Continuando...
As filmagens começaram tranquilas, sempre com aquele frio na barriga de “será que eu dou conta?” Eu estava confiante de que sim, mas a Lei de Murphy está sempre presente e à medida que as filmagens progrediam, problemas técnicos apareciam e desapareciam, alguns rapidamente, outros nem tanto, o que acabou gerando um atraso bem grande no nosso cronograma de filmagem já no 5º dia dos 17 previstos pra gravar toda a minissérie.
O Cronograma de Filmagem, basicamente, é uma lista de todas as tomadas que temos que fazer durante o dia pra que a minissérie fique pronta dentro do prazo previsto, pois cada dia extra, são milhares de reais a mais que se gastam.
Lá pelo meio das filmagens, já estávamos com 2 dias de atraso e uma reunião foi convocada pela RBS TV onde se decidiu que os roteiros deveriam ser retrabalhados para cortar e diminuir cenas para que as filmagens acabassem no prazo.
E isso, era uma coisa, que eu, mais do que os outros, deveria ter notado quando o primeiro roteiro ficou pronto: eles estavam grandes demais. Pra encaixarem certinhos em 15 minutos, todos os 5 roteiros deveriam ter, entre 13 e 15 páginas, mas todos tinham entre 16 e 18 páginas. E em se tratando de roteiro, cada página equivale a um minuto na tela, ou seja, nós estávamos gravando vários minutos de filme além do que precisávamos ou poderíamos exibir.
Claro que é normal gravar horas de filmes e usar poucos minutos, mas o problema é que estávamos realmente gravando cenas longas demais ou mesmo cenas que não teriam como entrar dentro do programa e normalmente, cada minuto na telinha nos tomava 3 horas de trabalho, foram 45 horas de gravação dedicadas à cenas que não entrariam de jeito nenhum no programa.
E isso poderia ter sido resolvido muito antes das gravações se eu simplesmente tivesse dito “Ei, esse roteiros estão muito grandes, vamos deixá-los com 14, 15 páginas e nem uma palavra a mais.” Se eu tivesse dito isso, a gente simplesmente teria ganho 3 dias de filmagem e tudo teria ido à mil maravilhas. Mas eu não disse e aí, as filmagens alternaram momentos de tensão e diversão e ansiedade o tempo inteiro. E nem eu e nem parte de minha equipe pudemos fazer tudo o que a minissérie merecia, mas enfim, ás vezes até grandes diretores de Hollywood ficam frustrados, então, o lance é aprender com os erros e acertos e tentar acertar mais da próxima vez.
Já a edição foi bem mais tranqüila, apesar de ultra-demorada por causa dos inúmeros efeitos visuais e sonoros que a série exigia. O primeiro demorou três semanas pra ser finalizado, mas depois a gente engrenou e os outros foram mais rápidos e (quase) todos gostaram bastante do resultado final, inclusive eu, que modéstia à parte, sabia que iria ficar acima da média em termos de entretenimento.
E se você curtiu a série e quer saber mais sobre os atores, os roteiristas, ver fotos, entrevistas e até uns videos extras, clique PÉ NA PORTA.
Obrigado por assistir.
E enquanto você espera o episódio carregar, você pode curtir o clip do The Cramberries (1989 -2003), uma das minhas bandas preferidas de rock alternativo, que está sendo exibido aqui no rodapé deste blog ou então ler minha última coluna e meu último post no site da Capricho.
Boa sessão.
Coluna.
Blog.
PÉ NA PORTA - EPISÓDIO 5 - A HORA DO PESADELO from Jerri Dias on Vimeo.
Clique no asterisco para assistir em tela cheia.

