Canadense nascida em 1979 de pais italianos, Cerra foi cativada pelo ramo artístico aos oito anos e apareceu em muitos comerciais televisivos ainda criança. Em seguida ela parou com os comerciais e só retornou ao ramo com 22 anos de idade. Por conta de sua beleza latina e estonteante, foi indicada como uma das atrizes mais desejáveis de Vancouver pela Vancouver Lifestyles Magazine em 2005. Isso certamente a ajudou a ser escolhida como a policial Jo Lupo em Eureka, uma razoável série de ficção científica da Syfy que foi transmitida entre 2006 e 2012. Também interpretou Hera no primeiro filme da série Percy Jackson & the Olympians. E recentemente viveu A.L.I.E, uma inteligência artificial na 3ª temporada da série The 100.
Adam McKay (1968 - )não é aquele grande diretor que costuma concorrer a Oscars como Woody Allen ou tem uma legião de fãs fiéis como Peter e Bobby Farrelly. Na verdade, só nesta década é que fui notar como o cara era bom e dominava a sua arte. E quando ele juntou a comédia besteirol com crítica político-social em OS OUTROS CARAS, ele simplesmente ascendeu ao nível dos grandes diretores do gênero. E a seguir deu um grande passo ao buscar a comédia dramática no excepcional A GRANDE APOSTA, filme sobre a crise americana de 2008 que derrubou economias no mundo inteiro e concorreu ao Oscar. Assunto do qual ele já havia começado a tratar em OS OUTROS CARAS. Mas antes disso vieram várias ótimas comédias com seu parceiro de produtora (Gary Sanchez Productions) e ator-fetiche, Will Ferrell, com o qual trabalha há muitos anos e com quem co-escreve os roteiros da maioria de seus filmes.
Mas para entender melhor seus filmes e seu processo de trabalho, selecionei perguntas de entrevistas sobre filmes diferentes , pois nada melhor do que saber do próprio diretor.
Sobre OS OUTROS CARAS
Como o filme foi criado? O conceito de paródia veio primeiro? E Will Ferrell estava definitivamente envolvido?
Existe sempre um ponto onde você encontra aquilo que procura. No caso de O ÂNCORA: A LENDA DE RON BURGUNDY (2004), foi Will que assistiu uma entrevista com um âncora de TV dos anos 70 falando sobre como eles eram sexistas. E foi o tom de voz dele que Will adorou. Como RICK BOBBY - A TODA VELOCIDADE, foi o NASCAR, Bush, os estados caipiras da América. Mas com este filme, foi na verdade um jantar com Mark Wahlberg.
Nós saímos com ele e Will e Mark sentaram um ao lado do outro e Mark nos fez rir a noite toda. Ele é um ótimo cara, muito engraçado. E qundo eu fui embora eu disse "vocês dois tem que fazer um filme, essa foi uma das químicas mais interessantes e bizarras que eu já vi e ele (Mark) certamente sabe como jogar ."
Essa foi a gênesis do projeto, e somente por olhar eles e baseado no histórico de Mark, eu pensei, bem, deveria ser uma comédia de ação. Nós ainda não havíamos feito aquilo, e isso era muito empolgante.
E então eu tive esse ideia dos outros caras, os caras que ficam nas mesas ao lado dos superastros. E pra ser bem franco, foi só lá pela metade da coisa toda que eu percebi que nós estávamos fazendo um filme de parceria policial. Não nos passou pela cabeça porque, vamos encarar, de uma certa forma é um gênero quase morto.
Na verdade, eu diria que o único filme bom de parceria policial feito nos últimos 10 anos foi CHUMBO GROSSO. Não consigo lembrar de mais nenhum. Então, de repente a gente tava tipo, "Ah, meu Deus. Estamos fazendo um filme de parceria policial," e nós estávamos tentando mesmo não fazer daquilo uma paródia. Mas, apenas pela qualidade de ser um filme de parceria policial, ele é uma paródia. É como fazer uma comédia que é um Western.
Imediatamente, é uma paródia, mesmo que nós estivéssemos fazendo tudo diferente, ou tentando mudar as coisas. Você sabe que tem que acertar determinados pontos e é assim que funciona. Logo a gente meio que sabia disso. Nós falamos, "Então tá, vai ser um filme de parceria policial. Vamos fazer o melhor pra fazer dele o mais original e engraçado que pudermos. Provavelmente vamos fracassar em alguns pontos, e nesses pontos vai ser uma paródia." Foi assim que começou.
Bom, foi sempre sobre aquela ideia. Assim que se tem essa espinha dorsal, o tema principal, você constrói tudo ao redor disso. Assim que tivemos a ideia do canal de notícias 24 horas, nós soubemos, "O filme vai ser sobre isso." Então escrevemos um texto de 25 páginas que era um monte de merda que a gente queria ver no filme. Não precisa ter nada a ver com a história. Pode ser tão aleatória quanto uma canção romântica para um tubarão, vale qualquer coisa. A primeira de todas, Ferrell disse, "Eu acho que ele precisa tocar flauta de jazz." E nós... "Boa. Ele vai tocar flauta de jazz." E aí você tem esse monte de ideias amontoadas e quando acaba você vai e tenta aplicá-las no tema principal. Você examina o que cola e o que não cola. E às vezes você diz, "Foda-se! A gente vai colocar isso de qualquer jeito." E outras vezes... "Bem, não tem jeito de fazer isso funcionar." Tirando isso, você faz suas guias, faz o primeiro tratamento, que normalmente tem 160 páginas e é uma confusão só. Aí você ajeita aquilo e acaba com 120 páginas. A gente nunca para de reescrever. Você faz outra leitura de mesa, basicamente até começar a gravar, e você fica reescrevendo constantemente. A ideia é ter um roteiro tão forte que te permita improvisar porque você sabe que tem um bom roteiro. Então, junto com a improvisação, a pressão vai embora. Você não depende tanto dele.
Como você alterou seu estilo de comédias besteirol para A GRANDE APOSTA? Você trabalhou com o Diretor de Fotografia Barry Ackroyd nele, com uma estética câmera na mão e acompanhamento de personagens. Em uma conversa recente com Paul Thomas Anderson, você mencionou que comédia são gravadas tradicionalmente com planos estáveis, centrados nos atores, enquanto quem em A GRANDE APOSTA você conseguiu ótimas risadas com uma câmera que praticamente voava pelo ambiente.
Acho que toda história, todo filme, tem uma forma como necessita ser contado. Eu acredito que a forma serve a função. E no caso desta história, eu senti que ela era um história oposta à MARGIN CALL - O DIA ANTES DO FIM e WALL STREET, que são mais sobre o lado do poder. Esta é mais sobre os caras nervosos, marcados pela pena e levados pela ansiedade que estavam na beirada de tudo. Por isso eu sempre soube que queria gravar esse filme num formato verité, meio que num estilo Costa-Gavras. Eu assisti vários filmes dele. E quando se começa a falar desse estilo visual, tem um nome que vem a frente de todos que é o Barry Ackroyd, uma dos melhores Diretores de Fotografia vivos. Nós não queríamos ficar presos num monte de planos médios parados de pessoas em celulares - nós queríamos estar dentro desses momentos, sentir a incerteza, a ansiedade e a empolgação desses caras.
A parte que me surpreendeu foi que, normalmente, na comédia te dizem para manter o plano bem parado pra deixar o ator e as ideias criarem a comédia, e não o plano. E eu fiquei empolgado ao ver nesse filme que mesmo tendo essa estética verité, nós estávamos conseguindo boas risadas - o que me fez pensar que o público está se tornando rapidamente bastante sofisticado em relação a estéticas visuais.
Natalie Hershlag nasceu em 1981 em Jerusalem, Israel. Sim, ela é israelense e o sobrenome Portman foi adotado após ela começar a trabalhar em filmes e para que não fosse importunada ou reconhecida no colégio, onde usava seu nome de batismo.
Aos 11 anos foi descoberta por um agente de modelos em um pizzaria e embora tenham tentando emplacá-la nessa carreira, ela mesmo preferiu tentar ser atriz. Após alguma prática no teatro, ela estreou no cult movie O Profissional (Leon, 1994) aos 13 anos. Apesar de eu achar que o filme tem um roteiro ruim, eu fiquei hipnotizado com a presença dela na época. Pois é, muito adulto ficou meio envergonhado de sua fascinação por ela na época. Foi a Chloe Moretz dos anos 90.
Da mesma forma ela atraiu olhares de grandes diretores da época e lá foi ela trabalhar com Martin Scorsese (Fogo Contra Fogo) e Tim Burton (Marte Ataca!). Nessa época ela já era vegetariana há alguns anos e em 2009 assumiu o veganismo e hoje tem até sua marca de calçados veganos.
Em 1998 ela foi escalada para ser a futura mãe da Princesa Leia na mega aguardada "continuação" de Star Wars. Infelizmente os filmes ficaram muito abaixo do nível da trilogia original e a carreira de Portman quase acabou por conta da nova trilogia, pois como Lucas não dirigia atores, ela foi deixada a própria sorte e entregou uma performance fraca durante anos seguidos. Sua sorte mudou em 2004, quando Mike Nichols a chamou para atuar em Closer: Perto Demais e pode comprovar seu talento para papeis dramáticos.
Finalmente, em 2010, Darren Aranofski a catapultou ao Oscar com seu filme Cisne Negro. Depois de receber o cobiçado troféu de Melhor Atriz, ela não fez boas escolhas e atuou em filmes que não fizeram muito sucesso com a crítica ou que a deixassem explorar seu potencial. Blockbusters como a franquia Thor da Marvel a mantém visível, mas não garantem muito mais do que um bom contracheque. Mas eis que em 2016 ela é indicada para o Oscar novamente por Jackie. O que demonstra que ela ainda tem fôlego, basta escolher os filmes certos.
Considerada pela grande maioria dos críticos como a melhor atriz em atividade, Meryl já foi indicada 19 vezes ao Oscar. E já ganhou três deles. Nascida em 1949 no estado de New Jersey, Meryl queria ser cantora de ópera, mas acabou se interessando por interpretação e lá se foi para a faculdade de artes dramáticas de Yale. Sua estreia no cinema foi com o filme Julia (1977). Com uma performance muito elogiada por esse filme, acabou sendo escalada para o Franco Atirador (1978) e foi indicada para seu primeiro Oscar. E em 1979 ganharia a estatueta de fato pelo seu papel de mãe divorciada que briga pela custódia do filho em Kramer Vs Kramer. Daí em diante foram dezenas de papéis memoráveis em uma carreira sólida e brilhante como poucas atrizes no mundo tiveram a sorte de ter. Destaco os seguintes filmes...
A Morte lhe Cai Bem (1992), de Robert Zemeckis.
Nessa comédia fantástica de humor negro, Meryl mostra uma veia cômica raramente utilizada pela maioria dos diretores com quem trabalha. Uma atriz em decadência e com medo da velhice, Madeline Ashton (Streep) fará de tudo para permanecer bela. O papel lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia.
As Pontes de Madison (1995), de Clint Eastwood.
Indicada ao Oscar pelo seu papel de uma simples dona de casa vinda da Itália, Meryl nos brinda com uma de suas melhores e mais pungentes performances de uma mulher em crise com seus valores e escolhas de vida.
O Diabo Veste Prada (2006), de David Frankel.
Meryl deve ter se divertido muito ao fazer um papel baseado em uma famosa editora de uma revista de moda. Malvada, debochada e sarcástica, a Miranda Priestly de Meryl a tornou uma atriz conhecida para uma nova geração de espectadores desacostumados a assistirem filmes de décadas passadas.
Publicada na revista Made in Brazil nº 2 em dezembro de 1991, esta HQ que escrevi em 1989, quando tinha 22 anos, tem uma premissa que ainda acho bacana, embora seu desenvolvimento deixe muito a desejar para meu espírito crítico atual. Mas enfim, fica como curiosidade e uma amostra de que todo mundo tem chance de melhorar com o passar dos anos ;-)
Cá pra nós, o pessoal de Hollywood anda abusando dos roteiros ruins.
Diz que eu estou mentindo, diz...
VOCÊ JÁ VIU ESSE FILME QUANDO...
... O vilão tenta matar o herói de novo antes do final, mesmo que ele já tenha sido nocauteado, atropelado, caído de um penhasco, diluído em ácido ou explodido.
... A mocinha odeia o herói no início, mas acaba ficando com ele, mesmo que seja um cafajeste completo – um cafajeste de bom coração...
... Apesar de o filme se passar na Idade Média, os cavaleiros europeus sabem lutar artes marciais muito bem.
... O terrorista colocou uma bomba num estádio de futebol e o herói consegue desarmar a bomba cortando o fio vermelho a menos de dois segundos da hora H. Ou será que foi o fio verde?
... O casal apaixonado vai transar e a câmera desvia para um quadro, para o mar, para o céu, para os passarinhos, enfim para qualquer coisa para não deixar a gente ver o que eles estão fazendo na cama.
... Os aliens sempre são mais inteligentes e superiores, mas apesar disso aparece um humano (humano americano!) que inventa ou descobre uma porcaria qualquer que acaba com os aliens, que já devastaram muitas outras civilizações antes da nossa.