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segunda-feira, 9 de abril de 2018

THE BOYS - Série

 Um dos quadrinhos mais debochados e ultra violentos sobre super-heróis vai chegar às telas em 2019.


Já faz muito tempo que estão tentando adaptar a série em quadrinhos THE BOYS para a tela grande.  Adam Mckay (A Grande Aposta) ficou envolvido no projeto durante muito tempo, mas por diversos motivos acabou desistindo.

Mas eis que entre os muitos fãs dessa pequena obra-prima do aclamado roteirista Garth Ennis e do ilustrador Darrick Robertson, estava o ator e produtor Seth Rogen (É o Fim), ator responsável por muitas das comédias mais divertidas do últimos anos. Como a obra de Ennis e Robertson é uma sátira mordaz ao universo dos super-heróis, existe uma boa chance de Rogen acertar se o orçamento e a produção forem criativos o suficiente para realizar uma boa adaptação.

Junto com os produtores Evan Goldberg (Besouro Verde) e Eric Krioke (Supernatural), o trio conseguiu convencer a AMAZON (concorrente da Netflix) a investir na produção. Depois da frustrada adaptação de POWERS, espera-se que a produtora invista mais na qualidade da produção, diretores a atores. Uma pena que Simon Pegg não fará o papel de Hughie, já que ele serviu de modelo para o personagem. O fator principal pode ter sido a atual idade do ator, que poderia ser um impedimento para a credibilidade do personagem. E questões de orçamento, claro.

A contratação do versátil Karl Urban (Juiz Dredd, Thor:Ragnarok, Star Trek) para o papel de Billy Butcher, o chefe dos The Boys, é um bom sinal. 

Para quem não conhece THE BOYS, ela é uma série fechada de 72 edições que foi publicada no EUA entre 2006 e 2012. A DEVIR lançou 6 volumes, mas ainda não finalizou a série por aqui. A obra é meio que um manifesto de desprezo e ódios pelos super-heróis e a chamada de apresentação lançada pela AMAZON é a seguinte:

Em um mundo onde super-heróis vivem no lado negro da fama, THE BOYS foca em um grupo de vigilantes conhecidos informalmente como "The Boys", pessoas da classe operária selecionadas para acabar com super-heróis corruptos com nada além de força bruta e sem medo de praticarem golpes baixos.

A gravação dos 8 episódios da primeira temporada já estão em andamento e a estreia está programada para 2019. A dúvida é se irão manter toda a carga de violência e perversões sexuais contidas nos quadrinhos. Minha aposta é que vão omitir quase tudo para não chocar o espectador médio. Afinal, THE BOYS está para histórias convencionais de supers como GAME OF THRONES está para A CRUZADA de Ridley Scott.   

   A violência extrema sobreviverá à censura da Amazon? 
Quem sobreviver, verá.



quinta-feira, 1 de maio de 2008

THE BOYS – O Lado (muito) Podre dos Super-Heróis


Quer ver o lado podre das pessoas comuns ? E dos super-heróis? Quer ver também?! Então, The Boys (Os Rapazes), da dupla Garth Ennis e Darick Robertson é a série que você deveria estar lendo neste momento. Situada num mundo onde a Brooklyn Bridge foi destruída e o World Trade Center continua de pé, humanos transformados em “super-heróis” graças a engenharia genética e poderosas drogas, fazem o que bem entendem enquanto a sociedade e o governo fazem vista grossa para quase todas as burradas, atrocidades e crimes que eles cometem. Mas alguém tem que “vigiar os vigilantes” e para isso a CIA cria uma divisão secreta chamada Os Rapazes, cinco super-agentes encarregados de chantagear, surrar ou mesmo assassinar super-heróis que saem (demais) da linha.

Como sempre, Ennis cria personagens interessantes e tramas aparentemente simples, que vão desdobrando-se num emaranhado de conexões que deixam o leitor entusiasmado e angustiado com vislumbres do que está por vir.

Violência extrema, humor politicamente incorreto, perversões sexuais e um texto afiado recheado de citações pop é o que você encontra nessa paródia do mundo dos super-heróis. Versões decadentes e imorais da Liga da Justiça e Os Vingadores são retratadas mais preocupadas com merchandising e em assediar sexualmente novos membros de suas equipes do que em realizar qualquer ato heróico. Mais ou menos o que aconteceria se pessoas aleatórias fossem alçadas ao patamar de semi-deuses. Afinal, para que ser um super-vilão, se como super-herói você pode fazer o que bem entende que o governo e as empresas cobrem tudo?! É como ouvi dizer certa vez: “Você tira a pessoa da favela, mas não tira a favela da pessoa.”

O fato de Ennis trabalhar com muitas situações sexuais (das mais conservadoras às mais bizarras e engraçadas) pode incomodar certas pessoas e talvez num primeiro momento você até pode achar que homossexualismo = perversão no dicionário de Ennis, mas isso logo se dissipa quando mais adiante você topa com personagens gays que são tão normais quanto você. Assumindo que você que está lendo esse texto, é normal.

Alguns críticos e fãs acham que Ennis está se repetindo demais ao exacerbar em demasia o cinismo, a hipocrisia e a violência em seus personagens. Mas se você fizer as contas no papel, vai descobrir que 90% das publicações de super-heróis ou similares são voltadas para um bom-mocismo e um patriotismo tão irreais quanto cretinos. Os outros 10% sobram para caras como Garth Ennis, Neil Gaiman Alan Moore, Mark Millar e Warren Ellis, que apesar de estarem no outro extremo, pelo menos são inteligentes e honestos com o leitor. E afinal, alguém tem que fazer esse trabalho sujo.

As ilustrações de Robertson servem bem à crueza e decadência dos personagens e situações apresentados. Mas cabe ressaltar aqui, que como roteirista que sou, minha análise sobre a arte de ilustradores é baseada meramente em um parco conhecimento de arte e um senso de estética puramente pessoal. Ou seja, minha opinião é tão válida quanto a sua, caro leitor(a).

AVISO: Esta obra é voltada para leitores maduros. Se por algum motivo, você ainda não sente preparado(a) para os fatos grotescos e estranhos da vida, sugiro a leitura de HITMAN, uma série mais debochada e light do mesmo autor.