os padres são políticos na direita e a mulher continua a ser “a mulher do fulano” e por isso é respeitada pela direita, pelo fulano, não por ela.

Você pode acreditar que a lei da oferta e demanda seja melhor mesmo, e reafirmar que todas as profissões em que mulheres são maioria devem ser marginalizadas pela sociedade, afinal mulher não se esforça, não se cansa, não se estressa, se engravidou é porque é vadia, se tem família, tem que ter marido pra sustentar, por isso não merece férias, nem necessita de um bom salário.

Tu podes concordar com a mesma direita que desumaniza as outras mulheres, que fala que empregada doméstica jamais deve ter um salário fixo mínimo e férias, ela não é ser humano como você, e você estudou para poder oprimir os outros não é mesmo? Geralmente esse é o argumento, eu estudei e agora esse diploma é a minha licença para oprimir minorias.

Fique a vontade para optar pelo lado da história que te vê como loira burra, independente da cor do seu cabelo, etnia, etc.



Estaremos de olho.


Gostou?

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sábado, 25 de abril de 2009

CAPRICHO 955

Nem o Hulk é tão machista...

Depois do Novíssimo Feminismo (CAPRICHO 954), surgiu o Novíssimo Machismo. Leia a entrevista...

ELES NÃO USAM SUTIÃ... E NEM CUECA!

O que vocês acham dos homens posarem nus para revistas femininas e gays?

Sérgio: Tudo boiola.
Otávio: Os caras não se dão ao respeito…

Em que momento vocês se sentem mais poderosos?

S: Quando eu chego em casa e minha irmã arrumou o meu quarto.
O: Quando a minha namorada me pede permissão para sair com as amigas e eu não deixo...

Por que o Jiu-jitsu é tão associado à masculinidade?

S: Ora, porque ver aqueles caras suados se agarrando no chao é muito massa.
O: É, e o cheiro que fica no ar também é muito bom...

Hmm, então tá... E o que vocês acham do axé e do funk?

S : Ótimas músicas, letras de excelente qualidade…
O: Refletem os valores que a sociedade brasileira deveria seguir.

O que vocês acham da Tati Quebra-Barraco?

S: Meio gordinha pro meu gosto.
O: Manda ela vir falar comigo...

E sobre o Eminem?

S: Eu acho as letras meio rápidas, nao entendo metade do que ele fala.
O: Quem é esse M & M?

Vocês fazem academia ?

S : Jiu-jitsu. Mas não é porque quero ter um corpinho bonito e orelhas estouradas, é porque gosto do contato corpo-à-corpo.
O: Eu não tô nem aí…

Jerri Dias não sabe se ri ou se chora.


OMKARA - BEEDI

Adoro música indiana desde que estive no IPC em 1996 e gostei muito da trilha indiana da novela CAMINHO DAS INDÍAS, que acho um porcaria, mas vale por mostrar um pouco de uma cultura muito bacana. Essa música é do filme OMKARA, que como todo filme de Bollywood, tem sua músicas dubladas de forma que metade nem sincroniza com os lábios dos cantores. Esses filmes geralmente tem suas músicas e coreografias feitas antes mesmo de ter o roteiro pronto, que o pessoal lá gosta mesmo é de ver gente cantando e dançando. Outra coisa curiosa é que apesar de todo o erotismo das danças, os protagonistas nunca se beijam nos filmes, pois lá, beijar em público é considerado indecente pela maioria da população. Aliás, em termos de sensualidade, a dança indiana dá de 10 à 0 na vulgaridade do Funk.

terça-feira, 1 de julho de 2008

HERLAND - A TERRA DAS MULHERES




A Autora

Charlotte Perkins Gilman (1860 – 1935) foi mais uma das grandes e hoje pouco lembradas pioneiras do Feminismo, que na época dela denominava-se Sufragismo, que era um movimento que lutava pelo direito ao voto feminino e outras liberdades que agora são desfrutadas pelas mulheres contemporâneas mas que eram consideradas absurdas na época delas. Para saber mais sobre ela, leia o livro ou clique no link (em inglês).



O Livro

O título vai direto ao ponto: trata-se de uma utopia feminista onde três exploradores chegam a um platô isolado por penhascos onde, pelos últimos 2.000 anos, mulheres longe de qualquer contato com o sexo masculino, construíram uma sociedade razoavelmente tecnológica e muito mais avançada em termos culturais, sociológicos e religiosos do que a sociedade dos homens (americanos) de 1915, ano em que o romance foi escrito.

A chegada de três homens a esse paraíso de Eva causa curiosidade entre as mulheres, desejosas de aprender sobre o mundo masculino, que em princípio, elas deduzem, ser melhor do que o delas, já que homens e mulheres convivem juntos. Aos poucos o machismo, o sexismo, os preconceitos e toda sorte de miséria cultural e humana do mundo dos homens vão sendo descobertos pelas mulheres de Herland.

Mais do que um romance original de aventura, Herland tenciona colocar em pauta as teorias econômicas e sociais da autora em como uma sociedade feminina poderia subsistir. 

Os três personagens masculinos são tipos bem distintos e representam cada um, um certo tipo de pensamento ou atitude masculina. Um é o intelectual liberal, que pondera e compara o mundo masculino e feminino e tenta subtrair o melhor dos dois mundos; outro é o ingênuo, o apaixonado pelas mulheres que vai desistir do mundo dos homens por uma vida de adoração e o último deles, como não poderia deixar de ser, um típico homem do seu tempo, um conquistador machista acostumado a ter todas as mulheres.

Como história, o livro é um pulp divertido, mas que cresce quando Gilman expõe suas idéias contra a ideologia e política da época. São nesses momentos que se percebe a autora décadas a frente de seu tempo.

Mas  apesar da inteligência de Gilman em vários aspectos da obra, ela força a barra na teoria da partenogênese, onde as mulheres de Herland são capazes de engravidar sem inseminação de qualquer tipo. Este fenômeno já foi observado em fêmeas de algumas espécies de pequenos lagartos e anfíbios vivendo num ecossistema sem machos, mas nunca em mamíferos.


Panfleto anti-sufragista (feminista) que circulava na época da autora nos EUA.
Passados quase 100 anos, muita gente no Brasil continua com esse tipo de mentalidade atrasada.


E sexo?! Claro que o livro não poderia deixar de falar das relações sexuais entre homens e mulheres, mas no que concerne às mulheres de Herland, o desejo de sexo foi totalmente sublimado e o conceito de casal sequer existe entre elas. O sexo é um instinto básico de qualquer ser vivo e fica difícil acreditar que as mulheres belas e saudáveis de Herland não sejam todas lésbicas e que não existam casais entre elas. Nesse aspecto Gilman demonstra ingenuidade ou talvez, um desapreço pelo sexo. Sentimento bastante comum para as mulheres da época, acostumadas com a insensibilidade e inaptidão dos homens do início do século passado

Literatura feminista e humanista recomendada para qualquer um que queira conhecer um pouco dos caminhos que nossos predecessores construíram para nós todos.

Trecho (tradução não-oficial)

“E quando nós dizemos mulheres, nós pensamos fêmea – o sexo.
Mas para estas mulheres, nesta constante e ininterrupta civilização feminina de dois mil anos, o termo mulher clamava por toda uma vasta bagagem, tão grande quanto elas tivessem chegado em desenvolvimento social; e o termo homem significava para elas apenas macho – o sexo.
É claro que poderíamos contar a elas que em nosso mundo o homem fez tudo; mas isto não alteraria o background de suas mentes. Que o homem, “o macho”, fizera todas estas coisas era para elas uma afirmação, causando mudança alguma em seu ponto de vista mais do que mudara o nosso quando encaramos pela primeira vez o surpreendente fato – para nós – de que em Herland mulheres eram “o mundo”."

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