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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DINOSSAUROS - News

Alossauro

DINOSSAUROS CARNÍVOROS PODIAM ABRIR MANDÍBULAS EM ATÉ 90º


Um grupo de cientistas britânicos estudou o quanto diferentes tipos de dinossauros conseguiam abrir a boca e descobriu que o ângulo de abertura da mandíbula está diretamente relacionado à dieta dos répteis pré-históricos.

 Em geral, carnívoros como o conhecido Tiranossauro rex escancaravam a mandíbula em até 90 graus, enquanto os dinossauros herbívoros só conseguiam abri-la até 45 graus. O estudo, liderada por Stephan Lautenschlager, da Universidade de Bristol (Reino Unido), foi publicado nesta quinta-feira, 5, na revista Royal Society Open Science.


Reconstrução de um crânio de Tiranossauro Rex mostrando a abertura da mandíbula com a abertura máxima.


Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram modelos computacionais para processar os dados, que foram obtidos com minuciosas análises de fósseis e com os registros disponíveis sobre o ângulo de abertura das mandíbulas de diversas aves e répteis modernos.

Os cientistas estudaram a tensão muscular durante a abertura de mandíbula de três diferentes dinossauros terópodes que tinham hábitos alimentares distintos. Os terópodes - palavra composta dos termos gregos "therós" (fera) e "podós" (pés) - eram um grande grupo de dinossauros bípedes que inclui os maiores carnívoros que já viveram sobre a Terra.

"Os dinossauros terópodes, como o Tiranossauro rex e o Alossauro, são muitas vezes retratados com mandíbulas muito abertas, presumivelmente para enfatizar sua natureza carnívora. Mas até agora nenhum estudo havia realmente detalhado a relação entre a musculatura da mandíbula, sua abertura máxima e o estilo de alimentação", disse Lautenschlager.



Estudo comparativo.


Os três dinossauros estudados foram o Tyrannosaurus rex, um grande terópode carnívoro com um crânio robusto e dentes de 15 centímetros, o Alosaurus fragilis, um terópode menor e mais frágil, embora igualmente carnívoro e o Erlikosaurus andrewsi, um parente próximo dos dois anteriores, mas que se alimentava de plantas.

"Todos os músculos, incluindo os que são utilizados para abrir e fechar a mandíbula, só podem esticar até certo ponto antes de arrebentarem. Isso limita consideravelmente o quanto um animal consegue abrir a boca e, portanto, como e de que ele pode se alimentar", explicou Lautenschlager.

A fim de entender em detalhes a relação entre tensão muscular e abertura da mandíbula, minuciosos modelos computacionais foram criados para simular a abertura e fechamento da boca, enquanto eram medidas as alterações no comprimento dos "músculos digitais". As espécies de dinossauros estudadas também foram comparadas aos seus parentes vivos, como crocodilos e aves, cuja tensão muscular e abertura máxima da mandíbula são conhecidas.

O estudo mostrou que o Tiranossauro e o Alossauro eram capazes de abrir a mandíbula em até 90 graus, enquanto o Erlikossauro abria a boca só até 45 graus.


Esqueleto de Tiranossauro.

Entre os dois carnívoros, os resultados mostraram que o Tiranossauro podia, com sua mordida, produzir uma força muscular persistente com diversos ângulos de abertura das mandíbulas - o que seria necessário para romper a pele, despedaçar a carne e esmagar os ossos das presas.

"Sabemos, por meio dos animais modernos, que os carnívoros são frequentemente capazes de abrir as mandíbulas mais que os herbívoros. É interessante ver que isso acontece também no caso dos dinossauros terópodes", afirmou Lautenschla.

Fonte: UOL


segunda-feira, 12 de março de 2012

DE DINOSSAUROS, MEGATÉRIO E A INTERNET – Crônica


Aos oito, nove anos de idade eu desenvolvi um grande interesse por dinossauros. Não lembro como nem porque isso começou ou como descobri que “monstros gigantes” já haviam caminhado pela Terra, mas certamente deve ter sido entre meus 4 e 6 anos de idade. Tenho duas hipóteses: 1) eu posso tê-los visto  em algum documentário antigo, lembro de um ou outro exibido na Sessão da Tarde. Sim, nos anos 70 exibiam documentários sobre mundo animal na Sessão da Tarde! 2) Antes de aprender a ler, meus pais liam para mim quadrinhos da Mônica e da Disney. E para quem conhece, o Maurício de Souza tem um personagem chamado Horácio, que é um Tiranossauro vegetariano. Talvez tenha sido em uma dessas sessões noturnas de leitura que meu pai ou minha mãe tenham me dito que os dinossauros que apareciam nos quadrinhos tinham existido de verdade. E lembro que dinossauros eram criaturas recorrentes nas aventuras de Donald e companhia.

Mas a literatura sobre dinossauros para uma criança era um pouco escassa na época, e bonecos de dinossauros idem. Mas ainda assim, eu sempre conseguia encontrar um ou outro na Feira do Livro de Porto Alegre ou na Biblioteca Lucília Minssen (hoje localizada na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre). Ainda tenho na minha estante meu primeiro livro infanto-juvenil sobre o tema, COMO DESCOBRIMOS... OS DINOSSAUROS?, de Isaac Asimov, um autor que mais tarde teria grande influência em meu interesse pela ficção-científica e ciência. Li esse livro em 1976 e nos anos seguintes devorei vários outros, e continuo lendo-os. Não com a regularidade da minha infância, mas tento me manter mais ou menos atualizado.


                                                                   Capa do original americano. Igual a nacional.

Mais ou menos ao mesmo tempo em que fiquei conhecendo os dinossauros, também tomei conhecimento da megafauna, que é como se denominam os mamíferos gigantes que habitaram a Terra por cerca de 65 milhões de anos cujas centenas ou milhares de espécies se extinguiram entre meros 22 e 10 mil anos atrás, na última era glacial que cobriu boa parte do planeta. Para ter idéia do que foi esse evento, a região de São Paulo estava soterrada por uma camada de cerca de cinco quilômetros de gelo.

Pois bem, e juntando a era glacial que acabou com a megafauna, o meteoro que detonou os dinossauros e as erupções vulcânicas submarinas e terrestres que mataram 90% de toda a vida do planeta antes dos dinossauros surgirem, era fato entendido e aceito que todas as espécies de animais que viveram nessas épocas estavam extintas. Bem, o tempo, exploradores e os avanços da ciência provaram que não é bem assim.


Em primeiro lugar, posso citar uma espécie de animal que está por aí há 450 milhões de anos e que nos últimos milhões de anos sofreu poucas alterações físicas: o tubarão. Apesar de muitas espécies desse peixe terem sido extintas, como o Megalodon, várias outras continuam por aí.

A baleia-azul e o Tubarão-baleia são hoje consideradas espécies remanescentes da megafauna. E sem entrar no terreno dos insetos, a águia Haast, que viveu na Nova Zelândia até 700 anos atrás era 40% maior do que a maior águia atual. Ela convivia junto com a Moa, um pássaro sem asas que media entre 3 e 4 metros de altura e que foi extinto no século XV. Ambos provavelmente extintos pela tribo maori. Quem disse que é só homem branco que destrói o meio ambiente?


 
                                                              Uma Moa em comparação com um humano.


Mas agora imagine um peixe primitivo cujos fósseis datam de 400 milhões de anos e que acreditava-se extinto há 65 milhões de anos? Talvez a descoberta mais fantástica da criptozoologia do século XX tenha sido feita em 1938, quando um grupo de pescadores na África do Sul pescou um estranho peixe de cerca de um metro de comprimento (ele pode atingir até 1,8 m). Ninguém sabia que peixe era esse, mas por sorte a especialista em peixes Marjorie Courtenay-Latimer estava lá para coletar exemplares de peixes para o Museu de História Natural de Londres. Ela imediatamente reconheceu o celacanto de desenhos de antigos fósseis. De lá pra cá, duas espécies diferentes de celacanto já foram descobertas. Eles agora sofrem risco de extinção definitiva por conta da pesca profunda com rede de arrasto, o tipo de pesca que pode acabar causando extinção em massa em boa parte dos mares, pois nada escapa dessas redes e 80% dos seres vivos que elas pegam é jogada morta de volta ao mar por não serem do interesse gastronômico do homem.


                    Um celacanto vivo! Há 400 milhões de anos por aí, mas com corpinho de 10 anos.   

Expostos os exemplos acima, muita gente acredita que ainda podem existir mais fósseis vivos por aí. Desde dinossauros como o suposto Monstro do Lago Ness, na Escócia, e uma suposta espécie de saurópode nas florestas da África. Bem, não se sabe quanto tempo um dinossauro podia viver, mas certamente não viviam milhões de anos e se tais animais existissem, deveriam haver centenas ou dezenas deles para que pudessem continuar se reproduzindo durante esse tempo todo. O que inviabiliza um pouco a existência de animais tão grandes andarem livres por aí sem uma prova decente de sua existência até o momento.




Mas na região do Amazonas, talvez seja uma questão diferente. Com milhares de quilômetros quadrados de território inexplorado e até mesmo com tribos que ainda não tiveram contato com o homem branco, as chances de se encontrar animais desconhecidos (de insetos a mamíferos) são relativamente boas.

Alguns anos atrás, meu amigo Pedro Zimmermann me emprestou um livro sobre criaturas fantásticas do Brasil. A maior parte do livro tratava de lenda como o boto, boitatá e similares. Mas duas coisas me deixaram extremamente intrigado ao ler este livro. Uma foi um relato do século XVII de dois exploradores portugueses ou espanhóis que relataram ter visto um lagarto bípede do tamanho de um homem. Segundo eles, o animal os viu e saiu correndo rapidamente sobre as duas patas. Claro, eles podem ter confundido uma ave sem asas com um lagarto, mas acho um tanto improvável. Quase tanto quanto acho improvável um dinossauro desse tamanho ter sobrevivido. Mas o relato não deixa de causar arrepios quando lido. O outro trecho do livro foi uma ilustração feita pelo frei André Thevet em 1555, em sua visita ao Brasil.

 
                                                                        “Fera que vive do vento”, André Thevet, 1555.

Como se pode ver, ele ilustrou preguiças de tamanho normal penduradas nas árvores e uma outra preguiça de proporções gigantescas. Os historiadores em geral não dão importância para essa ilustração e a atribuem ao exagero dos antigos ilustradores, que também costumavam ilustrar cenários marinhos povoados de monstros enormes. Mas se o objetivo era apenas exagerar, porque mostrar a criatura amarrada a uma árvore? Isso nos leva a crer que a ilustração tem uma história: uma em que a criatura foi caçada e capturada pelos índios. A criatura parece pacífica e até mesmo domesticada na ilustração, dada a presença de crianças próximas a ela.

Mais ou menos na mesma época o Fantástico exibiu uma matéria sobre a possível existência de megatérios na Floresta Amazônica. Eu logo associei com a ilustração de 1555.

Bem, para quem não sabe, o antepassado das preguiças foi uma preguiça gigante chamada Megatério e na América do Sul existiram algumas espécies dele. E sabe-se que eles se extinguiram há apenas 10 mil anos. Alguns arqueólogos acreditam mesmo que eles conviveram com os primeiros habitantes indígenas do Brasil e que esses podem ter causado sua extinção, já que o animal era grande, pesado e locomovia-se devagar. Ele podia ser um adversário formidável em uma luta corpo à corpo contra predadores, mas nada poderia fazer contra pedras, flechas e lanças.


                                                  O Megatério podia ter até 3 metros de altura.

Mas existe a lenda do Mapinguari. Quem vive no norte do país a conhece. Um animal grande e peludo de supostos 2 metros de altura, que pode ficar de pé e que é avistado há centenas de anos e continua sendo até hoje, tanto por indígenas quanto pelo homem  branco. Como as pessoas geralmente saem correndo do animal, os relatos são imprecisos e muitas bobagens supersticiosas são ditas sobre a suposta criatura.

 
                                Ilustração baseada em depoimentos de "testemunhas" do lendário Mapinguari.

Mas já no final do século XIX, o paleontólogo argentino Florentino Ameghino sugeriu que o Mapinguari pudesse ser uma espécie de megatério.

E ano passado, o cientista Pat Spain exibiu um documentário no NatGeo sobre o Mapinguari. Infelizmente o You Tube apagou o vídeo de seu servidor, mas existem vários sobre a criatura no You Tube.   

Depois de assistir o documentário, percebi que Pat Spain nem David Oren haviam mencionado a ilustração de Thevet, basicamente a única “prova” da provável existência do animal na época do descobrimento.

Decidi procurar a ilustração na internet e percebi que nenhuma matéria ou blog sobre a lenda do Mapinguari ou sobre o Megatério citavam ou exibiam tal ilustração. Resolvi, então, enviar o link da foto para Pat Spain e por sorte o encontrei no Facebook. Traduzi o texto e postei a foto em seu mural. Ele curtiu, mas não mencionou se conhecia ou não a ilustração. Depois de algum tempo, decidi então contatar o ornitólogo David Oren, biólogo da Universidade de Harvard e gerente científico da Nature Conservancy do Brasil. Intrigado pela lenda do Mapinguari e por acreditar firmemente na teoria do Megatério, ele empreendeu duas expedições selva amazônica adentro para tentar encontrar a criatura. Infelizmente, sem sucesso.

Fiquei muito feliz ao ver que um cientista importante e ocupado como ele pode se dispor a me enviar um e-mail de agradecimento, mesmo eu não tendo contribuído em nada, mas creio que ele ficou contente com minha solidariedade à sua causa e minha tentativa de ajuda.

E é por coisas como essas que eu não canso de ficar cada vez mais admirado com a internet, um lugar onde tanto conhecimento e cultura estão expostos a todos e até mesmo a possibilidade falar ou manter contato com cientistas ou artistas que sem ela seriam completamente inacessíveis a leigos como eu ou você. Ao mesmo tempo também me espanta que milhões de pessoas nunca a tenham usado para nada além de ver bobagens e propagar ignorância e preconceito. É como estar em uma biblioteca infinita e ficar lendo o horóscopo do jornal.




Mas para finalizar, o Mapinguari/Megatério, se ele existe, com a caça por índios de tribos desconhecidas e prováveis encontros com garimpeiros clandestinos que talvez os matem a tiros, é provável que existam poucos a essa altura, e devido a diminuição de seu habitat natural, eles sejam menores que seus antepassados. Mas ainda assim, eu espero estar vivo no dia em que anunciarem a descoberta de megatérios na selva amazônica e torço para que eles sejam deixados em paz e a que sua captura seja feita apenas através das lentes de câmeras para que possamos nos maravilhar e surpreender com a capacidade de sobrevivência de uma criatura tão bela e única.     


domingo, 18 de dezembro de 2011

DINOSSAUROS - Livro




 Os autores

Paul Barrett trabalha no Departamento de Paleontologia do Museu de História Natural de Londres e tem diversos artigos e livros publicados na sua área de atuação.

 
Paul Barret

Raul Martín é ilustrador e trabalha em diversas áreas relacionadas a arte. Mas nos últimos anos vem se especializando em ilustrações da vida pré-histórica. Em seu site, você encontra diversas galerias de suas ilustrações paleontológicas.

O livro

Uma publicação com o selo National Geographic, esse livro mantém o conceito da revista: textos acessíveis baseados em muita pesquisa com fotos e ilustrações de alta qualidade gráfica.

 
O livro está repleto de dezenas de belas ilustrações de página inteira e página dupla. 
Clique para ampliar. 


Dividido em capítulos curtos, que vão de uma a quatro páginas, o livro tem três seções distintas: a primeira parte ocupa 60 páginas e dá ao leitor uma visão geral sobre dinossauros, o que são, como foram descobertos, as eras geológicas, as diferentes espécies, teorias antigas e modernas, fósseis, biologia, comportamento, etc. O conteúdo é mais do que suficiente para qualquer iniciante ou professor saber o suficiente para satisfazer sua curiosidade ou preparar uma boa aula. 

A segunda e maior parte do livro, com cerca de 120 páginas, tem um design mais enciclopédico, com cada dinossauro tendo direito a uma à quatro páginas dedicadas a analisar seus ossos, história e comportamento.
Um mapa demonstra a região onde cada um deles habitou e dois gráficos marcam a época em que viveu, seus dados científicos e sua proporção em comparação com o homem. A variedade de dinossauros impressiona e para quem está familiarizado apenas com aqueles que veem em filmes, saiba que existiram milhares de espécies diferentes que viveram em terra, mar e ar. O livro, infelizmente, só pode apresentar uma pequena fração deles e se atém aos dinossauros terrestres, deixando de fora os pterossauros e os monstros marinhos.



 Longos períodos de seca foram um dos fatores que levaram diversas espécies à extinção.


De qualquer forma, o leitor enriquecerá seu conhecimento conhecendo dinossauros que vão desde o tamanho de um pardal até o de um prédio de cinco andares, tal a diversidade fabulosa desses esplêndidos animais, antepassados das atuais aves, e não dos répteis, como muita gente ainda pensa. Os répteis já existiam na época dos dinossauros e crocodilos e tartarugas mudaram mais em tamanho (diminuíram) do que em forma daquela época aos nossos dias atuais.

Na terceira e última parte do livro, que ocupa poucas páginas, o autor fala sobre a extinção dos dinossauros e as teorias que ainda são debatidas sobre o assunto, o interesse renovado por eles graças ao cinema e apresenta um pequeno glossário de termos usados ao longo do livro para uma melhor compreensão do livro.

Um livro obrigatório para qualquer um que tenha nostalgia de um tempo em que nenhum humano jamais viveu.

Trecho

 
 O Carnotauro foi uma espécie que habitou a região sul da América do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul. Uma excelente réplica animatrônica em tamanho natural encontra-se na entrada do MUSEU DA PUC-RS em Porto Alegre.
Página da publicação americana.


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Usado.

Boa leitura.