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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

JERRI DIAS de A – Z - A Autobiografia

Foto de comercial de margarina (ou de Nescau).
Meu irmão Jacques rezando pela alma da despudorada da minha irmã Jacqueline, eu brincado de Ultraman e usando o pão de cápsula Beta e minha avó Maria não fala nada, só observa. 
Foto tirada entre 1975 e 1977.


H de HERÓI

Desde pequeno sempre fui ousado e destemido quando se tratava de arriscar minha integridade física. Machucados, cicatrizes, torções, ossos quebrados, nada me impedia de escalar uma árvore pra brincar de Tarzan, pular um muro e roubar os doces da vizinha pra brincar de ladrão, provocar um rotweiller pra sair correndo... Ah, a adrenalina daqueles dias... E minhas façanhas não passavam despercebidas pela vizinhança e nem pelos meus pais, que volta e meia me colocavam de castigo ou me davam chineladas mesmo.

Mas eis que os dias de glória vieram quando uma vizinha esqueceu a chave do lado de fora da casa dela. Nossas casas tinham dois andares, eram grudadas uma na outra e dividiam a mesma sacada, separadas por um muro impossível de atravessar... a não ser pendurado por uma grade. Vendo o desespero da vizinha, eu me ofereci para atravessar a grade de um lado para o outro a uma altura de 5 metros, o que, para uma criança de 11 anos era bastante alto. Até hoje fico imaginando como meus pais deixaram eu me arriscar desse jeito. Fico meio desconfiado...

Depois desse bem sucedido feito heróico, outros vizinhos começaram a me chamar para subir escadas pelo lado de fora do prédio até o 3° andar para entrar pela janela, subir árvores para pular pro outro lado do muro... Vou te contar, meus vizinhos economizaram uma fortuna em chaveiros e nunca me pagaram um sorvete sequer. Bando de mão-de-vaca! 

A seguir... I de IDIOTA


domingo, 26 de maio de 2013

O POPULAR - Literatura



Primeiro livro de crônicas e contos de Luis Fernando Veríssimo lançado em 1974, o autor já destilava criatividade, bom humor e diálogos geniais através de personagens que retratavam uma classe média tão humana, engraçada e patética quanto eu, você e o próprio autor. São 49 textos falando sobre tudo e nada, sobre assuntos importantes ou completamente absurdos, mas todos tratados com a inteligência e sagacidade típica de um Veríssimo que alguns anos depois se tornaria um dos autores mais lidos do país.

Compre no link nos comentários.

O POPULAR


quarta-feira, 25 de maio de 2011

O HOMEM QUE QUERIA FICAR DE PÉ - Crônica



Nove e meia da manhã, esperando o Agronomia que não chegava nunca. Do outro lado da Borges, outros como eu esperavam a mesma coisa, só que os deles chegavam. Queria aproveitar o tempo pra ler, mas baixar a cabeça era um risco que eu não podia correr. Comecei a olhar pra parada do outro lado, pra observar as pessoas, não tinha muita coisa pra ver; uma garota fumando, duas velhas conversando sobre crochê ou trocando alguma receita, um homem de meia-idade segurando uma pasta de couro e olhando insistentemente pro relógio e outras simplesmente trocando o peso de uma perna pra outra enquanto enchiam o saco de esperar. Chegaram duas surdas-mudas trocando sinais; sempre quis aprender isso, não que eu tenha amigos surdos, mas seria legal “ouvir” suas conversas sem que eles soubessem. Principalmente essa, que começava a esquentar, uma delas sacudindo com gestos nervosos e fazendo cara de raiva pra a outra, que aparentemente tentava se explicar. Nunca tinha visto uma discussão entre surdos-mudos e aquela estava me entretendo deveras quando o ônibus delas chegou e elas embarcaram.

Acompanhei seu ônibus até ele sumir na lomba do viaduto, olhei as horas, estava atrasado de novo para a aula, azar. Voltei pro meu passatempo e não tinha nada de interessante na parada do outro lado da rua, só esse velho de calção e camiseta sentado no chão uns dez metros da parada. Foi aí que eu percebi que ele estava tentando se levantar, devia estar podre de bêbado. Olhando seu esforço para levantar comecei a achar que não estava bêbado, que era só um velho sem força nos braços e pernas. Apoiando seus finos braços contra o chão, ele tentava se erguer num patético impulso uma, duas, três, quatro vezes. Apoiava-se num só braço na tentativa de virar de lado, ficar de quatro e aí então, erguer-se. Se mal conseguia se manter com dois braços, imagine com um. Desistiu, olhou para os lados, as pessoas passavam por ele, algumas desviando o olhar pra ele mas nenhuma percebendo seu drama. Eu era o único espectador daquele momento patético na vida de um homem. Solidário com ele em pensamento, atravessei a rua, estendi-lhe uma mão amiga e o ergui. A partir daí via-me perguntando se ele precisava de algo mais e ele dizendo que sim, que precisava de ajuda e eu tendo que pegar o meu ônibus acabava decidindo ajudar o velho e ele me perdiria algo que eu não estaria em condições de fazer como levar ele para sua casa numa favela no cú do mundo e eu só queria ir pra minha aula, já estava com excesso de faltas.

O velho, a essa altura tinha percebido uma placa de Proibido Estacionar perto dele e estendia o braço, tentando alcançá-la. Se conseguisse agarrá-la, levantaria-se sem precisar de ajuda. Fiquei contente pelo velho. Após estender o braço algumas vezes em vão, o velho percebeu que tinha que arrastar sua bunda pelo chão pra conseguir chegar até a placa e assim o fez, sua mão agarrou-se firmemente na barra de ferro da placa e ele puxou seu corpo contra a placa. Nada. O velho percebeu que precisaria colocar mais força em seu braço, puxou e seu corpo ergueu-se uns poucos centímetros do chão, manteve-se assim por uns poucos segundos e caiu de novo e eu quase atravessei a avenida desta vez. O velho, sem mais alternativas, estendeu sua mão a um rapaz que passava, o rapaz parou, segurou seu braço, ergueu-o e o calção do velho caiu. O rapaz, constrangido com o velho de cuecas, deixou ele ali, segurando-se na barra de ferro com o calção aos seus pés. As pessoas passavam, algumas riam, outras sacudiam a cabeça em reprovação, a maioria simplesmente ignorava. O velho baixou lentamente seu braço esquerdo, alcançando o calção com dificuldade, vestiu-o e com uma mão no calção e outra na placa de Proibido Estacionar olhou em volta. Largou a placa e caminhou lentamente até um banco e sentou. Meu ônibus finalmente chegou, embarquei e meu último olhar para o velho viu-o deitar-se sobre o banco para dormir. Abri minha pasta e peguei um livro para estudar, ia chegar atrasado na aula.


Porto Alegre, maio de 2003.


ENQUANTO ISSO...

De 2009 pra cá tenho sido entrevistado pela Denise Lima, do curso de Jornalismo da faculdade Veiga de Almeida de Cabo Frio (RJ), que escreveu uma monografia sobre os meus dois blogs, esse e o do site da CAPRICHO.
Já havia sido citado antes em uma monografia sobre a revista CAPRICHO, mas nunca imaginei que iriam fazer uma sobre o meu trabalho.
O título é...
COMUNICAÇÃO NA BLOGOSFERA:
Blog do Jerri Dias como ferramenta jornalística e comercial

Se ela liberar, depois posto uma palhinha aqui.


300.000 Leitores!


Na verdade, 90% devem ser leitoras... ;-)

segunda-feira, 7 de março de 2011

MEU SONHO – Crônica



Como disse Martin Luther King: “Eu tenho um sonho...”

O meu sonho, diferente do dele e bem mais egoísta, sempre foi o de voar.
Eu sei que não é exatamente o mais original dos sonhos, mas enfim, eu podia estar roubando, matando...
Bem, em meu sonhos, até onde lembro, já voei centenas de vezes.
Me lembro que isso começou na infância, entre os meus 7 e 10 anos, e eu tinha exatamente o mesmo sonho:

Estou parado na calçada em frente a minha casa e eu começo a correr em direção a uma outra calçada na mesma rua, mas com um degrau de diferença. Quando eu chego nesse degrau, eu não piso nele, eu simplesmente me jogo para a frente e começo a cair, como se tudo fosse real, até que a poucos centímetros de bater no chão, meu corpo pára em pleno ar e lentamente, eu começo a decolar como um avião, só que quase em câmera lenta. A minha rua onírica era idêntica a real, os prédios, as árvores, só não havia pessoas nem carros. Tudo absolutamente vazio. E lentamente eu subo até atingir determinado prédio e determinada copa de árvore. Sempre os mesmos pontos, sempre o mesmo sonho, durante anos.

Na minha infância, obviamente eu queria ser Superman e queria voar, mas não lembro de ter sonhado em ser Superman nem nada, apenas esse sonho onde eu lentamente me distanciava cerca de 100 metros da minha casa e nunca subia mais que 6 ou 7 metros de altura.

Um vôo bem frustrante, mas enfim, talvez isso significasse o meu medo de me distanciar da segurança da minha casa e dos meus pais. Talvez eu não ainda não estivesse preparado para vôos mais altos ;-)

À medida que os anos foram passando, as inseguranças infantis e adolescentes foram diminuindo e notei que meu domínio sobre meus vôos aumentava. Claro, isso varia muito, ainda tenho sonhos em que vôo em câmera lenta e próximo ao chão, mas na maioria deles eu tenho controle da direção, velocidade e altitude. Agora, tenho sonhos em que vôo a centenas de km/h (pelo menos é a impressão que tenho) e já cheguei no limite da atmosfera terrestre. Consegui ver o céu estrelado no meio do dia.

Agora é tentar atingir velocidade de escape para fugir da gravidade da Terra... ;-)
Eu aviso quando conseguir.

Mas enquanto eu sonho, tem gente que já voa. Assista o vídeo.





Por fim, uma dica para você lembrar melhor de seus sonhos: ao acordar, não pense em nada do que você tem que fazer, apenas concentre-se no que estava sonhando (quase sempre você está) e procure relembrar tudo. Isso ajuda a memorizar o sonho e a trazer de volta partes dele que você nunca mais lembraria se começasse a pensar em outras coisas, como levantar e escovar os dentes, por exemplo. Vale a pena ficar na cama um minuto a mais para isso.


Bons sonhos!


ENQUANTO ISSO...

275.000 VISITAS!

E vamos que vamos...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

GANHEI CORAGEM - Crônica


Rubem Alves (1933 - ) é psicanalista, educador, teólogo e escritor. Autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

Se gostar da crônica, não deixe de visitar a A Casa de Rubem Alves para ler muitas outras.

GANHEI CORAGEM

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.



A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre...“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo... Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“...

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol...). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

Folha de São Paulo, 05/05/2002


quinta-feira, 11 de junho de 2009

CANSEI DE SER NORMAL – Blog Convidado

Amélie Heringer é uma adolescente de 16 anos que mora na Inglaterra, tem uma personalidade que não a deixa ser levada pelos outros e por modinhas de ocasião e ainda por cima escreve sobre qualquer assunto num estilo muito próprio e divertido. Eu me identifiquei com muita coisa que ela escreve, e não foi só com as situações da minha adolescência....
Mas não estranhe se topar com ela em Ibiporã, no Paraná e ela atender pelo nome de Bárbara.

O texto abaixo foi extraído do blog dela.

Ewan McGregor é escocês legítimo.


Brasileira Não-Praticante

Não digo que sinto vergonha do meu país.
Talvez sinta um pouco.
Tá, eu sinto.
Mas, ao longo da minha (não tão longa) vida, eu descobri algo que me fez ver claramente as coisas.
Eu simplesmente não nasci no lugar certo.

A começar pelo clima.

Tenho dermatite alérgica, quer coisa coisa pior do que o calor?!
Além do calor climático, o calor humano.
Cara, eu não sou “acolhedora” como a minha pátria.
Pra ser sincera, eu não sou nada acolhedora.
Detesto visitas.Tem que gostar muito da pessoa pra gostar dela dentro da minha casa.

Outro fator muito importante: a falta de justiça e a corrupção.

Sem falsa modéstia:
Eu sou honesta e tento ser o mais justa possível.
Isso me lembra que semana passada, faltando 2 minutos pra começar a bateria de provas, um cara ( cof, cof, atchim, RAFAEL) me ameaçou se eu não passasse cola pra ele.
Eu ri na cara dele.
E expliquei que não passo cola, porque simplesmente acho anti-ético.
Acho que ele não entendeu o meu recado e no meio da prova começou a sussurrar, me pedindo cola.
E eu, sussurrando, mandei ele se fuder.
Voltando ao ponto inicial, as pessoas sabem o que é errado e o que é certo e preferem fazer o errado por comodidade.
E pior do que isso, os nossos governantes são assim.
Grande exemplo que eles nos dão.
E eu realmente tenho vergonha de morar aqui.
Mas acredito no meu país e sei que ele pode melhorar.
Nem um pouco patriótico da minha parte dizer isso mas, se eu pudesse escolher, gostaria de ter nascido na Escócia, já viram as sainhas que eles usam?!
Será que as mulheres também usam?!
Bom, eu particularmente acho lindas!
Tá, isso foi bem fútil da minha parte, estava brincando (sim eu sei ser engraçada).
Na verdade eu escolheria a Inglaterra, porque é meu país favorito no mundo todo.
Nem eu sei porque.
Um amor antigo pelo país da rainha. Hahahahaha! (viu, eu sei ser engraçada)

E por fim...

Eu não saio em blocos de carnaval, não uso biquíni, não bebo caipirinha, nunca fui ao Cristo Redentor, detesto samba, não sou bonita, não jogo futebol, e definitivamente nunca dançaria créu.


Quer ler mais?


CANSEI DE SER NORMAL

Identifique-se!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

L. I. V. R. O. – Millôr Fernandes

Minha estante principal de livros. Dentro tem algumas centenas de gibis e revistas...


Este é um texto que transcrevo direto da coluna do genial Millôr, das páginas da VEJA (9 de abril de 2008). Tentei achar na internet, mas só encontrei versões adulteradas. A coluna não está toda transcrita, copiei, sem cortes ou adições, apenas o trecho onde ele fala sobre o L.I.V.R.O.

Eis o trecho da coluna PRÉ – E – PÓS MARAVILHAS.

“(...)

Defendendo passado-vivo no presente, já publiquei aqui uma análise do precursor do Computador, o Livro, que muitos julgam extinto:

L.I.V.R.O. Local de Informações Variadas Reutilizáveis e Ordenadas. É um insuperável conceito de tecnologia de informação.

L.I.V.R.O. não tem fios nem baterias. Não é conectado a nada facílimo de usar – qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo.

É formado por seqüência de páginas numeradas, como milhares ou milhões de informações. As páginas são unidas por um sistema de lombadas, que as mantém automaticamente em seqüência correta.

Dados inseridos nas duas faces da folha duplicam a aquantidade de dados e reduzem custos. Um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo a próxima página. Nunca apresenta “erro geral de digitação” nem precisa ser “reinicializado”. E a informação fica no local em que você a deixou mesmo com o L.I.V.R.O. fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo sem necessidade de configuração.

Inseparável do L.I.V.R.O. está o mais simples e prático computador que conheço – o L.A.P.I.S. Numa ponta o Processador de Texto. Enquanto o computador moderno nos permite escolher apenas entre 234 fontes, o L.A.P.I.S. oferece fontes infinitas, pois cada pessoa tem uma fonte, chamada “caligrafia” pessoal.

E pra tornar a letra negrita, basta a pessoa aumentar a pressão. Tudo muito sensual. Sensualidade inteiramente ausente no Computador atual.

No outro extremo do L.A.P.I.S. você tem o Deletador, chamado borracha, como o qual apaga facilmente qualquer erro cometido.

Em tempo e importantíssimo: tanto o L.I.V.R.O quanto o L.A.P.I.S. não enguiçam!

(...)”

E junto com o vídeo sobre revolução digital, já dá o que pensar....

Post novo no blog da Capricho.

E o Jizz In My Pants está de volta aqui no blog! Dois posts abaixo. Mas por algum motivo idiota, o You Tube tirou do ar somente as versões legendadas. Agora, só para quem manja inglês...

sábado, 25 de outubro de 2008

DA MINHA INCAPACIDADE

Arte de Kevin Nowlan

Esse texto foi escrito para a cadeira de Produção Textual quando eu cursei Letras na UFRGS. O tema proposto era sobre um "momento de descoberta que tenha levado algum tempo para se dar conta". Um tema meio cabeludo e um tanto vago e... bem, acabei escrevendo esse texto. Não sei se elé é um texto bacana, mas pelo menos acho que está bem escrito o suficiente para não ser chato. E tem post novo lá no blog da Capricho.

DA MINHA INCAPACIDADE

Quando soube do tema dessa dissertação, achei ok, embora de imediato não conseguisse relembrar de nenhum fato relevante que tenha levado semanas, meses ou anos para compreendê-lo. Ao aproximar-se o prazo de entrega, tentei buscar em meus arquivos mentais, algo que valesse a pena como uma demonstração de amadurecimento ou reconhecimento de minha parte e que meus colegas ouvintes e/ou leitores percebessem isso.

Mas à medida que avançava pelas gavetas ia encontrando somente fatos intímos ou escabrosos demais para contar em uma aula de produção textual. E ainda no primeiro semestre, onde todos mal se conhecem. Se alguns já ficaram nervosos apenas apresentando-se, o que poderia acontecer com essas pessoas tendo que expôr-se mais ainda? É claro que eles e mesmo os que não ficaram nervosos, não o farão. Posso estar enganado, como estou a maior parte do tempo, mas creio que 90% dos meus colegas contarão fatos inofensivos para não se expôrem. É claro, isso não é uma cadeira da psicologia, mas eu tenho essa tendência de crer que se você vai escrever sobre sua vida ou a dos outros e não vai fazer piadinhas sobre isso, você deve tentar um certo aprofundamento.

Conversando com uma colega e mais tarde com outros, percebi que todos, assim como eu, estavam meio confusos sobre o que contar ou mesmo se deveriam contar. Pensei em contar sobre a separação de meus pais que ocorreu quando eu tinha dezessete anos, mas na época eu já achava que isso havia acontecido tarde. Pensei em falar de como percebi que o ciúme pelo meus irmãos havia ocasionado minha bronquite, mas quando isso aconteceu eu era tão pequeno que não saberia nem dizer se eu estava vivo ou morto e tendo sido um processo inconsciente, não serviria para o exercício proposto em aula. Pensei também em outras coisas banais demais para serem citadas e pensei mesmo em criar um falso texto sobre como só compreendi que era diferente dos demais seres humanos quando recebi uma mensagem de meus verdadeiros pais extraterrenos. Mas achei que isso não colaria, por isso decidi escrever sobre a tardia compreensão de que seria incapaz de contar algo psicológicamente relevante como realmente gostaria para a classe do modo como faço com outras pessoas.

Talvez um outro dia...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

BEM CAPRICHADO - Blog Convidado

O BEM CAPRICHADO é o blog da Natália Dias, que não é minha parente até onde eu sei e que é uma adolescente como (quase) qualquer outra, pois uma das paixões dela é escrever contos e crônicas auto-biográficas, coisa que ela faz com talento, sensibilidade e bom-humor. Claro que assim como qualquer blogueira ou escritora, tem dias que a inspiração não vêm para ela, mas quando vêm, você lê belos textos... como esse que posto abaixo.
Depois de se emocionar, clique aqui para visitar o blog dela.

Children on the Beach - Mary Cassat, 1884

UMA HISTÓRIA DE AMIZADE...

Eu tinha 5 anos e na minha escolinha perfeita, eu vivia minha vidinha perfeita. Até que ela entrou na escola. No começo achei ela bem metida, mas fui simpatizando... Até que ficamos amigas, muitos amigas, amigas inseparáveis. E mesmo ela sendo um ano mais nova do que eu, nós éramos as melhores amigas do mundo.
Quando soube que eu fazia ballet, ela quis fazer também. E de tanto ela insistir, a mãe dela a colocou no ballet comigo, e como se não bastasse, na natação também. E então, nós fazíamos tudo juntas e quase nunca brigávamos. Entrou uma outra menina na escola e então nos tornamos três inseparáveis, cada dia uma ia na casa da outra, os irmãos também se davam bem, éramos o trio perfeito.
Então, quando eu fiz 7 anos, precisamos mudar de escola. Minha mãe já havia decidido a minha escola, e mesmo que a mãe dela não quisesse, acabou tendo que colocá-la junto comigo, de tanto que ela insistiu. Voltamos a ser só duas, nunca mais vimos a outra. Nossas mães se conheciam, a família dela me adorava e a minha a adorava.
Mas nessa outra escola, nossa amizade se afastou um pouco. Ainda íamos uma na casa da outra, brincávamos depois da aula, mas ela tinha suas amigas e eu as minhas. Então, quando completei 9 anos, precisei mudar de escola de novo e fui para a escola que ela foi para não me separar dela.
Só que nessa outra escola, eu me juntei com o grupo das populares e esnobava ela. Fiquei chateada quando ela arrumou outra menina para chamar de 'melhor amiga', via ela cada vez menos, só de vez em quando...
E aí eu recebi a notícia: Ela ia se mudar. Na hora eu fiquei triste, muito triste, tudo bem que havíamos nos separado um pouco, mas ela estava perto de mim e eu dela. Na semana da véspera da viagem, eu ia na casa dela ou ela vinha na minha todos os dias, trocamos cartinhas de despedidas, nos chamamos de melhores amigas e juramos que "independente de qualquer coisa, uma ia ser SEMPRE a MELHOR amiga da outra".
Pronto, ela se mudou. Eu a visitei nas férias, nós nos divertimos. E eu conheci a amiga dela. Fiquei com um pouco de ciúmes, mas acreditava que nada ia superar nossa amizade. No aniversário dela eu fui pra lá e no meu, ela veio. Trocávamos e-mail, conversávamos por MSN, mas cada vez tínhamos menos assuntos. Daí, já tinham sido 8 anos de amizade.
Eu dei pra ela de aniversário, um colar de melhores amigas, mas ela já tinha outro, de outras meninas, e eu fiquei triste.
Mas, então, ainda estava tudo bem.
Chegaram as outras férias e eu não pude ir até ela nem ela veio pra cá. E minha mãe disse "é, aos poucos a amizade vai acabando, fazer o quê, né.", e eu fiquei muito triste, eu não queria que acabasse, nós éramos melhores amigas...
Mas daí eu percebi, a realidade dela agora era outra. Ela ia ao shopping todos os dias, tinha uma melhor amiga (que NÃO era eu), estudava num colégio super legal. E quando eu contei a ela que tinha menstruado, ela me contou que já tinha menstruado também. É, eu fora tão amiga dela, sem segredo nenhum e ela nem me contou. Depois ela me disse que perdeu o BV, antes de mim.
Era fato: Ela vivia em outra cidade, tinha outra melhor amiga, outros gostos, ela era outra, e a nossa amizade já era passado. Agora nós não nos mandamos depoimentos e não conversamos no MSN quando estamos on-line.
E eu morro de saudades dela, mas visitá-la não adiantaria nada, porque a MINHA AMIGA não existe mais, agora ela é outra pessoa e nem sequer se lembra de mim. Talvez o ano que vem ela me mande um depoimento dizendo "hoje fazemos 9 anos de amizade", mas, pra mim, essa amizade durou só 8 anos e ACABOU, infelizmente...

Pronto, desabafei.
Beijos.