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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

PALEONTOLOGIA - Notícias


 Razanandrongobe sakalavae.
 
O parente de crocodilos que aterrorizou dinossauros na Madagascar pré-histórica 
 
 

Cerca de 165 milhões de anos atrás, no meio do período Jurássico, Madagascar era um lugar estranho. A ilha famosa por seu tamanho ainda se separava tectonicamente da Índia e da África, abarrotada com o resto do supercontinente sul de Gondwana. Os primatas ainda não haviam evoluído, e as flores sequer existiam. Essa Madagascar, em vez disso, existia com uma espetacular diversidade de dinossauros e répteis, correndo pela poeira e subindo florestas acima. Mas tudo o que escapa furtivamente, salta e se move lentamente sob o forte sol desse teatro malgaxe está unido em uma cautela inabalável com o predador mais temido da região: o Razanandrongobe sakalavae, um enorme e terrestre parente dos crocodilos.

Os restos fossilizados e fragmentados desse crocodilo terrível foram descritos em um novo estudo no periódico PeerJpor uma equipe de paleontólogos italianos e franceses. A espécie foi documentada pela primeira vez há mais de uma década, mas devido a limitações dos fósseis, sua classificação específica era desconhecida. Até agora, não estava claro se o Razana (apelido dado à criatura) era um dinossauro terópoda carnívoro enorme ou algum outro tipo de réptil. Novos fósseis de mandíbulas e dentes, coletados da mesma região do noroeste de Madagascar onde os primeiros fósseis foram encontrados, revelam que o Razanandrongobe sakalavae — o "ancestral de lagarto gigante da região de Sakalava" — era na verdade um parente dos crocodilos e jacarés de hoje em dia.


Os fósseis encontrados.

Reconstrução das mandíbulas dos Razanandrongobe sakalavae, incluindo a hemi-arcada esquerda, a pré-maxila direita (cortesia do Museu de História Natural de Toulouse) e suas cópias contra-laterais (em cinza), impressas em 3D a partir de dados de tomografia computadorizada do FabLab Milan, montadas depois no Museu de História Natural de Milão. Crédito: Giovanni Bindellini.
Considerando que o Razana tinha dentes tão aterrorizantes que faria até um T.Rex ruborescer, é talvez um pouco surpreendente que o rosto malvado apresentado pelos fósseis não pertença a um dinossauro predador. Mas o Razana vem de uma época em que a linhagem familiar do crocodilo estava cheia de criaturas que não estavam contentes em esperar à beira d'água pela "entrega" de sua presa.

O Razana era um "notosuchia", um grupo de de crocodilianos que se distinguia de seus primos próximos de algumas maneiras importantes. Por exemplo, o Razana e outros notosuchias eram especializados para a vida terrestre. Suas pernas ficavam retas e eretas sob seus corpos, permitindo-lhes galopar e correr atrás da presa de maneira firme, atlética, bem diferente de um crocodilo. Notosuchias como o Razana também tinham crânios elevados, fazendo-os parecer mais com um Velociraptor e menos como um monstro do pântano. Os notosuchias eram ferozes predadores que ocupavam todo o supercontinente da Gondwana durante a última metade da Era Mesozoica, mas novas descobertas mostram que nenhum desses crocodilos eram tão formidáveis quanto o monstro de Madagascar.


Tamanho comparativo com uma nativa humana de Madagascar.


O Razanandrongobe era enorme, talvez maior do que qualquer outro notosuchia conhecido. Embora seja difícil determinar o tamanho exato de um animal baseado em restos incompletos, as porções recuperadas da cabeça do Razana ajudam a desenhar a imagem de um carnívoro que devia ser uma adição aterrorizante à fauna da antiga Madagascar, um conjunto que incluía predadores de primeira classe como os abelissauros e ceratossauros do tamanho de picapes. O Razanandrongobe tinha uma cabeça do tamanho de uma máquina de lavar, que a evolução havia equipado com dentes serrados do tamanho de bananas. Esses mastigadores eram resilientes e rudes o bastante, defendem os pesquisadores, a ponto de o antigo Razana ter sido capaz de pulverizar e engolir ossos e tendões, além de pedaços da carne de suas presas. Essa máquina temível, uma vez ligada ao chassi padrão e ágil de um notosuchia, provavelmente tornou o Razana o maior e mais terrível predador de seu ecossistema.

Restauração paleoartística do Razanandrongobe sakalavae varrendo uma carcaça de saurópode no período Jurássico de Madagascar. Diferentemente dos crocodilianos existentes, esse predador terrestre tinha um crânio profundo e andava sobre membros eretos. Crédito: Fabio Manucci.
"O 'Razana' conseguia superar mesmo os dinossauros terópodas, no topo da cadeia alimentar", disse Cristiano Dal Sasso, paleontólogo do Museu de História Natural de Milão e primeiro autor no novo estudo, em comunicado à imprensa.


Dentes do tamanho de bananas.


Um não-dinossauro caçando e comendo dinossauros não encaixa bem com a ideia tradicional de que os dinossauros reinaram na ecologia terrestre por 135 milhões de anos. Mas, como a ciência rapidamente está descobrindo, a realidade das relações entre grupos animais durante esse período foi um pouco mais complicada do que o que se pensava. Embora os dinossauros fossem especialmente proeminentes e diversos nos períodos Jurássico e Cretáceo, ainda havia muita mobilidade dentro da cadeia alimentar para os que corriam por fora. O Razanandrongobe é apenas um exemplo de rejeição ao regime 'dinossauriano', um exemplo que faz companhia a outros crocodilianos antigas que deram trabalho para os dinossauros. Sebecosuchias (parentes próximos dos notosuchias) como o baurusuchus caçavam dinossauros menores no fim do Cretáceo no Brasil, patrulhando a paisagem como lobos blindados. Esses primos crocodilianos terrestres se saíram tão bem que alguns sobreviveram na América do Sul milhões de anos depois da extinção dos dinossauros. O "SuperCroc" da África, o sarcosuchus, tinha o tamanho de um ônibus escolar e matava e comia dinossauros.

Mesmo mamíferos, supostamente os azarões da Era Mesozoica, ocasionalmente tinham seu dia ao sol: o repenomamus, um vombate assassino de cerca de 130 milhões de anos, foi descoberto com os restos de um bebê dinossauro fossilizado em sua barriga. O beelzebufo, maior espécie conhecida de sapo, viveu em Madagascar em um período pouco após o Razana; era grande, carnívoro e quase certamente comia filhotes de dinossauro. O "Razana" se encaixa perfeitamente na visão emergente de uma Era dos Dinossauros em que a cadeia alimentar não era tão desigual.

Jake Buehler é um jornalista científico de Seattle com uma obsessão pelas histórias mais estranhas e pouco reconhecidas da biologia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DINOSSAUROS - News

Alossauro

DINOSSAUROS CARNÍVOROS PODIAM ABRIR MANDÍBULAS EM ATÉ 90º


Um grupo de cientistas britânicos estudou o quanto diferentes tipos de dinossauros conseguiam abrir a boca e descobriu que o ângulo de abertura da mandíbula está diretamente relacionado à dieta dos répteis pré-históricos.

 Em geral, carnívoros como o conhecido Tiranossauro rex escancaravam a mandíbula em até 90 graus, enquanto os dinossauros herbívoros só conseguiam abri-la até 45 graus. O estudo, liderada por Stephan Lautenschlager, da Universidade de Bristol (Reino Unido), foi publicado nesta quinta-feira, 5, na revista Royal Society Open Science.


Reconstrução de um crânio de Tiranossauro Rex mostrando a abertura da mandíbula com a abertura máxima.


Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram modelos computacionais para processar os dados, que foram obtidos com minuciosas análises de fósseis e com os registros disponíveis sobre o ângulo de abertura das mandíbulas de diversas aves e répteis modernos.

Os cientistas estudaram a tensão muscular durante a abertura de mandíbula de três diferentes dinossauros terópodes que tinham hábitos alimentares distintos. Os terópodes - palavra composta dos termos gregos "therós" (fera) e "podós" (pés) - eram um grande grupo de dinossauros bípedes que inclui os maiores carnívoros que já viveram sobre a Terra.

"Os dinossauros terópodes, como o Tiranossauro rex e o Alossauro, são muitas vezes retratados com mandíbulas muito abertas, presumivelmente para enfatizar sua natureza carnívora. Mas até agora nenhum estudo havia realmente detalhado a relação entre a musculatura da mandíbula, sua abertura máxima e o estilo de alimentação", disse Lautenschlager.



Estudo comparativo.


Os três dinossauros estudados foram o Tyrannosaurus rex, um grande terópode carnívoro com um crânio robusto e dentes de 15 centímetros, o Alosaurus fragilis, um terópode menor e mais frágil, embora igualmente carnívoro e o Erlikosaurus andrewsi, um parente próximo dos dois anteriores, mas que se alimentava de plantas.

"Todos os músculos, incluindo os que são utilizados para abrir e fechar a mandíbula, só podem esticar até certo ponto antes de arrebentarem. Isso limita consideravelmente o quanto um animal consegue abrir a boca e, portanto, como e de que ele pode se alimentar", explicou Lautenschlager.

A fim de entender em detalhes a relação entre tensão muscular e abertura da mandíbula, minuciosos modelos computacionais foram criados para simular a abertura e fechamento da boca, enquanto eram medidas as alterações no comprimento dos "músculos digitais". As espécies de dinossauros estudadas também foram comparadas aos seus parentes vivos, como crocodilos e aves, cuja tensão muscular e abertura máxima da mandíbula são conhecidas.

O estudo mostrou que o Tiranossauro e o Alossauro eram capazes de abrir a mandíbula em até 90 graus, enquanto o Erlikossauro abria a boca só até 45 graus.


Esqueleto de Tiranossauro.

Entre os dois carnívoros, os resultados mostraram que o Tiranossauro podia, com sua mordida, produzir uma força muscular persistente com diversos ângulos de abertura das mandíbulas - o que seria necessário para romper a pele, despedaçar a carne e esmagar os ossos das presas.

"Sabemos, por meio dos animais modernos, que os carnívoros são frequentemente capazes de abrir as mandíbulas mais que os herbívoros. É interessante ver que isso acontece também no caso dos dinossauros terópodes", afirmou Lautenschla.

Fonte: UOL


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL - Dica de site



Para quem curte saber tudo sobre Ciência, mas por algum motivo não pode ser cientista, o site da revista SCIENTIFIC AMERICAN ajuda a matar a curiosidade sobre a vida, o universo e um pouco mais.

Clique em SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL e ilumine-se.




domingo, 18 de dezembro de 2011

DINOSSAUROS - Livro




 Os autores

Paul Barrett trabalha no Departamento de Paleontologia do Museu de História Natural de Londres e tem diversos artigos e livros publicados na sua área de atuação.

 
Paul Barret

Raul Martín é ilustrador e trabalha em diversas áreas relacionadas a arte. Mas nos últimos anos vem se especializando em ilustrações da vida pré-histórica. Em seu site, você encontra diversas galerias de suas ilustrações paleontológicas.

O livro

Uma publicação com o selo National Geographic, esse livro mantém o conceito da revista: textos acessíveis baseados em muita pesquisa com fotos e ilustrações de alta qualidade gráfica.

 
O livro está repleto de dezenas de belas ilustrações de página inteira e página dupla. 
Clique para ampliar. 


Dividido em capítulos curtos, que vão de uma a quatro páginas, o livro tem três seções distintas: a primeira parte ocupa 60 páginas e dá ao leitor uma visão geral sobre dinossauros, o que são, como foram descobertos, as eras geológicas, as diferentes espécies, teorias antigas e modernas, fósseis, biologia, comportamento, etc. O conteúdo é mais do que suficiente para qualquer iniciante ou professor saber o suficiente para satisfazer sua curiosidade ou preparar uma boa aula. 

A segunda e maior parte do livro, com cerca de 120 páginas, tem um design mais enciclopédico, com cada dinossauro tendo direito a uma à quatro páginas dedicadas a analisar seus ossos, história e comportamento.
Um mapa demonstra a região onde cada um deles habitou e dois gráficos marcam a época em que viveu, seus dados científicos e sua proporção em comparação com o homem. A variedade de dinossauros impressiona e para quem está familiarizado apenas com aqueles que veem em filmes, saiba que existiram milhares de espécies diferentes que viveram em terra, mar e ar. O livro, infelizmente, só pode apresentar uma pequena fração deles e se atém aos dinossauros terrestres, deixando de fora os pterossauros e os monstros marinhos.



 Longos períodos de seca foram um dos fatores que levaram diversas espécies à extinção.


De qualquer forma, o leitor enriquecerá seu conhecimento conhecendo dinossauros que vão desde o tamanho de um pardal até o de um prédio de cinco andares, tal a diversidade fabulosa desses esplêndidos animais, antepassados das atuais aves, e não dos répteis, como muita gente ainda pensa. Os répteis já existiam na época dos dinossauros e crocodilos e tartarugas mudaram mais em tamanho (diminuíram) do que em forma daquela época aos nossos dias atuais.

Na terceira e última parte do livro, que ocupa poucas páginas, o autor fala sobre a extinção dos dinossauros e as teorias que ainda são debatidas sobre o assunto, o interesse renovado por eles graças ao cinema e apresenta um pequeno glossário de termos usados ao longo do livro para uma melhor compreensão do livro.

Um livro obrigatório para qualquer um que tenha nostalgia de um tempo em que nenhum humano jamais viveu.

Trecho

 
 O Carnotauro foi uma espécie que habitou a região sul da América do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul. Uma excelente réplica animatrônica em tamanho natural encontra-se na entrada do MUSEU DA PUC-RS em Porto Alegre.
Página da publicação americana.


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Usado.

Boa leitura.