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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O HOMEM - Quadrinhos

No ínicio dos anos 90, inspirado pelas leituras do Sandman de Neil Gaiman e por contos e poemas de Edgar Alan Poe, escrevi uma pequena homenagem aos dois, que Walter Pax e Jack Kaminski ilustraram maravilhosamente.

Publicada na Made in Brazil 3, a arte, que já era escura e em tons de azul, acabou sofrendo com a impressão offset em PB. Vivendo e aprendendo.






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domingo, 2 de setembro de 2012

MÁQUINA FANTASMA – Comics

 
 
MÁQUINA FANTASMA é uma série criada por Walter Pax concebida para ser uma espécie de lado negro do Scooby-Doo e sua turma. No entanto, ele optou por apenas parodiar Salsicha e Scooby-Doo, que aqui são um metaleiro drogado e um pastor dinamarquês preto. Fui convidado para desenvolver roteiros para a série e resolvi trabalhar o humor negro que os personagens pediam. E seguindo o mesmo conceito da série animada nos anos 70, os coloquei no caminho dos grandes monstros dos filmes de horror.

Essa história foi publicada originalmente na revsita A3 Quadrinhos, editada por Matheus Moura.

Clique nas imagens para ampliá-las ou baixe o PDF aqui.  















terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A3 QUADRINHOS – Comics

Capa.
Clique na imagens para ampliá-las.

O Projeto

A3 QUADRINHOS é uma revista dedicada a quadrinhos do gênero Fantástico (FC, Fantasia e Horror). Financiada pelo Fundo Municipal de Cultura de Uberlândia/MG e editada por Matheus Moura, a revista é mais uma das inúmeras tentativas de promover o Quadrinho Nacional. Matheus Moura é mais um desses idealistas necessários que, num mercado dominado pelo quadrinho americano, tenta divulgar seu trabalho e o de seus colegas de todo o Brasil.

De acordo com o editorial, a revista só tem dois números financiados, sendo que os restantes, caso vejam as tintas da gráfica, serão financiados por outros meios. A grande maioria das tentativas editorias de se publicar quadrinho exclusivamente brasileiro não dura muitas edições, mas vamos torcer para que A3 não siga o mesmo destino.

Capa do n°2. Já está à venda.

A revista tem 110 páginas de quadrinhos coloridos, PB e meio tom, exibindo uma grande variedade de estilos artísticos de artistas nacionais dos anos 80 ao século XXI, além de narrativas que vão desde homenagens a H. P Lovecraft até ataques de eco-terroristas. Alguns dos ilustradores, como Mateus Santolouco e Walter Pax, já vêm publicando trabalhos no exterior há algum tempo.

Por ser uma revista financiada com dinheiro público, Matheus Moura optou por vender a revista a um preço bem acessível, apenas R$ 3,50.

Se você curte ou quer conhecer uma amostra do Quadrinho Fantástico Nacional, mande um e-mail para: revistaa3@gmail.com ou acesse o blog REVISTA A3 QUADRINHOS
para saber mais sobre o projeto, onde encontrar e sobre o lançamento do número 2, do qual eu participo com a história MÁQUINA FANTASMA, ilustrada por Walter Pax.

MÁQUINA FANTASMA é "Scooby-Doo encontra Exorcista."

A Revista

Como a maioria das revistas do gênero, a A3 QUADRINHOS congrega roteiristas de diversos estilos e gêneros. Alguns com pouco tempo de estrada no ramo, outros há décadas tentando viver o sonho. E é na sua variedade de narrativas e traços que a A3 QUADRINHOS revela sua força e sua fragilidade.

CRASH TEST, a HQ que abre a revista, tem roteiro de Ric Milk e arte de Marcelo Cabral. Não há história propriamente dita, apenas um situação de perseguição à uma andróide. Para quem já viu BLADE RUNNER e o 5º ELEMENTO, ambos com visual baseado nos quadrinhos do francês Moebius (Jean Giraud), fica fácil reconhecer de onde vem todo o visual futurista do traço clean de Cabral. Uma clara homenagem aos filmes citados e a Moebius, uma pena que ela fique apenas nas belas imagens, já que o roteiro é apenas uma mistura de situações dos 2 filmes e com um final incipiente.

Um belo trabalho de cor em CRASH TEST.

Em A PRAGA, uma mulher desperta com seu corpo mutilado e se encontra num porão repleto de gente morta ao estilo do filme OLHOS FAMINTOS. Embora não pareça remeter a nada sobrenatural como o filme, o roteiro de Bruno Bispo com o traço original de Victor Freundt, consegue transmitir o desespero da personagem, que como o leitor, ignora como e porque foi parar em tal situação. As fotos dispostas ao longo da HQ, antes de apenas explicar de forma não-linear de onde veio a personagem, ajuda a humanizá-la, criando no leitor empatia suficiente para que ele se importe com seu destino.

O veterano E. C. Nickel escreve, desenha e pinta KAVAN, onde um astronauta solitário tem sérios problemas cada vez que um dos tripulantes desperta de seu sono criogênico. A narrativa não tem nada que já não tenha sido lido em outras HQs ou filmes e a linguagem visual (disposição dos quadrinhos e enquadramentos) de Nickel se mostra bastante datada. A impressão é de que se está lendo uma HQ do início dos anos 80. Mas isso é um problema comum com muitos artistas. Eles se apegam a um método de contar histórias e ficam presos à ela. Acontece até com estrelas da Marvel e DC. O que se salva é a aplicação competente de cores.

Veteranos marcando presença.

DEUS, de Roberval Coelho, é sobre um guerreiro motivado pela perda do seu amor que empreende uma luta contra tudo e contra todos para matar Deus. Com uma arte estilo super-heróico, mas com traços ainda imaturos, a HQ de Coelho só reproduz clichês de outras histórias sobre Deus e o Diabo. Ela continua na próxima edição, mas do jeito que acaba, nem precisaria.

O OLHO DE CTHULHU inspira-se livremente na mitologia criada pelo escritor H. P. Lovecraft, muito provavelmente o melhor autor de Horror do século XX. Matheus Moura e Walter Pax escrevem um roteiro com personagens demais e situações que não se encaixam muito bem e cujo único elo de ligação são os Antigos. Apesar de não empolgar conter a atmosfera apavorante das obras de Lovecraft, as estranhas e belas ilustrações de Pax reproduzem parte do tom épico da obra do falecido autor.

Os detalhes de Pax são divertidos: um cão gigante.

A história mais politizada e realista da revista é O.R.L.A.: OPERAÇÃO, onde um grupo de eco-terroristas invadem uma laboratório de testes de animais para libertá-los. Nem tudo sai do jeito esperado... Com um roteiro estilo hollywood (no bom sentido) de Matheus Moura, mas com excesso de diálogos (talvez por causa da importância do tema), a HQ consegue prender o interesse do leitor. O traço limpo e dinâmico do ilustrador Caio Majado se ajusta bem a narrativa criada por Moura.

Não é fácil a vida de quem gosta de animais.

BETWEEN THE SHADOWS (Entre as Sombras) é a HQ mais épica e pretensiosa da revista. Por esse motivo é a capa (arte de Mateus Santolouco) da mesma. Com 20 páginas e vários personagens, incluindo um poeta imortal, Satã e um anjo inseridos numa metrópole urbana contemporânea, o roteiro de Nando Alves promete. Vamos esperar que cumpra. A arte precisa e fotográfica de Eduardo Cardenas se ajusta bem a todos os ambientes da história. Uma pena o artificialismo típico de jovens ilustradores em relação a nudez feminina, onde a personagem Sara parece mais estar posando para uma foto do que realizando uma ação real. Mas enfim, isso passa.

Temas adultos em BETWEEN THE SHADOWS.
A HQ de FC, ARMOLITHUS, de Matheus Moura e Rodrigo Lara lembra um pouco as antigas histórias da revista HEAVY METAL, onde soldados em roupas robóticas disparavam raios em alienígenas e transavam com belas mulheres semi-nuas. O cenário psicodélico e bizarro era o que interessava de fato, já que os roteiros nunca faziam muito sentido e o destino dos personagens raramente importava. O mesmo acontece aqui.

Lembrando Heavy Metal...

ZULU é um épico light misturando tribos africanas, reis bíblicos e monstros gregos bem conhecidos e inicia dizendo que essa história ocorre “antes das lendas”. Apesar do contrasenso, a narrativa tem uma pegada SAMURAI JACK que agrada. A boa sacada final do roteirista Gian Danton e a cartunesca e simpática arte de Will, que lembra muito o ilustrador Spacca, fecham a revista com dignidade.

Zulu é o cara!