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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

JERRI DIAS de A – Z - A Autobiografia

Foto de comercial de margarina (ou de Nescau).
Meu irmão Jacques rezando pela alma da despudorada da minha irmã Jacqueline, eu brincado de Ultraman e usando o pão de cápsula Beta e minha avó Maria não fala nada, só observa. 
Foto tirada entre 1975 e 1977.


H de HERÓI

Desde pequeno sempre fui ousado e destemido quando se tratava de arriscar minha integridade física. Machucados, cicatrizes, torções, ossos quebrados, nada me impedia de escalar uma árvore pra brincar de Tarzan, pular um muro e roubar os doces da vizinha pra brincar de ladrão, provocar um rotweiller pra sair correndo... Ah, a adrenalina daqueles dias... E minhas façanhas não passavam despercebidas pela vizinhança e nem pelos meus pais, que volta e meia me colocavam de castigo ou me davam chineladas mesmo.

Mas eis que os dias de glória vieram quando uma vizinha esqueceu a chave do lado de fora da casa dela. Nossas casas tinham dois andares, eram grudadas uma na outra e dividiam a mesma sacada, separadas por um muro impossível de atravessar... a não ser pendurado por uma grade. Vendo o desespero da vizinha, eu me ofereci para atravessar a grade de um lado para o outro a uma altura de 5 metros, o que, para uma criança de 11 anos era bastante alto. Até hoje fico imaginando como meus pais deixaram eu me arriscar desse jeito. Fico meio desconfiado...

Depois desse bem sucedido feito heróico, outros vizinhos começaram a me chamar para subir escadas pelo lado de fora do prédio até o 3° andar para entrar pela janela, subir árvores para pular pro outro lado do muro... Vou te contar, meus vizinhos economizaram uma fortuna em chaveiros e nunca me pagaram um sorvete sequer. Bando de mão-de-vaca! 

A seguir... I de IDIOTA


sábado, 3 de maio de 2014

JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia

Copacabana, janeiro de 1974.
Meu irmão Jacques, eu, minha irmã Jacqueline e nossa mãe Geni.
Na época da Ditadura, mulheres não podiam andar expostas e tinham que se cobrir com toalhas. Até mesmo minha irmã de 4 anos tinha que se dar ao respeito para não ser chamada de vadia.


F de FÉRIAS FRUSTRADAS

As primeiras férias de que me lembro foi uma vez que foi toda a minha família para o Rio de Janeiro. Eu já tinha quase 7 anos, mas todas as minhas “férias” anteriores eu tinha passado na praia vendendo pãezinhos feitos pela minha mãe. Os pãezinhos vendiam tão bem, que eu nunca parava de trabalhar, pois alguém tinha que pagar o aluguel da casinha que meus pais alugavam na praia. Mas lá na cidade maravilhosa minha mãe ia passear e não ficar fazendo pãezinhos pra eu vender. Ficamos na casa de um amigo do meu pai, que nos recebeu com o almoço pronto: Bife de fígado! Arghhh! Quase vomitei! E a comida não melhorou muito depois disso, minha única folga era quando a gente comia um pastel de vento num boteco, aquele que você morde e vêm uma brisa de ar quente e o cheiro da carne moída que deveria estar lá. Mas fizemos o tour completo, andamos de bondinho... quer dizer, meu pai e minha mãe andaram. Como era muito caro eles me deixaram cuidando dos meus dois irmãos lá embaixo. Eles até bateram uma foto nossa da gente chorando enquanto o bondinho subia... Mas o ponto máximo dessas férias foi quando eles nos levaram pra ver um show proibido pra menores! Eram “Os Secos e Molhados”, a antiga banda do Ney Matogrosso. Eu não tinha a menor idéia de quem eram aquelas criaturas pintadas e cantando com voz em falsete. Mas chegando lá não nos deixaram entrar, era época da ditadura militar e a censura era rigorosa. Malditos militares! Naquela hora deu vontade de entrar para a resistência armada junto com a futura presidenta Dilma. A gente acabou olhando o show por baixo da fresta da porta do teatro, enquanto meus pais assistiam do lado de dentro. Depois meu pai usou a gente pra conseguir entrar nos bastidores pra pedir um autógrafo. Até hoje ele guarda esse autógrafo e conta emocionado como o Ney Matogrosso deu em cima dele. Minha mãe que não gostou.


No próximo capítulo: G de GALÃ (ah, acharam que ia ser de G de Gay, né?)


sexta-feira, 7 de março de 2014

JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia

1975, algum aniversário lá em casa, não sei de quem.
Na frente, da esquerda para a direita: Xande, meu irmão Jacques, minha irmã Jacqueline e eu (mostrando a capa do livro).
Atrás: Uma guria que não lembro, Carla, outra guria que não lembro e Ricardo Maia, o guri com cara de safado.


E de ENCICLOPÉDIA HUMANA

Alfabeto e um vocabulário mínimo decifrado, comecei a devorar todo gibi ou livro que me aparecia na frente, até o que não devia. Meu tio, que uma época foi morar lá em casa, trouxe com ele raras jóias literárias, como os quadrinhos pornôs de Carlos Zéfiro, que eram vendidos secretamente nas bancas de jornais em uma época em que revistas pornôs era proibidas pela Ditadura.

Meus pais não tinham controle algum sobre o que eu pegava pra ler e assim, além dos catequismos (como eram conhecidos) de Zéfiro, acabei lendo muitos livros para adultos antes de completar 13 anos e até enciclopédias eu lia, o que me valeu o apelido de intelectual na minha família quando eu era criança. Claro, depois dos 13, passei a ser chamado de louco pela minha família, mas isso é outra história.

Data dessa época o meu interesse por dinossauros e hoje tenho como certo que fui um T-Rex na minha reencarnação passada. Na época meus pais até comentaram em me colocar num concurso do Sílvio Santos para crianças metidas a sabichonas (hoje chamamos nerd) pra ganhar um dinheiro, mas não rolou. Ainda bem, pois nessa de virar criança-prodígio eu podia acabar que nem o Michael Jackson ou a Britney Spears! E hoje eu seria um pouco mais louco. 

Mas de tanto as pessoas ficarem elogiando a minha inteligência, eu acabei acreditando que era muito esperto mesmo e passei a chamar todo mundo de burro (já treinando para quando fosse ditador). Claro que tinha sempre uns burros que não gostavam que eu chamasse eles de burros e em sua burrice eles zurravam e me coiceavam. Tudo bem, eu sei que era pura inveja da minha sapiência suprema!

Continua em F de FÉRIAS FRUSTRADAS!

   

segunda-feira, 10 de junho de 2013

JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia



D de DEDO-DURO

Primeira série. Meus primeiros passos rumo ao mundo da literatura infantil e ao mundo das provas e notas baixas. Aprender a ler parecia fácil, afinal, eu já sabia o que significava cada letra. A era A. B era BÊ e assim por diante. Mas quando eu vi, a coisa não era tão fácil assim, pois palavras como MUITO eram MUINTO e CH se lia como X. Como assim?!

Bem, mas como podem ler, eu acabei dominando um pouco da nossa língua ao longo dos anos, menos as orações subordinadas adjetivas, eu nunca entendi aquilo...

Mas foi na 1ª série que eu aprendi uma grande lição de vida: que dedurar os outros me garantia uma bala de morango.

Pois um dia eu vi o Carlinhos quebrar o lápis da Neca e contei pra professora. E não é que no fim da aula eu ganhei uma bala de morango pela minha boa ação?! A partir daí desenvolvi uma espécie de sentido-de-aranha para dedurar os outros e passei a usá-lo quase que diariamente para dedurar meus colegas de classe e até crianças de outras salas. Meu vício por balas de morango vêm dessa época. Mas à medida em que fui crescendo, percebi que as balas de morango não valiam aquelas surras que eu levava na saída da escola.

E hoje eu só deduro os outro mediante uma farta recompensa em dinheiro e se entrar para o serviço de proteção de testemunhas dos EUA, que eu sei que o do Brasil não funciona.


Continua em... E de ENCICLOPÉDIA HUMANA. 


Esse texto foi adaptado de meu antigo blog no site da CAPRICHO.

sábado, 5 de janeiro de 2013

JERRI DIAS de A – Z – A Autobiografia

Jardim da Infância, Escola Estadual Cândido Portinari, no bairro Menino Deus (Porto Alegre), 1973.
A menina com quem estou disputando corrida de bicicleta era irmã adotiva da professora. 
Eu fiquei próximo dela apenas para me aproximar de sua irmã mais velha ;-) 
Notem que eu era o único com capacete naquela época. Sempre um cidadão consciente...

 
C de COVARDE
 
Aos 6 anos, enfim, fui para o Jardim de Infância, onde finalmente poderia exercer meu traquejo social e conversar com pessoas da minha idade, já que meu irmão e minha irmã eram mais novos que eu e mal sabiam falar direito. Só serviam mesmo para eu andar de cavalinho neles!
Mas eis que ao entrar na sala, me deparo com uma deusa loira de óculos! Foi aí que nasceu minha paixão por loiras e mulheres de óculos. Loiras que depois acabei deixando de lado pelas morenas e morenas que acabei deixando de lado não totalmente por mulheres de perfis mais exóticos ou orientais.
Mas estou me adiantando e babando sem motivo. Voltemos aos meus 6 anos...
Como dizia lá, estava ela, linda e loira. Me cumprimentou com um beijo no rosto, me deu um brinquedo e me empurrou pra junto de um bando de pirralhos que esperneavam, gritavam e quebravam os brinquedos uns dos outros. Quebraram o meu também, mas não me importei, estava apaixonado pela minha professora! Infelizmente, como em uma tragédia shakespeariana, nossa relação estava fadada a não se consumar, pois eu era muito tímido e covarde para me declarar. Meu único consolo é que nossas famílias nunca permitiriam nossa união. Mas eu até hoje lembro disso e choro.
E depois vou pra balada ficar com a mulherada que ninguém é de ferro!   


Continua em D de DEDO-DURO.


Esse texto foi adaptado de meu antigo blog no site da CAPRICHO.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

JERRI DIAS de A - Z - A Autobiografia

 Meu irmão Jacques, meu pai Valter empurrando um balanço que não existia, e eu no outro balanço, com uma camiseta de listras horizontais que me deixava mais gordo, não reparem. 
Ao fundo, meu tio Edgar e minha tia Amália, à espera de uma oportunidade para apertar minhas bochechas.


B de BOCHECHA

Logo que aprendi a andar pelas minhas próprias pernas, descobri que aquilo era muito cansativo e vivia pedindo colo para minha mãe, que sem paciência, me montava no lombo do cachorro, que incomodado, me mordia. Nessa época eu já tinha um irmão menor do que eu, mas que não podia brincar, pois ele só fazia dormir, chorar, mamar e fazer os n°s 1, 2 e 3.
É dessa época, em que eu ainda estava meio sozinho, que conheci o terror em forma de tia. Minha tia Amália, que vinha nos visitar semanalmente, adorava pegar nas minhas bochechas e beliscá-las muito! Eu odiava aquilo e cuspia nela sempre que podia, mas de nada adiantava, ela apertava cada vez mais! Minhas pífias tentativas de escapar de suas garras de nada adiantavam, mas eu acabei crescendo e ela envelhecendo e no auge de minha forma física, aos 30 anos, ela já não conseguia mais me alcançar numa corrida.


Continua em C de Covarde.


Esse texto foi adaptado de meu antigo blog no site da CAPRICHO.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

JERRI DIAS de A-Z - A Autobiografia

Ah, quando ficamos velhos, começamos a fica nostálgicos e passamos a achar que nossa infância alienada e nossa adolescência deprimente foram ótimas comparadas com a vida que levamos agora. Então caprichamos no extreme makeover da memória e tudo parece muito mais legal do que realmente foi!
Em um exercício de memória e ficção, vou tentar narrar os principais eventos da minha vida, doa a quem doer.


Mal aprendi a andar e já queria voar!
Com meu irmão Jacques, circa 1971.

A DE AZARADO

Sim, eu sou azarado, pois cheguei nesse mundo com o pé esquerdo e tomei vários tapas na bunda do sádico do médico.
Logo depois fui mamar no peito da minha mãe e descobri que era alérgico a latcínios, pois empipoquei todo.
Ao chegar em casa, fui colocado num berço usado, cuja antiga dona tinha descartado ele porque seu bebê tinha diarréia crônica, aí você imagina o fedor...
Mas como toda criança destinada a ser nerd, eu era muito precoce e logo aprendi a enfiar o dedo no nariz e comer de seu conteúdo quando tinha fome.
Minha primeira palavra foi “JHEJHWUGHNBSPRRLLLLL”, feito do qual me orgulho muito, pois poucas pessoas conseguem dizer uma palavra com tantas consoantes.
O meu mandato como filho único mamando nas tetas de minha mãe, entretanto, logo acabou com a chegada de meu irmão, 11 meses depois de meu nascimento.
É, meu pais não perdiam tempo. Ou nunca tinham ouvido falar de métodos contraceptivos...
E com a chegada de mais uma irmã um ano e meio depois de meu irmão, percebi que a mamata chegaria ao fim eu teria que encarar os desafios de caminhar pelas próprias pernas sem ficar me agarrando pelas coisas.

Continua em B de BOCHECHA.

Texto adaptado do original publicado no site da CAPRICHO.