terça-feira, 3 de novembro de 2015
HUMOR
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
JERRI DIAS de A – Z - A Autobiografia
H de HERÓI
Desde pequeno sempre fui ousado e destemido quando se tratava de arriscar minha integridade física. Machucados, cicatrizes, torções, ossos quebrados, nada me impedia de escalar uma árvore pra brincar de Tarzan, pular um muro e roubar os doces da vizinha pra brincar de ladrão, provocar um rotweiller pra sair correndo... Ah, a adrenalina daqueles dias... E minhas façanhas não passavam despercebidas pela vizinhança e nem pelos meus pais, que volta e meia me colocavam de castigo ou me davam chineladas mesmo.
Mas eis que os dias de glória vieram quando uma vizinha esqueceu a chave do lado de fora da casa dela. Nossas casas tinham dois andares, eram grudadas uma na outra e dividiam a mesma sacada, separadas por um muro impossível de atravessar... a não ser pendurado por uma grade. Vendo o desespero da vizinha, eu me ofereci para atravessar a grade de um lado para o outro a uma altura de 5 metros, o que, para uma criança de 11 anos era bastante alto. Até hoje fico imaginando como meus pais deixaram eu me arriscar desse jeito. Fico meio desconfiado...
Depois desse bem sucedido feito heróico, outros vizinhos começaram a me chamar para subir escadas pelo lado de fora do prédio até o 3° andar para entrar pela janela, subir árvores para pular pro outro lado do muro... Vou te contar, meus vizinhos economizaram uma fortuna em chaveiros e nunca me pagaram um sorvete sequer. Bando de mão-de-vaca!
A seguir... I de IDIOTA
quarta-feira, 2 de abril de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia
E de ENCICLOPÉDIA HUMANA
Alfabeto e um vocabulário mínimo decifrado, comecei a devorar todo gibi ou livro que me aparecia na frente, até o que não devia. Meu tio, que uma época foi morar lá em casa, trouxe com ele raras jóias literárias, como os quadrinhos pornôs de Carlos Zéfiro, que eram vendidos secretamente nas bancas de jornais em uma época em que revistas pornôs era proibidas pela Ditadura.
Meus pais não tinham controle algum sobre o que eu pegava pra ler e assim, além dos catequismos (como eram conhecidos) de Zéfiro, acabei lendo muitos livros para adultos antes de completar 13 anos e até enciclopédias eu lia, o que me valeu o apelido de intelectual na minha família quando eu era criança. Claro, depois dos 13, passei a ser chamado de louco pela minha família, mas isso é outra história.
Data dessa época o meu interesse por dinossauros e hoje tenho como certo que fui um T-Rex na minha reencarnação passada. Na época meus pais até comentaram em me colocar num concurso do Sílvio Santos para crianças metidas a sabichonas (hoje chamamos nerd) pra ganhar um dinheiro, mas não rolou. Ainda bem, pois nessa de virar criança-prodígio eu podia acabar que nem o Michael Jackson ou a Britney Spears! E hoje eu seria um pouco mais louco.
Mas de tanto as pessoas ficarem elogiando a minha inteligência, eu acabei acreditando que era muito esperto mesmo e passei a chamar todo mundo de burro (já treinando para quando fosse ditador). Claro que tinha sempre uns burros que não gostavam que eu chamasse eles de burros e em sua burrice eles zurravam e me coiceavam. Tudo bem, eu sei que era pura inveja da minha sapiência suprema!
Continua em F de FÉRIAS FRUSTRADAS!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia
D de DEDO-DURO
Primeira série. Meus primeiros passos rumo ao mundo da literatura infantil e ao mundo das provas e notas baixas. Aprender a ler parecia fácil, afinal, eu já sabia o que significava cada letra. A era A. B era BÊ e assim por diante. Mas quando eu vi, a coisa não era tão fácil assim, pois palavras como MUITO eram MUINTO e CH se lia como X. Como assim?!
Bem, mas como podem ler, eu acabei dominando um pouco da nossa língua ao longo dos anos, menos as orações subordinadas adjetivas, eu nunca entendi aquilo...
Mas foi na 1ª série que eu aprendi uma grande lição de vida: que dedurar os outros me garantia uma bala de morango.
Pois um dia eu vi o Carlinhos quebrar o lápis da Neca e contei pra professora. E não é que no fim da aula eu ganhei uma bala de morango pela minha boa ação?! A partir daí desenvolvi uma espécie de sentido-de-aranha para dedurar os outros e passei a usá-lo quase que diariamente para dedurar meus colegas de classe e até crianças de outras salas. Meu vício por balas de morango vêm dessa época. Mas à medida em que fui crescendo, percebi que as balas de morango não valiam aquelas surras que eu levava na saída da escola.
E hoje eu só deduro os outro mediante uma farta recompensa em dinheiro e se entrar para o serviço de proteção de testemunhas dos EUA, que eu sei que o do Brasil não funciona.
Continua em... E de ENCICLOPÉDIA HUMANA.
Esse texto foi adaptado de meu antigo blog no site da CAPRICHO.
sábado, 5 de janeiro de 2013
JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia
A menina com quem estou disputando corrida de bicicleta era irmã adotiva da professora.
Aos 6 anos, enfim, fui para o Jardim de Infância, onde finalmente poderia exercer meu traquejo social e conversar com pessoas da minha idade, já que meu irmão e minha irmã eram mais novos que eu e mal sabiam falar direito. Só serviam mesmo para eu andar de cavalinho neles!
Mas eis que ao entrar na sala, me deparo com uma deusa loira de óculos! Foi aí que nasceu minha paixão por loiras e mulheres de óculos. Loiras que depois acabei deixando de lado pelas morenas e morenas que acabei deixando de lado não totalmente por mulheres de perfis mais exóticos ou orientais.
Mas estou me adiantando e babando sem motivo. Voltemos aos meus 6 anos...
Como dizia lá, estava ela, linda e loira. Me cumprimentou com um beijo no rosto, me deu um brinquedo e me empurrou pra junto de um bando de pirralhos que esperneavam, gritavam e quebravam os brinquedos uns dos outros. Quebraram o meu também, mas não me importei, estava apaixonado pela minha professora! Infelizmente, como em uma tragédia shakespeariana, nossa relação estava fadada a não se consumar, pois eu era muito tímido e covarde para me declarar. Meu único consolo é que nossas famílias nunca permitiriam nossa união. Mas eu até hoje lembro disso e choro.
E depois vou pra balada ficar com a mulherada que ninguém é de ferro!
Continua em D de DEDO-DURO.
Esse texto foi adaptado de meu antigo blog no site da CAPRICHO.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A PRIMEIRA MEMÓRIA – Biografia
Quando estava produzindo um seminário sobre performance para o grupo Projeto Max, um dos palestrantes, Fernando Bakos, comentou sobre a teoria da “primeira memória”.
Não lembro onde ele leu ou escutou falar sobre isso e não achei no Google (nem mesmo em inglês), mas a teoria é sobre o fato de que nossa primeira memória (o fato ou cena mais antiga de que nos lembramos) geralmente tem algo a ver com o que vamos ser ou fazer na vida adulta. Ou pelo menos, o que gostaríamos de estar fazendo.
Ele falou, então, sobre sua primeira memória e ela realmente tinha a ver com seu trabalho como performer multimídia. Minha ex-esposa também comentou que sua memória mais antiga tinha a ver com o que ela gostava de fazer.
Quanto a mim, o fato mais antigo de que tenho lembrança é de quando eu devia ter 3 anos de idade e lembro de descer uma escada que parecia em espiral em direção ao térreo. Do alto da escada, eu podia ver uma sala vazia e uma TV ligada onde a única imagem era estática. Devia ser bem cedo, pois nos anos 70 muitos canais de TV só começavam sua programação entre 7 e 9 da manhã. É, naquela época as TVs dormiam...
Eu lembro de sentir uma sensação de solidão, pois parecia não haver ninguém por perto, mas não era uma sensação ruim nem boa, eu apenas estava sozinho com a TV fora do ar.
Bom, eu até acho que dá para tirar várias interpretações/conclusões dessa cena, mas as que fazem sentido para mim são duas:
1) Eu gosto de ficar sozinho comigo mesmo, sempre gostei, mesmo tendo um irmão e uma irmã para brincar na infância.
2) A TV fora do ar é um mundo sem imagens e sem histórias e tendo sido ela um elemento chave para o desenvolvimento de meu amor pelo cinema e quadrinhos (através de desenhos animados), acabei voltando minha vida adulta para a criação de narrativas, roteiros e direção, em uma tentativa de preencher a tela vazia com minhas próprias histórias. Não fiz isso toda a vida, claro, e nem sei se voltarei a fazê-lo, mas a vontade está lá, de forma consciente, desde meus 14 anos de idade e continua.
Não sei o quanto dessa teoria pode ser comprovada, pois isso depende de como as pessoas são capazes de analisar suas primeiras memórias em relação ao que elas fazem ou gostariam de fazer em suas vidas.
E mais tarde descobri que 1% da estática que vemos na TV são sinais de rádio da irradiação original da criação do universo. Isso mesmo, o Big Bang passa pelas nossas TVs. Se eu tivesse virado astrônomo, poderia usar esta interpretação.
De qualquer forma, não deixa de se um exercício interessante de memória e auto-conhecimento.
E você, já pensou se sua memória mais antiga tem a ver com o que você gosta ou gostaria de fazer da sua vida? É claro que se você for muito jovem ainda, talvez tenha que esperar alguns anos para descobrir a relação.
terça-feira, 21 de julho de 2009
MINHA AVÓ
Minha avó Maria nasceu em 1919 lá no interior de Santa Catarina e vai fazer 90 anos em dezembro. Minha avó tem a mesma idade da minha escritora preferida, Doris Lessing, que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Mas a minha avó nunca aprendeu a ler.
Mas naquela época a maioria da população brasileira era analfabeta e ela se acostumou com isso. E conseguiu sustentar seus dois filhos pequenos depois que o meu avô, que nunca conheci, morreu atropelado por um caminhão enquanto dirigia sua bicicleta.
Através dos relatos da minha mãe, sei que ela teve suas desavenças com minha avó, mas eu nunca conheci a mãe de minha mãe, apenas conheci a minha avó e posso dizer que nunca tive problema algum com ela. Na verdade, só alegrias. Claro que o fato de você nunca ter vivido o dia-à-dia com uma pessoa favorece que você esteja longe nos maus momentos dela e assim, evitam-se conflitos. É uma posição muito confortável a minha, mas não saberia dizer se esta é uma posição egoísta ou não, visto que hoje minha mãe, que mal consegue andar, tem que cuidar da minha avó e meu tio, filho da minha avó, mora com a esposa e uma filha em um apartamento de dois domritórios e o trabalho ocupa a maior parte do tempo dele.
Hoje estamos procurando um bom asilo para alojar minha avó, que sempre disse que queria ir para um, mas segundo me disseram, muda de idéias às vezes. Na minha frente ela sempre disse que queria ir. Como disse, minha mãe não tem condições de cuidar dela. Apesar de minha avó subir e descer escadas regularmente e caminhar sozinha pelos corredores dos blocos onde mora, ela não tem mais condições de cozinhar e arrumar a casa, coisas simples mas que demandam uma certa concentração e esforço dos quais minha avó não é mais capaz.
Mas o que eu queria mesmo dizer era que minha avó querida, apesar de analfabeta e ignorante a respeito de quase tudo do mundo moderno, me levou pra assistir 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO quando eu tinha 8 anos de idade. Um filme legendado que quase não tem diálogos, mas que mesmo hoje, a maioria dos adultos não entende. Minha avó, acredito, não deve ter entendido nada, mas ela sabia que eu gostava de naves espaciais e meu levou mesmo assim. Eu, claro, também não entendi nada na época, e logo esqueci todo o filme, mas a cena em que o computador HAL é desligado e a música “ALSO SPRACH ZARATHSUTRA” (Assim Falou Zarathustra) de Strauss ficaram gravados na minha memória inconsciente pra sempre e durante 10 anos eu escutei maravilhado essa música tocando em comerciais, rádio e até em outros filmes, sem saber de onde era. Até que eu revi o filme novamente e lembrei.
E hoje, mais de 30 anos depois, estou chegando a conclusão que provavelmente foi minha avó analfabeta e ignorante que me proporcionou a minha primeira experiência cinematográfica genuína, que acabou por detonar meu amor pelo cinema de Ficção-Científica(e ela ainda me levou pra ver GUERRA NAS ESTRELAS depois), pela música clássica e talvez por tabela até minha quase obsessão pelo conceito do super-homem do filósofo alemão Niesztche, que escreveu o livro ASSIM FALOU ZARATHUSTRA, ao qual a música presta homenagem. Até minha graphic novel vem daí.
Eu nunca falei isso pra ela.
Talvez ela nem se lembre daquela sessão, mas isso é certamente algo que ela vai ficar contente de saber.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
CAPRICHO 953

Para ampliar, clique na foto (como todas as outras deste blog).
Depois da ultima visita ao meu terapeuta, ele me aconselhou a expor a...
HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA
1. Quando eu tinha 11 meses de idade, meu irmão mais novo nasceu, e pra chamar a atencão dos meus pais eu comecei a falar alemão. Como eles não me entendiam, acabei optando por ter ataques de bronquite.
2. Um dia, com 1 ano e dois meses, minha mãe achou que eu já estava maduro o suficiente para me tirar a mamadeira. Isso explica o fato de eu tomar leite na mamadeira de vez em quando.
3. Com 2 anos, percebi que meninos e meninas são diferentes: Meninas usam brinco e meninos não. Pelo menos nessa idade.
4. Já aos 3 anos descobri que existia um Papai do Céu invisível que estava comigo o tempo todo. Morrendo de medo, tive que dormir com meus pais por uma semana.
5. No meu aniversário de 4 anos ganhei de presente uma camiseta que meu amiguinho usava sempre. Eu tive de vestí-la no dia e meu amiguinho veio com a mesma camisa. Foi meu primeiro mico.
6. Cinco anos, jardim de infância, ela é linda, loira e usa óculos que a deixam muito sexy. Mas ela so me vê como aluno. Ai, ai...
7. Mas eis que aos 6 anos, ganho um cachorrinho vira-lata. A racão que ele ganhava era tao boa... Pena que nao fabricam mais aquela marca.
8. Aos 7 anos, pensava no que faria quando fosse adulto: astronauta era a unica opção possível!
9. Oito anos, idade da irresponsabilidade. Ganhava mesada e gastava tudo em chocolate. Hoje, mais maduro, só gasto metade do meu salário em guloseimas.
10. Prestes a completar uma década de vida, dediquei a semana recapitulando minha vida, ou seja, brincando.
11. Onze anos, mais desafios a vencer no vídeo-game, mais conhecimento para adquirir colando dos meus colegas nas provas, novas amizades para pedir gibis emprestados...
12. A idade da razão com 12 anos. Quer dizer, da razão dos pais, que acham que estao sempre certos e você errado. Que saco!
13. Ah, com treze anos o sexo oposto parece tão interessante... até eu descobrir que ela é irmã do cara que me bate no intervalo!
Jerri Dias precisa de terapia de choque.
THE CURE - WHY CAN'T I BE YOU
A banda mais adorada pelos góticos e darks tem muitas canções pesadas e ultra-românticas.
Mas ao contrários dos fãs mais fanáticos, eles não se levam muito a sério não...
Confira no divertido clip lá no rodapé do blog.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
CALVIN & HAROLD, de Bill Waterson - Quadrinhos

Bom, o Calvin dispensa apresentações para a maioria dos mortais, mas mesmo assim, posto aqui o prefácio do primeiro álbum do Calvin. Eu até gostaria de escrever sobre ele, mas não faria um texto melhor do que o de Trudeau.
"Há poucas fontes de humor mais constantes e regulares do que a mente de uma criança. Muitos cartunistas, ao criar personagens infantis, reconhecem isto, mas quando eles se propõem a captar o ativo mundo infantil, quase sempre se enganam, criando vergonhosamente crianças irreconhecíveis, ou seja, espertinhos, miniaturas de adultos. Culpe-se que à negligência ou às recordações distorcidas, a maioria das pessoas que escrevem histórias em quadrinhos para menores demonstram surpreendente pouco tato - ou fé - ao lidarem com esta fonte original de material que é a infância, em toda a sua simplicidade e doçura.
É neste aspecto que Bill Watterson se mostra tão original quanto seus personagens, Calvin e Haroldo. Watterson o escritor que acertou ao captar com precisão a infância como ela realmente é, com suas constantes mudanças no sistema de referências. Qualquer um que tenha passado algum tempo com uma criança, sabe que para elas, a realidade depende profundamente da situação. Um afirmação que um adulto julga ser uma 'mentira', pode muito bem refletir uma profunda convicção da criança, pelo menos no momento em que esta aflora. A fantasia é tão acessível e é vivida com tal força e freqüência, que pais ressentidos como os de Calvin, convencem-se de estarem sendo manipulados, quando a verdade é muito mais assustadora: eles nem mesmo existem. A criança é ao mesmo tempo rainha e guarda do seu reino, e pode mostrar-se muito exigente quanto aos companheiros que escolhe.
Esta exclusividade, é claro, apenas provoca em alguns adultos a tentativa de recobrar os dons da infância para si próprios para, em realidade, tentar recuperar o irrecuperável. Uns poucos desesperados, fazem coisas que posteriormente os levarão à um centro para doentes nervosos.
O restante de nós, mais sensatos, lêem Calvin e Haroldo."
Garry Trudeau
sexta-feira, 4 de julho de 2008
JERRI DIAS: A MINI-BIOGRAFIA - Parte I
Esse post é para todos aqueles dois ou três leitores(as) que pediram para saber mais da minha vida.
Na verdade produzi esse texto em 1999 para a cadeira de produção textual da faculdade de Letras, então, na parte II vão vir os últimos 10 anos.
JERRI DIAS - Uma Mini-Biografia Com Muitas Partes Omitidas
Primogênito de uma prole de três, tive toda a atenção e carinho de meus pais e avós voltadas exclusivamente para mim até o nascimento de meu irmão, onze meses após, o quê segundo meu psicólogo me disse vinte e cinco anos depois, pode ter sido a principal causa de minha bronquite. Se aos onze meses eu soubesse que essa tática da bronquite para chamar atenção fosse me trazer tantos problemas mais tarde, eu certamente teria optado por meios mais sutis.
Já na escola, era um tipo muito brincalhão. Adorava o balanço, a gangorra e todos aqueles brinquedos que a professora nos dava para brincarmos. Ela tinha uma filha pequena que estudava na mesma turma e alguns colegas espalhavam boatos de que eu gostava dela. Como eram ingênuos os meus colegas do jardim da infância... eu gostava mesmo era da mãe dela! Acho que daí veio a minha atração por mulheres loiras de óculos - coisa que durou até os meus dezesseis, quando me apaixonei por uma morena de óculos.
Com o passar de alguns anos, meus interesses se multiplicaram rapidamente e de jornalista, passei a querer ser astronauta e a seguir, aos nove anos, paleontólogo. E apesar de minha mente vagar durante alguns anos pelas florestas jurássicas, fazendo com que nos círculos familiares fosse conhecido como o intelectualzinho da família (a palavra nerd ainda não era utilizada), consegui manter meu interesse pelo esporte, em especial natação e a ginástica olímpica. Quanto ao futebol, dediquei à ele 10 anos de minha vida, pendurando as chuteiras aos 15 anos.
Mas os anos 80 chegavam junto com a moda totalmente indefinida e rídicula. Na época não ligava para essa coisa toda, mas olhando velhas fotos, vejo que ninguém vestia-se bem na época. Estávamos quase no futuro que se costumava ver nos filmes de ficção científica, quando no ano 2000, diziam, os carros voariam e os bebês seriam todos de proveta. Para preparar-me para tão moderna era fiz novas amizades em um novo bairro para o qual havia me mudado. Com essas amizades, aprendi a apreciar quadrinhos como arte, tomei contato com a doutrina espírita, passei a pesquisar discos-voadores e a sentir estranhas sensações perto de garotas. Datam dessa epóca minhas viscerais crises de paixões não concretizadas por uma colega de aula loira, a irmã loira de um amigo e uma amiga cinco anos mais velha (a tal morena de óculos!).
Porém, nem tudo era esquisito ou frustrante na minha adolescência, afinal eu começava a ganhar mesada e dinheiro fazendo pequenos bicos para os vizinhos, possibilitando a compra de muitos gibis e muitas idas ao cinema, o que junto com a literatura, acabaram tornando-se para mim o que a divina trindade é para os católicos.
Hoje, perto do novo milênio - sem sinal de carros voadores - , começo um novo capítulo em minha biografia, que é a tardia entrada na universidade, onde após muitas aventuras e desventuras amorosas e artísticas, buscarei aprimorar-me em prol da salvação da humanidade.
Mas se não der para salvar a humanidade, espero pelo menos poder salvar a minha.
Continua...















