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sexta-feira, 26 de maio de 2017

SUPERGIRL (EUA, 2015 - ) - 1ª Temporada

Você vai acreditar que uma mulher pode voar.
A Personagem

Nos quadrinhos, Supergirl fez parte da leva da família de kryptonianos que viviam surgindo na Era de Prata, incluindo até mesmo um Super-Cavalo. Criada em 1958, ela é certamente a melhor e mais duradoura personagem dessa fase um tanto sem noção.  Embora ela tenha tido diversas variações e nomes diferentes ao longo das décadas, Kara Zor-El é o mais popular. Nos quadrinhos, sua melhor fase foi a escrita por Peter David e ilustrada por Gray Frank (foi publicada pela editora Abril).


 Capa original da primeira aparição de Supergirl.

A Série

Atenção: contém spoilers.

Como Flash, Supergirl também se baseia no carisma e simpatia de sua protagonista, Melissa Benoist. Apesar de ter menos dramaticidade do que Flash, a intenção da série é justamente ser mais leve e ingênua do que as demais séries da DC produzidas pela Warner. Uma resposta dos produtores ao tom mais sombrio e tenso do Superman dos filmes da DC no cinema? Provavelmente.

O fato é que o público está gostando das aventuras de Garota de Aço e como a própria série faz questão de apontar, o empoderamento feminino também faz parte da narrativa. Um ótimo exemplo para o público jovem feminino.  E para os rapazes também.

Ótimo poster promocional emulando capa de quadrinhos e a famosa corrida entre Flash e Superman.

Na primeira temporada, Supergirl revela sua existência para a humanidade (embora suas ações acabem basicamente restritas à National City por conta do orçamento), enfrenta vilões kryptonianos que estão há muitos anos no planeta (e que por alguma razão não conseguiram derrotar Superman nem conquistar o planeta pela força), se associa a uma agência secreta responsável por monitorar e prender criminosos alienígenas (um MIB metido a sério), conhece O Caçador de Marte (que mesmo quando não precisa, faz questão de permanecer humano) e finalmente tem um crossover divertido com Flash (Grant Gustin) no episódio Melhores do Mundo (Aeeeeee).

Além de muitas referências aos filmes, séries passadas e quadrinhos, o elenco conta com participações pontuais de Helen Slater (a Supergirl cinematográfica de 1984) e Dean Cain (o Kael-El de Lois & Clark - As Aventuras de Superman, série dos anos 90). A primeira temporada também conta com a atriz Laura Vandervoort (a Supergirl de Smallville) como Indigo, uma versão feminina de Brainiac com um visual completamente Mystique (versão cinematográfica). E entre os muitos atores, duas curiosidades bizarras: uma atriz chamada Harley Quinn Smith e um ator chamado Justice Leak (de Justice League?).

 Boa parte do orçamento vai em efeitos especiais.
Embora alguns fiquem acima da média, sempre tem aquelas cenas em que você nota a falta de grana.

Apesar dos 3 milhões de orçamento por episódio serem um valor bem alto para uma série de TV, a série sempre deixa a desejar nas sequências de lutas, mesmo comparadas com o Superman II com Christopher Reeve. Golpes que deveriam mandar adversários dezenas de metros para trás ou afundá-los no asfalto, não são diferentes de nenhuma briga entre mortais comuns. Isso até acontece, mas com muita economia. Uma solução simples, rápida e barata para isso seria tremer a cena digitalmente para dar a impressão de onda de choque e adicionar um som impactante a cada golpe. Também colocar um flash branco (como faziam nos desenhos da Liga) no momento do impacto de um golpe não faria mal algum. Isso tem o custo zero de alguns frames em branco.

A primeira temporada ficou em 39º lugar entre as mais assistidas e manteve uma média de quase 10 milhões de espectadores.  Mas a renovação para a segunda temporada só foi possível porque os produtores conseguiram reduzir seus custos originais ao se mudar para Vancouver, no Canadá, local onde muitas séries americanas são gravadas por conta de mão de obra mais barata. Isso fez com que Calista Flochart (Cat Grant) deixasse a série porque ela estipulou em contrato que só  trabalharia nela se permanecesse em Los Angeles. Mas foi acordado que ela viajaria para o Canadá para participações especiais na segunda temporada.

Com participação do próprio Superman, Flash e outros heróis na segunda temporada, Supergirl tem potencial para voar mais alto se diminuir um pouco certos draminhas bobos dos personagens e se concentrar em diálogos mais divertidos (não necessariamente engraçados).  


O trailer foi criado para chamar o público feminino e dá a impressão de uma comédia romântica com música pop de mau gosto, mas o seriado consegue ir um pouco mais além disso.


Quando eu acabar de assistir a segunda temporada, tem mais.  
   

terça-feira, 16 de maio de 2017

THE ORVILLE - Trailer


Depois do excelente Heróis Fora de Órbita (Galaxy Quest, 1999), finalmente alguém (Seth MacFarlane) percebeu que já tinha passado da hora de fazer uma nova paródia de Star Trek. Mas desta vez, para a TV. Mais uma série pra lista. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

AQUAMAN - Série

O público feminino e gay masculino encheu os olhos d'água quando souberam que a série não iria ao ar.

Para quem não sabe, Aquaman teve um piloto feito para a TV em 2006 por conta do sucesso de Smallville. O personagem já havia aparecido na 5ª temporada da série do Superman interpretado pelo ator Alan Ritchson. O episódio foi muito bem recebido pelos fãs, o que fez com que os criadores de Smallville, Alfred Gough e Miles Millar, desenvolvessem uma série do personagem para a TV. Eles também tinham a ideia de trabalhar em uma série solo para Lois Lane, mas acharam que Aquaman tinha mais futuro. O projeto, no entanto, acabou fazendo água.

Justin Hartley não foi o ator original escolhido para a série, substituindo Wiil Toale. Sorte de Hartley, pois apesar da série não ter sido aprovada pela emissora CW, os criadores da série o chamaram para fazer o Arqueiro Verde em Smallville, personagem que entrou para o elenco principal da série a partir da 6ª temporada.


Apesar de algumas cenas necessitarem serem filmadas em tanques especiais, muitas delas foram gravadas no mar. Justin dependia dos mergulhares ao seu redor para respirar em tanques extras.


O piloto em si, que pode ser baixado no Pirate Bay e similares, segue a fórmula de seriados adolescentes, mas com um roteiro mais dinâmico do que os primeiros episódios  de Smallville, com uma trama mais grandiloquente. Infelizmente, apesar da ação, o roteiro é fraco e não empolga, mas quando foi lançado no ITunes para download, ficou mais de uma semana em 1º lugar entre os mais baixados. Algumas críticas foram positivas, mas o site IGN declarou o filme "morto na água" e "brega como o seriado Shazam". Não achei tanto assim, mas está no mesmo nível dos piores episódios de Smallville.      

Trailer




domingo, 9 de abril de 2017

FLASH - Série


FLASH - A PRIMEIRA TEMPORADA - CRÍTICA

CONTÉM SPOILERS.

Flash

Criado na chamada Era de  Ouro dos Quadrinhos,  em 1940, Flash era um super-velocista conhecido como Jay Garrick e após o cancelamento de sua revista, a DC Comics o ressuscitou em 1959, na Era de Prata, com uma nova identidade e uniforme. A reciclagem funcionou tão bem que esse é o Flash que perdura até hoje em praticamente todas as versões televisivas e cinematográficas. O Flash original acabou sendo reutilizado em uma Terra paralela e tem participação frequente nas revistas  que contam aventuras da Terra-2.


O Flash dos quadrinhos sempre foi um adulto de 30 anos.
Por motivos de público-alvo e possível longevidade da série, os produtores preferem começar com os personagens numa faixa etária de 25 anos ou menos.
Arte de Alex Ross.

Sinopse

Barry Allen é um jovem cientista forense que após ser vítima de um acidente quântico com um acelerador de partículas, torna-se um meta-humano capaz de atingir velocidades incríveis.

A série

O que a DC Comics não conseguiu fazer ainda com seu universo cinematográfico, conseguiu realizar na TV.  Após duas bem sucedidas temporadas de Arqueiro (Arrow), uma das melhores opções de heróis urbanos sem super-poderes na impossibilidade de uma série de Batman, Arqueiro utiliza vários dos inimigos, roteiros e até diálogos dos quadrinhos e filmes do Cavaleiro das Trevas. Apesar do excessivo tom dramático  para uma série adolescente, o que a torna caricata, já na segunda temporada de Arqueiro, são introduzidos três personagens de Flash: Caitlin Snow (Danielle Panabaker ), uma jovem e linda bioengenheira genética; Cisco Ramon ( Carlos Valdes ), um jovem cientista pau pra toda obra que está ali representando todos os nerds e para servir de alívio cômico na maior parte dos episódios; e o próprio Flash (Grant Gustin), mas ainda apenas como Barry Allen, pois os episódios em que ele aparece são antes do acidente, que só ocorrerá no primeiro episódio de Flash.


Flash e Arqueiro (Stephen Amell).
Cross-overs e team ups entre as séries e os heróis são o que torna as séries da DC ainda mais divertidas.
Além dos heróis-títulos, diversos outros personagens superpoderosos como Eléktron, Nuclear, Gavião Negro e Mulher-Gavião vão sendo introduzidos no chamado Arrowverso (Universo televisivo de Arrow).


Ao contrário de Arqueiro, que por ser caricato demais em sua seriedade, falha em tornar o drama mais humano, Flash é uma série mais luminosa, leve e engraçada e justamente por não se levar a sério demais como Arqueiro, consegue ser mais convincente quando os desafios humanos e meta-humanos precisam ser enfrentados. E  assim o personagem consegue engajar o espectador em sua aventura de lidar com seus dramas e tragédias pessoais de tal forma que arrisco dizer encontra paralelo em outro grande personagem dos quadrinhos: Peter Parker/Homem-Aranha.

Em parte isso se deve em grande parte ao carismático ator Grant Gustin, que dá ao seu Barry Allen/Flash uma grande dose de simpatia e vulnerabilidade com a qual o espectador pode se identificar, junto com a vontade de transcender seus limites e medos pelos que ama. A sequência em que viaja no tempo para tentar salvar sua mãe é verdadeiramente comovente.

A crítica e profissionais também tem se rendido a série, que já recebeu diversos prêmios pela performance de Grant Gustin e seus efeitos especiais bem acima da média para produções do gênero. 

E alguém já disse que um herói só é bom se o vilão for melhor ainda e o que Arqueiro (até a quarta temporada) e Supergirl (na primeira temporada) falharam em entregar, Flash entrega logo nos primeiros episódios o Dr. Harrison Welles (vulgo Eobard Thawne, vulgo Flash Reverso). Em um outro grande acerto de escalação de atores, Tom Cavanagh consegue construir um vilão ainda mais interessante e ambíguo do que o Lex Luthor de Michael Rosenbaum em Smallville. Colocando-se tanto como mentor, amigo e algoz de Flash e seus colegas, o espectador nunca sabe exatamente quais são os planos do vilão e a tensão cresce a cada episódio sobre o que ele fará em seguida. O que é o mínimo que toda série de super-heróis deve fazer com o espectador: garantir ganchos interessantes e excitantes para que ninguém queira perder o próximo episódio.  E Flash consegue isso quase sempre.

Mas além do arco central da série, que é Barry libertar seu pai da prisão, resolver o mistério da morte de sua mãe quando criança e enfrentar Harrison Wells/Flash Reverso, a série mantém a mesma estrutura dos quadrinhos e seriados de super-heróis: a cada revista/episódio, um super-vilão diferente.  Aí reside o ponto fraco de Flash. Por ele ser um super-herói poderoso demais, mesmo limitado a velocidades supersônicas, a maioria dos vilões que ele enfrenta poderiam ser fácil e rapidamente derrotados. Especialmente vilões armados como Capitão Frio, um vilão com uma personalidade interessante, mas cuja ameaça direta vem apenas de uma arma congelante que Flash poderia tirar de sua mão em um piscar de olhos, mas nunca o faz por conta de artimanhas preguiçosas e infantis dos roteiristas.


Flash Reverso/Harrison Welles na interpretação de Tom Cavanagh é o grande trunfo da primeira temporada.


Mas enfim, apesar de algumas bobagens adolescentes típicas deste tipo de série e exagerar um pouquinho no drama às vezes, a direção geral é boa e os diretores se revezam tentando enquadramentos interessantes numa tentativa de deixar sua assinatura na série que se tornou a mais popular e divertida do universo DC na TV.

E para quem não sabe, o Arrowverse compreende as séries Arqueiro, Flash, Constantine, Supergirl e Lendas do Amanhã. E todos os heróis fazem aparições pontuais e importantes nos seriados uns dos outros, mostrando que quando quer, a DC consegue fazer um universo integrado e que funciona.
           
Trailer

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

HOMOSSEXUALIDADE - Comportamento




Uma das maiores conquistas da educação religiosa através dos tempos foi a capacidade de fazer um ser humano renegar e odiar o seu próximo porque ele tem inclinações sexuais diferentes da norma estabelecida por um grupo de homens ignorantes e com medo de sua própria sexualidade.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

TATATA PIMENTEL (1938 – 2012)



Uma das personalidades mais conhecidas de Porto Alegre, o apresentador, jornalista e professor divertiu, informou e influenciou o público e muitos de seus pares ao longo de uma carreira e uma vida singular.
Mas vou deixar o próprio Tatata falar dele mesmo.
Basta dar play no primeiro vídeo para conhecer ele e a cidade onde ele decidiu viver. 






quinta-feira, 5 de julho de 2012

LOST (EUA, 2004 – 2010) – Série de TV



Sinopse

Grupo de passageiros sobrevive a queda de um Boeing e fica preso em uma ilha misteriosa.

A série

Criada por Jeffrey Lieber, Damon Lindelof e J.J. Abrams, LOST tornou-se um fenômeno televisivo comparável a TWIN PEAKS, tal a quantidade de bons personagens e elementos fantásticos criativos e enigmáticos inseridos na trama.


Trailer da série




1ª Temporada

Com um custo de 12 milhões de dólares, o primeiro episódio de LOST foi o mais caro já produzido para a TV até então. Nele, os personagens são introduzidos e suas características iniciais apresentadas de forma bastante eficiente, pois é em um desastre que pode-se perceber o caráter das pessoas e como elas interagem com os outros. E nete mesmo episódio os sobreviventes percebem que há algo de muito estranho na ilha. Mais adiante, a existência de um monstro de fumaça negra, ursos polares e nativos hostis chamados de “Os Outros” é estabelecida. Alguns mistérios são verbalizados, outros são mantidos em segredo, o que se tornaria um recurso um tanto irritante durante toda a série, já que a maioria dos segredos e mistérios ao longo da trama, acabam revelando-se desnecessários e uma forma malandra dos autores de prender a atenção do espectador em algo que, na verdade, não é importante. Mas o roteiro é extremamente bem construído, os atores conseguem criar personagens cativantes e o recurso do flashback é utilizado como uma forma de contar suas histórias antes da ilha e estabelecer seus traumas e motivações. Foi uma forma interessante e esperta de variar cenários e aprofundar os personagens, mas que creio ter sido usada em demasia em muitos momentos ao longo das 6 temporadas. E vale salientar a boa direção e a envolvente trilha de Michael Giacchino.


Os personagens que o espectador aprende a amar e odiar ao mesmo tempo.


2ª Temporada

Na segunda temporada os mistérios se aprofundam com a descoberta de um bunker onde códigos númericos tem que ser inseridos em um antigo computador para evitar um suposto apocalipse. A Iniciativa Dharma, um misterioso grupo de cientistas que construiu os bunkers surge em um incompleto filme super-8. E Benjamin Linus (Michael Emerson) é introduzido como um dos vilões mais interessantes e ambíguos já criados para qualquer mídia. Sua figura feia, pequena e fragilizada foi uma grande sacada dos criadores. Nesse ponto a série estabelece a ficção-científica como parte inerente a quase tudo que acontece e acontecerá com os personagens de agora em diante. Mais sobreviventes são descobertos do outro lado da ilha e o mistério de “Os Outros” começa a ser desvendado. Dramas e flashbacks de todos os personagens se aprofundam. Alguns deles acabam se tornando tão empolgantes e emocionantes quanto a trama que se desenrola na illha.


Os flashbacks são uma amostra do passado sórdido dos sobreviventes do voo Oceanic 815.


3ª Temporada

Capturados pelos "Outros", Jack (Matthew Fox), Sawyer (Josh Holloway) e Kate (Evangeline Lilly), são mantidos prisioneiros para que Benjamin seja operado por Jack.
Enquanto isso, Desmond ( Henry Ian Cusick) irá protagonizar um dos episódios mais interessantes, onde é jogado alguns anos de volta no passado, em Londres. Lá ele encontra alguns dos personagens e com a ajuda de um deles, tenta tirar algum sentido dessa viagem no tempo. A partir desse momento, viagens no tempo serão recorrentes em toda a série. Ao final da 3º temporada, os flashbacks são substituídos por flashforwards, exibindo histórias futuras de alguns dos protagonistas já fora da ilha, enquanto alguns ficaram ainda lá. No presente, no entanto, um dos protagonistas principais, em um dos momentos mais emocionantes da série, sacrifica a própria vida para que Jack consiga fazer contato com um barco que supostamente está vindo resgatar a todos. E Locke (Terry O’Quinn), um dos personagens que mais cresceu na trama graças à sua personalidade obcecada e heróica, decide sabotar o resgate parar que todos tem que fiquem presos na ilha.


A tensão sexual entre Sawyer e Kate se resolve.


4ª Temporada

Os mistérios se avolumam, a ilha se torna um personagem por si mesma, flashforwards dos seis sobreviventes que conseguiram escapar da ilha prosseguem e fica claro que as pessoas no barco não está lá para resgatar o sobreviventes, mas sim para matarem Benjamin Linus e se apoderarem da ilha. Os roteiristas conseguem ser extremamente eficientes e criativos criando cada vez mais tramas paralelas e mistérios, mas solucionando apenas cerca de 1/3 deles. Isso passaria a ser muito criticado pelos fãs e espectadores e a complexidade da trama afastou grande parte da audiência na época, desacostumada a ficção-científica. Como uma amiga disse, ela se importava mais com o drama do que com a ciência de LOST e concentrava-se mais nos personagens. Já eu, me envolvia tanto com os dramas dos personagens quanto com as seqüências de aventura/ficção-científica. E até o final da 5ª temporada, LOST não decepcionaria nessa questão.


Benjamin Linus curte um "momento família" com sua filha Alex (Tanya Raymonde).


5ª Temporada

Em termos de ficção-científica, essa é a temporada mais empolgante de todas, com viagens no tempo revirando as vidas dos sobreviventes que ficaram na ilha. Ao mesmo tempo, os seis que conseguiram escapar, são convencidos por Benjamin Linus a voltar para resgatar os outros. O monstro de fumaça negra assume a forma humana de um dos principais protagonistas mortos e a trama se torna mais complexa, assim como a relação entre os personagens, e inúmeras dúvidas surgem para a última temporada.


Presos no passado, os sobreviventes tentam encontrar uma maneira de impedir o acidente que os colocou lá.


6ª Temporada

Com o sacrifício de uma das personagens principais, os protagonistas que estavam presos no passado conseguem retornar para o presente. Ao mesmo tempo os flashforwards acabam e flashsideways mostrando uma realidade paralela, como se o acidente que os levou a ilha jamais tivesse acontecido, iniciam-se. E eis que os criadores e roteiristas levam a série para o lado da fantasia e com referências bíblicas a Caim e Abel. Não sei se na tentativa de dar algum peso judaico-cristão a história e conceitos elaborados durante a série. Coisas como “tudo acontece por uma razão” levando o espectador e os personagens a crer que de alguma forma, algo sobrenatural (Deus) planejou tudo. Ao fim, os flahsideways, que a lógica indicava ser uma realidade paralela criada a partir do episódio final da 5ª temporada, foi ignorada e transformada no purgatório/limbo cristão, para forçar uma ligação com a história dos irmãos Jacob e o Homem de Preto. Do modo com foi construída toda a trama da seta temporada , não havia mais como escapar desse final cristão. Uma pena. Nesse ponto, os criadores fizeram cair em muito o nível intelectual da série criando soluções e explicações um tanto absurdas. O que valeu no final, ao menos, foram as relações de amor e ódio entre os personagens e a luta pelo reencontro entre amantes e amigos em cenas comoventes e absolutamente arrebatadoras.


Jack tem a impressão de que alguma coisa está errada. 
Logo, o espectador teria essa mesma impressão...

Considerações finais

Apesar de certos absurdos e exageros nas referências, metáforas e analogias à mitologia judaico-cristã na qual os autores enredaram-se na última temporada e que os prendeu a solução do Purgatório, posso dizer que esta foi uma grande série de TV que soube trabalhar muito bem a linguagem cinematográfica ao explorar episódios similares contados sobre pontos de vista diferentes, flashbacks, flashforwards e flashsideways (como apelidaram os criadores). Além disso, o talento dos atores e a diversidade de seus  personagens e seus passados misteriosos, trágicos e cômicos forneceram o impacto dramático necessário e vital a uma empolgante e sensacional trama envolta no Fantástico e na Ficção-Científica.

Ficamos sem muitas respostas? Ficamos. Mas quem disse que se precisa de todas? Afinal, a série não deixou de ser um retrato da vida de todos nós, que entramos na vida com muitas perguntas e saímos dela sem respostas.


Paródia





quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A PRIMEIRA MEMÓRIA – Biografia

Nem pai, nem mãe. TV.


Quando estava produzindo um seminário sobre performance para o grupo Projeto Max, um dos palestrantes, Fernando Bakos, comentou sobre a teoria da “primeira memória”.

Não lembro onde ele leu ou escutou falar sobre isso e não achei no Google (nem mesmo em inglês), mas a teoria é sobre o fato de que nossa primeira memória (o fato ou cena mais antiga de que nos lembramos) geralmente tem algo a ver com o que vamos ser ou fazer na vida adulta. Ou pelo menos, o que gostaríamos de estar fazendo.

Ele falou, então, sobre sua primeira memória e ela realmente tinha a ver com seu trabalho como performer multimídia. Minha ex-esposa também comentou que sua memória mais antiga tinha a ver com o que ela gostava de fazer.

Quanto a mim, o fato mais antigo de que tenho lembrança é de quando eu devia ter 3 anos de idade e lembro de descer uma escada que parecia em espiral em direção ao térreo. Do alto da escada, eu podia ver uma sala vazia e uma TV ligada onde a única imagem era estática. Devia ser bem cedo, pois nos anos 70 muitos canais de TV só começavam sua programação entre 7 e 9 da manhã. É, naquela época as TVs dormiam...

Eu lembro de sentir uma sensação de solidão, pois parecia não haver ninguém por perto, mas não era uma sensação ruim nem boa, eu apenas estava sozinho com a TV fora do ar.

Bom, eu até acho que dá para tirar várias interpretações/conclusões dessa cena, mas as que fazem sentido para mim são duas:

1) Eu gosto de ficar sozinho comigo mesmo, sempre gostei, mesmo tendo um irmão e uma irmã para brincar na infância.

2) A TV fora do ar é um mundo sem imagens e sem histórias e tendo sido ela um elemento chave para o desenvolvimento de meu amor pelo cinema e quadrinhos (através de desenhos animados), acabei voltando minha vida adulta para a criação de narrativas, roteiros e direção, em uma tentativa de preencher a tela vazia com minhas próprias histórias. Não fiz isso toda a vida, claro, e nem sei se voltarei a fazê-lo, mas a vontade está lá, de forma consciente, desde meus 14 anos de idade e continua.


Não sei o quanto dessa teoria pode ser comprovada, pois isso depende de como as pessoas são capazes de analisar suas primeiras memórias em relação ao que elas fazem ou gostariam de fazer em suas vidas.

E mais tarde descobri que 1% da estática que vemos na TV são sinais de rádio da irradiação original da criação do universo. Isso mesmo, o Big Bang passa pelas nossas TVs. Se eu tivesse virado astrônomo, poderia usar esta interpretação.

De qualquer forma, não deixa de se um exercício interessante de memória e auto-conhecimento.

E você, já pensou se sua memória mais antiga tem a ver com o que você gosta ou gostaria de fazer da sua vida? É claro que se você for muito jovem ainda, talvez tenha que esperar alguns anos para descobrir a relação.

domingo, 11 de outubro de 2009

FERNANDA FURQUIM - Entrevista


Especialista em séries de TV, Fernanda transformou seu lazer preferido em trabalho.


Conheci a Fernanda Furquim quando tinha 15 anos. Naquela época ela fundou, junto comigo e muitas outras pessoas, o grupo GÊNESIS, dedicado ao gênero Fantástico em todas as suas ramificações. Isso incluía séries de TV, como JORNADA NAS ESTRELAS, da qual Fernanda era fã de carteirinha. Durante dois anos editamos um fanzine chamado MILLENNIUM, no qual Fernanda não participou muito, pelo que me lembro. Mas alguns anos depois, quando o grupo e o fanzine já haviam acabado, Fernanda apareceu com o fanzine TV LAND, que mais tarde se transformaria na revista TV SÉRIES e durante anos seria distribuída por todo o país em bancas e comics stores especializadas, além de ter muitos assinantes. Detalhe: a Fernanda fazia quase tudo sozinha! Infelizmente a revista acabou, mas ela continua no site TV SÉRIES , onde você encontra tudo sobre séries e desenhos animados do mundo todo de todas as épocas, curiosidades e novidades de tudo o que é e foi produzido nos últimos 60 anos de TV!

Claro que a Fernanda acabou se formando em Jornalismo e já publicou dois livros muito bacanas sobre séries de TV:



SITCOM: DEFINIÇÃO E HISTÓRIA é um estudo sobre esse famoso gênero cômico que abrange séries como FRIENDS, SIMPSONS, A GRANDE FAMÍLIA e centenas de outras.

Nas livrarias e aqui.



Já AS MARAVILHOSAS MULHERES DAS SÉRIES AMERICANAS traça um perfil evolutivo da personagem feminina além de curiosidades sobre produções estreladas por mulheres.

Nas livrarias e aqui.

Claro que com todo esse conhecimento, a Fernanda é frequentemente requisitada para escrever matérias e artigos para diversas revistas e até programas de TV. A Fernanda é uma ótima amiga e eu fico muito feliz de ver ela dedicando suas horas de trabalho fazendo coisas pelas quais ela é apaixonada desde a adolescência.

Ufa, me empolguei, falei horrores e não deixei a Fernanda falar. Vamos à entrevista.
Quando foi que você notou que seu interesse por seriados de TV ultrapassava o do espectador comum?

Quando comecei a ler a respeito das produções, entrevistas com roteiristas, diretores, produtores; a ler sobre o mercado televisivo, etc, para tentar entender melhor o universo das séries de TV.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO (1958-1964), driblava a censura da época ao falar sobre questões sociais, políticas, religiosas e raciais usando narrativas fantásticas. A série foi tão marcante, que suas idéias já foram reaproveitadas em duas séries homônimas de 1985 e 2002. Até Steven Spielberg homenageou a série com um filme, batizado aqui de NO LIMITE DA REALIDADE (1983).


Hoje existem comunidades no orkut pra cada série de TV existente ou que existiu. Mas com quem você podia dividir essa paixão na adolescência, já que quando você tinha 15 anos, algo parecido com a internet só existia mesmo nos filmes e séries de Ficção-Científica?

Na verdade até mudar para Porto Alegre não dividia com ninguém. Não conhecia ninguém que gostasse de séries. Na época dependíamos de cartas de leitores publicadas em revistas e jornais especializados em cinema e televisão. Lá os fãs disso e daquilo, pediam que outros fãs escrevessem para se conhecerem. Foi assim que, nos anos 80, fui formando uma turminha com quem mantenho contato até hoje.

E como era para conseguir informações sobre suas séries e atores preferidos?

Tinha que importar tudo, não tinha material suficiente no Brasil. Mas naquela época era proibido. Não podíamos enviar dinheiro para fora do país sem enfrentar uma terrível burocracia. Tínhamos que importar via livrarias que cobravam o tal do dólar livro. Tínhamos correspondentes no exterior que às vezes mandavam alguma coisa. Para assinar uma revista era preciso enviar o dólar embrulhado em papel carbono dentro de um envelope, porque não tinha cartão de crédito internacional. Quando viajava trazia algumas coisas também. Era uma luta diária...

JORNADA NAS ESTRELAS (1966-1969) revolucionou a ficção-científica mostrando um futuro onde a humanidade vive a utopia de um mundo sem guerras e se dedica a explorar novos mundos. Exibiu o primeiro beijo interracial da TV, teve mais 5 séries abrangendo o universo criado por Gene Rodenberry e 11 filmes no cinema.


Você acha que sua participação no grupo GÊNESIS e no fanzine MILLENNIUM quando você era adolescente, podem ter te influenciado a fazer teu próprio fanzine?

Com certeza deu maior confiança de que este tipo de publicação era possível. Conviver com pessoas que faziam o fanzine Millennium me ensinou como as coisas funcionam nos bastidores. Mas só fui ter coragem de publicar um fanzine depois de ter passado pela experiência de colaborar com textos para E No Próximo Episódio - ENPE, porque até lá eu não acreditava que era capaz de escrever matérias.

Como foi produzir a TV LAND?

Começou mais como experiência, para saber se eu conseguia. Na época o ENPE estava acabando e eu recebia muitas cartas de pessoas perguntando informações sobre suas séries e atores favoritos. Então pensei em responder a todos ao mesmo tempo e ainda manter o prazer de falar sobre o assunto. Foi aí que surgiu o TV Land em 1995.


AS PANTERAS (1976-1981) foi uma série que ficou mundialmente conhecida mostrando lindas mulheres combatendo o crime. Até uma capa da revista TIME a série mereceu. A loira Farrah Fawcett foi um dos maiores ícones da beleza dos anos 70. E claro, tem dois filmes baseados no seriado.

E a revista TV SÉRIES?

A TV Séries surgiu em 1997 porque o TV Land cresceu tanto que se transformou em revista. Na época o Fernando Henrique Cardoso era o Presidente e ele equiparou o dólar ao real. Então foi possível investir na publicação em gráfica, porque antes era xerox. A capa ficou colorida, o interior ficou P&B. A revista ganhou um maior número de páginas e consegui uma pequena distribuidora para colocá-la em bancas especializadas de todo o Brasil. Os assinantes aumentaram e a venda avulsa também, além, é claro, do trabalho. Na época ninguém queria trabalhar na faixa, como é hoje, ou por pouco dinheiro, então fiquei sozinha, com a Marta Machado me ajudando (hoje ela me ajuda no Blog). Na hora de registrar o nome, tive que mudar de TV Land para TV Séries, porque nesse meio tempo surgiu o canal TV Land americano que registrou o nome a nível internacional para todos os veículos de comunicação. TV Séries era o título que eu tinha pensado primeiro e depois mudei para TV Land; então foi só mudar de volta.

Você tem dois livros sobre séries de TV publicados. Algum projeto para um próximo livro?

Estou tentando publicar um terceiro, mas como não é um texto de entretenimento, é um texto de levantamento histórico, está meio difícil encontrar uma editora. Apesar da fama das séries, elas ainda são vistas apenas como entretenimento, não são vistas como estudo ou como forma de análise de uma cultura. O texto que tento publicar é sobre a evolução histórica da televisão (com base nas séries) americana em relação ao cinema.
 
A GATA E O RATO (1985-1989) foi disparado a melhor série cômica policial dos anos 80. Seus diálogos espertos e a divertida tensão sexual entre Bruce Willis e Cybill Shepperd continuam servindo de referência para qualquer série do gênero até hoje.


Por experiência própria, sei que aqui no Brasil, muitos profissionais que desenvolvem trabalhos relacionados à área cultural acabam se desdobrando em várias atividades, seja por necessidade financeira como por pura paixão mesmo. Então, fora seus trabalhos free lancer como jornalista especializada em séries de TV, você também realiza outras atividades profissionais?

Durante cinco anos estive no meio teatral, atuando e ajudando a produzir peças. Também trabalhei em administração por um curto período de tempo, além de organizações de eventos. Tenho três diplomas universitários e um de curso técnico.

Sei que você é colecionadora de séries, entre outras coisas Poderia nos dar alguma idéia de quantas séries de TV você tem na sua coleção?

Perdi a conta. Guardo material de séries desde 1978 e gravo desde 1986, sendo que procuro guardar material e video por amostragem, ao menos um episódio de cada série produzida e exibida. Daquelas que gosto mais, gravo tudo.

FRIENDS (1994-2004) começou como apenas mais uma sitcom qualquer e terminou sendo um dos maiores sucessos da TV americana, com cada um dos 6 protagonistas recebendo um milhão de dólares por episódio na última temporada. Imperdível!


Pra finalizar, quais são suas 10 séries favoritas de todos os tempos?

Nossa, é o mesmo que perguntar à mãe qual seu filho favorito!!!!

E não deixe de conhecer o ultra informativo site TV SÉRIES!



segunda-feira, 8 de junho de 2009

JOGO DURO - Crítica

Jogo Duro é a vida dessa menina indiana e de seu irmão...



Pois é, a Rede Globo sempre inovando pra elevar a programação da TV aberta brasileira ao nível de inteligência de uma ameba.



JOGO DURO é mais um reality show gringo vagabundo comprado pela Globo e recriado por Boninho (diretor do BBB), onde os participantes tem que passar por “desafios” dignos de moradores de rua, que é basicamente catar dinheiro dentro de esgotos e outros lugares sujos, cheios de ratos, sapos, cobras e qualquer outro pobre animal que uma ou outra pessoa possa ter medo ou sentir nojo. Perde quem pega menos dinheiro, ou dinheiro demais. Ou seja, um perde pela incompetência, outro pela ganância. Surpreende também a quantia miserável que a Globo pagou aos dois competidores finais: Onze mil para um e menos de dois mil para outro. Até pode parecer muito pra quem ganha salário mínimo, mas deve ser o salário do Paulinho Vilhena para apresentar essa porcaria e certamente a Globo ganha 100 vezes mais com a venda de comerciais para o programa, já descontadas as despesas.



Mas não deixa de ser interessante notar que o reality show faz um retrato de boa parte da atual sociedade brasileira: gente disposta a chafurdar na lama e na sujeira para conseguir um flash de fama e conseguir pagar as contas ou dívidas.




Claro que os animais são todos limpinhos e muito provavelmente o esgoto não fedia, mas não consigo deixar de imaginar a evolução dos reality shows daqui há vinte anos, se eles continuarem indo nessa direção: programas onde os participantes terão que comer merda pra ganhar uma merreca (até já devem ter feito) ou então decidir qual membro da própria família matar para ganhar um carro zero.




E JOGO DURO, sinceramente, é o espectador aguentar ver mais um reality show mal realizado, burro e sem graça . Já para os participantes que se aventuraram no esgoto, o programa deveria se chamar O FUNDO DO POÇO.






MADONNA – BEAUTIFUL STRANGER (REMIX)



Essa divertida canção de Madonna faz parte da trilha da trilogia de filmes de AUSTIN POWERS. Ainda não conhece esse agente super-secreto?! Então dá uma olhada no clip lá no rodapé do blog.