segunda-feira, 7 de março de 2011
MEU SONHO – Crônica
O meu sonho, diferente do dele e bem mais egoísta, sempre foi o de voar.
Eu sei que não é exatamente o mais original dos sonhos, mas enfim, eu podia estar roubando, matando...
Bem, em meu sonhos, até onde lembro, já voei centenas de vezes.
Me lembro que isso começou na infância, entre os meus 7 e 10 anos, e eu tinha exatamente o mesmo sonho:
Estou parado na calçada em frente a minha casa e eu começo a correr em direção a uma outra calçada na mesma rua, mas com um degrau de diferença. Quando eu chego nesse degrau, eu não piso nele, eu simplesmente me jogo para a frente e começo a cair, como se tudo fosse real, até que a poucos centímetros de bater no chão, meu corpo pára em pleno ar e lentamente, eu começo a decolar como um avião, só que quase em câmera lenta. A minha rua onírica era idêntica a real, os prédios, as árvores, só não havia pessoas nem carros. Tudo absolutamente vazio. E lentamente eu subo até atingir determinado prédio e determinada copa de árvore. Sempre os mesmos pontos, sempre o mesmo sonho, durante anos.
Na minha infância, obviamente eu queria ser Superman e queria voar, mas não lembro de ter sonhado em ser Superman nem nada, apenas esse sonho onde eu lentamente me distanciava cerca de 100 metros da minha casa e nunca subia mais que 6 ou 7 metros de altura.
Um vôo bem frustrante, mas enfim, talvez isso significasse o meu medo de me distanciar da segurança da minha casa e dos meus pais. Talvez eu não ainda não estivesse preparado para vôos mais altos ;-)
À medida que os anos foram passando, as inseguranças infantis e adolescentes foram diminuindo e notei que meu domínio sobre meus vôos aumentava. Claro, isso varia muito, ainda tenho sonhos em que vôo em câmera lenta e próximo ao chão, mas na maioria deles eu tenho controle da direção, velocidade e altitude. Agora, tenho sonhos em que vôo a centenas de km/h (pelo menos é a impressão que tenho) e já cheguei no limite da atmosfera terrestre. Consegui ver o céu estrelado no meio do dia.
Agora é tentar atingir velocidade de escape para fugir da gravidade da Terra... ;-)
Eu aviso quando conseguir.
Mas enquanto eu sonho, tem gente que já voa. Assista o vídeo.
Por fim, uma dica para você lembrar melhor de seus sonhos: ao acordar, não pense em nada do que você tem que fazer, apenas concentre-se no que estava sonhando (quase sempre você está) e procure relembrar tudo. Isso ajuda a memorizar o sonho e a trazer de volta partes dele que você nunca mais lembraria se começasse a pensar em outras coisas, como levantar e escovar os dentes, por exemplo. Vale a pena ficar na cama um minuto a mais para isso.
Bons sonhos!
ENQUANTO ISSO...
275.000 VISITAS!
E vamos que vamos...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A PRIMEIRA MEMÓRIA – Biografia
Quando estava produzindo um seminário sobre performance para o grupo Projeto Max, um dos palestrantes, Fernando Bakos, comentou sobre a teoria da “primeira memória”.
Não lembro onde ele leu ou escutou falar sobre isso e não achei no Google (nem mesmo em inglês), mas a teoria é sobre o fato de que nossa primeira memória (o fato ou cena mais antiga de que nos lembramos) geralmente tem algo a ver com o que vamos ser ou fazer na vida adulta. Ou pelo menos, o que gostaríamos de estar fazendo.
Ele falou, então, sobre sua primeira memória e ela realmente tinha a ver com seu trabalho como performer multimídia. Minha ex-esposa também comentou que sua memória mais antiga tinha a ver com o que ela gostava de fazer.
Quanto a mim, o fato mais antigo de que tenho lembrança é de quando eu devia ter 3 anos de idade e lembro de descer uma escada que parecia em espiral em direção ao térreo. Do alto da escada, eu podia ver uma sala vazia e uma TV ligada onde a única imagem era estática. Devia ser bem cedo, pois nos anos 70 muitos canais de TV só começavam sua programação entre 7 e 9 da manhã. É, naquela época as TVs dormiam...
Eu lembro de sentir uma sensação de solidão, pois parecia não haver ninguém por perto, mas não era uma sensação ruim nem boa, eu apenas estava sozinho com a TV fora do ar.
Bom, eu até acho que dá para tirar várias interpretações/conclusões dessa cena, mas as que fazem sentido para mim são duas:
1) Eu gosto de ficar sozinho comigo mesmo, sempre gostei, mesmo tendo um irmão e uma irmã para brincar na infância.
2) A TV fora do ar é um mundo sem imagens e sem histórias e tendo sido ela um elemento chave para o desenvolvimento de meu amor pelo cinema e quadrinhos (através de desenhos animados), acabei voltando minha vida adulta para a criação de narrativas, roteiros e direção, em uma tentativa de preencher a tela vazia com minhas próprias histórias. Não fiz isso toda a vida, claro, e nem sei se voltarei a fazê-lo, mas a vontade está lá, de forma consciente, desde meus 14 anos de idade e continua.
Não sei o quanto dessa teoria pode ser comprovada, pois isso depende de como as pessoas são capazes de analisar suas primeiras memórias em relação ao que elas fazem ou gostariam de fazer em suas vidas.
E mais tarde descobri que 1% da estática que vemos na TV são sinais de rádio da irradiação original da criação do universo. Isso mesmo, o Big Bang passa pelas nossas TVs. Se eu tivesse virado astrônomo, poderia usar esta interpretação.
De qualquer forma, não deixa de se um exercício interessante de memória e auto-conhecimento.
E você, já pensou se sua memória mais antiga tem a ver com o que você gosta ou gostaria de fazer da sua vida? É claro que se você for muito jovem ainda, talvez tenha que esperar alguns anos para descobrir a relação.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
“ QUERIDO DIÁRIO...” - Memória
Velhas noites de boêmia no Tutti Giorni com meus amigos.Muitas idéias na cabeça e nenhum dinheiro no bolso.
Na foto: Kátia, eu, Rod e Drégus.
Quando eu tinha 21 anos, passei pelo trauma de perder meu primeiro grande amor para outra pessoa. Nessa época, toda a insegurança, masoquismo e auto-piedade que havia sentido dos 15 aos 19 anos, voltaram com uma força muito grande e quase incontrolável e eu me castigava psicologicamente quase todo dia e influenciado pela personagem Rachel do livro SHIKASTA de Doris Lessing, resolvi escrever um diário onde eu fosse totalmente sincero sobre minha vida e através dele conseguisse produzir insights e reflexões decentes sobre minha vida. E o principal, desabafar um pouco o meu sofrimento, que agora sei, eu era o principal causador.
Não sei se fui bem sucedido nisso, mas de qualquer forma, fiquei com um relato de 600 páginas sobre como eu me sentia entre 07.03.1989 e 06.07.1992. Ou seja, dos meus 21 aos 24 anos. É tudo um tanto patético e depressivo, mas enfim, é como eu era e me sentia naquela época. Muito mais imaturo e burro do que sou hoje. Mas hoje eu lido bem com isso, ou pelo menos acho que sim...
Eu não sou mais esse cara que está naquelas páginas, mas ele é parte minha, assim como eu serei parte do Jerri de 2030. Mas às vezes esse Jerri antigo reaparece, como quando minha ex-mulher foi embora. Mas pra minha sorte, ele não é mais tão forte quanto costumava ser.
Acho que foi uma boa experiência e teria sido bom continuá-la. Hoje muita gente faz isso em blogs confessionais, e algumas pessoas se expõem um pouco, outras se expõem demais, deixando que todo e qualquer desconhecido fique sabendo de sua intimidade. Isso pode ter seus efeitos negativos e positivos, como fazer amigos verdadeiros, ter seus textos publicados ou em alguns casos menos felizes, deixar pessoas que não gostam de você ter acesso à sua vida particular.
Eu acho que as pessoas que postam tudo sobre suas vidas em blogs são muito corajosas, mas também um pouco idiotas por fazerem isso. Mas as admiro, de qualquer forma.
Mas pra não ficar só na minha opinião, decidi ser um pouco corajoso e idiota e publicar aqui alguns trechos dos meus diários e pra não arriscar fazer censura de nada, selecionei trechos aleatórios com a ajuda de um dado.
Claro, os nomes foram trocados, pois a maioria dessas pessoas ainda fazem parte de minha vida.
TRECHOS DO CADERNO DE ANOTAÇÕES I
07.03.1989
(...) Que merda! Pensei na Fernanda, Nina e Tatiana. Vamos por partes. Primeiro a Fernanda. Fico pensando se ela não me deixou pelo dinheiro do Dimitri. O cara tem apartamento, ganha bem, etc. Um estereótipo do conquistador de mulheres. Bem, são os que ficam com as mulheres, não é?! Já estou esperando aparecer algum na frente da Nina. Aí ela me deixa. (...)
08.03.1989
(...) Vou dar um prazo de 3 meses. Não 2 anos como da outra vez. Fui muito trouxa. Ficaram tirando sarro da minha cara. Trouxa! Trouxa! Trouxa! Não está saindo nada que preste. Espero parar com isso.
20.03.1989
(...) Bem, a Fernanda acabou vindo, apesar de ter dito que não abriria a porta pra ela. Outra pessoa abriria. Mas eu mesmo acabei abrindo. Ficamos conversando no quarto. Ela falou sobre o Dimitri ser do tipo calhorda e que eu estava me tornando assim... Algo do gênero. Já não me lembro direito das coisas. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Emoção demais! Depois conheci a Bárbara e a Daisy pelo Tele-Amigos. A Bárbara disse pra eu encontrar ela no Bradesco da Azenha na segunda. Fui lá. Nenhuma Bárbara. (...)
21.03.1989
(...) Aliás, conheci a Thaís nessa noite (sexta) mesmo. Mas a Nina deu a entender que talvez ainda haja uma chance. Não sei. Disse que a minha foi a melhor boca que ela já beijou. É típico de mulheres, eu creio. Elas arrebentam, estraçalham comigo e depois tentam me remontar com beijinhos e elogios. Como se adiantasse alguma coisa... Vou tentar continuar a me corresponder com ela. Vamos ver até onde o Sr. Trouxa agüenta. (...)
01.04.1989
(...) O que vai acontecer com esse pedaço de carne depois da minha morte não me interessa. A Joana ligou atrás do meu irmão, como ele não tava, quis falar comigo (quando não se consegue comer a torta, o jeito é se contentar com pão velho). Vai ligar amanhã pra ir ver IMENSIDÃO AZUL comigo. He! He! Não vai ligar. Se ligar, não vai ir ao cinema.Se for ao cinema, não vai mais falar comigo depois de ter me conhecido. Se falar, é porque quer tirar um sarro da minha cara! Afinal, ela é prima da Helena. Não que eu me importe. Não vou saber mesmo se ela está ou não tirando com a minha cara. Infelizmente ainda não consegui mudar a minha cara de panaca e o meu “jeito trouxa de ser”. Um dia eu consigo!
08.04.1989
(...) Hoje a Adriana até fez carinho nom meu cabelo. Definitivamente, ela está mais sociável. Vai ver ela pensa que porque vou com aquelas roupas pra Megaforce, estou com dinheiro. He! He! (...)
15.04.1989
(...) Disse que não tinha nada pra falar pra ela (Fernanda) e por isso tínhamos que acabar com as ligações. Muito engraçado! Passa os fins-de-semana trepando e depois me liga dizendo “Tô com saudades, jujú!” É gozação ou não é?! ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!! Então, melhor cortar esses papos de aranha. Vem me pegar pra sobra, é?! Aqui, Ó!!! (...)
18.04.1989
(...) Felizmente ela (Giovana) não ligou, senão eu ia chegar em casa e ia ficar chateado. Hah!Cheguei a uma teoria interessantes sobre o motivo pelo qual eu não estou engordando, apesar de estar comendo muito mais do que antes. O fato de eu andar deprimido (quase) o tempo inteiro provavelmente me faz definhar e não deixa o organismo trabalhar direito. Quando a pessoa está feliz , o organismo trabalha melhor. É fato! Vai ficar difícil pegar corpo desse jeito... (...)
19.04.1989
Acho que a Giovana não vai mais ligar. Porquê? Porque acho que falei demais na segunda com ela. Falei de SEXO! Acho que ela ficou assustada. Eu não vou ligar enquanto ela não o fizer.
01.05.1989
(...) Mas no dia 27 (de abril) já havia passado e ela (Fernanda) me veio com essa. Me mandou uma carta dizendo que eu só queria bolo com merengue, mas que devia me contentar com o bolo. É claro que devo me contentar com o bolo. O merengue todo mundo já pegou e tá comendo. Só o panaca aqui ficou sem. Quando comecei a namorar a Fernada, pensei que o estigma de trouxa e perdedor havia acabado. Vejo agora que continuo com ele e nunca o senti tanto como agora. É rejeição atrás de rejeição. Eu sou carta fora do baralho. Sempre fui! (...)
07.05.1989
(...) Fiquei chorando enquanto a Fernanda dormia. Ela acordou lá pela meia-noite, mas ainda com sono. Começamos a conversar um pouco, deitados, e então ela me abraçou e disse: “Eu te amo, Dimitri!” Bah! Aquilo doeu fundo mesmo. Nós tínhamos acabado de fazer amor e ela me solta uma dessas... Foi como se ela tivesse me abraçado e me dado uma punhalada. Fechei os olhos e fiquei quieto naquela posição. Não queria falar, não queria me mover. Queria simplesmente deixar de existir, me anular, não pensar. A Fernanda ficava me chamando e eu não respondia. Aí ela começou a chorar. Fiquei arrependido por não ter falado com ela e tentei consolá-la, pedindo desculpas. Ela ficava pedindo desculpas também. Dizia que fazia tudo errado. Começamos a conversar. (...)
30.05.1989
(...) Fui ao cinema com a Giovana. Bem, vimos uns 15 minutos de filme apenas. Não quis forçar muito as carícias porque ela já devia estar confusa com todo esse problema da família e mais eu no meio. Muita coisa junta. Saímos de lá e fomos conversando até o centro, onde pegamos uma lotação pra casa dela. Longe pacas. Dei a ela o cartão que havia comprado. Ela adorou. Quando descemos, fomos andando até a casa dela e cruzamos com uns caras no caminho e um deles deu uma risada esganiçada ao passar por nós. Era o irmão dela. Já deu pra sentir o nível do cara. Achamos melhor que eu não entrasse naquele dia, pra não complicar as coisas. (...)
01.06.1989
Bem, fiquei esperando a Eliane no McDonald’s. Atrasada. Estava esperando que ela não fosse. Acho que teria sido melhor assim. Bem, ela apareceu e fomos ver A FERA DA GUERRA. Ótimo filme. Surpreendente. Tanto quanto CAÇADOR DE ASSASSINOS. Depois do filme ela me convidou pra tomar um suco. Ficamos no bar até a 1 da madrugada. Falamos de muitas coisas, entre as quais, sexo. Ela adora fazer, pelo que disse. Mas eu não tenho nada a ver com isso, certo? Certo! Nem sei porque escrevi isso. O chato de escrever os fatos muito tempo depois do acontecido é que as idéias mudam. Mas na hora estava achando ótimo. (...)
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Bem, agora vou pensar duas vezes pra ver se publico trechos do CADERNO DE ANOTAÇÕES II.
E pra quem estranhou muito esse lado um tanto desconhecido, é como eu disse pra uma amiga que esteve passando por uma fase muito ruim, mas que aos olhos dos outros está sempre alegre e divertida: “O palhaço é sempre a pessoa mais triste do Circo.”
terça-feira, 21 de julho de 2009
MINHA AVÓ
Minha avó Maria nasceu em 1919 lá no interior de Santa Catarina e vai fazer 90 anos em dezembro. Minha avó tem a mesma idade da minha escritora preferida, Doris Lessing, que em 2007 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Mas a minha avó nunca aprendeu a ler.
Mas naquela época a maioria da população brasileira era analfabeta e ela se acostumou com isso. E conseguiu sustentar seus dois filhos pequenos depois que o meu avô, que nunca conheci, morreu atropelado por um caminhão enquanto dirigia sua bicicleta.
Através dos relatos da minha mãe, sei que ela teve suas desavenças com minha avó, mas eu nunca conheci a mãe de minha mãe, apenas conheci a minha avó e posso dizer que nunca tive problema algum com ela. Na verdade, só alegrias. Claro que o fato de você nunca ter vivido o dia-à-dia com uma pessoa favorece que você esteja longe nos maus momentos dela e assim, evitam-se conflitos. É uma posição muito confortável a minha, mas não saberia dizer se esta é uma posição egoísta ou não, visto que hoje minha mãe, que mal consegue andar, tem que cuidar da minha avó e meu tio, filho da minha avó, mora com a esposa e uma filha em um apartamento de dois domritórios e o trabalho ocupa a maior parte do tempo dele.
Hoje estamos procurando um bom asilo para alojar minha avó, que sempre disse que queria ir para um, mas segundo me disseram, muda de idéias às vezes. Na minha frente ela sempre disse que queria ir. Como disse, minha mãe não tem condições de cuidar dela. Apesar de minha avó subir e descer escadas regularmente e caminhar sozinha pelos corredores dos blocos onde mora, ela não tem mais condições de cozinhar e arrumar a casa, coisas simples mas que demandam uma certa concentração e esforço dos quais minha avó não é mais capaz.
Mas o que eu queria mesmo dizer era que minha avó querida, apesar de analfabeta e ignorante a respeito de quase tudo do mundo moderno, me levou pra assistir 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO quando eu tinha 8 anos de idade. Um filme legendado que quase não tem diálogos, mas que mesmo hoje, a maioria dos adultos não entende. Minha avó, acredito, não deve ter entendido nada, mas ela sabia que eu gostava de naves espaciais e meu levou mesmo assim. Eu, claro, também não entendi nada na época, e logo esqueci todo o filme, mas a cena em que o computador HAL é desligado e a música “ALSO SPRACH ZARATHSUTRA” (Assim Falou Zarathustra) de Strauss ficaram gravados na minha memória inconsciente pra sempre e durante 10 anos eu escutei maravilhado essa música tocando em comerciais, rádio e até em outros filmes, sem saber de onde era. Até que eu revi o filme novamente e lembrei.
E hoje, mais de 30 anos depois, estou chegando a conclusão que provavelmente foi minha avó analfabeta e ignorante que me proporcionou a minha primeira experiência cinematográfica genuína, que acabou por detonar meu amor pelo cinema de Ficção-Científica(e ela ainda me levou pra ver GUERRA NAS ESTRELAS depois), pela música clássica e talvez por tabela até minha quase obsessão pelo conceito do super-homem do filósofo alemão Niesztche, que escreveu o livro ASSIM FALOU ZARATHUSTRA, ao qual a música presta homenagem. Até minha graphic novel vem daí.
Eu nunca falei isso pra ela.
Talvez ela nem se lembre daquela sessão, mas isso é certamente algo que ela vai ficar contente de saber.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
JERRI DIAS: A MINI-BIOGRAFIA - Parte I
Esse post é para todos aqueles dois ou três leitores(as) que pediram para saber mais da minha vida.
Na verdade produzi esse texto em 1999 para a cadeira de produção textual da faculdade de Letras, então, na parte II vão vir os últimos 10 anos.
JERRI DIAS - Uma Mini-Biografia Com Muitas Partes Omitidas
Primogênito de uma prole de três, tive toda a atenção e carinho de meus pais e avós voltadas exclusivamente para mim até o nascimento de meu irmão, onze meses após, o quê segundo meu psicólogo me disse vinte e cinco anos depois, pode ter sido a principal causa de minha bronquite. Se aos onze meses eu soubesse que essa tática da bronquite para chamar atenção fosse me trazer tantos problemas mais tarde, eu certamente teria optado por meios mais sutis.
Já na escola, era um tipo muito brincalhão. Adorava o balanço, a gangorra e todos aqueles brinquedos que a professora nos dava para brincarmos. Ela tinha uma filha pequena que estudava na mesma turma e alguns colegas espalhavam boatos de que eu gostava dela. Como eram ingênuos os meus colegas do jardim da infância... eu gostava mesmo era da mãe dela! Acho que daí veio a minha atração por mulheres loiras de óculos - coisa que durou até os meus dezesseis, quando me apaixonei por uma morena de óculos.
Com o passar de alguns anos, meus interesses se multiplicaram rapidamente e de jornalista, passei a querer ser astronauta e a seguir, aos nove anos, paleontólogo. E apesar de minha mente vagar durante alguns anos pelas florestas jurássicas, fazendo com que nos círculos familiares fosse conhecido como o intelectualzinho da família (a palavra nerd ainda não era utilizada), consegui manter meu interesse pelo esporte, em especial natação e a ginástica olímpica. Quanto ao futebol, dediquei à ele 10 anos de minha vida, pendurando as chuteiras aos 15 anos.
Mas os anos 80 chegavam junto com a moda totalmente indefinida e rídicula. Na época não ligava para essa coisa toda, mas olhando velhas fotos, vejo que ninguém vestia-se bem na época. Estávamos quase no futuro que se costumava ver nos filmes de ficção científica, quando no ano 2000, diziam, os carros voariam e os bebês seriam todos de proveta. Para preparar-me para tão moderna era fiz novas amizades em um novo bairro para o qual havia me mudado. Com essas amizades, aprendi a apreciar quadrinhos como arte, tomei contato com a doutrina espírita, passei a pesquisar discos-voadores e a sentir estranhas sensações perto de garotas. Datam dessa epóca minhas viscerais crises de paixões não concretizadas por uma colega de aula loira, a irmã loira de um amigo e uma amiga cinco anos mais velha (a tal morena de óculos!).
Porém, nem tudo era esquisito ou frustrante na minha adolescência, afinal eu começava a ganhar mesada e dinheiro fazendo pequenos bicos para os vizinhos, possibilitando a compra de muitos gibis e muitas idas ao cinema, o que junto com a literatura, acabaram tornando-se para mim o que a divina trindade é para os católicos.
Hoje, perto do novo milênio - sem sinal de carros voadores - , começo um novo capítulo em minha biografia, que é a tardia entrada na universidade, onde após muitas aventuras e desventuras amorosas e artísticas, buscarei aprimorar-me em prol da salvação da humanidade.
Mas se não der para salvar a humanidade, espero pelo menos poder salvar a minha.
Continua...


