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quinta-feira, 17 de maio de 2018
NUVENS - TIME LAPSE
Gravações feitas em Porto Alegre e Canela com GoPro Black.
É pra ser invertido mesmo. Experimentalismos... ;-)
terça-feira, 15 de agosto de 2017
FURACÃO - TIME LAPSE
Imagens da tempestade que atingiu Porto Alegre com a velocidade equivalente a um Furacão Categoria 1 (119 km/h).
Bairro Floresta, ao lado do Shopping Total.
Transformador de energia explode duas vezes em frente ao shopping a partir do minuto 3:10 (A primeira em velocidade normal e na segunda vez, em câmera lenta).
As imagens foram feitas em câmera lenta com uma GoPro para pegar os raios, mas são colocadas em velocidade normal em alguns momentos para se ter uma ideia da velocidade do vento e da chuva.
Estranha luz azul-esverdada e laranja nos céus a partir do minuto 0:20. Provável reflexo de explosão de transformador ou subsestação em curto.
Provável Subestação de energia em curto no horizonte a partir do minuto 1:15.
Transformador de energia explode atrás de prédio a partir do minuto 2:30.
As imagens foram feitas em câmera lenta com uma GoPro para filmar a assombrosa quantidade de relâmpagos.
sábado, 10 de janeiro de 2015
VOCÊ SABE DE ONDE VEM SEUS ALIMENTOS? - Documentário
"Todos os sábados, junto aos primeiros feixes de luz do vagaroso Sol, chegam à Avenida José Bonifácio dezenas de gentes de mãos sujas. São de uma cor e de um cheiro de terra que vêm de diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Elas puxam cordas, esticam lonas, montam estacas de ferro ou madeira e empilham caixas coloridas. Aqui, uma vez por semana, encontram-se com outras mãos, sem calos e fedendo a sabonete, trazendo o alimento mais limpo no qual já puderam tocar.
Há 22 anos, a Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE) de Porto Alegre preenche o canteiro central na pequena rua em frente ao Parque Farroupilha. Na famosa Rua do Brique, Rua do Colégio Militar, Rua da Redenção, as manhãs de sábado recebem desconhecidas beldroegas, ora-pró-nóbis, kinos, juçaras, araçás e tantas outras. Além de milhares de outros alimentos distribuídos em 41 bancas permanentes e oriundos de uma produção livre de agrotóxicos e insumos químicos.
...
Porto Alegre, em 16 de outubro de 1989, foi a primeira cidade brasileira a realizar uma feira ecológica após o boom da Revolução Verde nos anos 1970. A iniciativa foi da Cooperativa Coolmeia, marcando o Dia Mundial da Alimentação. José Lutzenberger, Sebastião Pinheiro, Jacques Saldanha, Nélson Diehl, Glaci Campos Alves e outros nomes estão entre os fundadores da Feira. Hoje, 149 famílias divulgam sua prática agroecológica e, mais do que isso, o trabalho coletivo da Associação dos Agricultores Ecologistas Solidários do RS, temas tão caros ao pensamento acerca da biodiversidade.
A variedade dos alimentos oferecidos para os frequentadores da Feira supreende: quantas vezes pensamos nas outras possibilidades de arroz para além do branco e do integral? O agricultor da Associação Biodinâmica do Sul, Juarez Felipi Pereira, 55 anos, assusta. O "Seu Juarez dos arrozes" traz a Porto Alegre arroz cateto, aromático, agulhão, preto, vermelho e moti. Hoje guardião de sementes, Seu Juarez começou praticando a agricultura convencional, até perceber que estava contribuindo para o empobrecimento da biodiversidade, além de perder pontos na própria saúde.
-- Quando o agricultor escolhe o que plantar, ele escolhe o que acha que há de melhor, afirma.
Seu Juarez defende as "suaves misturas" que a natureza provoca, inclusive entre os 19 tipos de arroz que hoje cultiva, sem nunca ter se preocupado em purificá-los. Para ele, a sociedade, violentada pelo imperativo econômico da Revolução Verde, desconhece a variedade existente de alimentos. Conceito que a ativista ambiental indiana e doutora em física Vandana Shiva ampliaria, criando o entendimento do que chama de "monoculturas da mente".
...
Certamente essa tendência de monocultura leva a um posicionamento centrador, que bloqueia o avanço de um conhecimento maior sobre tipos de alimentos ainda desconhecidos. Esse comportamento que a visão positiva traz a qualquer conhecimento do mundo exclui possibilidades outras, ou seja, para "fora do caminho" pragmático da eficiência, que não sirvam para aplicação na lógica mecânica do sistema financeiro.
Seu Juarez adiciona: quando leva seu arroz para a Feira, o pagamento ainda é outro. O amor e a gratidão do "cidadão urbano" (termo que preferiu em vez de "consumidor") para com aquele que produziu o alimento de forma harmoniosa volta através das mãos do agricultor.
- Esse amor que eu recebo na rua eu planto junto, eu levo para a terra."
Extraído do texto "A importância das mãos " de Anelise de Carli
A feira acontece aos sábados, das 7h às 13h, na rua José Bonifácio, Bairro Bonfim, Porto Alegre.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
DONA YOLANDA E A LIVRARIA COLETÂNEA – Crônica
A Coletânea ficava nos altos do Mercado Público. Naquelas janelas onde está indicado.Clique nas imagens para ampliar.
Mil novecentos e oitenta.
Treze anos de idade.
Um ano de azar e de sorte.
Azar porque repeti o ano, sorte porque fiz amizades que ainda estão por aqui.
E por mais que os anos nos tenham separado durante certo tempo, esse texto não existiria se não tivesse conhecido essas pessoas.
Mas essa crônica não é sobre essas pessoas, é sobre uma outra, que apesar de não ter tido a oportunidade de conhecer bem, tratou a mim e aos meus amigos como se fossemos seus filhos, o que de certa forma, fomos.
Em Milão, esta Comics Store e sua bagunça organizada me lembrou muito o ambiente aconchegante da Coletânea. Como eu dizia, foi em 1980 que um novo amigo me levou ao Centro e me fez subir os dois lances de escada que levavam ao terraço do Mercado Público de Porto Alegre. Havia uma placa antecedendo uma sala enorme onde maravilhas eram vendidas, trocadas, colecionadas e discutidas por pessoas de todas as idades. Na placa estava escrito Livraria Coletânea. Sua proprietária e única atendente era uma senhora de mais ou menos 50 anos: Dona Yolanda.
Uma paixão avassaladora dominava a mim e aos meus amigos na época. E a todos que entravam na Livraria Coletânea. Mas a mais apaixonada deveria ser, sem dúvida, a Dona Yolanda. Nossa paixão: Histórias em Quadrinhos, ou se preferir, gibis. Sim, gibis. E o que demonstraria maior paixão do que criar um lugar só para eles? Um lugar onde eles não fossem tratados apenas como mercadorias, mas onde as pessoas pudessem conhecer outros colecionadores, fazer amizades, criar fanzines? A Dona Yolanda não tinha a única Comics Store (na época esse nome nem existia) de Porto Alegre... havia outra, mas naquela, não se podia ficar mexendo nas revistas e as pessoas só entravam para comprar e nada mais. Para mim, era como se nem existisse.
Os álbuns gigantes de Flash Gordon ilustrados pelo mestre Alex Raymond foram uma aula de história dos comics.Mas na Coletânea da Dona Yolanda a história era outra. Como uma simpática professora, ela nos mostrava, entusiasmada, todos os grandes mestres da ilustração e as melhores narrativas. E não posso deixar de dizer... era engraçado ser introduzido mais ainda no reino dos quadrinhos por uma pessoa mais velha que meus pais e que ainda por cima era mulher, já que o mundo dos Quadrinhos costuma ser essencialmente um Clube do Bolinha. E havia essa outra qualidade que só as livrarias mais modernas tem hoje em dia. Lá, podia-se ler os gibis! Comprando ou não, podia se ler de tudo! Posso dizer que já morri, fui para o Céu e voltei... E para quem acha que esse tipo de marketing não dá certo, engana-se. Eu acabava comprando boa parte do que lia, pois não conheço colecionador que após ler ou apreciar a história ou as ilustrações, que não fique com uma coceira no bolso.
Lá eu conheci e li a série de álbuns do FLASH GORDON escritas e ilustradas pelas magníficas mãos de Alex Raymond, descobri que os heróis da MARVEL já haviam sido editados por várias outras editoras além das conhecidas EBAL, RGE e ABRIL. Achei até uma revista de 1972 chamada HARTAN, O SELVAGEM, que não era outro senão o famoso CONAN, O BÁRBARO. O porquê dessa estranha modificação do nome ninguém soube dizer, mas hoje acredito que a editora simplesmente publicou o personagem sem pagar os direitos à MARVEL. Pirataria de gibis era comum na época...
Durante três anos eu frequentei a livraria duas vezes por semana para encontrar com os amigos, conversar sobre quadrinhos e ampliar minha modesta coleção. Me lembro com carinho certa vez em que estava com pouco dinheiro e queria muito comprar um exemplar de 1975 da revista do HOMEM-ARANHA que faltava na minha coleção e ela, notando minha decepção ao saber do preço, me vendeu pelo dinheiro que podia pagar!
E assim a Coletânea e a Dona Yolanda funcionavam, de modo meio anárquico, e nós agradecíamos, com muita propaganda boca-à-boca e comprando suas raridades. Mas como todo herói de Histórias em Quadrinhos, a Dona Yolanda teve seu arquiinimigo. O ano era 1983 e a prefeitura da época queria o espaço alugada da Coletânea para alojar um departamento do DMAE. Útil ou não, isso acabaria com o espaço cultural extra-oficial que era a Coletânea. Apesar do abaixo-assinado feito na época, a Coletânea teve que sair. Mudou-se para uma sala duas vezes menor em um prédio próximo, escondida entre os andares e entre escritórios burocráticos. Em 1985 conseguiu se mudar para uma grande banca externa entre o MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul) e o antigo prédio dos Correios (hoje um centro histórico cultural). Dona Yolanda não conseguiu se adaptar e passou a banca para sua filha e genro. Nessas alturas, a Coletânea como todos a conhecíamos, não existia mais. A mudança da Coletânea foi ruim para nós e muito pior para a Dona Yolanda, que já não se encontra mais entre nós.
O gibi do Homem-Aranha que a Dona Yolanda me vendeu com super-desconto. Este e outros estão na minha estante até hoje...
Mas a paixão pelos quadrinhos que ela ajudou a gerar e a manter durante todos aqueles anos continua dando frutos até hoje. Sem ela, as Comics Stores que surgiriam logo após seu fechamento, não teriam surgido, pois elas apareceram para preencher o vácuo deixado pela Coletânea. E arrisco, até mesmo a GRAFAR, a associação de artistas gráficos do RS, sem as antigas e juvenis reuniões na livraria da Dona Yolanda no Mercado Público, onde boa parte dos colecionadores, desenhistas e roteiristas de Porto Alegre devem ter tido um agradável papo sobre Quadrinhos com ela.
Janeiro, 1993
P.S. – Infelizmente não tenho fotos nem da Dona Yolanda nem da Coletânea. Atualizei alguns dados do texto e desde 1997, o mezanino do Mercado Público, onde ficava a Coletânea, virou um local de alguns bons restaurantes e espaços culturais. Até feiras de Quadrinhos se realizam por lá agora. Ironias desse Brasil...
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