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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU - Galeria

 Clique para ampliar.


Lançado oportunamente em 1977, mesmo ano de Star Wars, Contatos Imediatos de 3º Grau, de Steven Spielberg, consolidou de vez o blockbuster americano e mudou a história do cinema.
E para o bem e para o mal, estabeleceu a hegemonia de filmes fantásticos dos grandes estúdios entre as maiores bilheterias de todos os tempos a partir de então.   










Poster de uma série de paródias misturando filmes antigos e modernos conectando-os através de seus títulos. 


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

AKIRA KUROSAWA - Entrevista

Akira Kurosawa foi o cineasta japonês mais popular no Ocidente.


Uma das últimas entrevistas de Akira Kurosawa (1919 - 1998).

A entrevista original (em inglês) contém muitas observações do entrevistador Maani Petgar a respeito de filmes e das reações de Kurosawa durante a entrevista que podem ser bastante ilustrativas. Clique abaixo para ler.

Cinephilia & Beyond

Maani Petgar e Akira Kurosawa.


- Sr. Kurosawa, eu estava pensando em como você foi apresentado ao Cinema Iraniano.

- O primeiro filme que vi foi um filme de Kiarostami. Durante o regime do Xá, fui convidado para ser jurado do Festival de Filmes de Teerã, do qual declinei pois era uma responsabilidade muito grande. Depois da Revolução, eu vi o filme do Sr. Kiarostami (Onde Fica a Casa do meu Amigo?) e fiquei bastante impressionado em como era bem feito.
A tela é como uma grande praça onde todos podem se juntar e conversar entre si. Por exemplo, eu trago para minha tela os problemas de meu país e Kiarostami os do dele. Os atores dão voz as nossas palavras, tocam o coração das pessoas e esse é o papel do cinema, falar um com o outro. E essa é a responsabilidade do seu cinema.
Um filme deve ser feito com o coração, não com a mente. Eu penso que os jovens cineastas de hoje esqueceram isso e hoje fazem filmes através de cálculos. É por isso que não existe mais público para filmes japoneses.  Como toda a sinceridade, filmes tem que ser feitos apontados para seus corações. Na época de Ozu, meu mentor, e também na minha época, nenhum cineasta fez filmes baseados em teorias e cálculos, e foi graças a isso que o cinema do Japão foi capaz de moldar seu anos dourados. Jovens cineastas usam técnicas para humilhar seu público. Está errado. Nós devemos servir ao Cinema e fazer um filme que estimule a plateia. No fim das contas, o objetivo deveria ser fazer um filme artístico. Simples, não é?

- Em seus filmes mais antigos, existe sempre uma preocupação sobre as situações humanas. Qual a raiz disso?

- Quando se fala de humanidade no Japão, todos pensam em histórias e personagens complexos. No entanto, o que quer que um ser humano comum sinta, nós tentamos projetar na tela de forma honesta. É isso.


Filmes como Yojimbo foram adaptados para gêneros como o western e filmes de gângsters.


- Você era interessado em Cinema Americano...

- Em relação ao Cinema Americano, eu diria que filmes melhores foram feitos no passado. Hoje o Cinema Americano faz um desserviço ao público. Violência e acidentes de carro são frequentes. Que prazer existe em assistir essas cenas? Filmes americanos antigos expressavam bem problemas humanos, mas hoje em dia o Cinema Americano tem problemas. Não há dúvida de que um filme como Parque dos Dinossauros é interessante, mas costumava existir filmes mais impressionantes no passado. Em contrates, filmes como os de Kiarostami, emocionam e são muito bonitos. Esses novos filmes de ação e ficção científica são bons, mas não são Cinema. 

- Em comparação ao cinema como entretenimento, como você acha que o cinema artístico do Terceiro Mundo pode atrair um público ocidental?

- A civilização envenenou a humanidade. A espinha dorsal de um bom filme é o caráter humano do diretor. Se não formos honestos conosco, jamais seremos capazes de realizar bons filmes. Na verdade, isso não significa que se uma país está bem, ele é necessariamente capaz de fazer bons filmes. Uma pessoa que seja capaz de fazer bons filmes, sabe como encontrar o caminho para emocionar o espectador; assim como John Ford, Jean Renoir, Joh Houston, Federico Fellini, Angelopoulos, Sidney Lumet... Eu me encontrei e conversei com cada um deles. Assim como eles tinham obras excepcionais, eles também tinham distinção no caráter. Foi muito fácil estabelecer uma relação cordial com eles, o que é muito importante. As pessoas que eles apresentam nas telas em seus filmes não são personagens pré-determinados (moldados). Elas expressam problemas humanos de uma forma natural. Por isso seus filmes são fascinantes. Sidney Lumet é um amigo próximo, e sempre que sentamos para conversar, nunca falamos sobre cinema. Geralmente discutimos assuntos banais, problemas sociais ou nossos passatempos, e nos divertimos com isso. Jornalistas sempre me perguntam qual o conteúdo de meu filme e eu lhes respondo que isso não existe. Eu falo sobre coisas comuns. Um filme não deveria ser uma palestra.


A Fortaleza Escondida inspirou George Lucas a usar os dróides como um dos pontos de vista da saga.


- Você falou algo sobre humanidade no Japão. Poderia, por favor, elaborar sobre isso?

- Eu posso também falar de política, mas eu tenho uma tendência de falar mais sobre pessoas.  Por exemplo, tais e tais tipos de humanos costumam existir no passado mas agora não existem mais. A sociedade se torna cada vez mais corrupta. No passado, não tínhamos abundância ou qualquer tipo de conforto, mas o homem vivia em de forma natural. Hoje em dia tem sempre notícias sobre violência e mortes nos jornais e na TV japonesa. Quando eu era jovem, assassinatos eram raros, e se algum era cometido, isso causava muita comoção. Ouvi dizer que é muito pior na América. No passado, as pessoas eram mais decentes.

- O que você pensa que é a razão para isso?

- No Japão a sociedade progrediu através de um crescimento rápido, que foi um processo antinatural. A rotina diária perdeu seu curso natural. Para viver, tornou-se necessário trabalhar para além de suas habilidades pessoais. É por isso que aumentou a instabilidade entre as pessoas.


Trono de Sangue. 
Macbeth de Shakespeare transportado para o Japão feudal.


- E no meio disso tudo, qual seria a responsabilidade do cineasta?

- Nos últimos tempos há cada vez menos filmes agradáveis sendo feitos. Filmes da Yakuza (Máfia japonesa) ou filmes americanos violentos similares tem se tronado estranhamente atrativos, o que é uma tendência perigosa, principalmente porque ele tem um efeito negativo nas crianças. Fiquei sabendo há pouco que um jovem britânico cometeu um crime horrível. Uma vez que a violência se torne um ato comum, ela distorce as mentes e o raciocínio das crianças.

- Me parece que você despreza violência...

- Sim. O principal problema hoje é a forma como ensinam e educam, o que causa o surgimento de tais tendências. No Japão atual, o sistema educacional se tornou uma fonte de renda. Eu não permito que meu neto vá para a escola. É complicado achar um professor responsável nas escolas hoje em dia. Costumavam existir ótimos professores no nosso sistema escolar. Como a história sugere em Madadayo, os estudantes aprendem mais com a conduta do professor do que com o que lhes é ensinado.  Mesmo depois de formados, eles continuam fiéis e devotados àquele professor. Uma das matérias da escola era Psicologia e Filosofia, um debate sobre o que um ser humano deveria ser, e isso não faz mais parte do currículo. Antes da guerra, Lógica era ensinada visando o exército, mas depois da guerra Lógica foi proibida. O problema estava na forma como era ensinada (focando no militarismo), não na pessoa em si. Esse foi um grande erro. No passado as escolas tinham grandes pretensões na educação dos estudantes, hoje é o oposto. É muito difícil entrar na faculdade no Japão atual, mas basta entrar que as pessoas se graduam em alguns anos  sem um bom treinamento ou formação. Por outro lado, no Ocidente, já não é tão complicado entrar na faculdade, mas ao invés disso, matérias científicas são ensinadas com critério e se a pessoa não consegue passar nas provas, a pessoa não se forma. Em termos de sistema educacional, o Japão pegou a estrada errada. Cobramos constantemente as autoridades sobre essa política equivocada. É muito ruim que o número de jovens ignorantes esteja crescendo.


 Madadayo.
Kurosawa tem uma visão saudosista e aparentemente um pouco ingênua do passado recente.


- Você fez filmes sobre a bomba atômica. Você acredita que com a queda da Rússia, diminuiu de alguma forma o perigo da utilização de armas nucleares? Pretende fazer outros filmes com esse tema?

- O meu primeiro filme sobre a bomba atômica foi chamado Anatomia do Medo e o outro Rapsódia em Agosto. Um segmento do filme Sonhos de Akira Kurosawa foi devotado a esse tópico. A preocupação sobre a bomba atômica é muito importante. Por exemplo, devido a escassez energética, usamos energia nuclear, mas não sabemos exatamente como nos livrar do lixo nuclear. Posso antever os perigos que teremos que encarar. Se realmente existe escassez de energia, temos que tentar economizá-la. Em Tóquio se usa eletricidade como se não houvesse amanhã. Isso não é necessário. Seria melhor se pudéssemos usar o conhecimento dos engenheiros nucleares para criar energia com vento e recursos naturais. Eu acredito que o depósito de lixo nuclear é um assunto muito importante.

- E como essas preocupações se refletem no seu próximo filme?

- É uma história simples sobre pessoas e seus problemas psicológicos. A compaixão precisa ser levada mais a sério. Antigamente as pessoas pensavam mais nos outros do que em si mesmas. Olhando retrospectivamente, percebemos que benção isso era, embora fosse um instinto natural. Se eu conseguir colocar isso na tela, tenho certeza de que será eficaz. No passado, as relações entre vizinhos eram calorosas e sinceras, enquanto que hoje ninguém sabe o que o vizinho do lado faz e ninguém se importa. Meu vizinho é um padeiro e tem uma padaria aqui perto. Ele vive me trazendo pão novo. Eu ainda acho que essas amizades são importantes.


Sonhos de Akira Kurosawa.
Diversos curtas baseados nos sonhos do mestre com produção da versão internacional a cargo de Steven Spielberg, um de seus grandes admiradores.


- Paraíso foi apresentado de forma gloriosa no final de Sonhos de Akira Kurosawa. Você poderia aprofundar mais no que você pensou sobre as qualidades daquele paraíso?

- Fizemos muitas buscas por uma locação apropriada para aquela cena. As margens de muitos rios japoneses foram cimentadas recentemente. Foi bastante difícil. No fim das contas, algumas das tomadas foram feitas por volta aqui da minha casa. Nós construímos os moinhos e alguns deles ainda estão lá.

- Que tipo de experiência você teve com co-produções com outros países e grandes orçamentos?

- Eu recebi uma oferta da Rússia. Eu tinha lido Dersu Uzala e sugeri produzi-lo. Eles acharam uma ótima ideia. Me perguntaram como conheci o livro. Lhes disse que o havia lido antes mesmo de entrar para o mundo do cinema. As pessoas descritas nessa história tem almas belas. Depois da filmagem, percebi que tinham exposto estátuas de dois dos personagens principais numa das cidades da Sibéria. Na época achei que teríamos problemas com a língua. No entanto, o ator principal não sabia falar russo muito bem e estava no mesmo barco que eu. Então conseguimos nos comunicar bem. Mas aconteceu algo engraçado certo dia: O ator que fazia o papel da capitão estava dando sua fala quando eu disse "Corta." Ele correu na minha direção e disse "Você entende minha língua? Eu acabei de erra o texto, mas foi um erro tão pequeno que eu não acredito que alguém de fora vá descobrir." Eu respondi "Eu não entendi o que você disse, mas eu senti uma insegurança quando você deu sua fala."


Dersu Uzala.
O confronto entre a vida simples e a modernidade. 


- Pode nos dar mais detalhes sobre seu novo filme?

- Eu queria começar a filmar neste verão, mas a triz principal ficou grávida e foi para casa. Agora temos que esperar ela. Eu não havia falado sobre isso antes. Eu pedi para ela não engravidar, mas aparentemente meu pedido chegou tarde demais. Ela até mesmo pensou em abortar, mas eu disse para ela nem cogitar isso e que tivesse um bebê saudável. Eu lhe disse que adiaria o filme e esperaria por ela.

(Nota: o filme nunca foi feito.)

- O que você pensa de Tarkovsky, como amigo e cineasta.

- Ele era um bom homem. Ele era tão querido como um irmão menor. Eu estava preocupado com ele porque ele estava tão frágil. Fiquei bastante perturbado com sua morte.


Andrei Tarkovsky (1932 - 1986)
Assim como Kurosawa, o cineasta russo conseguiu conquistar uma grande audiência cinéfila no Ocidente.


- Seu senso de humor deve ter feito a vida mais tolerável para você, enquanto que a amargura de Tarkovsky talvez tenha sido um pouco excessiva...

- Ele estava extremamente fraco, sensível e doente. Antigamente meus amigos cineastas e associados passavam aqui sem avisar. Nós sentávamos para beber e conversar. Mas nos último anos, eles não aparecem nem quando os convido.


Tradução: Jerri Dias


segunda-feira, 27 de março de 2017

CHARLES RANDOLPH - Entrevista

Na entrada da cerimônia do Oscar, quando receberia e estatueta pelo Melhor Roteiro Adaptado.

O roteirista

Ex-professor de filosofia, Charles Randolph desistiu da vida acadêmica para perseguir uma carreira como produtor e roteirista na competitiva indústria americana. E depois de conseguir ver nas telas alguns de seus roteiros nas mãos de bons diretores como Alan Parker (A Vida de David Gale, 2003) e Sidney Pollack (A Intérprete, 2005), Randolph encontrou um ótimo parceiro no diretor Adam McKay. Conhecido pelas ótimas comédias com o amigo Will Ferrell, McKay já havia abordado o assunto da crise financeira de 2008 na excelente comédia Os Outros Caras (2010). Juntos, ambos adaptaram o complexo livro de Michael Lewis (A Jogada do Século) em A Grande Aposta (2015), uma sofisticada comédia de humor negro sobre a pirâmide financeira que promoveu uma crise cujos impactos sofremos até hoje.  O roteiro de A Grande Aposta recebeu 20 prêmios de Melhor Roteiro Adaptado em festivais e associações cinematográficas, incluindo o Oscar. Atualmente Randolph trabalha no remake de Os 10 Mandamentos e e um western a ser dirigido por Martin Scorsese, St. Agnes' Stand.

A entrevista

Você escrevia antes de deixar de lecionar?

Bem, eu lecionei na Europa. Lecionei em Viena, na Áustria. Eu focava todo ano em vários formatos e estudos culturais. Certo ano eu me interessei por documentários e fiz alguns documentários educacionais para escolas, na verdade para a Procter & Gamble. Eram filmes sobre biologia. Basicamente educação sexual sob uma perspectiva biológica. Também fiz uma exibição em um museu.

Então eu fiz várias coisas como essa. E comecei a estudar longas e fiz algumas palestras em Los Angeles na USC sobre o estado de vários gêneros americanos. E também entrevistei vários escritores sobre esses gêneros todos e acabei conhecendo os irmãos Sperry e um de seus produtores me pediu para escrever algo para eles, algo que eles acabaram nunca pegando. Entrão foi uma daquelas coisas nas quais eu já estava interessado e por isso não foi uma transição artificial. E eu não feliz para onde minha área acadêmica estava indo. Em adição à isso, o prazer de sentar e criar algo é simplesmente fenomenal.


Steven Carrell e Ryan Gosling.
"O que admiro no filme e no livro de Michael é que o personagem Baum (Steven Carrell) tinha o potencial para extrapolar e colocar na tela o cara que era a própria doença que ele dizia poder curar (...)."


Como você foi parar no filme A Grande Aposta? Eu sei que o livro foi comprado pela Paramount e Adam McKay acabou embarcando dentro. Você estava no projeto antes de McKay?
 

Sim, eu estava. Acho que o livro ainda estava sendo escrito quando a Plan B (produtora de Brad Pitt) o comprou junto com a Paramount. A Paramount o comprou para a Plan B. Eles me ligaram e disseram: "Ei, temos um projeto. Nós adoramos o livro. É do Michael Lewis."

Eu já o tinha encontrado algumas vezes e disse: "Com certeza." Eu o li em 24 horas é é um livro fantástico por todas essas razões que você sabe e tantos outros também. O livro conseguiu explicar o que aconteceu em 2008 ao mesmo tempo em que apresentava esses personagens extraordinariamente engajados que nos faziam sentir que eles poderiam estar em um filme.

Eu pulei dentro e escrevi o roteiro, e o entreguei quatro, cinco meses depois. Trabalhei nele e então ele meio que travou. Acho que para a Paramount era um mundo terrivelmente abstrato e havia esses questionamentos sobre identificação.

Levou bastante tempo porquê nós tínhamos que descobrir um forma de ensinar os espectadores e ao mesmo tempo apresentar essas ideias de forma dramática. A sequência da Flórida não está no livro e eu meio que tive que escrever ela do nada, então eu comecei com algo que eu conhecia - coisas sobre hipotecas e corretores de imóveis, inquilinos e proprietários. Este filme é para as pessoas que não pertencem a área financeira, então, assim que acabei essas 8 páginas, eu entendi que aquilo era um ótimo tom divertido para colocar no resto do material. E então eu comecei a trabalhar nas coisas do livro. Fiz muita pesquisa. Fiquei sabendo dos 20 maiores hipotecários de Manhattan. Eu provavelmente conhecia dois ou três dele pessoalmente, por acaso, e eles me colocaram em contato com um monte de gente.

Eu não estava como o Michael, que escreveu quase logo após o acontecido, e por isso eu sentia esses personagens de uma forma mais distante. Mas foi fascinante descobrir que quase todas as pessoas com quem falei não tinham ideia do que elas estavam negociando. Você negocia informação, certo? Se você trabalha no banco, você basicamente usa o conhecimento que você tem sobre para onde o mercado está indo através da qualidade de produtos que você está criando ou vendendo. Então eles negociavam informação, mas poderia ter sido cotação do feijão - ninguém tinha um entendimento real do produto subjacente. No momento em que aconteceu, no momento em que eu percebi que Michael Lewis sabia cem vezes mais do que as pessoas que fazem milhões e milhões negociando essa coisas, me senti muito mais confiante no que iríamos fazer com o filme porque naquele ponto era assim: "Ok, estamos em uma posição confortável porque podemos jogar um monte de coisas nas pessoas." O que eu estava esperando era aquele tom onde tem tanta coisa vindo pra cima de você, e você não consegue absorver de jeito nenhum, mas ainda assim você consegue pegar a essência da coisa. Existe um certo tipo de prazer nisso. Eu estou enrolando um pouco, mas a Disney tem esse esquema em seus parques quando eles organizam um espetáculo, como um show de fogos, onde eles se asseguram em exaurir a capacidade dos visitantes de absorvê-lo. Você está imerso em um excesso de estímulos prazerosos, e é por aí que começamos, porque o filme conecta com uma bela metáfora para as pessoas que realmente estão nesse negócio. Eles não entendiam seu produto e eles não entendima o que estava acontecendo no mercado. Nós queríamos colocar o espectador naquela posição emocional de "O quê está acontecendo?"

  
Ryan Gosling e Adam McKay.

Sobre a colaboração com o diretor Adam McKay: "As coisas que eu sempre gostei, ele manteve. E algumas das coisas que eu estava em dúvida, essas foram as que ele alterou. Então eu percebi que compartilhávamos uma certa sensibilidade e sabia que ele realmente estava melhorando o roteiro. Ele me encontrou no meio do caminho."  
 

Quando Adam (McKay) finalmente recebeu o material e o leu... Ele havia lido o livro antes, adorado e feito uma conexão com ele. E quando ele pegou o roteiro, ele disse: "Eu quero filmá-lo."

Ele embarcou e fez algumas coisas que foram muito bem sacadas. Uma delas foi achar uma forma de quebrar a Quarta Parede e apresentar esses interstícios para pausar o filme e esclarecer alguns conceitos financeiros. E fazendo isso, sobrepôs isso nos outros meta artifícios, o que permitiu ao filme ter uma voz separada e diferenciada dos outros personagens, o que foi bastante agradável.   

Ficou com um sensação de quase documentário onde o diretor fala conosco e isso se torna o locus da nossa conexão emocional com o filme onde nós poderíamos fazer aquela coisa onde estamos torcendo pelos personagens mas então o filme meio que se volta contra eles e diz: "Espera um pouco. Você está torcendo por eles, mas não deveria."

Links

Os trechos desta entrevista foram selecionados dos seguintes sites (clique para ler as entrevistas originais na íntegra) :

Forbes

The Film Stage

Deadline


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

MONICA BELLUCCI - Galeria



Monica Anna Maria Bellucci nasceu em 30 de setembro de 1964, em Umbria, Itália. Sua intenção era se tornar advogada, mas para pagar seus estudos começou a fazer trabalhos como modelo e acabou seguindo essa carreira. Em 1988 se mudou para Milão, um dos centros da moda européia e entrou para a famosa agência Elite. Apesar de estar aproveitando seu sucesso como modelo, ele decidiu tentar a carreira de atriz e estreou na TV em 1990 e a seguir em Drácula de Bram Stoker (1992), como uma das noivas vampiras de Gary Oldman.  Mas foi sua atuação em O Apartamento (1996) que a lançou ao estrelato após ser indicada ao prêmio César na França. Com isso, Bellucci, uma das atrizes mais belas das últimas décadas,  se tornou mais uma a provar que modelos também podem ser ótimas atrizes.

Recomendo também os seguintes filmes: Malena, Irreversível e Lágrimas do Sol












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terça-feira, 10 de maio de 2016

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (Captain America: Civil War, EUA, 2016)

Cartaz promocional imitando a estética dos anos 70.


Sinopse

Uma nova política que restringe as atividade dos Vingadores coloca Capitão América e Homem de Ferro em lados opostos da lei.

Os diretores

Os irmãos Russo dirigem Chris Evans em cena de "Capitão América: O Soldado Invernal".


Os irmãos Anthony e Joe Russo são egressos da TV, onde dirigiram séries como "Community" e "Happy Endings". Antes de dirigirem "Capitão América: O Soldado Invernal" e sua continuação, haviam realizado para o cinema apenas a comédia romântica "Dois é Bom, Três é Demais". Dado o histórico da Marvel de contratar apenas diretores medianos para seus filmes, o fato do estúdio finalmente ter conseguido dois diretores realmente bons para seus filmes parece ter sido mais sorte do que estratégia.        

Os quadrinhos

Cena icônica dos quadrinhos aproveitada pelos diretores.


A minissérie "Guerra Civil" (2006-2007), cujos desdobramentos também aconteceram em diversos outros títulos da Marvel, tirou sua inspiração de "Watchmen". Como na obra-prima de Alan Moore e David Gibbons, Mark Millar e Steve McNiven colocam os super-heróis em xeque quando o governo dos EUA decide que todos devem registrar suas identidades civis perante as autoridades e servirem ao governo quando chamados. Capitão América passa então, a liderar a resistência contra o governo em favor das liberdades civis. Na época, a obra procurava fazer uma crítica com as leis anti-terror e a constante vigilância sobre cidadão americanos.     

O filme


Apesar de importante na história da Marvel, os filmes do Capitão América não criavam expectativa alguma no público nerd. Até que surgiram os irmãos Russo.

Quem assistiu "O Soldado Invernal" já sabia que poderia esperar o melhor filme de susper-heróis do ano com "Guerra Civil". Com mãos firmes e seguras, os irmãos Russo conduzem com talento esse épico sobre vingança e amizade.

E se você tem intenção de ver o filme, sugiro que assista os dois primeiros filmes do Capitão América antes desse para poder  entender e se relacionar melhor com o drama dos personagens e a trama.

Atenção: alguns spoilers a partir desse ponto.


O roteiro trabalha tão bem os personagens, que todos tem suas habilidades e personalidades explorados na tela.

Muitos críticos e fãs estão chamando esse filme de "Vingadores 2.5" e não estarão errados, visto que nos quadrinhos, "Guerra Civil" é uma história que inclui quase todos os heróis da Marvel. Mas para torná-lo um filme do Capitão América, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely inseriram novamente o arco do Soldado Invernal  / Bucky Barnes na trama. E algumas questões políticas foram deixadas de lado para apelar mais para o lado emocional da história. O que é um ponto positivo no filme, pois garante uma empatia maior do espectador com os personagens durante o filme todo e especialmente no seu clímax.

Mas isso não quer dizer que a abordagem política da atuação de super-heróis ao redor do mundo passe despercebida e a discussão sobre vigilantismo e intervenção "super-heróica" passa ser debatido  quando diversos civis morrem em uma ação dos Vingadores.


Em um enquete feita nos cinemas, os fãs pedem com urgência um filme solo da Viúva Negra com Scarlet Johansson.

Com a opinião pública voltada contra os heróis por conta de diversos catástrofes anteriores (ver "Vingadores" e "Vingadores: A Era de Ultron"), a ONU decide que os Vingadores só poderão agir quando autorizados por um comitê e a mando deste. Stark, cheio de remorsos, aceita o controle da ONU enquanto Rogers teme que eles poderão ser usados em causas duvidosas. Politicamente divididos, os heróis se separam.

Mas um novo atentado terrorista acaba com a diplomacia e  o Soldado Invernal é o principal suspeito. Rogers não acredita em sua culpa e tenta salvar o amigo a todo custo, pois é seu último elo com um passado mais simples e feliz. Por causa disso ele colocará em xeque sua amizade com Stark e agirá contra a lei.

A presença do Pantera Negra é um trailer bem vindo do seu filme solo programado para 2018.

A questão da vingança é um sentimento trabalhado em vários personagens e que tanto os motiva quanto cresce na trama, o que faria mais sentido ainda se a palavra vingadores fizesse parte do título, pois Zemo (Daniel Brhul, do ótimo "Os Educadores"), Tchalla (Chadwick Boseman, entregando uma boa performance em um curto espaço de tempo como Pantera Negra) e até mesmo Tony Stark, querem vingança por seus familiares mortos.

Cenas espetaculares de ação extremamente bem executadas e coreografadas intercalam momentos com os personagens demonstrando um aprofundamento criado ao longo de diversos filmes. A química entre os atores Chris Evans (Capitão), Robert Downey Jr. (Homem de Ferro) e Scarlet Johansson (Viúva Negra) vem sendo trabalhada há anos e a cada filme revela mais nuances.


Com um custo de 250 milhões de dólares, o filme já faturou 700 milhões em apenas 12 dias de exibição.


A batalha climática dos heróis no aeroporto, onde a participação mais aguardada do personagem mais famoso da Marvel acontece, é tão bem humorada quanto empolgante e reserva surpresas gigantescas. São amigos e também novos personagens como Pantera Negra e Homem-Formiga lutando uns contra os outros e por ser um filme da Marvel, eles pegam leve nos golpes e até se dão ao luxo de brincar e provocar uns com os outro na dosagem certa. Pelo menos até que as coisas fiquem sérias demais e o clima fique mais DC Comics na sequência final.

A batalha final de Capitão e Bucky contra o Homem de Ferro é física e emocionalmente brutal para Rogers, que precisa destruir uma amizade para salvar outra. A essas alturas, a política foi esquecida e só vemos pessoas que antes eram amigas, agredindo-se mutuamente.

Com treze longas no cinema, várias séries de TV e alguns curtas, a Marvel está construindo um universo compartilhado por todas as mídias.

Embora o filme termine em um tom um tanto amargo, Rogers sinaliza uma esperança em dias melhores, quando a burocracia política e a brutalidade do sistema forem menos importantes do que a amizade e a liberdade de seus companheiros.      

Trailer





sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

DC COMICS - Filmes



Em uma reação tardia, mas muito esperada, a Warner Bros despertou da letargia e percebeu que tem na DC Comics um universo de personagens tão bons quanto o da Marvel para levar as telas e que já faz muitos anos que anda marcando passo com sua trilogia do Batman. Apesar de cinematograficamente, os filmes da Warner serem superiores aos da Marvel; que trabalha com diretores peso-médio (com exceção dos irmãos Russo); dá pra aumentar  a quantidade e manter a qualidade mantendo a contratação de diretores de verdade que tenham uma visão interessante dos personagens.

Então, para 2016 ano e 2017, já temos trailer e teasers do que virá por aí.

BATMAN VS SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA - Estreia 25 de março.




Aproveitando trechos de O CAVALEIRO DAS TREVAS de Frank Miller e A MORTE DE SUPERMAN, essa superprodução vai na contramão da Marvel, que primeiro apresentou a maioria de seus personagens em filmes solo antes de juntá-los em um supergrupo. Apesar de Batman e Superman já terem seus filmes solo, a participação da Mulher-Maravilha e outros heróis da Liga da Justiça, prenunciam um tratamento diferente da Warner em relação dos personagens da DC. Agora vamos descobrir como os roteiristas e Zack Snyder se saem demonstrando a utilidade de Batman em meio a tantos seres superpoderosos em um filme live action.


ESQUADRÃO SUICIDA - Estreia 4 de agosto.




David Ayer dirigiu CORAÇÕES DE FERRO, um ótimo drama de ação passado na Segunda Guerra e MARCADO PARA MORRER, um contundente drama policial. Com um currículo desses e tendo arrancado boas performances de seus atores nos filmes acima citados, fico mais tranquilo com a forma como Ayer deve ter lidado com tantos personagens interessantes (Croc fora). Vilões sempre costumam ser mais interessantes que heróis e um filme onde os vilões são os "heróis" vai revelar se eles realmente merecem tanto tempo de tela ou se como diz o ditado, "menos é mais". Não bastassem vários vilões conhecidos da série em quadrinhos, os roteiristas ainda trouxeram de volta o Coringa, desta vez interpretado por Jared Leto, um dos poucos atores americanos capazes de dar credibilidade ao excêntrico personagem. Espero que ele consiga, já que o visual criado para este Coringa não ajuda.


 MULHER -MARAVILHA - Estreia 23 de junho de 2017



Com o sucesso da série dos anos 70 da Mulher-Maravilha com Lynda Carter, milhões de fãs sempre sempre se perguntaram porque o cinema não aproveitava o personagem? Filmes com mulheres heroínas não atraem a plateia masculina dos filmes de aventura? Sexismo dos produtores? Scripts não faltaram. Mas graças a ela fazer parte da trindade heróica da DC, é justo e natural que ela ganhe um filme solo logo após Batman e Superman. A diretora Patty Jennkins dirigiu MONSTRO, um drama denso sobre uma das raras serial killers femininas que se tem notícia. Mas já faz algum tempo e a atmosfera do filme era bem diferente de uma de super-heróis. Mas se ela trouxer metade da tensão daquele filme para este, deve agradar os fãs que procuram mais profundidade e menos pirotecnia.

 
  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

BRUNA LINZMEYER - Atriz



Filha de pai alemão e neta de avô materno negro,começou sua carreira como modelo e, aos 15 anos, participou do concurso “Garota Verão”, do Grupo RBS, afiliada da Rede Globo em Santa Catarina. Aos 16, saiu de Corupá, sua cidade natal, no interior de Santa Catarina, onde a família atua no ramo das telecomunicações, e foi viver em São Paulo, onde morou com uma amiga por dois anos. Lá ingressou num curso de teatro, onde sonhava em montar uma peça com os amigos. Também pretendia mudar-se para o México, onde iria estudar e trabalhar, entretanto recebeu convite para teste da minissérie Afinal, o Que Querem as Mulheres? de Luiz Fernando Carvalho.

Pouco depois de começar a gravar, recebeu convite para novo teste, dessa vez, para a novela Insensato Coração, onde foi novamente aprovada para interpretar a personagem Leila Machado.

Em 2012, Bruna participou da série As Brasileiras protagonizando o episódio "A Vidente de Diamantina" e, no mesmo ano, interpretou a dançarina Anabela na telenovela Gabriela.

Em 2013, ganhou destaque ao interpretar a garota autista Linda em Amor à Vida.No ano seguinte, é escalada para protagonizar o remake de Meu Pedacinho de Chão, como a professora Juliana.

Inciou a carreira no cinema como par de Rodrigo Santoro onde vivem dois dançarinos no filme Rio, Eu Te Amo, Depois emendou nas gravações de quatro filmes sendo eles O Grande Circo Místico filme de Cacá Diegues gravado em Portugal, pro filme ela teve aulas de dança do ventre e contorcionismo; O terror O Amuleto com Maria Fernanda Cândido; Se tranformou para o filme A Frente Fria Que a Chuva Traz do diretor Neville d'Almeida onde emagreceu 10 kg pra viver uma garota que se prostitui; O Filme da Minha Vida, de Selton Mello atuando novamente com Johnny Massaro.

Fonte: Wikipédia