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domingo, 17 de maio de 2009

SOUVENIR IRAQUIANO - Crítica


O AUTOR

Robinson dos Santos é um escritor carioca residente em Florianópolis (SC).
Abandonou a carreira das forças armadas em Agulhas Negras para estudar comunicação social na Universidade Federal do Paraná. Passou então, a trabalhar com ficção em vídeo e cinema, escrevendo o argumento do curta-metragem ATRAÍDOS (Clique para assistir: Parte 1 / Parte 2). Também trabalhou com publicidade e jornalismo. Tem dezenas de crônicas publicadas em jornais e revistas.

SINOPSE

Um coronel iraquiano, um agente da CIA e três ex-militares brasileiros tentam se apoderar de um tesouro histórico descoberto nas fundações de uma usina nuclear no meio do deserto iraquiano na iminência da Guerra do Golfo de 1990. E eles não estão trabalhando juntos...

A OBRA

A literatura brasileira não costuma entrar no misterioso gênero da espionagem, assim como da ficção-científica, horror e fantasia. Claro que existem diversos autores brasileiros escrevendo nesses gêneros, mas a maioria desses autores permanecerá inédita nas grandes editoras. Muitos dirão que esses gêneros estão distantes da realidade brasileira, são gêneros menores ou mesmo alienados. Não poderiam estar mais enganados ou serem mais preconceituosos.

Robinson dos Santos, exibindo a ousadia de um verdadeiro espião, decidiu escrever um livro de espionagem, algo raro e temeroso no mercado editorial brasileiro. Inspirado em fatos reais, a trama entrelaça os atos e os destinos de personagens perseguindo um mesmo objetivo, mas alheios à presença um do outro. Cada qual usando seus métodos; a trapaça, a autoridade e a espionagem; buscará a recompensa final, que de modo algum significa o melhor para o seu país. Pelo contrário, remando contra muitos livros do gênero, onde pelo menos um dos lados luta por uma ideologia ou por vidas inocentes, os personagens de Santos lutam somente por si ou por suas famílias, o que faz com que o leitor se identifique e sinta empatia pelos personagens muito mais rápida e eficientemente do que o faria com um super-agente secreto qualquer.

O estilo moderno, com sentenças curtas e diálogos coloquiais, aliado a mudanças alternadas de cenário e personagens que vão se interconectando aos poucos, lembra o roteiro de um filme e quase como tal ele se desenrola na mente do leitor. Espero que em algum futuro breve um produtor e um bom diretor se interessem por esse livro, que certamente tem tudo para ser um ótimo filme.

E como todo bom livro de espionagem, o autor relaciona fatos históricos e políticos da recente história brasileira: o bom relacionamento dos militares brasileiros com o governo do ditador Saddam Hussein, a hiper-inflação brasileira, a operação Tempestade no Deserto e até o infame ex-presidente Fernando Collor de Melo em uma cena que lhe serve de crítica.

E pra citar mais um dos motivos pelos quais livros de espionagem e ficção-científica são raros no Brasil é porque, um bom livro do gênero, demanda uma pesquisa em áreas as quais a maioria das pessoas não tem interesse e nesse ponto percebe-se o esforço e o trabalho de Santos em dar ao leitor o maior número de informações para situá-lo de volta ao Brasil e ao Iraque dos anos 90.

Para quem se diverte lendo autores como Tom Clancy, Robert Ludlum e outros, SOUVENIR IRAQUIANO é entretenimento garantido.

TRECHO

“Fahed e Luciano se assustam com um disparo. Um soldado terminara de matar um dos ladrões de relíquias, que ainda se movia. Fahed grita algo em farsi. Luciano entende a ladainha do soldado, desculpando-se por ter matado talvez a única pessoa que poderia ter sido interrogada. Como o oficial sabia que as chances do moribundo chegar com vida a algum hospital eram remotas, não estende a “mijada”. Quem se importaria?”

ONDE COMPRAR

Com o próprio autor, através do e-mail: souveniriraquiano@gmail.com


E LÁ NO SITE DA CAPRICHO...

O site está passando por modificações desde a última quarta-feira e todos os posts estão aguardando liberação da chefia. Assim que eu receber o sinal verde, volto a postar.

MISSION: IMPOSSIBLE – Limp Bizkit

A trilha desse post é a banda Limp Bizkit com sua versão do tema do filme MISSÃO: IMPOSSÍVEL 2. Uma banda que teve seus bons momentos na virada do século e que vale a pena escutar.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

COM OS PÉS NO CHÃO - conto


Eu deveria ter nove anos quando aconteceu a primeira vez. Após essa, seguiram-se centenas de outras, sendo que talvez a primeira centena tenha sido praticamente igual. Eu corria na calçada em frente à minha casa e após alguns metros me atirava no ar como se para dar um mergulho. Mas não havia piscina, apenas o chão de laje dura o qual meu corpo jamais tocava. Pois milímetros antes de tocar o chão, eu parava no ar, e levitando, ia subindo e avançando em câmera lenta pela rua vazia até chegar a altura da copa das árvores.

Alguns anos depois, encontrava-me em uma rua escura e mal iluminada com alguns amigos. Súbito, por um motivo fútil qualquer, decidi parar de caminhar e ergui-me alguns metros do chão ficando a companhar meus assombrados amigos pela altura dos postes. A partir dessa época comecei a adquirir um controle cada vez maior sobre isso. Diferentemente da minha infância, quando parecia ser levado pelo vento ou seja lá o que fosse, eu descobri que com um pensamento a lei da gravidade deixava de existir para mim e que com leves inclinações do meu corpo conseguia mudar a direção, não ficando mais limitado a voôs retos. Até mesmo a altura e a velocidade que eu conseguia atingir eram agora comparáveis as de qualquer jato. As cidades tornavam-se pontos de luz e o horizonte arredondava-se, mostrando a curvatura do planeta. Os supersônicos rasantes entre os prédios da cidade eram tantos que mal conseguia enxergar por onde estava indo.

Desse modo, como um deus, eu flutuava, voava, disparava pelos céus até que o míssil-despertador me acertasse, fazendo-me despencar pesadamente na cama.

E assim, sentindo o peso da mortalidade espalhar-se por meu corpo e mente, eu me levanto colocando os pés no chão frio e vou ao banheiro escovar os dentes.

Junho, 1999