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sábado, 10 de janeiro de 2015

Sobre a Arrogância do Bicho Homem - opinião



Reinaldo Azevedo, jornalista da Veja, escreveu um artigo chamando os ativistas que libertaram os cães beagles do Laboratório Royal de criminosos. Além disso, comentou que devemos nossa saúde, longevidade e em muitos casos, nossas vidas aos testes de animais. Isso pode ser verdade. Ou não.

De acordo com o Dr. Ray Greek, cuja entrevista linko aqui, os testes em animais não garantem nada. De acordo com suas pesquisas e um mero raciocínio lógico, sabemos que determinado remédio pode até funcionar bem para um grupo de pessoas, mas pode deixar um outro grupo pior ainda. Se a diferença genética entre um ser humano e outro é grande a ponto de o mesmo remédio não funcionar para um e outro, no caso de animais que possuem entre 2% e 5% de diferença genética dos seres humanos, os resultados efetivos desses medicamentos podem ser ainda mais díspares.

Reinaldo Azevedo questiona com deboche uma ativista que diz que já existem métodos para testar medicamentos sem uso de animais. Nessa entrevista, Ray Greek explica quais são os disponíveis no momento. Essa entrevista foi publicada 3 dias antes de Azevedo escrever sua coluna. Já que iria escrever sobre o assunto, ele deveria ler a revista na qual trabalha para ficar melhor informado.

Quando Greek menciona os bilhões de dólares que laboratórios recebem para realizar pesquisas em animais, o porquê da utilização e sacrifício de tantos animais cai na óbvia mas  auto-explicativa questão da ganância. Talvez testes virtuais e em humanos simplesmente gerem menos lucro. E como sabemos, acionistas não gostam de laboratórios que dão menos lucro que outros. Ética não é algo que faz parte da equação.



O texto de Azevedo, adequado a outros tempos e com algumas modificações sem alterar o tom e a ideologia, poderia ser lido assim (leia o texto dele antes de ler o que segue abaixo):

“Aquelas pessoas que invadiram a senzala, depredaram o engenho, destruíram os barris de cana e roubaram os escravos são criminosas. Apenas isso. A imprensa, mais uma vez, está fazendo outro-ladismo, como se, nesse caso, houvesse duas verdades, o bom senso no meio, equidistante das posições extremas. Trata-se de uma mentira, de uma falácia.”

“Que tempos estes, em que os covardes permitem que prosperem os idiotas. O sujeito que eventualmente está lendo este texto pronto a verter a baba hidrófoba, responda para si mesmo, não para mim: a) vai abrir mão de seus escravos para pagar brancos para fazerem seu trabalho?; b) vai abrir mão de legar uma herança de mão de obra escrava para os filhos que tem ou que um dia terá?; c) se e quando um ente querido depender completamente de escravos para sustentar sua família, vai tentar convencê-lo a libertar os negros?”

Ou

“Não sabem? Então parem de perder seu tempo e vão estudar! Essa ferramenta que você têm aí na mão não serve apenas para que expressem seus sentimentos, seus rá, rá, rá, seus kkkkk e outras glossolalias. Também serve ao estudo, à pesquisa, à reflexão. Há uma enorme diferença entre a mulher sair para as ruas exigindo direito ao voto e liberdade sexual e se realizar como mãe e  dona-de-casa. Não há um só país do mundo que não recorra a esse expediente.”

“Não é possível que homens sérios e que maridos que fazem um trabalho honesto vivam sob o signo da suspeição porque algumas malucas decidiram que não aceitam mais obedecer a eles. O promotor  Fulano de Tal, atenção!, abriu inquérito em dezembro de 1962 — há quase um ano — para apurar as denúncias de maus-tratos às esposas. Até agora, ele não chegou a nenhuma conclusão? O MP tem competência legal e recursos para recorrer a especialistas, que podem tirar as dúvidas dos promotores. Uma visita as casas teria bastado para demonstrar que tudo estava nos conformes. Mas quê…”    

Mudam os tempos e a cultura, mas alguns discursos não.





sexta-feira, 20 de abril de 2012

CAMPANHA - Divulgação



Voar sempre foi um dos maiores sonhos da humanidade.
Voar é o exemplo máximo de liberdade que podemos imaginar e vivenciar em nossa vidas.
Quando eu vejo um pássaro voando eu procuro dar atenção a esse fato tão corriqueiro quanto extraordinário.
No entanto, em algum dia do passado distante, alguém rabugento e invejoso deve ter pensado que se ele(a) não podia voar, também não deixaria os pássaros voarem.
E ele(a) pegou um pássaro, o símbolo máximo de liberdade, e o trancou em uma pequena gaiola para todo o sempre.
Outras pessoas rabugentas, invejosas, más ou simplesmente burras viram isso e repetiram o ato.
E hoje, milhões de pássaros que poderiam estar enfeitando nossos céus e mostrando que vale a pena sonhar com a liberdade, estão presos em gaiolas minúsculas, tolhidos do dom último que a natureza levou bilhões de anos para aperfeiçoar em erros e acertos evolucionários, que é a capacidade de voar.
Talvez muitas pessoas que tenham pássaros em gaiolas não sejam tão rabugentas, invejosas ou más assim, mas elas certamente não tem respeito pela natureza e devem ter um conceito bastante distorcido do que significa liberdade.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AVON FINANCIA TESTES EM ANIMAIS NA CHINA - Denúncia



Este artigo foi publicado originalmente no blog CONSCIÊNCIA.BLOG.BR e está sendo republicado neste blog com a permissão do proprietário do mesmo.


Por Robson Fernando de Souza

Há algumas semanas a PETA removeu da lista de empresas cruelty-free a Avon, que até então era muito conhecida e respeitada pelo mundo por sua política de não testar seus produtos em animais não humanos e pelo encorajamento de métodos alternativos de testes de segurança de cosméticos. E incluiu a companhia entre as empresas que fazem testes em animais.

Isso deixou muitos consumidores veganos dos produtos da empresa atordoados sobre o por quê desse retrocesso. E uma leitora me avisou dessa mudança. Tratei então de investigar por que isso aconteceu. Enviei e-mail primeiro à PETA, e assim me responderam (tradução livre):


Caro Robson,
 

Obrigado por nos contatar sobre a Avon. A Avon estava incluída na lista cruelty-free da PETA por mais de duas décadas, daí ficamos atordoados ao saber que ela está pagando por testes em animais na China. Isso significa que a Avon não se qualifica mais para ser listada como cruelty-free, e nós a movemos da nossa lista de empresas que baniram permanentemente todos os testes em animais para nossa lista de companhias que testam sim em animais.
 

Pelos testes em animais serem requeridos pelo governo chinês antes de muitos produtos cosméticos poderem ser comercializados na China, algumas companhias escolhem não vender seus produtos lá. Nós convocamos você para apoiar essas empresas e continuar comprando produtos das mais de mil empresas de nossa lista de cruelty-free, que pode ser encontrada em http://www.peta.org/living/beauty-and-personal-care/companies/default.aspx. Por favor, faça a Avon saber por que você não comprará mais seus produtos.

Avon Products, Inc.
1345 Avenue of the Americas
New York, NY 10105
dearavon@avon.com
212-282-5000
800-367-2866
 

Graças a um generoso financiamento dado à PETA, nós agora estamos apoiando os esforços do Instituto pelas Ciências In Vitro (http://www.iivs.org), que está provendo treinamento para cientistas na China no uso de métodos não animais de teste e trabalhando com membros do governo para aceitarem os métodos não animais que são usados nos EUA, na União Europeia e em muitas outras partes do mundo. Nós estamos demandando da Avon para que contribua significativamente para esse esforço apressar o processo.
 

Para ler mais sobre métodos não animais e como a PETA tem sido instrumental na aceitação desses testes por governos ao redor do mundo, por favor visite http://www.peta.org/issues/animals-used-for-experimentation/peta-scientific-papers-and-presentations.aspx.
 

Para aprender mais sobre como os animais sofrem em laboratórios, por favor vá a http://www.PETA.org/issues/animals-used-for-experimentation/default.aspx. Para se envolver nas outras campanhas da PETA, por favor veja http://www.PETA.org/action/default.aspx. Para fazer uma duação em apoio às campanhas da PETA para parar a crueldade contra animais, por favor visite http://www.PETA.org/donate.
 

Obrigado novamente por escrever e por tudo que você faz para ajudar os animais.
 

Com sinceridade,
 

O staff da PETA
http://www.PETA.org



Sabendo desse infeliz fato, enviei e-mail à Avon cobrando explicações e dizendo que não compraria mais produtos da empresa enquanto não parasse de pagar testes em animais na China. A companhia assim respondeu (tradução livre):


Obrigado por compartilhar seus pensamentos.
 

Obrigado por nos contatar.
 

O comprometimento da Avon em não testar em animais é o mesmo que tem sido por mais de vinte anos. 

Nada mudou, e nós continuamos a estar em comunicação com a PETA sobre o assunto. Nós sempre temos deixado bem claro que a Avon não conduz testes em animais “exceto quando exigido pela lei”. A Avon faz negócios em mais de cem países, e uma pequena porção desses países tem leis que requerem testes em animais. A Avon é apenas uma de uma longa lista de empresas de beleza globais que encaram a mesma questão. As únicas companhias que não vivem isso são aquelas que comercializam seus produtos em um número limitado de países. No entanto, em todo caso, antes de cumprir a lei, a Avon faz um esforço de boa-fé para persuadir a autoridade exigente a aceitar dados de testes não animais.
 

Por favor leia o anexo [em inglês] para aprender mais
 

Para colocar isso em perspectiva, a Avon oferece aproximadamente 9 mil produtos em mais de 100 países, e em 2011 menos de 0,3% desses milhares de produtos da Avon foram testados em animais tal como exigido pela lei (isto são três décimos de um porcento – 9000 x 0,003). Nossa meta é levar esse número a zero. É importante notar que a Avon independentemente substancia a segurnaça de seus produtos sem qualquer teste em animais e todo o programa global de segurança de produtos é calcado na oposição a testes desnecessários em animais e no respeito ao bem-estar animal. Em 1989 a Avon foi a primeira grande empresa de cosméticos no mundo a estabelecer uma política de não testar em animais. A única razão que uma pequena porção de produtos são testadas em animais é porque alguns governos ainda preciam aceitar o uso de abordagens alternativas cientificamente válidas para asseguramento de segurança.
 

Embora não possamos falar em nome da PETA, nós acreditamos que eles tenham decidido se tornar defensores mais agressivos na arena global com o foco em mudar leis na porção de países que requerem testes em animais para cosméticos. Avon e PETA compartilham o objetivo comum de persuadir os governos a aceitarem alternativas de abordagem cientificamente válidas aos testes em animais. A Avon está trabalhando junto com outras empresas globais de beleza para obter a aceitação de alternativas aos testes em animais ao redor do mundo.
 

É importante notar também que a Avon oferece empregos e oportunidades econômicas para indivíduos ao redor do mundo, com 6,5 milhões de representantes de vendas ganhando dinheiro para sustentar a si mesm@s e a suas famílias – e a vasta maioria d@s representantes de vendas são mulheres. Isso inclui muitas na China para quem as oportunidades econômicas são muito limitadas.
Representantes de vendas e consumidores da Avon podem continuar usando os produtos da Avon com confiança.
 

Susan Heaney
 

Equipe de Responsabilidade Corporativa da Avon
 

A Avon está comprometida em ser uma cidadã global responsável. Saiba mais em http://responsibility.avoncompany.com/


O que quer dizer que a Avon faz testes em animais não apenas na China, mas também numa quantidade indeterminada, dita pequena, de outros países.

Um detalhe importante a se observar é que, se houver um boicote vegano à Avon por ela pagar testes em animais nos países que obrigam tais testes e esse boicote for abertamente anunciado e persistentemente renovado pelas ONGs de defesa dos Direitos Animais, a Avon e outras empresas multinacionais de cosméticos e outros produtos vão pressionar os governos/regimes desses países de legislação especista a mudarem suas leis. Se não se deixam mudar com o apelo do povo, terão que mudar com a coerção das grandes empresas. Isso acreditando-se que essas corporações realmente irão se comprometer em pressionar governos/regimes para abolir a obrigatoriedade dos testes em animais.

Portanto, fica o aviso: a Avon ainda paga pela realização de testes em animais em países como a China.

Cabe aos veganos decidir boicotá-la desde já ou lançar um debate sobre a questão, se realmente vale a pena ou não fazer esse boicote. Esse assunto promete dividir opiniões entre nós vegan@s com a seguinte pergunta: é produtivo boicotar empresas multinacionais que são obrigadas por lei em outros países a testar seus produtos em animais?


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