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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ANTES DE WATCHMEN - MINUTEMEN (Before Watchmen - Minutemen, EUA, 2012)

Arte de Darwyn Cooke.


Before Watchmen - Minutemen é parte de uma coleção de 9 volumes lançada pela DC COMICS para dar sequência à obra-prima Watchmen  contando a história pregressa de todos os heróis da saga de Moore e Gibbons. 

O Autor



Darwyn Cooke foi o autor escolhido para este álbum em particular especialmente por causa de seu trabalho com Era de Ouro da DC Comics em DC: A Nova Fronteira. Seu traço cartunesco, que lembra muito a animação Batman de Bruce Timm, traz tanto uma carga de nostalgia quanto inovação.



Sinopse

Hollis Mason, o Coruja  original, relembra suas aventuras com os Minutemen nos anos 40 ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades para publicar sua polêmica autobiografia nos anos 60.

A obra

Bem, custei para começar a ler esta série de volumes da DC que muitos criticaram como sendo caça-níquel (mas não são todas as publicações caça-níqueis?) e desrespeitosa à obra original. Bem, puristas de plantão sempre existirão e sempre é bom lembrar que a publicação de uma continuação de sua obra favorita não significa que a original será incinerada e ninguém mais terá acesso à ela. Uma obra não inviabiliza a existência de outra. Nem George Lucas conseguiu realizar esse feito, por mais que ele tentasse. Alan Moore também se meteu na polêmica e até mesmo disse que seus fãs que lessem Antes de Watchmen poderiam esquecê-lo. Bom, acho que agora acabaram-se minhas chances de ser amigo de Moore...


A bela sequência inicial em planos widescreen.


Começando pelas capas, a DC chamou praticamente todos os seus colaboradores para fazerem excelentes capas alternativas, resultando numa galeria ao longo dos 9 volumes que por si só daria uma publicação completa.  Não duvide se lançarem uma edição um dia desses.

Voltando aos Minutemen, tudo o que se leu em Sob o Capuz, livro fictício cujas páginas abrilhantavam ainda mais Watchmen, foi adaptado  por Cooke. A grande sacada de Cooke, nesse caso, foi mostrar que na verdade, Mason deixou muitos fatos sinistros de fora, tecendo aí uma crítica a suposta inocência tanto da Era de Ouro quanto à sociedade americana da época. Nesse ponto, seu traço estilizado e quase infantil é um ótimo contraponto à brutalidade apresentada.

O melhor deste volume é podermos conhecer melhor personagens como Silhouette, Capitão Metrópolis, Traça, Justiça Encapuzada e claro, o próprio Coruja. Outros heróis também aparecem, mas tem uma participação menor na trama que envolve tráfico de crianças e pedofilia. Seguindo os passos de Moore nesse sentido, Cooke confronta heróis fantasiados com o sórdido mundo real de monstros vestindo terno.


Silhouette tem o arco mais sombrio e adulto da trama.


Até o momento já li 5 volumes e este é o melhor deles em termos de conteúdo e novidades. Os outros 4, Espectral, Comediante, Coruja e Ozymandias variam entre o entedidante e o bacaninha, mas nenhum realmente empolgante. Espero que o de Manhattan, meu personagem favorito, seja bom.
Ou estou esperando demais?


sábado, 4 de abril de 2009

WATCHMEN – O FILME (Watchmen, 2009) - Crítica


SINOPSE

O que aconteceria se pessoas “comuns” decidissem colocar a cueca por cima da calça e sair por aí combatendo o crime?
Como isso afetaria a sociedade? Eles seriam vistos como loucos? Heróis? Exibicionistas? Esquizofrênicos?
E o que aconteceria se em dado momento surgisse um super-herói de verdade, alguém com poderes tão incompreensíveis quanto vastos?
E o que aconteceria se alguém começasse a matar os heróis mascarados?

OS QUADRINHOS


Publicada em 12 edições entre 1986-87, a mini-série escrita pelo genial Alan Moore e ilustrada pelo detalhista Dave Gibbons, é o único gibi listado pela revista TIME em 2005 como uma das 100 melhores obras literárias americanas escritas a partir de 1927.

Em uma narrativa épica com dezenas de personagens, Moore e Gibbons recriam a América de 1985 com uma pequena diferença: Heróis e super-heróis existem! E eles fazem a diferença. Para o Bem e para o Mal. Ou além desses conceitos demasiadamente humanos.

Nesta obra suprema de Alan Moore, ele dá sua palavra final em super-heróis hiper-realistas envolvidos na história moderna da América, dos anos 40 aos anos 80. Da ingenuidade idealista ao maquiavelismo político, os super-heróis de Moore são representações do homem comum: ingênuos, simpáticos, marqueteiros, cínicos, psicopatas. Com exceção de um deles: o único e verdadeiro ser com super-poderes entre todos, Dr Manhattan. Mais deus do que homem, Moore o usa para falar de física quântica, política, humanidade e claro, Deus.

Depois de WATCHMEN e O CAVALEIRO DAS TREVAS, publicado no mesmo ano, os quadrinhos americanos nunca mais seriam os mesmos. E nem os filmes de super-heróis.

O FILME

A primeira safra de super-heróis na foto de grupo. Tem heróis para todos os gostos: a gostosa que quer ser famosa, o ingênuo que acredita no Bem, o que quer Justiça pelas próprias mãos, a lésbica moderna e até um estuprador assassino...

Depois de 20 anos de tentativas frustradas de adaptar a obra que muitos consideravam impossível filmar, a tecnologia moderna unida à ganância dos executivos de Hollywood produziram o filme. Para o Bem e para o Mal.

Ao diretor Zack Snider (vindo dos bons e divertidos MADRUGADA DOS MORTOS e 300), junto com os roteiristas, coube o fardo de transpor as 600 páginas de uma obra com dezenas de personagens e cobrindo 5 décadas da história americana em um filme de 162 minutos. Talvez com o dobro desse tempo ele tivesse sido bem sucedido. Mas eu tenho minhas dúvidas.

Como Snyder, um fã da obra de Moore e Gibbons, disse: “Se eu não fizesse, o estúdio daria o filme para outro diretor.” E Snyder tinha muito medo do que outro diretor pudesse fazer com tal material e ele queria manter ao máximo a integridade do texto de Moore. Integridade que acaba sendo um tiro no próprio pé, quando nem o diretor e nem os roteiristas conseguem perceber que repetir diálogos literários de desenhos bidimensionais em um filme com atores reais nem sempre funcionam como deveriam. Em muitos momentos do filme, o som do silêncio diria muito mais.

A última safra de super-heróis. A variedade continua: tem o herói, o mais inteligente de todos, a filha da gostosa que queria ser famosa, o psicopata, o estuprador assassino continua ali, mas agora todos tem deus ao seu lado...

Mas vindo de dois filmes onde zumbis gritavam e espartanos gritavam mais ainda, Snyder parece ainda não ter percebido o valor das coisas não-ditas.

Em WATCHMEN tudo é falado e descrito ao extremo, e as poucas pausas tem que ser preenchidas com imagens e efeitos especiais bombásticos.

E apesar do roteiro ter simplificado e cortado praticamente 2/3 dos personagens, o volume de informações para quem não leu a obra é avassalador, se o espectador realmente tentar prestar atenção em todos os detalhes.

Dr. Manhattan está mais para o Deus do Velho Testamento do que para o Deus do Novo...

A edição é outro ponto delicado na obra, pois todas as seqüências são praticamente emboladas umas por cima das outras, dando uma impressão de urgência na sala de edição para finalizar o filme no tempo exigido pelos produtores, ficando muita coisa mal resolvida e explicada. Tanto que Snyder promete para breve uma versão com 3h30min.

Claro que o filme de Snyder tem muitas qualidades, mas o número de erros é tão grande que o ritmo do filme parece um coração parado que bate uma vez a cada 5 minutos. Eu geralmente adoro filmes com 3 horas de duração, mas confesso que fiquei entediado já na metade do filme e em certos momentos me sentia eu mesmo um “watchmen”, de tanto que olhava para meu relógio contando os minutos para o filme acabar.

Mas como fã da obra, tenho que dar um certo mérito à Snyder por ter lutado bravamente por uma censura 18 anos para um filme onde conceitos morais e filosóficos tentam ser abordados muito além de produções desse tipo. Várias das idéias de Moore estão no filme, embora eclipsadas pela urgência de contar a história, e com alguma sorte, alguns espectadores podem se sentir compelidos a saber sobre que diabos o filme está falando e se debruçarem tanto sobre o gibi quanto sobre outros livros.

Espectral é interpretada pela atriz Malin Akerman, que é igual a maioria das atrizes jovens da Globo, bonitinha mas ordinária...

E assim como o filme tem altos e baixos na sua narrativa, o mesmo acontece com os atores. Snyder é um homem de ação, pós-Hamlet, e ele está muito mais interessado nas ações físicas (falar, brigar, transar) do que na qualidade e na verdade de seus atores e o que acontece é ter interpretações risíveis como as de Malin Akerman (Espectral), abaixo da expectativa como as de Patrick Wilson (Coruja) e Billy Crudup (Dr. Mahattan), neutras como a de Matthew Goode (Ozymandias), boas como a de Jeffrey Dean Morgan (Comediante) e surpreendentes como a de Jackie Earle Haley (Rorschach). Com atores com tão pouca sintonia entre si fica complicado criar qualquer tipo de jogo verdadeiramente interessante entre eles. E com isso escoa pelo ralo do esgoto a capacidade do espectador de sentir empatia pelos personagens, com exceção de Rorschach.

Mas além dos problemas de ritmo, edição e elenco desajustado, o filme comete outro pecado absurdo para um filme com tão boas intenções: as canções da trilha sonora são extremamente pontuadas e quase sempre soam invasivas ao extremo, dando uma sensação de que alguém pensou: “o filme está uma porcaria, mas pelo menos vamos vender essa trilha sonora!” As músicas, quando escutadas fora do filme, são realmente boas, mas no filme, a maioria delas simplesmente incomoda.

E se você ainda não viu o filme, preste atenção nas duas melhores sequências do filme: a abertura, onde vê-se o surgimento, apogeu e queda dos super-heróis integrados a vários acontecimentos e celebridades da história da América ao som de “The Times They Are A-Changing” de Bob Dylan e Rorschach na prisão, a única seqüência realmente emocionante de todo o filme.

Jackie Earle Haley arrasa com a audiência e com os criminosos como Rorschach. Na prisão, ele lembra Clint Eastwood sob o efeito de anfetaminas...

E também nas duas piores: O Coruja e Espectral transando ao som de “Hallelluja” de Leonard Cohen e a origem do Dr. Manhattan, que mais do que o próprio personagem, não possui emoção alguma além da transcendental música de Philip Glass.

De qualquer forma, se você é um fã de quadrinhos e já leu ou pretende ler WATCHMEN, esse é um filme que você deve ver pelo dever de assistir uma obra cujos conceitos já inspiraram filmes como o próprio BATMAN, X-MEN, OS INCRÍVEIS, SUPERMAN-O RETORNO e HANCOCK. Uma pena que com tantos filmes apropriando-se de idéias e conceitos de WATCHMEN, o próprio acabe esvaziado de metade da originalidade que lhe é devida.

E como era esperado num filme proibido para menores de 18 anos, onde super-heróis transitam entre política, sexo, violência extrema e conceitos morais duvidosos, a produção de 150 milhões de dólares arrecadou, em 30 dias de exibição pelo mundo todo, apenas 172 milhões. Em Hollywood, um filme só é considerado lucrativo se dobrar na bilheteria o custo de sua produção. Para se ter uma idéia, BATMAN – O CAVALEIRO DA TREVAS custou mais ou menos o mesmo que WATCHMEN e estava pago em apenas 4 dias.

Se o Capitão América fosse real, ele seria o Comediante. Se o governo manda proteger, ele protege. Se manda matar, ele mata...

Infelizmente, descontando a acertada e bem pensada razão para explicar o final apocalíptico, Snyder preocupou-se tanto em ser fiel aos quadrinhos que esqueceu de fazer um filme de verdade, ao contrário de BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS, onde os roteiristas e o diretor entenderam que para ser fiel ao personagem e sua história, você não precisa ser fiel aos quadrinhos.

WATCHMEN – TRAILER




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ERA UMA VEZ NA AMÉRICA – ENNIO MORRICONE

A maravilhosa trilha da obra-prima de Sergio Leone está atualmente sendo executada neste blog.
O filme que fala dos sonhos de uma juventude ingênua que se transformam em vidas violentas e amarguradas é o retrato de uma América horrível e melancólica ao extremo. Simplesmente o melhor filme que já vi na minha vida.

NO SITE DA CAPRICHO

Robert Pattison está fedendo lá no blog.

E as razões que os meninos usam para dar um tempo na coluna exclusiva do site.