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terça-feira, 1 de março de 2016

OS ASTECAS E OS SACRÍFICIOS HUMANOS - História



Sacrifícios humanos eram tão normais na cultura Asteca quanto comer hóstia ao final de uma missa. Aliás, o mito da crucificação de Jesus também é um sacrifício humano. Além dos Astecas, os Maias e outras sociedades do Novo Mundo também sacrificavam pessoas aos deuses. Uma das crenças principais do mundo Asteca era de que o deu do Sol, Huitzilopochtli, necessitava ser alimentado de sangue humano constantemente (o sangue era visto com força vital).  Eles acreditavam que era isso que fazia o Sol se mover do leste para oeste nos céus. Ente os sacrificados estavam tanto prisioneiros capturados nas constantes guerras entre outras tribos como voluntários, que acreditavam que sua escolha suicida lhes trazia honra e nobreza.


Cena do filme Apocalypto (2006).

Apesar dos Astecas acreditaram que o sacrifício humano era importantíssimo para sua sobrevivência, ainda não está claro o quão sangrentos eles eram. Relatos enviados por conquistadores espanhóis e outros observadores europeus sugerem que o sacrifícios humanos ocorriam em larga escala no mundo Asteca. Segundo fontes espanholas, quase 20.000 pessoas foram mortas em uma cerimônia para honrar o Templo Mayor em Tenochtitlán em 1487. Como os espanhóis não estavam por lá na época, alguns historiadores comentaram que os relatos podem ter sido exagerados para fazer os Astecas parecerem ainda piores e justificar a conquista espanhola. Na opinião dos historiadores, embora o sacrifício humano fizesse parte da tradição religiosa Asteca, ela não era tão comum quanto os conquistadores quiseram que as pessoas acreditassem.

E vale lembrar que por mais bárbaro e atroz que isso pareça para nossas mentes ocidentais, os Astecas não consideravam isso um sacrifício humano, pois nem tinham esse conceito. Tanto que muitos eram voluntários. Também podemos nos perguntar qual a diferença dos Astecas capturando e matando prisioneiros em uma cerimônia religiosa ou capturando-os em uma guerra moderna e os fuzilando ou decapitando depois? E os campos de concentração nazistas organizados por nazistas cristãos contra judeus? E as bombas jogadas sobre escolas, hospitais e civis inocentes no Oriente Médio? No futuro alguém não poderia dizer que foram sacrifícios humanos em nome do deus Dinheiro? E mesmo naquela época, dezenas de milhares foram torturados e mortos em nome da religião católica na Europa e Oriente Médio. E centenas, especialmente mulheres inocentes, foram queimadas na fogueira.  Não era "sacrifício humano", mas a mesma crença em deuses no céu justificavam e permitiam assassinatos rituais. O resultado sempre foi o mesmo: vidas humanas sacrificadas para a perpetuação de um clero e de um sistema político.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

TOP 5 - FATOS CURIOSOS DA HISTÓRIA

Neil Armstrong, Lua, 1969.


1. DE PARIS À LUA

Quando Santos Dumont levantou voo com seu 14-Bis no campo de Bagatelle, nos arredores de Paris, em 1906, nem o cientista mais visionário acreditaria que em 1969, apenas 63 anos depois, o homem chegaria a Lua à bordo de um foguete espacial: o Apollo 11.  Mas apesar dos americanos terem ido e voltado a Lua 5 vezes, muita gente ainda insiste que foi tudo mentira. Isso em uma época em que os russos tinham espiões por todos os lados e a URSS adoraria desmascarar a América capitalista.





2. A PESTE NEGRA

A epidemia de peste bubônica que assolou a Europa no século XIV matou entre 25 e 75 milhões de pessoas na época. Em termos atuais isso significaria que se você tem 10 amigos, entre 3 e 5 estariam mortos.  Em uma Europa assolada pela imundície e pela falta de higiene pessoal (a Igreja desaconselhava o banho), o terreno era fértil para a proliferação de centenas de milhões de ratos- pretos, os hospedeiros da pulgas que picavam os humanos e transmitiam a bactéria Yersinia Pestis, responsável pela doença. Ironicamente, crendices populares e religiosas de que o gato tinha conexão com o Diabo, fizeram com que os únicos animais capazes de controlar a peste comendo os ratos fossem mortos aos milhares, aumentando ainda mais a disseminação da doença. Se você acha isso trágico mas engraçado, saiba que muitas pessoas ainda hoje recusam tratamento médico, medicamentos e transfusão de sangue por conta de suas crenças religiosas. O que acontece com elas? Em geral ficam mais doentes e morrer. Como antigamente. 





3. O MASSACRE DO POVO PARAGUAIO

A Guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1864 e 1870, Brasil, Argentina e Uruguai juntaram forças contra o ditador Solano Lopez. Ele havia invadido e tomado parte do território brasileiro e argentino. Por conta disso, a Tríplice Aliança formada pelos três países, com ajuda da Inglaterra, acabou dizimando 2/3 da população masculina do Paraguai, sobrando principalmente meninos e velhos. Solano Lopes foi morto em 1870 em uma batalha em Cerro Cora. De uma população de 800 mil pessoas, sobraram apenas 200 mil pessoas. Na época o Paraguai era a nação mais próspera da América Latina e a única independente da Inglaterra. Por esse motivo a Inglaterra ajudou a Tríplice Aliança, pois era de seu interesse enfraquecer o Paraguai e manter endividados o maior número possível de países no continente sul-americano. Com a indústria arrasada e a maior parte da população morta, o Paraguai jamais se recuperou política e economicamente. 





4. A ORIGEM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Primeira Guerra Mundial acabou em 1919, com a assinatura do Tratado de Versalhes.  O Tratado estipulava a perda de territórios e uma multa de 33 milhões de dólares (quase 500 milhões em valore atuais). Apesar de parecer pouco, junte-se a isso juros, escassez de alimentos, aumento de doenças e a morte de 15% da população masculina ativa e temos os ingredientes para um povo humilhado e rancoroso. Isso levou ao fim da República de Weimar, uma inflação absurda e ao nascimento do Nacional-Socialismo, mais conhecido como Nazismo. Em tempos de crises econômicos, a população tende a se voltar para quem propõe ideias nacionalistas, patrióticas e soluções mágicas. Hitler foi o porta-voz principal desse movimento político que culminaria na Segunda Guerra Mundial e mais dezenas de milhões de mortes em todo o mundo. Como estamos condenados a repetir a história, algumas potências atuais continuam humilhando e empobrecendo outros países, criando terreno fértil para o nascimento de mais movimentos fascistas e terroristas.





5. A PRIMEIRA MULHER NEGRA A VOAR

Bessie Coleman (1892 - 1926) era a 13ª filha de um índio Cherokee e sua mulher negra. Graças aos pais conseguiu concluir seu parte de seus estudos em uma escola da Igreja Batista. Passou a se interessar por aviação aos 23 anos, mas sabia que o racismo era uma barreira para sua etnia nesse campo. Como sabia falar francês, foi para a França e entrou para um centro de formação de pilotos que era pró-ativo em questões raciais na época. Habilitada a pilotar, mas ainda enfrentando o racismo em seu país natal, Bessie conseguiu emprego apenas em exibições áreas. Algo muito comum na época, mas igualmente perigoso. Em um fatídico voo teste, seu aeroplano ficou em posição invertida e Bessie, sem cinto de segurança, caiu para a morte.
  


quinta-feira, 30 de maio de 2013

CAFÉ MIOSSI - Blog Convidado

TODAS AS BOBAGENS QUE VOCÊ QUE É DE ESQUERDA NÃO AGUENTA MAIS LER/OUVIR

Por Mariana Milhossi


"Diz que é comunista, mas compartilha as ideias via Iphone”.
“Anarquistas, são à favor da total perca da moral da sociedade, o ser humano sem leis vai ficar animalesco”



Quem nunca escutou ou leu esse tipo de bobagem? Acho interessante que todos que abordam sobre o assunto em geral nunca pararam para ler um livro sobre essas ideias, pegam fragmentos, o genérico do genérico, e acreditam ser a verdade. Primeiro porque o fragmento do livro nunca é de fato o livro. A ideia de um livro por inteiro ou até de um artigo de um autor, seja qual for, só pode ser digerida à partir da leitura completa da obra e geralmente com muito cuidado com suas impressões, por vezes até assim nossos preconceitos ludibriam a ideia da obra.

Não sou contra usar fragmentos não, nem é uma posição do contra, é uma posição de crítica a essa falsa ideia que podemos aderir ou ser contra uma ideia a partir de uma simples apresentação da mesma, estão confundindo interesse e posição.


“Anarquismo é o caos! É a desordem.”

“Nossa, quando eu entrei estava uma anarquia, uma bagunça.”
 



Eu vejo que os anarquistas são os mais marginalizados pelas ideias. Primeiro porque o anarquismo em si e suas vertentes em geral (falo em geral por serem muitas) bate de frente com a ideia de socialismo de Marx, e eu não tiro a coerência do pensamento deles não. Eles acreditam que se o socialismo for implantado só vai ser uma nova forma de elitizar a sociedade, ou seja, vai ser a criação de uma nova elite, mesmo que com todas suas diferenças, com, por exemplo, uma política mais social. Para os anarquistas, o problema do socialismo nem é exatamente a criação da nova elite e sim a questão que o comunismo em si nunca será conquistado.

Por isso o anarquismo é a favor do respeito da decisão individual do ser independente de leis vão reprimir por isso, não quer dizer que no anarquismo haverá exploração do outro, muito pelo contrário, o anarquismo é completamente contra esse tipo de persuasão.

O comunismo é diferente do socialismo, o comunismo vem com a ideia de você eliminar as classes, e para o anarquismo só vai ser possível eliminar as classes se eliminarmos todos os tipos de poderes que existem para criar uma ordem social. Essa ordem social que causa todos esses problemas, e qualquer sinônimo de padronização do comportamento deve ser eliminada. Para os anarquistas viver em sociedade não é ser simplesmente enquadrado em um conjunto de regras cheias de déficits, mas sim a ausência dessas regras, sendo que em geral quem é contra a ideia fala da questão do caos, porém, talvez o caos seja fruto desse modelo com excesso de condutas, normas, formas de viver, etc., se você olhar bem adentro da origem de muitos problemas sociais é mesmo fruto de condutas sociais de comportamento, que podem até ser inicialmente boas, mas quase sempre dá em efeitos colaterais perversos.

Para os anarquistas só existe comunismo sem poder algum, ou golpe de Estado para tal evento acontecer, diferente disso será outra forma de ditadura apenas.

Estou procurando não dar um direcionamento na leitura sobre os assuntos, mas para se ter uma ideia, citei apenas o anarco-individualismo. O anarco-sindicalismo já faz um meio campo nessa questão, isso que adentro do próprio movimento existem vertentes que acreditam no uso da violência para a destruição do poder do Estado e seus aparelhos ideológicos, e outras que são mais pacifistas.

O anarquismo não se resume a babacas que pagam de anarquistas e apoiam ideias tão idiotas quanto sua visão de sociedade, você acreditando nisso apenas está agindo como eles.

Vulgarizar o anarquismo sempre foi uma tentativa da direita e da própria esquerda, visto que os anarquistas ousaram a discordar de um, dos milhões de contrapontos de Marx. Também é errado dizer que eles são contra Marx, anarquistas que dizem isso são uns idiotas mal informados, visto que a própria inspiração para as milhares de vertentes do anarquismo vieram justamente de uma releitura de Marx.

Os anarco-capitalistas e anarco-socialistas talvez não saibam que a própria vertente anarquista discorda dos dois sistemas por serem ditaduras, o primeiro princípio do anarquismo é a desfragmentação do poder..(…) como ser a favor de uma ditadura do capital (ditadura Capitalista), que bate totalmente de frente com a ideia de liberdade individual do ser no anarquismo e como ser a favor de uma ditadura do proletariado com força total do Estado (socialismo) ? São ideias divergentes, e toda vez que leio que o sujeito é ‘anarco-capitalista ou socialista’ me deparo com os princípios básicos dessas duas vertentes entrando em conflito logo na primeira ideia de cada um.

Penso serem pessoas que buscam a ‘liberdade’ em outro sistema opressor da liberdade alheia e contraditório, destinado ao colapso tanto quanto o próprio capitalismo.


“Ah você é da esquerda? Então porque não divide seu dinheiro?”




Porque nenhuma, nenhuma mesmo, vertente da esquerda apoia a ideia da esmola. Em todas as vertentes da esquerda se discute muito a ideia de uma sociedade inteligente e capaz de lidar com a individualidade de cada ser, seja pensando isso através de uma grande ordem ou da quebra da mesma. E quando digo individualidade do ser, eu digo a pessoa ser ativa socialmente, não invisível como os mendigos que podem receber milhares de doações o ano inteiro, mas, são invisíveis na sociedade como se fossem despidos de desejos, vontades, e até da própria ambição de ser.

A esquerda trabalha principalmente com a ideia de que se todos fossem socialmente ativos, trabalhar para construir, estudar para estruturar, fornecer para acontecer, a sociedade seria infinitamente melhor. E essa depressão de trabalhar para sobreviver, estudar para passa na cota ‘para estudantes de particular’, também conhecidas como vestibular; das universidades públicas (e ainda tem gente contra as cotas para afrodescendentes, e que acredita que vestibular mede capacitação intelectual, aposto que Einstein não passaria numa pública, visto que toda a genialidade dele veio após a escola, e não o que a escola moderna lhe ofereceu), e viver em função de gastar, consumir, e se perder.

É coerente dizer que a esquerda é um distribuir do dinheiro? Não, é um distribuir poder público, não concentrar em poucas mãos.

“Então você é de esquerda? E essa tecnologia toda que você usa?”


Tecnologia, mérito humano, não do capitalismo.

Embora todos somos inseridos em um mercado onde o que demanda tempo é revertido em dinheiro, a tecnologia que foi desenvolvida em mais de 10 anos de pesquisas não é um mérito do capital, você obtêm ela com o capital, mas o mérito é humano, é da humanidade.

O fato de eu ser de esquerda não me exclui desse mundo, nem quer dizer que eu prefiro ter um retrocesso científico acreditando que vá melhorar a sociedade em alguma coisa.


“Se você é de esquerda porque trabalha para acumular bens?”


Porque eu sou a favor da esquerda e não da minha morte. Sei como funcionam as coisas para eu sobreviver na sociedade, mas isso não muda o fato de eu discordar, não estou agindo por concordar.

Romper ainda sim tem um limite, posso romper com o que há de mais perigoso, que são as ideias, mas não com a minha própria vida.


“Sou feminista e de direita.”




Tudo bem, você tem todo direito de escolher a vertente que foi responsável por tornar o seu corpo um objeto qualquer e que se dependesse da mesma, a sua voz nunca seria ouvida pela multidão, até os padres são políticos na direita e a mulher continua a ser “a mulher do fulano” e por isso é respeitada pela direita, pelo fulano, não por ela.

Você pode acreditar que a lei da oferta e demanda seja melhor mesmo, e reafirmar que todas as profissões em que mulheres são maioria devem ser marginalizadas pela sociedade, afinal mulher não se esforça, não se cansa, não se estressa, se engravidou é porque é vadia, se tem família, tem que ter marido pra sustentar, por isso não merece férias, nem necessita de um bom salário.

Tu podes concordar com a mesma direita que desumaniza as outras mulheres, que fala que empregada doméstica jamais deve ter um salário fixo mínimo e férias, ela não é ser humano como você, e você estudou para poder oprimir os outros não é mesmo? Geralmente esse é o argumento, eu estudei e agora esse diploma é a minha licença para oprimir minorias.

Fique a vontade para optar pelo lado da história que te vê como loira burra, independente da cor do seu cabelo, etnia, etc.



Estaremos de olho.


Gostou?

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quinta-feira, 1 de março de 2012

DIREITOS HUMANOS - História

Esse texto foi originalmente publicado no site CARTA MAIOR.

Liberadas fotografias de vítimas dos “vôos da morte”

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos entregou à justiça argentina um arquivo com mais de 130 fotografias de corpos encontrados nas costas uruguaias, e que corresponderiam a vítimas da ditadura militar argentina lançadas ao mar nos denominados “voos da morte”. O arquivo, que permaneceu confidencial durante 32 anos, é parte de um dossiê com imagens e informes redigidos por serviços de inteligência uruguaios. Para a justiça argentina, trata-se de uma das provas mais claras da existência dos voos da morte. O artigo é de Francisco Luque, direto de Buenos Aires.

domingo, 31 de maio de 2009

VISITA AS MISSÕES DE SÃO MIGUEL

A Missão de Santo ângelo. Ela é bem maior por trás da fachada...

Dia 23 e 24 de maio estive numa excursão para as ruínas das Missões de São Miguel. Eu e a Xanda ganhamos ela de presente dos pais dela. Junto conosco foram a Vivian, irmã da Xanda e o Sérgio, marido dela.

Como era uma excursão de fim-de-semana, acordamos às 4:00 da manhã pra pegar o ônibus às 5:00. Ao meio-dia chegamos no belo Wilson Park Hotel em São Miguel, com boas acomodações. Pra minha sorte, consegui dormir a maior parte da viagem de 7 horas e não estava cansado como a maioria.

Depois de um almoço horrível (sim, o almoço do hotel parecia ter sido feito por alguém que nunca tinha cozinhado na vida), dirigimo-nos para as ruínas, que é um campo gigantesco, pois até meados do século XVI, os jesuítas viviam lá com quase 5.000 índios guaranis, no que parecia ser um local de relativa harmonia, descontando o fato de que os jesuítas estavam lá pra aculturar os índios à religião e modos europeus e consequentemente, torná-los mais dóceis pro Império Espanhol, que naquela época era o dono daquelas terras.

Mas em 1750, com o Tratado de Madri, aquela região foi incorporada a Portugal e foi ordenado que todas as Missões deveriam ser evacuadas. Os jesuítas e principalmente os índios, habitantes originais daquelas terras, não aceitaram. Depois de muitas negociações fracassadas, eclodiu a Guerra Guaranítica, onde os exércitos de Espanha e Portugal enfrentaram dezenas de milhares de índios.


A guerra durou 2 anos (1754 – 1756) e no fim, como você deve imaginar, quase todos os índios estavam mortos, incluindo mulheres e crianças.
Ironia cruel do destino: Na época, os jesuítas haviam pedido 3 anos de prazo para se mudarem e isso lhes foi negado porque o governo tinha pressa. A intenção em acabar com as Missões era justamente para permitir o repovoamento daquelas paragens por portugueses, coisa que só viria a acontecer mais de 50 anos depois do massacre. Triste notar que as atitudes imbecis e psicopatas dos governos mudaram pouco de lá pra cá.
Para ter uma idéia, hoje em dia São Miguel tem apenas 7.000 habitantes, apenas 2.000 a mais do que 250 anos atrás.

Já em relação às ruínas, elas são bem maiores do que eu imaginava. E é de espantar que as pessoas tenham feito toda aquele estrutura numa época onde não havia cimento, caminhões e nada das facilidades atuais. E ainda assim eles faziam prédio e igrejas mais bonitos que os de hoje. Uma pena que vândalos, gente que não tem o menor respeito pelo esforço e pelas vidas que se perderam para que aquilo fosse construído e mantido, risquem as fundações com seu nomes, numa tentativa patética e idiota de entrar para a História pela pior via possível.

Saímos de lá e fomo comer numa excelente padaria, provavelmente a melhor da cidade, que segundo fofoca da nossa guia, era de propriedade de uma mulher que casou com um ganhador da Mega-Sena. E com medo de uma janta pavorosa a caminho, o pessoal encheu o bucho de salgados e doces.

Á noite retornamos para um belo espetáculo de som e luzes, onde no meio do campo escuro e sob um céu brilhante de tantas estrelas, assistimos e escutamos uma simples mas eficiente dramatização da história do local. Com as vozes de Fernanda Montenegro e Lima Duarte, entre outros. Mas o céu estava tão lindo que eu fiquei metade do espetáculo olhando para as estrelas.

Já na janta, o cozinheiro do almoço deve ter sido despedido e trocado por um melhorzinho, pois a refeição já dava até pra repetir.
E o café foi ainda melhor, o que não era mais do que a obrigação, pois todo mundo sabe que a melhor refeição de um hotel é sempre o café da manhã!

No hotel tinha muitas corujas lindas!

Na volta para casa, conhecemos o seu Menezes na antiga estação ferroviária de Santo Ãngelo, agora um museu dedicado ao Luís Carlos Prestes. O seu Menezes foi telégrafo da estação e foi com grande entusiasmo e paixão que ele falou da época em que a estação funcionava. Foi a melhor aula de História de toda a excursão.

Dali passamos numa pequena mas deliciosa fábrica de chocolates artesanais, onde fomos atendido pelo simpático proprietário pessoalmente. Compramos horrores de chocolates, praticamente uma nova Páscoa!

A volta foi um pouco mais devagar, pois não consegui dormir e só li dois contos do THE KISS, um livro húngaro que estou lendo atualmente.

Aí apagaram as luzes pro pessoal assistir TV e colocaram uma cópia pirata de X-MEN 3 dublado pra passar. Como o filme é ruim mesmo, assisti, mas acho que o DVD estava ruim, pois trancava em alguns momentos e no grande final, o DVD simplesmente pulou uns 5 minutos e foi bem pro finalzinho, quando tudo já tinha acabado. E alguém ainda pediu pra desligar durante os créditos e ninguém viu o final surpresa, hehe.

Saldo da viagem: as ruínas realmente valem a pena, mas o ideal mesmo é ficar uns dias a mais pela região pra poder conhecê-la melhor, pois estou certo de que ela tem mais atrativos. E claro, não almoçar no Wilson Park Hotel. Mas se você mora perto e ainda não foi, o que é que está esperando?

E se quer saber mais, joga no Google ou assista o belo filme A MISSÃO, produção americana com direção de Rolland Joffé, com Robert De Niro e Jeremy Irons.


MOBY – Lift Me Up

E lá no fim da página você assiste esse empolgante clip desse baixinho careca vegetariano que é um dos melhores compositores de música techno do mundo. E além do mais ele é um cara muito generoso, pois já fez shows de graça no Brasil e liberou diversas músicas suas pras pessoas usarem em seus filmes sem terem que pagar. Eu adoro!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

ANTIGUIDADES, A HISTÓRIA EMBAIXO DA HISTÓRIA - Blog Convidado

Dando continuidade a esta seção, o blog da vez é o ANTIGUIDADES... da minha colega blogueira Martha Thorman. O blog dela trata de personalidades históricas, tanto as famosas quanto as obscuras, e sempre com um texto informativo e revelador sobre seus objetos de pesquisa. Para quem acha a História uma coisa meio chata, aqui é o lugar certo para acabar com seus preconceitos e descobrir que as coisas não eram bem assim. E para que já gosta de História, clique no link abaixo e divirta-se enchendo-se de conhecimento.



JACK,O ESTRIPADOR

ASSASSINATO ÀS MARGENS DO TÂMISA

Rápido como um felino, deleitando-se à vista de sangue, um assassino brutal escolhia suas vítimas entre as prostitutas de um bairro de judeus em Londres. Este criminoso, que agiu em 1888, nunca foi descoberto, embora a polícia declarasse o caso encerrado. Porque o fez?

Com um pedaço de rim humano enviado à polícia pelo correio, vinha uma carta:

" Mando metade do rim que tirei de uma mulher (...) o resto eu comi (...)

"Do inferno."

Carta de Jack. Está no museu de Londres.

Estava-se no outono de 1888, e toda Londres soube imediatamente que o macabro documento vinha de Jack, o Estripador, que acabara de esfaquear até a morte a sua quarta vítima conhecida, Catherine Eddwes, de 43 anos.

As quatro mulheres tinham sido, todas, prostitutas patéticas, envelhecidas e gastas, obrigadas a exercer o seu degradante comércio no bairro conhecido por Whitechapel. Autêntica fossa de uma população pobre, o bairro era cortado por ruas e vielas estreitas que formavam um labirinto sujo de tabernas, bordéis e antros de ópio.

A primeira vítima foi Mary Ann "Polly" Nichols, de 42 anos, cuja garganta foi cortada na noite de 31 de agosto.

Enquanto ela morria deitada num pequeno beco sujo, o assassino rasgava-lhe o abdômen com uma faca de 25 cm de lâmina. Oito dias depois, "Dark Annie" Chapman, de 47 anos, já enfraquecida pela tuberculose, foi morta exatamente da mesma maneira e com o mesmo tipo de arma.

As pessoas lembraram-se então do assassinato de uma outra prostituta de Whitechapel ocorrido anteriormente.

Como esta morrera apunhalada, a polícia considerou não haver ligação entre os casos, mas o público tinha opinião diferente e protestou, receoso, obrigando a polícia a enviar reforços para o bairro.

Detetives particulares e voluntários civis alistaram-se na comissão de Vigilância de Whitechapel, instituída por firmas comerciais londrinas preocupadas com o assunto.

Esta é a lista divulgada, na época, dos possíveis suspeitos. Entre eles o duque de Clarence, neto da rainha Vitória.

O medo trouxe à tona os aspectos negativos da vida na época Vitoriana. Os membros desta sociedade bem estabelecida não se preocupavam com as condições cruéis em que viviam as camadas pobres.

Numa época em que os assuntos sexuais não eram sequer comentados e muito menos discutidos, as chamadas pessoas decentes fingiam não ver as numerosas prostitutas das ruas da cidade.

No entanto, as atenções continuaram viradas para o assassino, que escrevera a primeira carta em que se gabava dos seus crimes com tinta vermelha e a assinara com o nome que a si próprio atribuía: Jack, o Estripador.

Os patologistas concluíram que o assassino era canhoto e tinha conhecimentos de anatomia, pois sabia extrair com precisão orgãos humanos.

E, pouco a pouco, verificou-se que todos os crimes tinham ocorrido entre as 11 horas da noite e as 4 da manhã. Mas isso não era, de forma alguma, prova suficiente. os investigadores começaram a perseguir pessoas inocentes só porque eram criminosos comuns, agressores sexuais conhecidos ou cirurgiões e açougueiro com perturbações mentais.

Os crimes do assassino tornaram-se ainda mais audaciosos e mais tenebrosos. Aparentemente surpreendido logo depois de ter cortado a garganta de Elizabeth "Long Liz", de 45 anos, o estripador desapareceu rapidamente nas brumas pouco depois da meia noite de 30 de setembro, deixando a vítima morta, mas não mutilada. Encontraram-na segurando em uma das mãos um cacho de uvas e na outra alguns doces. A pessoa que surgira nesta hora ouvira passos, mas não viu o assassino.

Privado de seu prazer habitual, o estripador atacou de novo passados 45 minutos. O seu alvo foi Catherine Eddwes, que ele matou e estripou, tirando-lhe o pedaço do rim e intestinos que enviou pelo correio.

Inacreditavelmente, um guarda que patrulhava o local a apenas alguns metros nada ouviu: e o assassino, presumivelmente sujo de sangue, conseguiu mais uma vez fugir, naquela movimentada noite de sábado, num bairro super povoado e cheio de reforços.

UM SUSPEITO DE SANGUE REAL...

Durante as seis semanas seguintes, o estripador não deu sinal de vida. Entretanto, a polícia prosseguia em uma pista bem interessante.

Na noite em que Stride e Eddowes tinham sido mortas, um agente detivera um cavalheiro que falava com uma prostituta. Ao ser interrogado, este suspeito bem- falante - deslocado em tão miserável bairro - afirmou ser médico e convenceu o agente a deixá-lo partir.

Subitamente, espalharam-se boatos incontroláveis : seria o criminoso uma pessoa da alta sociedade que, levado por qualquer loucura impulsiva, tivesse ficado obcecado pela vida desregrada daquele bairro ?

Durante quase um século, o suspeito favorito dos adeptos desta teoria foi o duque de Clarence, neto da rainha Vitória.

Os jornais da época, contudo, nunca publicaram tais especulações, pois o duque era o filho mais velho do herdeiro do trono, o príncipe de Gales e futuro Eduardo VII.

Mas sabia-se que o duque sofria de algum tipo de instabilidade mental, e os defensores daquela teoria apontam que ele foi internado num hospital de doente mentais depois do último crime e que nunca mais de lá saiu. O duque morreu em 1892.

SUÍCIDIO CONVENIENTE

O mais horrível destes assassinatos teve lugar na madrugada de 10 de novembro.

As 3:45 deste dia, os vizinhos ouviram gritos provenientes do quarto de Jane "Black Mary" Kelly, que tinha apenas 24 anos.

Quando a criada do senhorio entrou no quarto, já de dia, tornou-se evidente que o estripador aproveitara a privacidade oferecida pelo alojamento da vítima: minuciosamente, tinha tirado as vísceras do cadáver, removido o coração e os rins e arrumado pelo quarto as outras parte do corpo.

Este crime brutal e bizarro foi o último atribuído a Jack, o Estripador.

Algumas semanas depois a polícia encerrava o caso, sem qualquer explicação ao povo.

Os membros da Comissão foram informados que o assassino antes de confessar se jogou no Tâmisa.

Comentários de que teriam sempre no local, pistas, inclusive desenhos da maçonaria, na época somente aberta aos membros da mesma, e que sempre eram apagados misteriosamente por alguém da própria polícia.

Aos meus leitores, sugiro o filme DO INFERNO, com Johnny Depp e Heather Graham como atores principais.

Diretor: Albert Hughes

Este filme retrata muito bem a época vitoriana, e a fotografia é perfeita.

Quanto a história do homem afogado, fora realmente retirado do Tâmisa o corpo de um suicida depois do assassinato de "Black Mary" Kelly.

No dia seguinte, 3 de dezembro de Montague John Druitt, um advogado com vida difícil e obcecado pela doença mental da mãe, matou-se por afogamento.

A sua nota de suicídio, nunca exposta ao público, podia bem encerrar o caso.

Filho de uma família aristocrática de médicos, Druitt tinha boas relações com a nobreza inglesa.