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terça-feira, 15 de agosto de 2017

VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS - Crítica



Por Gary Dowell para o site DARK HORIZONS.

(Não contém spoilers.)

O retorno muito esperado de Luc Besson à space opera e ficção científica pop não é o pior filme de 2017, mas eu juro que ele se esforça muito para ter essa honra. Baseado na longeva série em quadrinhos, o filme tem um visual muito bonito de se olhar, mas também é um teste vazio, idiota e sem sentido da paciência do espectador.  

É um choque e uma decepção, que se ergue na forma de uma sensação ruim que surge após uma sequência de abertura  promissora e visualmente extasiante, e que lá pelo meio do filme gera uma metástase, quando se percebe que a cena dos créditos de abertura e a pequena parte de Rihanna como a dançarina  transmorfa vão ser os únicos grandes momentos do filme.




A trama - o pouco que existe - é assim: Quatrocentos anos no futuro, um planeta paradisíaco é destruído por um inesperado evento incendiário. Corta para Han Solo Diet, quer dizer, Valerian (Dane DeHaan) e sua colega/namorada Laureline (Cara DeLevigne), agentes especiais para a Federação Unida dos Humanos em uma vaga missão para recuperar um MacGuffin* e entregar para seu oficial superior, o Comandante Fillitt (Clive Owen). Desse ponto em diante, Valerian e Laureline vão gastar cerca de 90 minutos sendo atirados de um cenário à outro com um mínimo de desenvolvimento dramático, até a batalha final obrigatória.

A grande falha de Valerian é que ele não é sobre nada, no fim das contas. Mal tem uma história ali, os arcos dos personagens são quase não-existentes, e as camadas de assuntos são ignoradas largamente, o que é uma pena porque o filme cria uma oportunidade de ouro para fazer algum comentário social antes de sair vagando, distraído pelos objetos brilhantes de sua direção de arte.



Enfim, o filme poderia ter corrido melhor se os protagonistas fossem pelo menos carismáticos e divertidos, mas DeHaan e DeLevigne estão paralisados e com olho de peixe morto em praticamente todas as cenas. Provavelmente não é culpa deles; Besson mergulha fundo na magia do CGI (animação digital) como se fosse sua única chance de fazê-lo, e seus atores são enterrados debaixo daquilo que pode ser descrito como um Guardiões da Galáxia dirigido por um Willy Wonka enlouquecido.

E para completar, Valerian e Laureline são um casal genérico da tela pensados como um soldado adorável e sua bela amante de longa data; mas no entanto, a rotina "Eu-te-amo-casa-comigo/você-é-um-idiota-com-problemas-de-relacionamento" é tão truncada, estereotipada e levemente abusiva (gaslighting) que eles passam por aqueles casais insípidos e enjoados que você gostaria que levassem sua discussão na fila do mercado para bem longe.

O que sobra é um O Quinto Elemento com um orçamento muito maior e sem restrições. Entenda como quiser.

*MacGuffin é um nome genérico que se dá para um objeto que é usado para motivar o protagonista durante a trama. Ele pode ou não ter importância narrativa.

Leia a crítica original aqui.





terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BATMAN BEGINS (EUA, 2005) – crítica

Cartaz do filme dá o tom trágico do herói.
Clique nas imagens para ampliá-las.

O Diretor

Christopher Nolan é um diretor britânico nascido em 1970. Aos 30 anos, mudou-se para os Unidos, onde realizou AMNÉSIA (Memento, 2000), filme independente de baixo orçamento (3 milhões) que se tornou imediatamente um cult e o colocou no radar de Hollywood como um diretor original e criativo.


No set de BATMAN BEGINS.

Sinopse


Bruce Wayne, após sofrer um grande perda na sua infância, decide combater o crime como Batman.

O Filme

Com um orçamento de 150 milhões de dólares, Nolan, que até o momento só havia dirigido filmes que privilegiavam mais o lado psicológico do que físico de seus personagens, fica responsável por uma das maiores franquias de super-heróis de cinema: o Batman.

Mais um belo cartaz que reproduz a atmosfera do filme.

Com milhões de fãs tendo como base os dois filmes de Tim Burton e principalmente o já clássico curta DEAD END, Nolan não tinha apenas a responsabilidade financeira, mas também artística de fazer algo que fosse superior em termos estéticos e psicológicos em relação às obras citadas.

Para quem conhecia o estilo de Nolan, já se sabia que se poderia esperar uma boa direção de atores, uma caprichada direção de arte e uma boa dose de realismo. Fugindo do estilo Burton de criar cenários propositalmente artificiais, Nolan decide recriar uma Gotham City mais realista usando como base a cidade de Chicago, uma cidade industrial e portanto, com cores mais escuras.

Tons pastéis dominam o cenário.
Design de Produção de Nathan Crowley.


Além de construir algumas quadras e vários andares de prédios dentro de um estúdio na Inglaterra, Nolan optou por usar o mínimo possível de CGI (Computer Graphic Image), pois como muitos de nós, ele estava saturado de ver filmes abusarem desse tipo de efeito sem realmente convencer ninguém. Ele basicamente resolveu seguir a fórmula do primeiro SUPERMAN de Richard Donner e aplicar verossimilhança a sua visão do Batman. E nada faz isso melhor do que o mundo real. Assim, locações reais na Islândia, Chicago, Inglaterra e outros locais foram utilizados para trazer o mundo real para dentro do universo do Cavaleiro das Trevas.

Para dar mais credibilidade ainda ao seu Batman, Nolan chamou os mais diversos especialistas para criar o figurino e o arsenal de equipamentos que o herói usaria. Assim, praticamente tudo o que ele usa no filme, foi adaptado de equipamentos que já existem hoje em dia.


A capa de Batman é uma asa delta em miniatura.
Esta sequência foi inspirada no minisérie BATMAN - ANO UM.

Com isso e um elenco muito bem escalado, Nolan realizou um filme de origem dando ênfase em como uma pessoa com recursos poderia, em nível mental, físico e social, vir a se tornar um combatente do crime.

O filme inicia mostrando o jovem Bruce Wayne (Christian Bale) numa prisão no Tibet ocupado pela China, em sua tentativa de entender o mundo dos criminosos e como eles pensam. Encontrado por Ducard (Liam Neeson), ele é convencido a se juntar a legião de Ra’s Al Ghul (Ken Watanabe) e aprender os segredos do milenar Ninjutsu. Nos gibis, Al Ghul é um dos maiores oponentes de Batman, visto que ambos são bilionários que usam de sua fortuna para fazer justiça. A diferença é que Al Ghul atua em escala global (da mesma forma que um governo intervencionista) e Batman não compactua com seus métodos cruéis.


Ducard (Liam Nesson) não é quem parece ser...

Neste primeiro ato, temos então, a origem e a formação da persona do Batman. No segundo ato, Batman finalmente abre suas asas sobre Gotham e uma reviravolta bem urdida na trama traz personagens do primeiro ato de volta ao cenário.

Alguns poucos defeitos do filme são referentes a determinadas caracterizações dos atores, que deixaram sue personagens caricaturais. Tom Wilkinson, um grande ator dramático, não convence como um chefe da máfia e diferente de seus colegas, ele parece mais ser um personagem de gibi do que de carne e osso. A decisão de Bale em tornar a voz de Batman gutural e raivosa funciona apenas com frases curtas, porém, quando ele tem que falar durante algum tempo, soa forçada e até mesmo ridícula em alguns momentos. Mas tudo isso é perdoável diante de tantos acertos, especialmente falando de Michal Caine como Alfred e Morgan Freeman como Lucius Fox, atores veteranos que tem os diálogos mais inteligentes, sarcáticos e engraçados do filme.


Christian Bale, diferente de Michael Keaton, realmente convence como Bruce Wayne/Batman.

Apesar de não ser uma obra-prima como seu sucessor, BATMAN BEGINS planta as raízes para ele, especialmente ao final, quando o Tenente Gordon (Gay Oldman, excelente como sempre) menciona o conceito de “escalada”, exemplificando que o fato de Gotham agora ter um herói mascarado mais poderoso do que a própria polícia faz surgir criminosos mais violentos e loucos do que os anteriores. E lhe entrega uma evidência disso: uma carta de baralho, o Coringa.

Tendo arrecadado 372 milhões no cinemas e mais 400 milhões no mercado de DVD, BATMAN BEGINS é um ótimo filme de aventura por si só e entra para a lista do 10 melhores filmes de super-heróis já feitos até agora.


Em uma Gotham corrupta e decadente, Batman é o que resta entre a luz e as trevas.


Trailer




Paródia MTV MOVIE AWARDS




Boa sessão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SUPERMAN – OS FILMES – Crítica

Homenagem de um fã pela morte de Christopher Reeve.
Clique nas imagens para ampliá-las.

Minha intenção original era escrever apenas sobre SUPERMAN RETURNS, mas a tentação veio e como este se baseia nos primeiros dois filmes do super-herói, achei que era melhor matar 5 super-coelhos com uma kryptonita só.
Então, se você gosta do personagem ou de cinema, espero que curta essa minha tentativa de falar algo relevante sobre os 5 filmes, embora eu confesso que não há muito o que falar do 3º e 4º filmes da série.
Então, vamos lá, para o alto e avante!

SUPERMAN – O FILME (1978)

Cartaz do filme.
Sinopse

Jor-El envia seu filho, Kal-el, para a Terra. Criado como um ser humano normal, ele se tornará, quando adulto, o maior super-herói de todos os tempos.

O Diretor

Richard Donner (1930 - ) é um diretor americano cujo maior mérito talvez possa ser definido por seu tratamento sério e realista a filmes fantásticos como A PROFECIA, LADYHAWKE e LINHA DO TEMPO. Seu senso de realismo e preocupação com a verossimilhança em SUPERMAN – O FILME inauguraram uma nova visão sobre o mundo dos super-heróis, que até então ganhavam apenas versões infantilizadas e de baixo orçamento para o cinema.

Finalmente um Superman em que todos poderiam acreditar.

O Filme

Os acordes iniciais da trilha sonora de John Williams para este filme se tornaram tão icônicos quanto o personagem. O crescendo das notas chega a um ponto em que em seu clímax, a música parece dizer “Superman”. Eu pensava que era o único que achava isso, mas assistindo aos extras do DVD, o próprio Donner contou sobre a reação dele ao escutar a trilha: “O que foi isso? A música disse ‘Superman’?” Isso é ser gênio.

E contratar gênios para trabalhar com você, é o primeiro passo para se fazer um grande filme, e Donner soube fazer isso. Da magistral composição de John Williams, ao esperto roteiro de Mario Puzo, Robert Benton, Tom Mankiewicz e David e Leslie Newman, ao excelente elenco e ao ótimo Desenho de Produção de John Barry , a qualidade de SUPERMAN – O FILME, salta aos olhos. E ultrapassa os prédios mais altos.

A imagem de Christopher Reeve como Superman marcou gerações.

É claro, metade dos efeitos especiais do filme parecem antiquados aos nossos olhos acostumados aos CGIs da vida, mas isso é o que menos importa quando existe uma boa história sendo contada através de uma direção competente e atores que te fazem acreditar em tudo aquilo que você está vendo.

Metade das cenas de vôo de Superman eram reais.
Aqui, Reeve testa seus poderes de vôo com cabos no estúdio.

A começar por Christopher Reeve, que era um ator completamente desconhecido e que se tornou mundialmente famoso graças ao duplo papel de Clark Kent/Superman. A cena do apartamento de Lois, onde ele tira os óculos e em dois segundos deixa de ser o desengonçado Clark Kent para incorporar a imponência de Superman é um trabalho corporal que deve ter exigido muito do ator para chegar àquela perfeição.

Margot Kidder faz uma Lois Lane perfeita: independente, intrépida e romântica sem parecer artificial como suas predecessoras televisivas. Vale salientar o fato de que a atriz nem sequer era uma beldade para os padrões da época. Uma mulher normal, mas com atitude, isso é o que importava para o diretor, que testou atrizes bem mais bonitas e famosas para o papel.

E Gene Hackman, com seu divertido e arrogante Lex Luthor, parece estar se divertindo muito com seu personagem. Bem, todos sabemos que os vilões sempre tem os melhores diálogos nos filmes.

O asséptico e elegante desenho de produção de John Barry para a condenada civilização de Krypton.

E a ação começa em Krypton e a primeira frase da filme sai dos lábios de Jor-El (Marlon Brando): “Isso não é fantasia.”
Esse diálogo, entregue por aquele que é considerado por muitos o melhor ator do século XX, dá o recado do diretor: ele vai levar Superman a sério. E ele leva.

O primeiro ato do filme começa com uma execução (que terá repercussões no segundo filme) e acaba com uma tragédia, a destruição de Krypton. Neste ato se constrói a relação Jor-El/Deus e Kal-El/Jesus Cristo, pois Jor-El é mostrado como o mais sábio e bondoso dos kryptonianos ao enviar seu único filho para nos salvar e nos mostrar o caminho certo.

A primeira cena do filme prenuncia a trama principal da sequência.

Chegando a Terra, Kal-El é adotado por um bondoso casal de americanos (alguns críticos vira aí referência a história de Moisés) onde é ensinado a respeitar e defender as tradições, os bons valores e o modo-americano-de-vida (entenda como quiser).

Nesta idílica seqüência, vemos Kal-El crescer na figura de Clark Kent, um jovem, como tantos outros, sem saber o seu lugar no mundo e tendo que esconder seus poderes de todos. Bem, nem sempre, como nos mostra a divertida seqüência de corrida com um trem.

Sendo talvez o ponto alto do filme enquanto cinema, a bela fotografia de Geoffrey Unsworth aproveita as belas paisagens dos campos do Kansas, onde a imponência da natureza faz crescer a solidão do personagem principal. Uma edição bem pensada e poucos diálogos dão a profundidade e a sensação épica da jornada do herói que está prestes a iniciar.

Só das planíces americanas poderia vir um escoteiro como Superman.
E somente 50 minutos depois do início do filme é que temos o primeiro vislumbre do super-herói. E mesmo assim, é uma única tomada. Sua aparição de verdade só acontecerá quando o filme tiver ultrapassado mais de 60 minutos. Um esforço corajoso de Donner em tomar o tempo necessário para criar o mito dentro do filme e da mente dos espectadores e não banalizar sua presença na tela. Uma fórmula adotada por quase todos os filmes de origem de super-heróis desde então. Embora só CONAN, O BÁRBARO (1982), HOMEM-ARANHA (2002) e BATMAN BEGINS (2005) tenham conseguido isso de forma efetiva.

O filme segue o ritmo que a história necessita.
Clark entra na Fortaleza da Solidão...

Em seu terceiro e último ato, o filme assume uma atmosfera mais leve e divertida, já que a existência de Superman em um mundo sem outros super-heróis é tratada de forma semi-realista e abre espaço para diversos super-feitos ingênuos e bem-humorados, como ver a cor da calcinha da repórter Lois Lane através da visão de raio-x ou largar um enorme barco cheio de criminosos em frente à uma delegacia.

As primeiras pessoas a verem Superman são um gigolô e suas prostitutas.
Superman não confronta o mundo real...

A kryptonita pega quando Lex Luthor, “uma das maiores mentes criminosas do planeta” (segundo ele mesmo), assessorado por uma loira burra (Valerie Perrine) e um gordinho estúpido (Ned Beatty) tomam o controle de dois mísseis nucleares com a intenção de afundar a Califórnia provocando o maior terremoto de todos os tempos. Os motivos de Luthor são um tanto bobos, mas seu plano original é esperto.

Superman ergue a falha tectônica de San Andreas.
Referência a Atlas.

A partir desse momento, Superman deixa de brincar de escoteiro e vai realizar coisas realmente sérias, onde um show de efeitos especiais empolgantes e a serviço de uma narrativa e não o contrário, dão a dimensão certa ao mito. E a tragédia final e a cena da ressurreição são mais uma referência aos milagres de Cristo.

Ao final, o espectador deixa o filme com uma sensação de leveza e com uma vontade danada de voar, pois como dizia o slogan do filme... “Você vai acreditar que o homem pode voar.”

E ele realmente voa.

Com um custo de produção na casa do 55 milhões de dólares (5 vezes mais que o primeiro STAR WARS), o filme rendeu 300 milhões nas bilheterias do mundo inteiro.

Nos créditos finais já se anunciava a vinda de SUPERMAN II..., afinal os dois filmes haviam sido rodados ao mesmo tempo. Ou quase isso...

Trailer




SUPERMAN II (1981)

Cartaz do filme.
Cumpre o que promete.

Sinopse


Ao mesmo tempo em que Superman sacrifica seus super-poderes para ficar com sua amada Lois Lane, três criminosos kryptonianos chegam à Terra e rapidamente se tornam ditadores supremos.

O Diretor

Richard Donner dirigiu grande parte de SUPERMAN II antes de ser despedido pelos produtores Alexander e Ilya Salkind. Richard Lester (1932 - ), um diretor britânico com bons filmes no currículo, como 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS e OS TRÊS MOSQUETEIROS, assumiu o restante das filmagens.

O Filme

A versão original de SUPERMAN II nunca será vista pelos fãs, pois as duas que existem, tanto a de Lester quanto a de Donner, carecem de cenas que nunca foram filmadas.

O principal do filme segue inalterado nas duas versões: Zod, Ursa e Non.


Culpa exclusiva dos produtores, que com sua constante pressão sobre Richard Donner para cumprir prazos provavelmente absurdos devido ao fato de estarem lidando com uma produção com uma magnitude além de sua compreensão (efeitos especiais inovadores, tratamento realista de um super-herói e um cineasta com visão), demitiram Donner com 70% do segundo filme pronto e chamaram Richard Lester para completar e redefinir o que faltava.

A versão de Lester cortou várias cenas filmadas por Donner, adicionou a seqüência dos terroristas na Torre Eiffel, a do Hotel na Cataratas de Niagara, entre outras, além de diversas inserções de cenas cômicas. A maioria no estilo pastelão: pessoas levando tombos, perdendo a peruca... nada de humor muito inteligente.

O triunfo de Zod na Lua diz a que ele veio.

Apesar desta não ser a versão pretendida por Donner, ela funciona, pois agrada tanto os fãs do herói quanto aos espectadores que querem ver um filme de aventura divertido./

O filme começa com a extraordinária abertura de John Williams acompanhando um clip retrospectivo do filme anterior. Só isso já valia a entrada no cinema...

Quase todo o elenco original está de volta, com exceção de Marlon Brando na Fortaleza da Solidão, estranhamente substituído por Susannah York (Lara-El).

Superman, apaixonado, decide ser um humano normal.
Idéia muito utilizada nos quadrinhos dos anos 60 e 70.

O super-vilão General Zod (interpretado com arrogância e empáfia pelo excepcional Terence Stamp), acabou se tornando uma das maiores ameaças na mitologia de Superman em qualquer mídia depois deste filme.
A cena em que o presidente americano se ajoelha diante dele dizendo “My God.” (Meu Deus) e é corrigido por ele, dizendo “Zod” dá o tom megalomaníaco do vilão e é também a melhor piada do filme

Zod senta na cadeira do presidente americano.
Dominado os EUA, não precisa dominar mais nada.

Gene Hackman tem as falas mais debochadas e engraçadas do filme novamente e todas suas cenas foram filmadas sob a direção de Donner, pois ele recusou-se a filmar com Lester após Donner haver sido despedido.

Quando assisti ao filme no cinema, com 13 anos de idade, fiquei completamente enlouquecido com a batalha da cidade, onde pela primeira vez se pode ver uma luta de super-seres com um realismo bastante razoável. Claro, nenhum civil inocente morre no meio da batalha arrasadora no meio da cidade, afinal, este ainda é um filme do Superman. Uma pena que a batalha final mesmo tenha sido um pouco anti-climática comparada com a batalha anterior, mas a derrota humilhante de Zod é catártica o suficiente para relevar este fato.

Também me chamou a atenção que em uma das 6 sessões que assisti na época, Superman foi estrondosamente vaiado pela platéia ao aparecer voando com a bandeira americana. Com 13 anos e sem sacar quase nada de política, só anos mais tarde fui perceber que aquele ano marcara o fim da ditadura brasileira patrocinada pelo governo americano e que um grande ressentimento ainda estava muito vivo e presente entre pessoas cientes da realidade política nacional. Duvido que o mesmo aconteça novamente no filme do Capitão América, que deve estrear em 2011. Já no Oriente Médio, acho que pode haver um pouco mais que vaias...

A defesa da verdade, justiça e do modo americano de vida nem sempre é bem visto em outros países...

Mas voltando ao herói da DC Comics, para conhecedores dos quadrinhos, o filme incomodava um pouco mostrando Superman e seus arqui-inimigos utilizando alguns super-poderes nunca antes descritos nos quadrinhos, especialmente o absurdo “super-beijo-apaga-memória”. Como se eles já não possuíssem poderes suficientes...

A versão de Donner, editada por Michael Thau, é mais séria, não contém as sequências extras adicionadas por Lester e nem as piadinhas bobas.

O filme começa mostrando uma das seqüências finais de SUPERMAN – O FILME, onde Superman joga um dos mísseis nucleares no espaço e esse míssil é o responsável original pela libertação dos criminosos kryptonianos de sua prisão na Zona Fantasma.

Os atos do primeiro filme tem consequência no segundo.
Roteiro redondo que só se percebe na versão de Donner.

Além dessa, diversas outras cenas interessantes nunca vistas são adicionadas, como novas cenas com Marlon Brando e uma tentativa mais desesperada de Lois Lane tentando comprovar a dupla identidade de Clark Kent.

A edição de Thau e Donner respeita o roteiro original, inclusive sem acrescentar novos poderes, mas carece de certas cenas que poderiam ligar melhor certas seqüências, mas como estas determinadas cenas nunca foram sequer filmadas, só se pode culpar novamente os Salkind.

Ajoelhe-se diante Zod! FAIL!

Custando 54 milhões, SUPERMAN II arrecadou 250 milhões no mundo inteiro. O primeiro filme foi extremamente bem sucedido no Brasil, e por causa disso, ele foi lançado aqui em dezembro de 1980, enquanto os americanos só o veriam em junho de 1981. Um hiato de menos de 2 anos entre um filme e outro, enquanto os americanos tiveram que esperar 2 anos e meio para ver o Homem de Aço voar novamente.

Trailer




SUPERMAN III (1983)

Cartaz do filme.
Repare que Pryor está em primeiro plano e não é a toa...

Sinopse


Um hacker malandro - mas de bom coração - e um bilionário malvado unem forças para conquistar o mundo e destruir Superman com a ajuda de um super-computador.

O Diretor


Richard Lester novamente, provando aqui que o talento de outrora se esgotara e que realmente, os créditos da direção de SUPERMAN II são de Richard Donner.

O Filme

Tudo bem que os dois primeiros SUPERMAN foram tiveram os orçamentos mais caros da época, mas qualquer um pensaria que a excelente bilheteria de ambos fosse fazer os produtores investir uma quantia similar nesta terceira parte, ainda mais contando a inflação. Mas não foi isso o que aconteceu. Seguindo uma lógica burra, os gastos com o filme devem ter sido por volta de 25 milhões, e a sovinice dos produtores fica evidente na queda de qualidade da fotografia e dos efeitos especiais. Ainda assim, o filme fez 100 milhões ao redor do mundo, menos da metade da renda do segundo filme, mas ainda assim, acabou sendo a 5ª melhor bilheteria daquele ano.

A contratação de Richard Pryor, um dos melhores comediantes da época, para Superman III deixou alguns fãs preocupados e não foi sem razão. De acordo com o próprio Christopher Reeve, o diretor Lester fazia de tudo para que Pryor pudesse ter qualquer tipo de cena engraçada quando as câmeras estivessem rodando.

Esse SUPERMAN III já inicia sem os belos e majestosos créditos inicias que davam a importância épica do personagem. Foram substituídos por créditos mais simples que eram apresentados junto com uma seqüência pastelão envolvendo diversos acidentes com os habitantes de Metrópolis. Bons para uma comédia sessão da tarde, mas um péssimo começo para um filme do Homem de Aço.

Superman recebe uma kryptonita de um falso general (Richard Pryor).
O comediante que acabou com a graça do herói.

O roteiro de Davie e Leslie Newman não fica melhor, com metade do roteiro do filme sendo dispensado às trapalhadas de Richard Pryor, a grande maioria sem graça alguma.

Os únicos dois momentos em que o personagem de Reeve recebe alguma atenção real por parte dos roteiristas e do diretor é quando Clark vai para Smallville e tem breves momentos com Lana Lang (Anette O’Toole, mais tarde Martha Kent no seriado SMALLVILLE), sua paixão não correspondida da adolescência e quando se torna “mau” devido a exposição de uma versão mal-feita de kriptonita verde que o divide em dois mais adiante: Um Clark Kent bom e um Superman mau. Ambos com super-poderes, enfrentam-se em um ferro velho. Nada muito inteligente ou bem feito, mas são os únicos momentos razoáveis em um filme bobo, guardas as devidas proporções.

O Superman mau usa um uniforme mais escuro.
Boa sacada do figurinista.
Pelo menos alguém mostrou serviço nesse filme...

Aliás, o Superman mau dos roteiristas é tão ruim que entre suas grandes maldades, estão apagar a Tocha Olímpica e endireitar a Torre de Pisa. Meda!

Pior que isso, só a patética e entediante cena final recheada de “defeitos espaciais” e que nem vou perder tempo falando sobre ela aqui.

Uma amostra da batalha final deste filme.
É tão ruim qunto parece...

Uma direção burocrática e sem inspiração sobre um roteiro incipiente, esse SUPERMAN III parecia ser o fundo do poço de uma franquia que começou mais do que digna. Mas como tudo que é ruim pode ficar ainda pior, em quatro anos viria SUPERMAN IV. E tanto esse como o que viria a seguir, são filmes que só podem ser assistidos por crianças pequenas sem senso de crítica e fãs hardcore de Superman à título de curiosidade. Se você não se enquadra nessas categorias, não perca o seu tempo.

Trailer




SUPERMAN IV – EM BUSCA DA PAZ (1987)

Cartaz japonês do SUPERMAN trash...

Sinopse

Superman decide livrar o mundo de todas as armas nucleares. Mas Lex Luthor cria uma criatura tão poderosa quanto Superman para impedi-lo: Nuclear Man.

O Diretor


Sidney J. Furie (1933 - ) já concorreu até a Palma de Ouro em Cannes nos anos 60, mas dos anos 80 em diante, seu entusiasmo e criatividade para fazer filmes parecem ter se esgotado e esse SUPERMAN IV é uma prova inegável disso.

O Filme

Lex Luthor (Gene Hackman) e seu Nuclear Man, um ator fisiculturista qualquer.

Com a franquia indo parar nas mãos dos sovinas produtores Menahem Golan e Yoram Globus, famosos por fazerem trasheiras com Chuck Norris e cia., este SUPERMAN IV custou 17 milhões e rendeu apenas 30 milhões no mundo todo. Uma bilheteria 10 vezes menor do que a do primeiro filme. Um super-fiasco.

O que se entende completamente quando se vê o filme, com um roteiro terrível, ingênuo e bobo sendo dirigido e interpretado por pessoas que só estavam ali pelo pagamento no final do trabalho.

O filme tenta emular cenas e idéias que haviam feito sucesso nos filmes anteriores (o vôo de Superman com Lois, um super-vilão poderoso sob as ordens de Lex Luthor), mas com tudo sendo feito sem dinheiro por gente sem talento e/ou desmotivada, fica bem complicado.

Vale-tudo vagabundo na Lua...

Os efeitos são tão horripilantes que pode-se ver o grosseiro recorte da tela verde em muitas cenas e a “grande batalha na Lua” mais parece uma luta fake daqueles lutadores de ringue pulando um sobre o outro.

Um triste fim para o Homem de Aço encarnado por Christopher Reeve.


Trailer




SUPERMAN RETURNS (2006)

Cartaz do filme.
Messiânico.


Sinopse


Após 5 anos no espaço investigando o que restou de Krypton, Superman retorna e tenta retomar sua vida de protetor da Terra. Mas nem todos estão contentes com sua volta...

O Diretor

Bryan Singer (1965 - ) começou sua carreira como diretor em 1988 e estourou em 1995 com o original OS SUSPEITOS, e logo foi chamado para dirigir o bacana X-MEN – O FILME, seguido do empolgante X-MEN 2. Com um ótimo currículo, e por sua estética realista e bem cuidada do universo mutante, principalmente sua preocupação com o desenvolvimento dos personagens, ele foi uma ótima escolha para dirigir o retorno do Homem de Aço.

O Filme

Após ter feito um enorme sucesso com X-MEN e X-MEN 2, Warner Bros conseguiu com que Singer abandonasse uma excelente franquia de super-heróis oferecendo-lhe o maior super-herói de todos os tempos. Um grande fã dos filmes de Donner, Bryan Singer não resistiu a tentação de dar sua visão do que é ser um alienígena que é quase um deus entre mortais.

Em mais uma referência a Atlas, Superman carrega o peso do mundo sob os braços.

Um dos objetivos de Singer com os roteiristas foi estabelecer porque Superman, com todos esse poderes, ajuda os outros. Pode ser uma pergunta besta, mas se você quer acreditar em um personagem, você primeiro tem que tentar entendê-lo e saber as razões que o motivam a ser como é. Questionar-se sobre tais coisas e não simplesmente aceitar o que está nos quadrinhos só porque está lá, é o que faz diretores como Singer e Nolan (de BATMAN) serem melhores do que o resto. Para resumir, Singer e seu colegas concluíram que Superman faz o que faz porque, como ser único que é (um alien neste planeta), sente a necessidade de ser aceito e de ter relações com o próximo, necessidade básica de qualquer ser social. Tornando-se um ditador e colocando seus desejos sobre os demais, ele não seria aceito e muito provavelmente odiado. Com isso entendido, eles poderiam trabalhar toda a mecânica de relação de Superman/Clark Kent com o resto do mundo. Ponto para Singer e equipe.

Nesse filme você acredita novamente que o homem pode voar.

Ciente de que praticamente o mundo inteiro conhece o Superman de Christopher Reeve, Singer escalou o relativamente desconhecido Brandon Routh, que além de ser parecido com seu antecessor, emulou com perfeição os maneirismos que Reeve criou para o personagem e foi mais além. Seu Clark Kent continua pateta, mas é mais humano e seu Superman continua heróico, porém mais majestoso. Mais um ponto

Todos os personagens principais originais estão lá, até mesmo Jor-El (vivido novamente por Marlon Brando graças a mais moderna tecnologia), mas todos tem um tom mais realista e sério. O Lex Luthor do oscarizado Kevin Spacey continua com ótimas falas, mas desta vez ele é mais cruel e cínico do que a versão de Hackman.

Um Lex Luthor mais cruel para os tempos que correm...

As cenas de ação são magníficas e empolgantes, respeitam as leis da física e tudo o mais. Temos romance, intriga, humor, catástrofes e tudo o que se tinha nos outros, entretanto o filme não agradou ao grande público. O que houve?

Para os grandes estúdios americanos, se um filme não se paga dentro das bilheterias do mercado doméstico (EUA e Canadá), ele é considerado um fracasso. Isso explica o fato de SUPERMAN RETURNS, ter tido sua seqüência cancelada. Isso e o fato do filme ter ficado longe de dobrar a quantia investida. Com 270 milhões de dólares de orçamento, o filme rendeu 391 milhões no mundo todo, mas apenas 200 milhões no mercado doméstico.

O alto custo de um filme com Superman sempre foi o maior inimigo da franquia.

Eu sou suspeito pra falar, pois amo esse filme, mas o conceito que Singer usou para continuar a franquia e homenagear os filmes de Donner talvez não tenham sido bem pensados sob um certo aspecto... Parece incrível, mas o que Singer fez, basicamente, foi fazer sua própria versão do primeiro filme aproveitando apenas alguns elementos dos primeiros dois filmes para não ter que explicar tudo novamente e dar um passo adiante, evoluindo as situações, da mesma forma que fez com os atores e seus personagens.

Para perceber isso, basta fazer algumas comparações:

Em SUPERMAN – O FILME, Superman chega a Terra em sua nave, passa sua infância na fazenda, apresenta-se ao mundo salvando Lois Lane de uma queda de helicóptero, passa a realizar super-feitos, vôo romântico com Lois, Lex Luthor desenvolve um plano para conseguir terra para vender, consegue kryptonita para usar contra Superman, derrota Superman e o joga para morrer numa piscina, Superman é salvo por uma mulher (Tessmacher) e impede o plano de Luthor de matar milhões erguendo uma grande massa de Terra, Lois Lane morre e é ressuscitada.

Como em SUPERMAN - O FILME, o Superman de Singer também atravessa um mar de fogo.

Em SUPERMAN RETURNS, Superman volta a Terra em sua espaçonave, relembra sua infância na fazenda, reapresenta-se ao mundo salvando Lois Lane de uma queda de avião, passa a realizar super-feitos, vôo não tão romântico com Lois, Lex Luthor desenvolve um plano para conseguir terra para vender, consegue kryptonita para usar contra Superman, derrota Superman e o joga para morrer no mar, Superman é salvo por uma mulher (Lois) e impede o plano de Luthor de matar bilhões erguendo uma grande massa de Terra, Superman é quase dado como morto, mas recupera-se (ressuscita).

Ah, sim, e também as relações Deus/Jor-El, Superman/Cristo estão presentes.

Um dos pouco pontos negativos do filme é que Superman continua preferindo proteger o dinheiro dos banqueiros do que fazer algo mais significativo.
Acho que o modo americano de vida (leia-se capitalismo) vem antes da justiça e da verdade...

Basicamente a mesma história, com a grande diferença que aqui ela é melhor contada através de uma visão mais madura e que leva os personagens a evoluírem emocionalmente, especialmente com a grande novidade que Singer decidiu colocar no filme e que mostra que o clímax do filme não é a cena em que Superman salva o mundo, mas a cena em que Superman é salvo de uma vida de solidão ao descobrir que não está mais sozinho neste mundo. De qualquer forma, Singer poderia ter trabalhado exatamente os mesmos pontos sem a necessidade de reciclar tantas cenas do primeiro filme.

De qualquer forma, é mais do que louvável a decisão corajosa de Singer em dar mais valor ao drama de ser Kal-El do que a aventura de ser Superman . O pecado de Singer, no fim das contas, foi ter tentado apresentar às platéias despreparadas um Superman humano, demasiado humano.


Trailer




Agora é ir na locadora e se divertir.

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BÔNUS

COMO SUPERMAN – O FILME DEVERIA TER ACABADO





200.000 VISITAS!


E para comemorar tantas visitas, só um super-post desses! Muito obrigado a todos!

sábado, 1 de maio de 2010

TROVÃO TROPICAL (Tropic Thunder, EUA, 2008) - Crítica Retrô


Sinopse

Três atores consagrados e um rapper protagonizam mais um épico sobre a Guerra do Vietnã. Egocêntricos, neuróticos e um tanto loucos, eles acabam se colocando em uma situação de guerrilha real pensando que ainda estão atuando no filme.


O personagem de Stiller sempre salva a pátria. E o mundo de lambuja.

O diretor


O diretor e ator Ben Stiller tem uma carreira bastante irregular em termos de comédia. Apesar de sua popularidade geralmente permanecer intacta diante do grande público, para os críticos ele geralmente é um ator e diretor mediano que volta e meia decepciona tanto quanto surpreende.

QUERO FICAR COM POLLY; DUPLEX; OS EXCÊNTRICOS TEENENBAUMS; HERÓIS MUITO LOUCOS; CAINDO NA REAL; SEUS AMIGOS, SEU VIZINHOS”; QUEM VAI FICAR COM MARY e O PENTELHO são os títulos na extensa filmografia de Stiller em que ele consegue exibir seu talento em bons roteiros.

Os atores

Ben Stiller é Tugg Speedman, herói de filmes de ação mega-trash onde ele sempre salva o mundo, mas que quer ser reconhecido por seu talento dramático, que ele aparentemente não tem. E como ator, Stiller sempre foi reconhecido por suas comédias, embora volta e meia ele mesmo tente papéis dramáticos em filmes menores, mas sem muito sucesso.

Jack Black zomba de si mesmo.

Jack Black é Jeff Portnoy, comediante viciado em drogas que só faz comédias estilo baixaria. Inspirado em John Belushi, Eddie Murphy e nele mesmo, essa é uma das poucas performances decentes de Black.

Brandon T. Jackson é Alpa Chino, um rapper fodão que esconde sua homossexualidade através de letras sexistas, machistas e misóginas. Mais um deboche às muitas produções que escalam cantores famosos simplesmente para garantir mais bilheteria através dos fãs.

Robert Downey Jr. é Kirk Lazarus, o super ator ganhador de 5 Oscars convidado a emprestar seu nome e talento para dar respeitabilidade ao filme de guerra cheio de clichês. Ator do “Método”, Lazarus passa por uma cirurgia para se transformar em um sargento negro e nunca sai de seu papel, criando conflitos étnicos com Alpa Chino o tempo inteiro. Ironicamente, Downey Jr. acabou ele mesmo concorrendo ao Oscar 2009 de melhor ator coadjuvante por sua sátira aos atores oscarizados.

Downey Jr. interpreta um personagem negro clichê que enfurece o rapper negro Alpa Chino.

Tom Cruise é Les Grossman, o horroroso e desbocado chefão do estúdio produtor, cujos valores pessoais de vida são uma conta bancária enorme e mulheres para transar. Se não fosse Tom Cruise, Downey Jr. teria sido a melhor coisa do filme, mas a bizarra caracterização de Cruise gordo e feio neste papel é o melhor achado do filme. Ainda bem que ele e Downey Jr. nunca estão na mesma cena juntos ou seria difícil saber em quem prestar atenção.





O filme


TROVÃO TROPICAL é um daqueles filmes em que você acha que todas as piadas boas estão no trailer, e é uma hilária surpresa ver que o filme é muito mais engraçado que o trailer. Provavelmente o melhor e mais inspirado trabalho de Stiller até o momento.

Geralmente filmes desse tipo, com atores com Ben Stiller e Jack Black, acabam sendo filmes com um fiapo de roteiro onde parece que deixam toda a comédia ser feita através da improvisação dos atores, o que geralmente acaba em piadas sem graça alguma, pois não um objetivo a ser alcançado ou uma estrutura coerente para se construir a narrativa.

Por sorte, Stiller e Justin Theroux escreveram um bom roteiro e parecem seguí-lo, pois as situações cômicas vão sendo construídas e elaboradas até uma resolução real e verdadeiramente divertida.

E com um bom roteiro e bons personagens, atores decentes e bons podem fazer maravilhas.

Filme dentro de filme, ator dentro de ator, o filme é uma salada metalingüística e uma sátira bem-humorada e criativa sobre Hollywwod, os estúdios e seus atores de ego inflado-quase-explodindo.

Certamente uma das melhores críticas debochadas à indústria cinematográfica americana que há para se assistir e a melhor comédia de 2008.

Imperdível!



Os créditos finais! Veja Cruise rebolando e arrasando!


ENQUANTO ISSO...

Acabaram as pulseiras do Sexo? Use o Colar do Mico!

E como sempre, bobagens lá no meu blog da Capricho.