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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CACHALOTE – Quadrinhos

Capa da graphic novel.
Clique nas imagens para ampliar.

Nesta bela graphic novel de 280 páginas que demorou dois anos para ser produzida, Daniel Galera e Rafael Coutinho demonstram que os Quadrinhos nacionais chegaram à sua maturidade.

Sinopse

Uma velha grávida, um decadente ator chinês no Brasil, um escultor apaixonado pela sua arte, um rapaz adepto do bondage, um playboy de moral duvidosa, um escritor e sua ex-mulher... Personagens que não se cruzam, mas que se entrelaçam em sua humanidade.

Os Autores



Entrevista com os autores na Palavraria, em Porto Alegre (RS), onde eu estive para garantir meu exemplar autografado ;-)

Daniel Galera foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Foi um dos convidados da segunda edição da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), em 2004. Já publicou quatro livros, além de ter participado em algumas antologias de contos. Seu último livro ganhou o Prêmio Machado de Assis de Romance, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional em 2008. ATÉ O DIA EM QUE O CÃO MORREU (2003) foi adaptado para o cinema em 2007 com o título CÃO SEM DONO, com direção de Beto Brant.

Rafael Coutinho se formou em Artes Plásticas pela UNESP em 2004. Produziu curtas-metragens como animador e diretor (AQUELE CARA (2006) e AO VIVO (2008), e participou de importantes publicações como quadrinista (BANG BANG - ed. Devir-2005, CONTOS DOS IRMÃOS GRIMM - ed. Desiderata). Foi integrante do grupo Base-V, produzindo murais, exposições e publicações de arte experimental. Desde 2007, expõe pinturas, desenhos e esculturas na Choque Cultural.

A Graphic Novel

Para quem curte cinema como eu, CACHALOTE imediatamente remete a dois grandes filmes: SHORT CUTS de Robert Altman e AMORES BRUTOS de Alejandro González Iñárritu.
E a boa notícia é que não fica nada a dever para nenhum desses dois. Se transformado em película, CACHALOTE seria um daqueles filmaços de 3 horas de duração que imediatamente se transformaria em cult movie, se bem dirigido.
O storyboard está pronto e os diálogos são tão naturais, dinâmicos e despojados que não carecem do nenhum tratamento adicional. Como num filme de Hal Hartley.

Xu Dongsheng, um decadente ator chinês que perde um amigo do qual mal tomava conhecimento.

O roteiro de Galera, com colaborações do ilustrador Coutinho, nos coloca em realidades tão conhecidas quanto distantes de nossas vidas razoavelmente pacatas. Supondo aqui que a maioria dos leitores desse blog não são uma velha grávida, um ator chinês, um escultor, um(a) adepto(a) do bondage, um playboyzinho e um escritor deprimido.
Mas por mais diferentes e incomuns que sejam alguns desses personagens, suas motivações, dúvidas e necessidades são os da maioria dos seres humanos ditos normais e funcionais: a busca pelo prazer, pelo amor, pela realização pessoal, seja ela qual for.

A Cachalote que dá título ao livro está lá, às vezes de forma literal, às vezes simbólica ou onírica e segundo os autores, aplicando-se a já velha visão pós-moderna, cabe a cada um entendê-la como quiser. Eu nem vou dizer o que a baleia representa para mim para não arriscar passar por burro...

A imagem mais bela da obra. Inspirada neste vídeo do Chemical Brothers?

O traço preto e branco de Coutinho (filho de Laerte, fui saber a pouco) nos mostra um mundo bonito habitado por pessoas de aparência feia e/ou patética . Para quem está acostumado a quadrinhos mais tradicionais, onde todos tem rosto e corpo de modelos, os personagens de CACHALOTE nos jogam na cara a realidade do corpo humano da pessoa comum, ou seja, nós mesmos. Nem mesmo a garota mais linda da narrativa toda tem um corpo belo. E seu rosto nunca é mostrado...
Lembrando em algo os originais traços do desenhista francês François Bouq, Coutinho, claro, tem um estilo que rivaliza com o dos melhores profissionais da área.

Considerações Finais

Tinha pensado em escrever sobre cada um dos personagens e suas desventuras, mas isso implicaria em descrever e comentar algumas cenas chaves da narrativa e eu odeio quando leio esse tipo de coisa em resenhas e críticas.
Então, minha sugestão é que, se você gosta de narrativas não-convencionais, bizarras e sobretudo, honestas e verdadeiras; leia logo essa obra-prima do quadrinho nacional. Coisa que raramente acontece por aqui...

Ah, sim. Cachalote em inglês é Sperm Whale. Fica a dica... ;-)

A misteriosa narrativa do escultor assediado por um cineasta que escreveu um roteiro de ficção que contém elementos demais de sua própria vida é a mais intrigante da obra.


Quer comprar?


NOVO – Clique nos banners do Submarino ao lado e digite CACHALOTE na busca.

Usado


Boa leitura.

domingo, 10 de janeiro de 2010

OFICINA GRATUITA DE QUADRINHOS EM PORTO ALEGRE – PROJETO DIONÍSIO

Necrosha, trabalho de Mateus Santolouco recentemente publicado nos EUA pela Marvel.


A Oficina

A Oficina Gratuita de Quadrinhos – Projeto Dionísio é parte integrante da criação e publicação da graphic novel DIONÍSIO, com roteiro de Jerri Dias e arte de Mateus Santolouco.
Este projeto recebeu financiamento do FUMPROARTE – SMC - Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

A oficina será ministrada gratuitamente pelo roteirista Jerri Dias e pelo ilustrador Mateus Santolouco com 10 aulas com duração de 2 horas/aula, num total de 20 horas.

Serviço

Local: Livraria Cultura – Shopping Bourbon Country, ao lado do Shopping Iguatemi - PORTO ALEGRE

Data: De 16 de janeiro à 27 de março – somente aos sábados

Horário: Das 14:00 às 16 hs.

Faixa etária: a partir dos 13 anos.

Vagas: 15 alunos

Inscrições pelo e-mail: projetodionisio@hotmail.com

Para participar apenas responda com um texto de 3 a 5 linhas:

PORQUE QUERO FAZER UMA OFICINA DE QUADRINHOS?

Enviar nome completo, idade e endereço.

A oficina é gratuita.

Não é necessário currículo ou portfólio.

Material: Caderno de anotações, prancheta, caderno ou folhas de desenho, lápis, borracha e caneta.

Os ministrantes

Jerri Dias é escritor e cineasta, tendo publicado o livro Assunto de Inimiga (Ed. Marco Zero), a graphic novel Zarathustra (Ed. Via Lettera) e realizado diversos curtas premiados e a minissérie Pé na Porta para a RBS TV.
www.jerridias.blogspot.com

Mateus Santolouco tem trabalhado para diversas editoras americanas desde 2006, incluindo Image e Marvel. Publicou a graphic novel The Revenant, criada por Keith Giffen e Shannon Denton, pela Desperado Comics, além de desenhar mensalmente a série Fall of Cthulhu para a Boom! Studios.


AVISO ÀS LEITORAS DA REVISTA CAPRICHO


Caso queiram aparecer de susrpresa para autografar seus exemplares de ASSUNTO DE INIMIGA ou revistas CAPRICHO, por favor, apareçam após às 16:00.
Antes disso não poderei atendê-las.
E quem estiver pensando em aparecer só pra perguntar sobre os VDG, eu sei menos sobre eles do que vocês.
E eu só ministrarei as aulas nos dias 16, 23 e 30 de janeiro e 6 de fevereiro, aos sábados.
Após, as aulas caberão ao Mateus Santolouco.

Grato.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MONDO URBANO – Quadrinhos

Capa da primeira edição.


A Mondo Urbano é a união de três talentosos ilustradores nacionais na tentativa (aqui, sempre são tentativas) de publicar quadrinho nacional de qualidade com um apelo mais pop.

Nesse caso nem é pop, mas hardcore mesmo, já que os quatro exemplares lançados narram as desventuras de uma banda de heavy metal chamada DEMO, de seus fãs e groupies. Apesar do roteiro ser um tanto clichê para quem já leu tantos quadrinhos como eu, para os mais jovens ou iniciantes na área, tenho certeza de que as dramáticas, bizarras e hilárias histórias dos personagens vão parecer bastante originais.

A banda DEMO não tem esse nome de graça...


Mas apesar da história não ser novidade para um veterano das HQs como eu, a narrativa não-linear ao estilo PULP FICTION dá um certo frescor ao roteiro, que também tem bons diálogos. E claro, os desenhos de Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque e Eduardo Medeiros, revezando-se nos capítulos, são modernos e de traço seguro, coisa rara de ser ver em certas publicações nacionais.

Ajuda, claro, o fato dos três ilustradores terem diversos trabalhos publicados por editoras americanas, o que fortaleceu em muito sua arte e profissionalismo.

As três primeiras edições estão esgotadas, mas se você procurar nas comic stores e sebos, você deve encontrá-las. Ou o jeito é esperar uma versão encadernada.

Wallpaper da segunda edição.

Visite o site pra conhecer mais dos gibis e dos autores:

MONDO URBANO

sábado, 29 de agosto de 2009

MACHO É ISSO AÍ ! - HQ

No início dos anos 90, eu e meus grandes amigos Drégus e Rodinério costumávamos fazer (quase) tudo juntos e uma das coisas que mais curtíamos fazer era passar noitadas no bar Tutti Giorni escrevendo contos absurdos, engraçados e surreais à três mãos nos guardanapos do bar. Tenho muitas e muitas páginas de guardanapos aqui esperando pra serem postadas. E de vez em quando alguns textos até prestavam e eram transformados em Histórias em Quadrinhos ou contos mais elaborados.
Foi uma época de experimentação, de brincadeira, de diversão e de muita, muita criação.

Abaixo, um dos contos de guardanapo que virou HQ pelas espertas mãos de Pax e Jack!

Cliquem nas imagens para ampliar e salvá-las.

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terça-feira, 16 de junho de 2009

PICABU Nº 4 - Quadrinhos

Ilustração de Moacir Martins (clique para ampliar).

Bom, em primeiro lugar não precisa se preocupar em comprar os 3 primeiros números, até porque já fazem 17 anos desde o lançamento da Picabu n° 3.

Mas para quem já conhecia o fanzine dos anos 90, vai ficar contente de saber que além de seguir o mesmo estilo; autores independentes contando narrativas surreais, eróticas e políticas; a PICABU agora virou uma revista de qualidade de 96 páginas em PB com um belo acabamento gráfico.

Nada mais justo, visto que alguns dos mesmos autores de 17 anos atrás estão de volta mais maduros e experientes em sua arte junto com uma nova geração de roteiristas e ilustradores.

E o que, exatamente, você encontra na PICABU?

Bem, tentar decifrar os quadrinhos desses autores é uma tentativa que cabe a cada leitor, pois a maioria delas aposta na capacidade de cada um em se deleitar com o estranho, o bizarro e o simplesmente indecifrável. Em alguns dos trabalhos a sensação é de estar lendo um sonho. Ou um pesadelo.

A revista abre com a instigante “Mathias Rosner”, de Fabiano Gummo, onde o cientista do título desenvolve uma estranha teoria de que, ao tocar nossas vozes ao contrário, elas revelarão mistérios e desejos de nosso inconsciente.

Carlos Ferreira apresenta “Ondas”, onde belíssimas ilustrações inspiradas em xilogravura narram uma tragédia circular.

O mundo de cabeça para baixo é o que inspira a surreal e silenciosa narrativa de Rafael Sica.

Carlos Ferreira retorna mostrando sua versatilidade em um estilo mais convencional, mas não menos talentoso, ilustrando o conto “Telencéfalos” do escritor Leandro Adriano sobre um estudante de medicina que pensa demais ao dissecar um cérebro.

Telencéfalos, de Leandro Adriano e Carlos Ferreira (clique para ampliar).

O erotismo corre solto com os traços de Moacir Ferreira na história com a edição mais "cinematográfica" da revista com um homem, uma mulher e uma ducha.

“Vostok” de Fabiano Gummo, me lembrou o tipo de cena de algumas criativas séries americanas, com diálogos fluídos e inteligentes.

Nik Nevs ilumina as páginas revista com suas ilustrações no estilo linha clara. Com roteiro de Leandro Adriano, “Homem-Sedento” mostra homens-lanterna perdidos no deserto da burocracia.

“Escândalo”, de Rodrigo Rosa é a HQ mais tradicional e crítica da revista. A briga de uma celebridade torna-se foco de atenção da sociedade através da mídia sensacionalista de sempre. A crítica à futilidade da TV e das famosidades já teve HQs demais para se exigir muita originalidade de Rosa, mas os diálogos engraçados, o desenlace irônico mantém o interesse. E a última ilustração joga na nossa cara que a solidão individual é coletiva.

Escândalo, de Rodrigo Rosa (clique para ampliar).

E dá-lhe mais putaria em “Caros Amigos”. Moacir Martins retorna com um triângulo amoroso que termina deixando um dos lados na mão...

Nik Nevs também retorna novamente com seus mágicos, dançantes e românticos homens-lantera. Simpáticos como mímicos. Sim, eu gosto de mímicos.

Magique, de Nik Nevs (clique para ampliar).

“A Contagem”, com roteiro de Guaraci Fraga e desenhos de Rodrigo Rosa mostra o drama de humor negro do menino burro da sala que tem que acertar apenas uma pergunta pra não repetir o ano novamente. No final, ele se revelará mais esperto do que parece.

E Rafael Sica fecha a revista com seus traços originais na cosmética história do homem sem rosto.

Como todo quadrinho independente, os autores da PICABU desafiam seus leitores a explorar narrativas e anti-narrativas intrincadas e complexas como um bom labirinto.
E quem não gosta de se perder em um labirinto?

Interessado? Conheça o blog e entre em contato com os autores.

PICABU

E compre a revista por apenas R$ 10,00 através do e-mail:

revistapicabu@gmail.com

Lembrando que a revista tem conteúdo adulto.


ENQUANTO ISSO...


Ainda não deu presente do Dia dos Namorados?
Ainda dá tempo com essas dicas ultra-caprichadas.

E tem post novo lá no Blog da Capricho.


40.000 VISITAS!


Valeu, gente!
Sempre me esforçando pra fazer um blog decente pra mim e pra vocês!


CIBO MATTO – Know Your Chicken

Esta banda nova-iorquina formada por duas japonesas fazia um rock pop alternativo irreverente e muito gostoso de ouvir como essa canção, que diz pra você conhecer melhor a sua galinha. E elas estão falando da galinha da fazenda, não daquela sua amiga.